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Algumas considerações sobre a visualização espontânea de auras

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terça-feira, 31 de maio de 2016

Os Sete Caminhos da Felicidade



Os Sete Caminhos da Felicidade* não existiam (a). As Grandes Causas da Desgraça** não existiam, porque não havia ninguém que as produzisse e fosse por elas aprisionado (b).


(a) Há "Sete Caminhos" ou "Vias" que conduzem à "Felicidade" da Não-Existência, que é o absoluto Ser, Existência e Consciência. Não existiam, porque o Universo até então se achava vazio, só existindo no Pensamento Divino.

(b) Porque são... as Doze Nidânas, ou Causas do Ser. Cada uma é o efeito da Causa antecedente, e, por seu turno, a causa da que lhe sucede; estando a soma total das Nidânas baseada nas Quatro Verdades, doutrina especialmente característica do Sistema Hînayâna**.

Pertencem elas à teoria de que todas as coisas seguem o curso da lei, a lei inevitável que produz o mérito e o demérito, e que finalmente faz sentir a força do Karma em toda a sua plenitude. É um sistema fundado na grande verdade de que a reencarnação infunde temor, porque a existência neste mundo só traz ao homem sofrimento, desgraça e dor; sendo a própria morte incapaz de dar ao homem a sua libertação, porque a morte não é mais que a porta pela qual ele passa de uma para outra vida na terra, após um breve repouso no umbral, ou seja, no Devachan. O Sistema Hînayâna, ou Escola do Pequeno Veículo, data de tempos muito remotos, ao passo que o Mahâyâna, ou Escola do Grande Veículo, pertence a um período mais recente e teve início após a morte de Buddha. Todavia, as doutrinas deste último sistema são tão antigas como as montanhas que têm servido de locais para escolas semelhantes desde épocas imemoriais; e na verdade as Escolas Hînayâna e Mahâyâna ensinam ambas a mesma coisa. Yâna, ou Veículo, é uma expressão mística, e os dois "Veículos" significam que o homem pode escapar às tribulações dos renascimentos, e até à ilusória felicidade do Devachan, por meio da obtenção da Sabedoria e do Conhecimento, os únicos que podem dissipar os frutos da Ilusão e da Ignorância.


Mâyâ, ou Ilusão, é um elemento que participa de todas as coisas finitas, porque tudo quanto existe possui tão só um valor relativo, e não absoluto, tendo em vista que a aparência assumida pelo númeno perante o observador depende do poder de cognição deste último. Aos olhos incultos do selvagem uma pintura se apresenta como um aglomerado confuso e incompreensível de linhas e manchas coloridas, ao passo que a vista educada descobre ali imediatamente uma figura ou uma paisagem. Nada é permanente, a não ser a Existência Una, absoluta e oculta, que contém em si mesma os númenos de todas as realidades. As existências pertencentes a cada plano do ser, incluindo os Dhyan Chohâns mais elevados, são comparáveis às sombras projectadas por uma lanterna mágica em uma superfície branca. No entanto, todas as coisas são relativamente reais, porque o conhecedor é também um reflexo, e por isso as coisas conhecidas lhe parecem tão reais quanto ele próprio.

Para conhecer a realidade das coisas há mister considerá-las antes ou depois de haverem passado, qual um relâmpago, através do mundo material; pois, não podemos discernir essa realidade directamente, quando só dispomos de instrumentos sensitivos que trazem à nossa consciência apenas os elementos do mundo material. Seja qual for o plano em que possa estar actuando a nossa consciência, tanto nós como as coisas pertencentes ao mesmo plano somos as únicas realidades do momento. À medida, porém, que nos vamos elevando na escala do desenvolvimento, percebemos que, nos estádios já percorridos, havíamos tomado sombras como realidades, e que o progresso ascendente do Ego é um contínuo e sucessivo despertar, cada passo à frente levando consigo a ideia de que então alcançamos a "realidade". Mas só quando houvermos atingido a Consciência absoluta, e com ela operarmos a fusão da nossa, é que viremos a libertar-nos das ilusões de Mâyâ.
______________________

