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Algumas considerações sobre a visualização espontânea de auras

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Tonglen - a prática da Compaixão


Quando descobri o Tonglen foi como se reconhecesse um velho amigo que tinha perdido há muito tempo. Compreendi que esta prática - que foi secreta até ao século XI, e difundida a partir de então no Tibete pelo mestre Geshe Chekhawa  - era muito ao estilo de Jesus Cristo.

Geshe Chekhawa entrou um dia no quarto do seu professor e viu um livro aberto que dizia:

"Entrega todos os lucros e ganhos aos outros.
E recebe para ti todos os prejuízos."

Ele não descansou até encontrar um mestre que o ensinasse esta prática de enorme compaixão. Quando encontrou um mestre adequado uma das primeiras coisas que este lhe disse foi que esta prática é indispensável para quem quer chegar ao estado de Buda.
Um dos efeitos que verificou em si mesmo foi o desaparecimento do auto-apego. Ao fim de alguns anos ele começou a ensinar apenas a alguns discípulos mas um dia decidiu por compaixão ensinar a alguns leprosos, já que naquela altura era uma doença incurável. Todavia, muitos dos leprosos curaram-se ao praticarem Tonglen.

A noticia espalhou-se e muita gente apareceu a pedir-lhe ensinamento. No entanto, Geshe Chekhawa continuava a manter a decisão de secretismo. Até que um dia, enquanto ensinava a um dos seus poucos alunos, o seu irmão, indivíduo com um caráter execrável ouviu e começou a praticar. 

Geshe Chekhawa  desconfiou porque viu a mudança no seu irmão e foi isto que o convenceu de que o Tonglen era para todos.

São conhecidas muitas estórias de pessoas desenganadas pelos médicos que ao praticarem o Tonglen ficam curadas tanto no corpo como na alma.

O que é preciso fazer antes da prática?

Antes de mais têm de evocar a compaixão por vós mesmos. É o mais difícil, abrir a fonte do Amor, mas uma coisa que resultou imediatamente comigo foi lembrar-me a grande, incomensurável na verdade, Compaixão que um dia alguém me demonstrou na minha infância. 

Deixem que este sentimento venha aos vossos corações, transborde e vos encha de gratidão. Expandam esse sentimento a todos os seres vivos...  Apliquem-no em meditação Metta Bhavana até sentirem mudanças em vós mesmos e na relação que têm com os outros. 

Esta meditação é a base de toda a Compaixão pois abre os canais do Amor. Com ela compreendemos que somos todos iguais e por isso todos temos direito à felicidade. 

Sogyal Rimpoche diz que quando queremos ajudar alguém muito próximo (pai, mãe, marido, etc) devemos retirar-lhe esse "papel" e vê-lo como alguém igual a nós com os mesmos desejos, receios, sofrimentos. Isso permitirá amá-lo com uma nova visão. Podemos assim ajudar melhor e a nossa relação é mais verdadeira.

Colocar-nos no lugar do outro também é uma maneira de destruir o auto-apego do ego e extravasar a vossa compaixão.  

Usar um amigo para gerar compaixão é uma boa técnica porque é mais fácil sentir este sentimento por alguém que amamos. Depois transferem essa compaixão para a pessoa que querem ajudar. Isto vai dar mérito ao amigo que usarem.

Aliás qualquer destas práticas de gerar amor dá mérito a quem a pratica. No entanto, lembram-se no inicio que qualquer mérito deve ser doado a todos os seres vivos para que atinjam a iluminação?

Já no Bhakti Yoga falei nisto. Cristo disse:

Mateus 10:39
"Quem encontra a sua vida a perderá. Mas quem perde a vida por minha causa a achará."

Antes de iniciarem a prática, recitem, pedindo a todos os Seres iluminados e a Deus:

"Abençoai-me para que eu seja útil. Tudo o que faça, pense e sinta beneficie apenas os outros. Que eu seja um sinal de transformação do sofrimento de todos os que se aproximem de mim."

A este desejo de ajudar chama-se Bodhicitta que significa "coração da mente iluminada". Cit quer dizer consciência e Bodhi é corpo de Luz. Localiza-se no coração é aí que floresce a semente da natureza de Buda cuja raiz é o Bodhicitta.

Shantideva diz que só o Bodhicitta pode curar todo o Mundo. Elimina a ignorância, o apego, o ódio, as doenças e promove a iluminação e libertação total.

Prática Geral do Tonglen

Evocar e repousar na natureza da mente. Assim apercebemo-nos do carácter passageiro de todas as coisas.

1- Limpando a mente

A primeira coisa será inalar o ar e absorver tudo o que for insalubre na atmosfera da nossa mente. De seguida, quando exalarmos, devemos criar uma calma, alegria, claridade, purificando e curando-a. 


