Quem chega a ler este blog geralmente é
médium ou pelo menos é um curador e tem um corpo “especial” no qual são
permitidos muitos vazios de Yang. Já escrevi sobre isso aqui.
Mas a noção antiga de que um médium tem
de ser neurótico, desequilibrado e doente está ultrapassada. :)
Bom, graças à Red Dragon, médica de
Medicina Tradicional Chinesa, que este ano me ajudou a escolher, cozinhar
adequadamente e a saber quando e como comer alimentos mais adequados ao meu
corpo de vidente, já não tenho um vazio de yang há 7 meses, record absoluto
(rsrs)… E olhem que tenho trabalhado imenso na área sem perder as minhas
capacidades. Incluso até acho que as tenho aumentado, sem falsas modéstias, e é
porque estou mais equilibrada fisicamente e psiquicamente…
Tenho visto também um crescente aumento
de vegetarianos que depois caiem em dietas exageradas de smoothies e veganismo
crudívoro que lhes vai sugar a energia todinha, sério…eu vejo-lhe as auras,
lembram-se? E não é só isso, ficam desequilibrados psiquicamente devido à
mudança drástica de alimentação. O corpo revolta-se sempre quando existe uma
mudança brusca de energia porque interpreta como uma ameaça. As mudanças todas
devem ser lentas e firmes ou seja, paulatinas (tal como o meu nome). :)
Outros vegetarianos recentes vão ao
supermercado dietético mais próximo e compram todos os pacotes de tofu que
encontram sem pensarem que tofu é farinha e toca a engordar e pior que isso a
comerem comida processada que tem baixa energia. Estes são os piores e ficam
gordos e baços enquanto os anteriores ficam magros e lânguidos…
A
MTC diz…
“Deixe o
alimento ser o seu remédio, e o remédio ser a sua comida”.
Hipócrates, pai da medicina
A
prevenção das doenças em MTC depende da manutenção do equilíbrio entre o Yin e o
Yang, que se obtém através de uma imensidade de acções, mas que também se perde
por uma vasta quantidade de razões.
A
alimentação não poderia deixar de ser uma das formas mais importante tanto de
gerir e, portanto manter o bom equilíbrio energético do nosso organismo, como
também de o desequilibrar... Se a nossa nutrição é a adequada, a energia será
abundante, os órgãos estarão bem nutridos e o nosso sistema nervoso e as nossas
emoções estarão estáveis.
A
alimentação é pois, essencial para atingir o equilíbrio, a harmonia e
consequentemente a saúde integral.
A dieta saudável segundo a medicina
tradicional chinesa será aquela que é adaptada ao paciente, ou seja à sua idade,
constituição física, ao clima, ao seu trabalho, hábitos e ao seu diagnóstico
energético (estado de saúde actual).
Hoje em dia há cada vez uma maior noção da importância de se
comer produtos o mais puros possível, e isso vai ao encontro às antigas
recomendações da Dietética Chinesa, que considera de extrema importância a
frescura dos alimentos, que idealmente deveriam ser produtos acabados de
apanhar, biológicos e da região; e ainda, se estão a ser cultivados e colhidos
nas alturas em que é natural eles estarem disponíveis.
Como todas estas condições são difíceis de pedir a um
paciente, dá-se prioridade à frescura dos produtos e ao facto de serem da
época.
A razão é simples: quanto mais tempo ou processos os
alimentos passam desde a sua recolha até ao seu consumo, mais o seu Qi se
perde. Os alimentos importados a grandes distâncias, congelados,
industrialmente processados e com conservantes estão condenados a essa perda
energética. Já para não falar no uso de micro-ondas para aquecer ou cozinhar
que destrói o Qi dos alimentos e da água.
Existe
uma grande variedade de técnicas de cozinhar os alimentos e todas elas
influenciam a natureza do próprio alimento. Conforme o processo usado podemos
suplementar a energia fria ou a energia quente dos alimentos.
Também
a quantidade de alimentos numa refeição é muitas vezes motivo de polémicas, mas
a Medicina Chinesa é bastante taxativa e recomenda as seguintes doses diárias,
que devem ser divididas ao longo do dia conforme as necessidades alimentares de
cada refeição:
v50% a 80% da nossa alimentação diária deve ser
composta de cereais (Amarelo)
v30% a 40% devem ser
vegetais cozinhados (Verde)
v5% de proteínas
(Laranja)
v5% de alimentos crus
(Azul)
Isto
significa que se pusermos toda a nossa comida de um dia num só prato, ele
deveria ter este aspecto:
Quem opta pela alimentação vegetariana cai grande parte das
vezes em extremos, deixando abruptamente de comer carne e/ou peixe, e opta
muitas vezes por comida “saudável” como muitas saladas e fruta, batidos e
alimentos processados à base de soja…
O nosso organismo é uma máquina que tem tudo planeado ao
mínimo detalhe, e apesar da sua capacidade de adaptação espetacular ele é muito
sensível a mudanças.