* Nirvana, em chinês Noppang; Neibban em birmanês; Moksha na Índia
** Nidâna e Mâyâ. As "Doze" Nidânas (em tibetano Ten-brel Chug-nyi) são as causas principais da existência, efeitos gerados por um encadeamento.

in "A Doutrina Secreta" de H. P. Blavatsky

domingo, 10 de abril de 2016

O APÓSTOLO PAULO, PERTENCIA AO "CIRCULO" DOS INICIADOS


O Apóstolo dos Gentios era corajoso, franco sincero e muito culto; o Apóstolo da Circuncisão era covarde, cauteloso, insincero e muito ignorante. Não há nenhuma dúvida de que Paulo foi, parcialmente pelo menos, se não totalmente, iniciado nos mistérios teúrgicos. 

A sua linguagem, a fraseologia tão peculiar aos filósofos gregos, certas expressões usadas pelos iniciados são muitos sinais audíveis para essa suposição. Nossa suspeita foi reforçada por um artigo muito bem escrito, publicado em jornais nova-iorquinos, intitulado Paul and Plato, em que seu autor emite uma observação notável e, para nós muito precisa. 

Nas suas Epístolas aos Coríntios, ele nos mostra um Paulo abundante em "expressões sugeridas pelas iniciações de Sabazius e Elêusis e pelas leituras dos filósofos [gregos]. Ele [Paulo] se diz um idiotes - uma pessoa ignorante no que concerne à Palavra, mas não à gnosis ou conhecimento filosófico. `Dizemos sabedoria entre os prefeitos ou iniciados' - escreve ele - `não a sabedoria divina num mistério, secreta - que nenhum dos arcontes deste mundo conheceu'". (I Coríntios,II,6,7,8.)

O que mais quer o apóstolo dizer com estas palavras inequívocas, senão que ele próprio, que fazia parte dos mystae (iniciados), falava de coisas expostas e explicadas apenas nos mistérios? A "sabedoria divina num mistério que nenhum dos arcontes deste mundo conheceu" faz evidentemente alguma referência directa ao basileus da iniciação eleusiniana que ele conhecia. O basileus pertencia à comitiva do grande hierofante e era um arconte de Atenas; e, assim, era um dos principais mystae, pertencente aos mistérios interiores, aos quais apenas um número muito selecto e pequeno tinha acesso. Os magistrados que supervisionavam os eleusinos eram chamados arcontes.

Uma outra prova de que Paulo pertencia ao círculo dos "iniciados" repousa no seguinte fato. Sua cabeça foi tosquiada em Anchrea (onde Lúcio Apuleio foi iniciado) porque "ele tinha um voto". Os nazars - ou os postos à parte -, como vemos nas Escrituras judaicas, tinham de cortar seus cabelos, que usavam longos, e que "nenhuma navalha tocou" em tempo algum, e sacrificá-los no altar da iniciação. E os nazars eram uma classe de teurgos caldeus. Veremos depois que Jesus pertenceu a essa classe.

Paulo declara que "De acordo com a graça de Deus que me foi dada, como sábio arquitecto lancei o fundamento".

Esta expressão, arquitecto, usada apenas uma vez em toda a Bíblia, e justamente por Paulo, pode ser considerada como uma verdadeira revelação. Nos mistérios, a terceira parte dos ritos era chamada Epopteia, ou revelação, recepção dos segredos. Em substância, ela significa aquele estágio de clarividência divina em que tudo o que pertence a esta Terra desaparece e a visão terrena é paralisada e a alma pura e livre une-se ao seu Espírito, ou Deus. Mas a significação real da palavra é "vigilante", de eu me vejo. Em sânscrito, a palavra avapta tem o mesmo significado, e também o de obter. A palavra epopteia é um composto, de sobre e de, ver, ou ser um vigilante, um inspector - também utilizada para um arquitecto. 

