Marishâ e seus 10 maridos Prajapatis
Diz na
“Voz do silêncio” de H:P.B:
‘Diz a grande Lei: "Para te tornares o conhecedor da
Personalidade Total, tens primeiro de conhecer a Personalidade". Para
chegares ao conhecimento dessa Personalidade, tens de abandonar a personalidade
à não-personalidade, o ser ao não-ser, e poderás então repousar entre as asas
da Grande Ave. Sim, suave é o descanso entre as asas
D’Aquele que não nasce, nem morre, mas é o AUM através de
eras eternas.
Cavalga a Ave da Vida, se queres saber.
Abandona a tua vida, se queres viver.’
O cisne
da eternidade – Kalahamsa, que serve de veículo
para Brahma, é o símbolo da liberdade soberana alcançada com a maturidade
espiritual. O cisne revelaria a natureza dual de todos os seres. Ele tem a
capacidade de flutuar na superfície das águas, sem deixar que elas o
limitem.
Quando abandona o domínio das águas, voa pelos ares, onde está tão à
vontade quanto no mundo lá em baixo.
Voando pelo espaço, emigra para o sul e
para o norte, acompanhando o curso das estações. Ele transita nas esferas
celestiais e esferas terrenas, movendo-se bem em ambas, sem que nenhuma o limite.
Representando a liberdade da Essência Divina, Hamsa, quando deseja, pousa sobre
as águas, caminha pela terra e voa quando quer às alturas. Esse voo marca os
ciclos de criação e repouso, no Universo. É de um ovo desse pássaro que Brahma
cria todos os mundos.
“Antes de Daksha, o pai
de todos os Humanos com mente, haver nascido de Marisha – filha de Pramlochâ
e Kandu – os homens é procriados pela vontade, pela vista, pelo tato, pelo
suor e pelo yoga. (…) Marishâ
por influencia de Soma, a Lua, é tomada como esposa pelos 10 Prajapatis (Prachetas),
os filhos nascidos da mente de Brahma que dela tiveram Daksha, também filho de
Brahma num kalpa ou vida anterior (e por isso chamado de ‘nascido duas vezes’).”
Fonte:
Pág. 194 Doutrina Secreta III
Pág. 65 Doutrina Secreta II
Leda e o
Cisne
À
semelhança da mitologia grega em que Leda dorme e Zeus, com aspecto de
Cisne, aproximando-se de mansinho a seduz, Marishâ é seduzida pela Lua para que
se torne esposa dos Prajapatis.
Esta
é uma clara alusão aos Pitris lunares que influenciaram a Terra no tempo em que
esta ainda era jovem estando sobre a alçada de sua mãe a Lua.
Por
intermédio de um Cisne que a transporta para a Terra Marisha torna-se Eva já
que o cisne Kalahamsa
através de cujo pescoço ondulado desce o fogo interior divino é a ponte entre o
Céu e a Terra.
Este
mito reporta-se ao final da terceira raça em que o Homem hermafrodita se divide
entre macho e fêmea. Daksha é assim o progenitor dos Datya (gigantes da 4ª raça
- Atlantes) dos animais, dos Danavas (titãs e demónios feiticeiros), dos Nagas…
em suma, a uma ordem e Brahma ele criou os seres inferiores e superiores, bípedes
e quadrupedes…
O sacrifício de Daksha
Shiva vê, com o seu terceiro olho, que Daksha não é puro (assinala-se aqui o aparecimento do ego e das paixões humanas) e não se levanta para o cumprimentar numa
grande reunião com todos os deuses do panteão divino hindu. Despeitado Daksha
declara irado que nunca mais sacrificará aos pés de lótus de Shiva.
Por
ter inveja de seu genro, Shiva, Daksha ofendendo-o não o convida para um grande
sacrifício feito a Brahma e Vishnu. Naquele tempo estes sacrifícios eram
grandes festas em que se imolavam carneiros e ofereciam-se aos três semideuses:
Brahma e Vishnu e Shiva.
Sati,
esposa de Shiva e filha de Daksha, resolve comparecer e defende o marido e
rejeita o corpo que deve a seu pai auto imolando-se.