Os alimentos crus são vistos pela Medicina Chinesa como algo
a ser consumido com muita moderação (ver gráfico acima), mesmo as frutas e
saladas. Abre-se uma excepção para quadros patológicos em que seja necessário
apaziguar o Yang, seja ele interno (por exemplo Fogo do Fígado) ou externo (por
exemplo um Verão rigoroso ou um clima muito quente, como o deserto). Mas, para
a maioria das regiões do hemisfério Norte, estes alimentos crus têm demasiada
energia Frio (veja nota final sobre as energias perversas)e o seu consumo excessivo causa, a longo prazo, um vazio do Aquecedor
Médio (Baço), bem como alimentam um excesso de Yin, criando humidades e
mucosidades e tudo isto leva a complicados cenários de desequilíbrio energético,
ou seja, de doença.
Excesso de alimentos frios ou frescos, como açúcar, demasiada
fruta, salada crua ou outros alimentos consumidos crus inibe a digestão. Pode
causar sintomas de inchaço abdominal e dos membros, gases, soluços, perda de
apetite, fadiga, frio em especial nas mãos e pés e pode levar à diarreia
crónica. Em casos ainda mais extremos leva ao enfraquecimento do Yang de tal
forma que causa sintomas emocionais como depressão e falta de vontade para
viver.
Os alimentos líquidos, durante ou fora das refeições também não
devem ser consumidos em excesso, pois vão apaziguar o Fogo do estômago, que é
necessário para processar a energia extraída dos alimentos.
Em
relação ainda a alimentação vegetariana, a medicina chinesa não aconselha
regimes demasiado rigorosos e sobretudo repentinos já que são os animais os
maiores fornecedores de Yang. Quem opta por este regime deve respeitar o
organismo e muito lentamente retirar os alimentos de origem animal a que está
habituado e usar outros mais adequados ao seu estado de saúde e fornecedores de
Yang.
A
soja amarela vulgar não é de todo um bom substituto da carne porque além de 90%
dela ser geneticamente modificada, é considerada de
natureza ligeiramente fresca. O tofu industrial mais comum, em particular de
natureza fresca, tem poder de tonificar o Yin, aumentar a produção de líquidos
orgânicos e refrescar o calor, mas não deve ser usado indiscriminadamente por
todos e de forma copiosa já que no caso da dieta vegetariana existe pouca
ingestão de alimentos Yang e portanto pode debilitar seriamente a energia do
Baço.
Para
além disso os Orientais não consomem granulado de soja, leite de soja açucarado,
queijo de soja, natas e manteiga de soja como os Ocidentais consomem. Estes
métodos são processados e Não-Fermentados, o que os torna altamente
prejudiciais para a flora estomacal e intestinal humana. Evite ao máximo comer soja texturizada
(a “carne de soja”), e todos os alimentos processados a imitar os de carne e
lacticínios (salsicha vegetal, hambúrguer vegetal, nuggets, iogurtes, etc)… Tudo
isto é produto da industrialização moderna e de manobras de marketing para os
consumidores não informados. Além disso usa-se demasiada soja geneticamente
modificada nos mais variados produtos. Os Chineses, Japoneses e outros países
orientais referem consumir vários tipos de soja em rebentos ou na forma
fermentada: miso (sopa que se bebe nos restaurantes japoneses);tempeh;natto;molho
de soja (fermentado por métodos tradicionais como no molho de soja Shoyu); etc.
A par da escolha mais correta dos alimentos e da confeção
mais adequada dos mesmos, a lógica da dietética chinesa é o desenvolvimento de
hábitos alimentares saudáveis para toda a vida.
Assim
sendo, teremos de considerar que devemos:
vComer num ambiente
sossegado;
vCriar uma atmosfera de
calma, sem distracções externas, de modo a que haja boas condições para a
transformação de Qi a partir da alimentação;
vComer com agrado. Ter
prazer nos alimentos e no ambiente em que os comemos também ajuda a extrair o
Qi dos alimentos; bem como os pensamentos e sentimentos positivos, que vão
permitir a fluidez energética do Qi do Estômago e do Baço-Pâncreas, auxiliando
deste modo a transformação da comida e bebida em Qi no organismo.
vMastigar bem (entre 10
a 15 vezes) antes de engolir, já que evita o aumento de peso, além de que a
comida bem mastigada satisfaz melhor o apetite porque facilita o Qi do Baço.
vParar de comer quando
se está satisfeito. Assim determina-se realmente a quantidade ideal de cada
refeição para cada organismo. Quando nos alimentamos em excesso numa refeição,
o Qi geral e o Sangue são puxados para o centro do corpo, sacrificando o Triplo
Aquecedor, daí que haja sinais de inchaço abdominal e fadiga. Enfraquece os
órgãos digestivos e causa Humidade nefasta quando se continua a comer apenas para
não deixar comida no prato.
Curiosidade:
Na
China existem alguns restaurantes onde permanece um médico de MTC, que faz uma
consulta ao cliente que assim desejar, para determinar quais os alimentos e
formas de cozinhar mais adequados ao seu estado de saúde actual…
Um
velho provérbio chinês diz:
“Aquele que toma remédio e
negligencia a dieta desperdiça o talento do médico.”
Nota final:
As
energias perversas são: frio, calor, vento, secura, humidade.