O título de mestre-pedreiro, na Franco-maçonaria, deriva daí, no sentido que ele tinha nos mistérios. Em consequência, quando Paulo se diz ser um "arquitecto", ele está usando uma palavra eminentemente cabalística e maçónica, e que nenhum dos outros apóstolos utiliza. Assim, ele se declara um adepto, que tem o direito de iniciar outros.

Se pesquisarmos nessa direcção, como esses guias seguros, os mistérios gregos e a Cabala, diante de nós, será fácil encontrar a razão secreta pela qual Paulo foi tão perseguido e odiado por Pedro, João e Tiago. O autor da Revelação era um cabalista judeu pur sang, com toda a aversão aos mistérios herdada por ele de seus ancestrais. (Não é necessário afirmar que o Evangelho segundo São João não foi escrito por João, mas por um platónico ou gnóstico pertencente à escola neoplatónica.) O ciúme que sentia durante a vida de Jesus estendeu-se a Pedro; e foi só depois da morte do seu Mestre comum que vemos os dois apóstolos - dos quais o primeiro vestiu a Mitra e o Petalon dos rabinos judaicos - pregar com tanto zelo o rito da circuncisão. 

Aos olhos de Pedro, Paulo, que o humilhara, e ao qual considerava ser superior a ele em "conhecimentos gregos" e Filosofia, devia parecer naturalmente um mágico, um homem poluído com a "Gnoses", com a "sabedoria" dos mistérios gregos - e, talvez, "Simão, o Mago". (O fato de Pedro ter perseguido o "Apóstolo dos Gentios", com esse nome, não implica necessariamente que não existisse um Simão, o Mago, individualmente distinto de Paulo. Ele deve ter-se tornado um nome genérico de ofensa. Theodoret e Crissóstomo, os primeiros e mais prolífico comentadores do gnosticismo daquela época, parecem fazer de Simão um rival de Paulo e afirmam que eles trocaram muitas mensagens entre si. O primeiro, um diligente propagandista daquilo que Paulo chama de "antítese da Gnose" (I Timóteo, VI,20), deve ter sido um espinho doloroso nas costelas do apóstolo. Há provas suficientes da existência real de um Simão, o Mago.)

Quanto a Pedro, a crítica bíblica já mostrou que ele talvez não tivesse nada a ver com a fundação da Igreja latina em Roma, senão fornecer o pretexto de que o astucioso Irineu se aproveitou para fazer beneficiar essa Igreja com o novo nome do apóstolo - Petros ou Kêphas, um nome que se prestava tão bem, com um jogo de palavra, para ser associado ao de Petroma, o duplo jogo de tabletes de pedra usados pelo Hierofante nas iniciações durante o mistério final. Nisso, talvez, repouse escondido todo o segredo das pretensões do Vaticano. Como o Prof. Wilder tão bem sugere: "Nos países orientais, a designação Pether, [em fenício e em caldaico, um intérprete] parece ter sido o título desse personagem [o Hierofante]. (...) Há nesses fatos uma reminiscência das circunstâncias peculiares da lei mosaica (...) assim como a pretensão do Papa de ser o sucessor de Pedro, o Hierofante ou intérprete da religião cristã".

Uma inscrição encontrada no túmulo da Rainha Menthu-hetep, da 11ª dinastia (2.782 a.C.), que se reconheceu ter sido transcrita do sétimo capítulo do Livro dos mortos (que data de pelo menos 4.500 a.C.), é mais do que sugestiva. Esse texto monumental contém um grupo de hieróglifos que, interpretados, se lêem:

PTR. RF. SU.
Peter - ref - su.

A palavra, PTR, foi interpretada, parcialmente devido a uma outra palavra escrita num outro grupo de hieróglifos, sobre uma estrela, sob a forma de um olho aberto. Bunsen menciona ainda outra explicação de PTR - "mostrar". "Parece-me" - observa ele - "que nosso PTR é literalmente a forma 'Patar' do velho aramaico e do hebraico, que ocorre na história de José como a palavra específica para interpretação; donde Pitrun deva ser o termo para interpretação de um texto, de um sonho". 