A Auto imolação de Sati, esposa de Shiva e filha de Daksha
Enquanto falava assim
com seu pai na arena de sacrifício, Sati sentou-se no chão e voltou-se para o
norte. Vestida de roupas açafroadas, ela santificou-se com água e fechou os
olhos para absorver-se no processo de yoga místico. Em primeiro lugar, ela
sentou-se na postura necessária, e então transportou o ar vital para cima e o
colocou na posição de equilíbrio perto do umbigo.
Depois, elevou seu ar vital,
misturado com a inteligência, até o coração e então, aos poucos, até a passagem
pulmonar, e dali até entre as sobrancelhas. Então, a fim de abandonar seu
corpo, que se assentara tão respeitosa e afetuosamente no colo de Shiva, o qual
é adorado por grandes sábios e santos, Sati, devido à ira contra seu pai,
colocou-se a meditar no ar ígneo dentro do corpo.
Sati concentrou toda a sua
meditação nos santos pés de lótus de seu esposo, Shiva, que é o mestre
espiritual supremo de todo o mundo. Assim, ela purificou-se inteiramente de
todas as manchas de pecado e abandonou seu corpo sob fogo ardente, através da
meditação nos elementos ígneos.
A autoimolação de
Sati.
Shiva envia Virabhadra, o gigante demónio formado de um dos seus
cabelos, que corta a cabeça a Daksha. No entanto, a pedido de Brahma, Shiva
perdoa Daksha, que se arrepende, e devolve-lhe uma cabeça de carneiro. Mais
precisamente: a cabeça do carneiro sacrificial.
Vishnu aparece então, estabelecendo a Paz, e
todos o veneram incluindo Daksha…
Adorando assim o
Supremo Senhor Vishnu mediante a realização ritualística do sacrifício, Daksha
situou-se inteiramente no caminho religioso. Além disso, todos os semideuses
que se reuniram para o sacrifício abençoaram-no para que sua piedade
aumentasse, e então partiram.
Contaram-me que, após
abandonar o corpo que recebera de Daksha, Dakshayani, sua filha, nasceu no
reino dos Himalaias. Ela nasceu como filha de Mena. Isto eu ouvi de fontes
autorizadas. Ambika [a deusa Durga],
que era conhecida como Dakshayani [Sati], novamente aceitou Shiva como seu
esposo, assim como diferentes energias da Suprema Personalidade de Deus agem
durante o decurso de uma nova criação.
O Senhor Vishnu
respondeu: “Brahma, Shiva e Eu somos a causa suprema da manifestação material.
Eu sou a Superalma, a testemunha auto-suficiente. Do ponto de vista impessoal,
porém, não há diferença entre Brahma, Shiva e Eu. Eu sou a original
Personalidade de Deus, mas, a fim de criar, manter e aniquilar esta
manifestação cósmica, ajo através de Minha energia material, e, de acordo com
os diferentes graus de actividades, Minhas representações recebem diferentes
nomes”.
O Senhor continuou:
“Quem não tem conhecimento adequado pensa que semideuses como Brahma e Shiva
são independentes, ou pensa inclusive que as entidades vivas são independentes.
Uma pessoa com inteligência normal não pensa que a cabeça e outras partes do
corpo são separados. Do mesmo modo, Meu devoto não diferencia Vishnu, a omnipenetrante
Personalidade de Deus, de alguma coisa ou de alguma entidade viva. Aquele que
não considera Brahma, Vishnu, Shiva ou as entidades vivas em geral como
separadas do Supremo, e que conhece o Brahman, realmente obtém paz; os outros
não”.
Segundo os tibetanos, Daksha é esotericamente o buda Avalokiteshvara,
representando Cherenzig. É o Bodhisattva que
representa a suprema compaixão de todos os Budas. Um Bodhisattva é aquela
criatura que está adiantada ou pronta para alcançar o estado de Buda; contudo
faz voto de só alcançá-lo plenamente quando nenhum ser estiver mais no samsara,
ou na roda de encarnações neste mundo. Fazendo o sacrifício supremo ele recebe
a recompensa maior de todas.
A forma feminina deste buda e para o povo chinês é Kwan Yin.
E é com esta reflexão que termino: está aqui escrita aqui a evolução dos semideuses e das Raças Humanas. Estas passagens são simbólicas, porque se tratam de arquétipos mas são como um farol que mostra um caminho espiritual e nos inundam de esperança...
Paz e Amor,
Curadora64
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