2- Auto-Tonglen


Dividir-se a si mesmo em pessoa A e pessoa B. A pessoa A é compassiva, cheia de amor e sem julgamentos; a pessoa B foi magoada, sente-se incompreendida e por isso está amarga, irada e frustrada. Quando inalarem o ar imaginem que A recebe no seu coração, com todo o amor, todo o sofrimento e mágoa de B. Quando exalarem o ar imaginem A a enviar todo seu amor, conforto, confiança, felicidade e alegria para B. Este, por seu turno, tocado pela compaixão de A, abre também o seu coração dissolvendo-se toda a dor e sofrimento que possuía até então.


3- Numa situação


Imaginem uma situação da vossa vida em que tenham agido mal e que por isso sintam culpa e remorsos.

Quando inalarem aceitem a responsabilidade total pelos actos, sem tentar justificar o vosso comportamento. Reconheçam com sinceridade e exactidão tudo o que fizeram de mal e peçam perdão do fundo do coração. Quando exalarem emitam sentimentos de reconciliação, perdão, cura e compreensão. Este exercício pode dar-nos forças para depois falar com a pessoa em questão directamente.

4 - Tonglen para os outros


Imaginem alguém a quem se sintam muito chegados, em particular uma pessoa que esteja mergulhada em dor e sofrimento. Quando inalarem, tomem para vós todo esse sofrimento e dor, com compaixão, e quando exalarem enviem-lhe cura, amor, alegria e felicidade.

Agora, tal como na meditação Metta Bhavana, alarguem gradualmente o vosso circulo e  e abarquem outras pessoas próximas, as que vos são indiferentes, as de quem não gostam ou têm divergências, acabando por incluir as monstruosas e cruéis. Por fim, incluam no vosso abraço, todos os seres vivos e, de facto, todos os seres sem excepção:


Os seres vivos são tão ilimitados como todo o espaço,
E que todos eles possam, sem esforço, compreender
a natureza das suas mentes,
E que todos os seres dos seis reinos, que possam ter sido, numa outra vida, o meu pai ou a minha mãe,
Atinjam em conjunto a base da perfeição primordial.



A Prática Principal do Tonglen

1 - Acalmem a mente e meditem sobre a compaixão, usando um dos métodos referidos anteriormente. Chamem todos os Budas, Seres iluminados, Bodhisattvas para que os ajudem na geração da compaixão no vosso coração.

2 - Visualizem quem querem ajudar, vejam cada um dos seus sofrimentos e das suas dores e depois quando estiverem num estado de grande compaixão para com ela, suponham que todos os seus padecimentos se juntam numa grande nuvem negra.

3 - Quando inalarem o ar visualizem que essa nuvem se dissolve no núcleo do auto-apego no vosso coração, onde destruirá os vestígios do vosso próprio ego, purificando o vosso karma negativo.

4 - Imaginem que o vosso ego foi destruído e o núcleo da mente iluminada, Bodhicitta, está exposto. Quando exalarem o ar imaginem que estão a enviar essa calorosa e brilhante Luz de Paz, alegria e felicidade e bem estar para o ser humano que sofre, e que os respectivos raios estão a purificar o karma negativo do vosso amigo.

Shantideva dizia que nessa fase o nosso corpo é transformado numa jóia incandescente concretizadora de desejos e tem o poder de dar exactamente tudo aquilo que a pessoa precisa aliviando-lhe o sofrimento e levando-a à verdadeira Realização.

5 - No momento em que a Luz do Bodhicitta sai de vós e incide no amigo que sofre, é essencial que acreditem com todo o coração que todo o karma negativo é purificado.
Continuem a inalar e a exalar visualizando o que se descreve anteriormente.

O objectivo final do Tonglen é alargar o círculo da vossa compaixão por forma a incluir todos os seres.

Nota: A ajuda aos moribundos é igual ao que foi aqui descrito na prática principal do Tonglen.

Não há que temer esta prática

É o segredo mais bem guardado de todos os místicos e  como disse Shantideva:

Quem desejar rapidamente a protecção,
tanto para ele mesmo como para outros,
Deve praticar o segredo sagrado,
A troca do eu pelos outros.

Deixo-vos com Madre Teresa de Calcutá que disse:

Amar como Ele ama,
Ajudar como Ele ajuda,
Dar como Ele dá,
Servir como Ele serve,
Salvar como Ele salva,
Estar com Ele vinte e quatro horas,
Tocando-O no seu perturbador disfarce.



***

Dedico este post à Cláudia e desejo que encontre a resposta que procura na sua mais íntima Essência. 


Paz e Amor,
Curadora64

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"Se não existe vida fora da Terra, então o universo é um grande desperdício de espaço."- Carl Sagan
Posted by Auras, Cores e Números on Sábado, 29 de agosto de 2015

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