Num manuscrito do século I, uma combinação de textos demóticos e gregos, provavelmente um dos poucos que escaparam miraculosamente ao vandalismo cristão dos séculos II e III, quando todos esses manuscritos preciosos foram queimados sob acusação de Magia, encontramos diversas vezes repetidas uma frase que, talvez, possa lançar luzes sobre essa questão. 

Com relação a um dos heróis principais do manuscrito, constantemente referido como "o Iluminador Judeus" ou Iniciado, acredita-se que ele só se comunique com o seu Patar; esta palavra está escrita em caracteres caldaicos, e é associada, uma vez com o nome Shimeon. Muitas vezes, o "Iluminador", que raramente interrompe sua solidão contemplativa, nos é mostrado habitando uma caverna e ensinando, não oralmente, mas por intermédio do Patar, as multidões de discípulos ávidos de aprender que se postavam do lado de fora. O Patar recebe as palavras de sabedoria aplicando o ouvido a um buraco circular escavado num tabique que ocupa o instrutor dos seus ouvintes e as transmite à multidão, com explicações e comentários. Este era, com pequenas modificações, o método utilizado por Pitágoras, que, como sabemos, nunca permitiu que os seus neófitos o vissem durante os anos de provação, mas os instruída postado atrás de uma cortina que fechava a entrada da sua caverna.

Mas, fosse o "iluminador" do manuscrito grego-demótico idêntico a Jesus ou não, continua válido o fato de que o vemos servir-se de um termo usado nos "mistérios" para designar aquele que mais tarde a Igreja católica elevará à categoria de porteiro do Reino do Céu e de intérprete da vontade de Cristo. A palavra Patar ou Peteer coloca ambos, mestre e discípulo, no círculo da iniciação e em relação com a "Doutrina Secreta". 

O grande Hierofante dos antigos mistérios nunca permitiu que os candidatos o vissem ou ouvissem pessoalmente. Ele era o deus ex machina, a Divindade invisível que preside, transmitindo sua vontade e suas instruções por meio de um intermediário; e, 2.000 anos depois, descobrimos que os Taley-Lamas do Tibete seguiram por séculos o mesmo programa tradicional durante os mistérios religiosos mais importantes do Lamaísmo. Se Jesus conheceu o significado secreto do título que ele atribuiu a Simão, então ele era um iniciado; de outra maneira, ele não o teria conhecido; e se ele era um iniciado dos Essénios pitagóricos, dos magos caldaicos ou dos padres egípcios, então a doutrina ensinada por ele era apenas uma porção da "Doutrina Secreta" ensinada pelos hierofantes pagãos aos poucos adeptos seleccionados admitidos aos áditos sagrados.

Fonte: Ísis sem Véu (L. 3. pág. 86)

sábado, 9 de abril de 2016

SOCRATES, PROVA O PERIGO DA MEDIUNIDADE DESTREINADA

 
 
Os hierofantes e alguns brâmanes foram acusados de terem administrado bebidas fortes ou anestésicos aos seus epoptai para produzir visões que eles deveriam considerar como realidades. Eles se serviram e ainda se servem de beberagens sagradas que, como o Soma, possuem a propriedade de liberar a forma astral dos laços da matéria; mas nessas visões há muito pouco que se possa atribuir à alucinação, como nos vislumbres que o cientista, com ajuda do seu instrumento ótico, consegue do mundo microscópio. Um homem não pode perceber, tocar e conversar com o espírito puro por meio de nenhum dos seus sentidos corporais. Só um espírito pode conversar com um espírito e vê-lo; e mesmo a nossa alma astral, o Doppelgänger, é muito grosseira, muito tingida pela matéria terrena para que confiemos inteiramente em suas percepções e insinuações.
O caso de Sócrates nos prova o perigo da mediunidade destreinada e como os sábios antigos, que o haviam compreendido, tinham razão em tomar suas precauções a esse respeito. O velho filósofo grego era um "médium"; em consequência, nunca fora iniciado nos mistérios, pois essa era a lei rigorosa. Mas ele possuía o seu "espírito familiar", como se dizia, o seu daimonion, e este conselheiro invisível tornou-se a causa de sua morte.
 
Acredita-se geralmente que, se ele não foi iniciado nos mistérios, é por que ele mesmo não o quis. Mas os Anais secretos nos informam que foi porque ele não podia ser admitido aos ritos sagrados, e isso, precisamente, por causa da sua mediunidade. Havia uma lei contra a admissão não só daqueles que se sabia praticavam a feitiçaria, mas também daqueles que se acreditava possuírem um "espírito familiar".
 
A lei era justa e lógica, porque um médium genuíno é mais ou menos irresponsável; e as excentricidades de Sócrates se explicam, de certa maneira, por este fato. Um médium deve ser passivo; e se ele tem uma fé cega no seu "espírito-guia", permitirá que este o domine, em vez de ser dominado pelas regras do santuário. Um médium dos tempos antigos, como o "médium" moderno, estava sujeito a entrar em transe sob dependência da vontade do "poder" que o controlava; assim, não se podia confiar a ele os terríveis segredos da iniciação final, "que não deveriam ser revelados, sob pena de morte". O velho sábio, em momentos descuidados de "inspiração espiritual", revelou aquilo que nunca havia aprendido e, assim, foi condenado à morte como ateu.
Como, então é possível, tomando-se exemplos de Sócrates, em relação às visões e às maravilhas dos opoptai do Templo Interior, afirmar que esses videntes, teurgos e taumaturgos fossem todos eles "espíritos-médium". Nem Pitágoras, Platão ou qualquer um dos últimos neoplatônicos mais importantes; nem Jâmblico, Longino, Próculo ou Apolónio de Tiana - nenhum deles foi médium; se o fossem, não teriam sido admitido nos mistérios, Taylor diz que "A afirmação das visões divinas nos mistérios está claramente confirmada por Plotino. E em suma, aquela evocação mágica formava uma parte do ofício sacerdotal dos mistérios e essa era a crença universal de toda a Antiguidade muito tempo antes dos primeiros platônicos" - tudo isto prova que, além da "mediunidade" natural existia, desde o começo dos tempos, uma ciência misteriosa, discutida por muitos, mas só conhecida por poucos.
O uso dessa ciência comporta o desejo de reintegrar nosso único e verdadeiro lar - o pós-vida, e o desejo de uma união mais íntima com nosso espírito; o seu abuso é a bruxaria, a feitiçaria, a magia negra. Entre as duas está colocada a "mediunidade" natural; uma alma revestida de matéria imperfeita, um agente apropriado para uma ou para a outra e inteiramente dependente do ambiente da vida, da hereditariedade constitucional - tanto física quanto mental - e da natureza dos "espíritos" que atrai para si. Uma bênção ou uma maldição, conforme o caso, a menos que o médium seja purificado do lixo terrestre.

A razão pela qual, em todas as épocas, muito pouco se sabe a respeito dos mistérios da iniciação é dupla. A primeira já foi explicada por mais de um autor e repousa na terrível penalidade que se seguia à menor indiscrição. A segunda corresponde às dificuldades sobre-humanas, aos perigos que o candidato corajoso dos tempos antigos tinha de enfrentar, e vencer ou morrer na tentativa, quando, o que é ainda pior, ele não perdia sua razão. Não havia perigo real para aquele cuja mente se tivesse espiritualizado completamente e que, desta maneira, estivesse preparado para as visões mais terríveis. Aquele que reconhecia o poder de seu espírito imortal e nunca duvidava em nenhum momento da sua proteção onipotente, nada tinha a temer. Mas infeliz do candidato em quem o menor temor físico - filho doentio da matéria o fizesse perder a visão da fé em sua própria invulnerabilidade. Aquele que não confiava totalmente em sua aptidão moral para aceitar o peso desses segredos extraordinários era condenado.
O Talmude conta a história dos quatro Tannaim, que, em termos alegóricos, deviam entrar no jardim de delícias, isto é, ser iniciados na ciência oculta e final.

"De acordo com os ensinamentos dos nossos santos mestres, os nomes dos quatro que entraram no jardim de delícias são Ben Asai, Ben Zoma, Aher e Rabbi A'qîbah (...)
"Ben Asai olhou e - perdeu a visão.
"Ben Zoma olhou e - perdeu a razão.
"Aher cometeu depredações na plantação" [misturou tudo e falhou]. "Mas Aîbah, que entrara em paz, saiu dali em paz, pois o santo cujo nome seja abençoado lhe disse `Este velho homem é digno de nos servir com glória'."
A. Franck, em sua La Kabbale, diz-nos que "os comentadores eruditos do Talmude, os rabinos da sinagoga, explicam que o jardim de delícias em que as quatro personagens entraram não é senão esta ciência misteriosa, a mais terrível de todas as ciências para os intelectos fracos, e que leva diretamente à loucura".
 
Aquele que tem o coração puro e que estuda com o objetivo de se aperfeiçoar e dessa maneira consegue mais facilmente a imortalidade prometida, não deve ter temor algum; mas aquele que faz da ciência das ciências um pretexto pecaminoso para seus motivos mundanos, deve temer. Estes jamais resistirão às evocações cabalísticas da iniciação suprema.
 
Fonte: livro 3 de "Ísis sem véu" de H. P. Blavatsky

A DOUTRINA DOS PITRIS PLANETÁRIOS


Assim, a doutrina dos Pitris planetários e terrestres foi revelada totalmente na Índia antiga, como a conhecemos em nosso dias, apenas no momento da iniciação e aos adeptos dos graus superiores. 

São muito os faquires que, embora puros e honestos e devotados, nunca viram a forma astral de um Pitri humano puro (um ancestral ou pai), senão no momento solene da sua primeira e última iniciação. 

É na presença de seu instrutor, o guru, e só antes que o vatu-faquir seja enviado ao mundo dos vivos, com sua vara de bambu de sete nós para sua protecção, que ele é colocado repentinamente face a face com a PRESENÇA desconhecida. 

Ele a vê e se prostra aos pés da forma evanescente, mas não lhe é confiado o grande segredo da sua evocação; pois ele é o mistério supremo da sílaba sagrada. 

O AUM contém a evocação da Tríade védica, a Trimurti de Brahma, Vishnu e Shiva, dizem os orientalistas; ela contém a evocação de algo mais real e objectivo do que essa abstracção trina - dizemos nós, contradizendo respeitosamente os eminentes cientistas. 

É a Trindade do próprio Homem, em vias de se tornar imortal por meio da união solene do seu EGO - o corpo exterior, grosseiro, não sendo o invólucro levado em consideração nessa trindade humana. É quando essa Trindade, antecipando a reunião final triunfante além das portas da morte corpórea, torna-se durante alguns segundos uma UNIDADE, que o candidato é autorizado, no momento da iniciação, a contemplar seu Ego futuro. 

É assim que devemos interpretar o Desâtîr persa quando ali se fala do "Resplendente"; os filósofos-iniciados gregos, do Augoeides - a brilhante "visão sagrada que reside na luz pura"; em Porfírio, quando diz que Plotino se uniu ao seu "Deus" quatro vezes durante a sua vida.

"Na Índia antiga, o mistério da Tríade, conhecido apenas dos iniciados, não podia, sob pena de morte, ser revelado ao vulgo", diz Brihaspati.

Acontecia o mesmo nos mistérios da antiga Grécia e da Samotrácia. O mesmo acontece hoje. Ele está nas mãos dos adeptos e deve continuar sendo um mistério para o mundo, enquanto o erudito materialista o considerar uma falácia indemonstrável, uma alucinação insana e enquanto o teólogo dogmático o condenar como uma armadilha do Diabo.

A comunicação subjetiva com os espíritos humanos, divinos, dos que nos precedem na terra silenciosa da bem-aventurança é dividida na Índia em três categorias. Sob a orientação espiritual de um guru ou sannyâsin, o vatu (discípulo ou neófito) começa a sentir a presença deles. Se não estivesse sob a tutela imediata de um adepto, ele seria controlado pelos invisíveis e estaria completamente a sua mercê, pois, entre essas influências, ele é incapaz de discernir o bom do mau. Feliz do sensitivo que estiver seguro da pureza de sua atmosfera espiritual!

A esta consciência subjetiva, que é o primeiro grau, acrescenta-se, após algum tempo, o da clariaudiência. Este é o segundo grau ou estágio do desenvolvimento. O sensitivo - quando não foi submetido a um treinamento psicológico - agora ouve claramente, mas ainda é incapaz de discernir; é incapaz de verificar as suas impressões e está desprotegido contra os poderes astuciosos do ar que frequentemente o enganam com vozes e palavras. Mas há a influência do guru; ela é o escudo mais poderoso contra a intrusão dos Bhûtnâ (demónio?) na atmosfera do vatu (discípulo ou neófitos), consagrado aos Pitris puros, humanos e celestiais.

O terceiro grau é aquele em que o faquir ou qualquer outro candidato sente, ouve e vê; e em que ele pode produzir, quando quiser, os reflexos dos Pitris no espelho da luz astral. Tudo depende dos seus poderes psicológicos e mesméricos, que sempre são proporcionais à intensidade da sua vontade. Mas o faquir nunca controlará o Akasha, o princípio espiritual da vida, o agente omnipotente de todo fenómeno, no mesmo grau em que o faria um adepto da terceira e mais elevada iniciação. E os fenómenos produzidos pela vontade desses últimos geralmente não circulam pelos mercados a satisfação dos investigadores clamorosos.

A unidade de Deus, a imortalidade do espírito, a crença na salvação apenas por nossos actos, mérito e demérito - esses são os principais artigos de fé da religião-sabedoria e as bases do Vedismo, do Budismo, do Parsismo; e constatamos que também o foram para o antigo Osirismo quando nós, abandonamos o deus-sol popular ao materialismo da ralé.

"O PENSAMENTO escondia o mundo no silêncio e na escuridão. (...) Então o Senhor que existe por Si mesmo, e que não deve ser divulgado aos sentidos externos do homem, dissipou a escuridão e manifestou o mundo perceptível."

"Aquele que pode ser percebido apenas pelo espírito, aquele que escapa aos órgãos dos sentidos, aquele que não tem nenhuma parte visível, que é eterno, a lama de todos os seres, aquele que nenhum pode compreender exibiu todo o Seu esplendor."

Este é o ideal do Supremo, no pensamento de todo filósofo hindu.

"Dentre todos os deveres, o principal é adquirir o conhecimento da alma suprema [O Espírito]; esta é a primeira de todas as ciências, pois só ela confere imortalidade ao homem."

E os nossos cientistas falam do Nirvana de Buddha e do Moksha de Brahma como uma aniquilação completa! É assim que alguns materialistas interpretam os seguintes versos.

"O homem que reconhece a Alma Suprema em sua própria casa, como também na de todas as criaturas, e que é igualmente justo para todos [homens ou animais], obtém a mais feliz de todas as sortes, a de ser finalmente absorvido no seio de Brahma."

A doutrina do Moksha e do Nirvana, tal como foi compreendida pela escola de Maz Muller, não pode ser comparada com os inúmeros textos que se lhe poderiam opor, se desejasse, como uma refutação final. Há, em muitos pagodes, esculturas que contradizem totalmente essa acusação. 

Pedi a um brâmane que vos exprime o Moksha, dirigi-vos a um letrado budista e solicitai-lhe que vos defina o significado de Nirvana. Ambos responderão que em nenhuma dessas religiões o Nirvana representa o dogma da imortalidade do espírito. Que alcançar o Nirvana significa a absorção na grande Alma Universal, e que esta representa um estado, não um ser individual ou um Deus antropomórfico, como alguns concebem a grande EXISTÊNCIA. Que um espírito, ao chegar a esse estado, se torna uma Parte do Todo integral, mas nunca perde a sua individualidade. Doravante, o espírito vive espiritualmente, sem temor de modificações posteriores de formas; pois a forma pertence à matéria, e o estado de Nirvana implica uma purificação completa e um livramento final até mesmo da partícula mais sublime de matéria.

Essa palavra absorvido, quando se demonstra que os hindus e os budistas acreditam na imortalidade do espírito, deve significar necessariamente união íntima, nunca aniquilação. 

Que os cristãos os chamem de idolatras, se ainda ousam fazê-lo, em presença da ciência e das últimas traduções dos livros sagrados sânscritos; eles não têm o direito de apresentar a filosofia especulativa dos sábios antigos como uma inconsistência e os próprios filósofos como loucos ilógicos. Com muito mais razão, poderíamos acusar os judeus antigos de niilismo. Não há uma única palavra nos Livros de Moisés - ou dos profetas - que, tomada literalmente, implique a imortalidade do espírito. Entretanto, todos judeu devoto espera ser "recolhido no seio de A-Braham".

Fonte: livro 3 de "Ísis sem véu" de H. P. Blavatsky

A DOUTRINA HINDU DOS PITRIS


No livro I do Génese hindu, o Livro da Criação de Manu, os Pitris são chamados de ancestrais lunares da raça humana. Eles pertencem a uma raça de seres diferentes da nossa e eles não podem ser chamados propriamente de "espíritos humanos" no sentido em que os espiritualistas usam esse termo. 

Eis o que se diz deles:

"Eles [os deuses] criaram então os Yakshas, os Râkchasas, os Pisâchas (Pisâchas, demónios da raça dos gnomos, dos gigantes e dos vampiros.), Gandharvas (Gandharvas, demónios bons, serafins celestiais, cantores.), as Apsarasas, e os Asuras, os Nâgas (Os Asuras e os Nâgas são os espíritos titânicos e o dragão ou espírito com cabeça de serpente.) os Sarpas e os Suparnas e os Pitris - ancestrais lunares da raça humana" (Ver Institutes of Manu, livro I, sloka 37, onde os Pitris são chamados de "progenitores da Humanidade").

Os Pitris são uma raça de espíritos distintos que pertencem à hierarquia mitológica, ou antes à nomenclatura cabalística, e devem ser incluídos entre os génios bons, os daemons dos gregos, ou os deuses inferiores do mundo invisível; e, quando um faquir atribui os seus fenómenos aos Pitris, ele só quer dizer aquilo que os antigos filósofos e teúrgicos pretendiam, quando afirmavam que todos os "milagres" eram obtidos com a intervenção dos deuses, ou dos daemons bons e maus, que controlam os poderes da Natureza, os elementais, que são subordinados ao poder daquele "que sabe". Um faquir chamaria uma aparição ou um fantasma humano de palît, e um espírito feminino de pichalpâî, não de Pitri. É verdade que pitarah significa (no plural) pais, ancestrais; e piratâî é um parente; mas essas palavras são usadas com um sentido bastante diferente do que o dos Pitris invocados nos mantrans.

Afirmar, diante de um brâmane devoto ou de um faquir que qualquer pessoa pode conversar com os espíritos dos mortos seria chocá-lo e isso lhe pareceria uma blasfêmia. A última estrofe do Bhâgavata-Purâna não diz que essa felicidade suprema só está reservada aos santos sanyâsins, aos gurus e aos iogues?

Muito tempo antes de serem desembaraçadas de seus envoltórios mortais, as almas que só praticaram o bem, como as dos sannyâsins e dos vanaprasthas, adquirem a faculdade de conversar com as almas que as precederam no svarga." (Mansão Celestial, paraíso.).

Nesse caso, os Pitris, em vez de génios, são os espíritos, ou antes, as almas dos desencarnados. Mas eles se comunicarão livremente apenas com aqueles cuja atmosfera for pura como as suas e a cujas kalâsas (invocações) poderosas eles podem responder sem riso de colocar em perigo a sua pureza celestial. Quando a alma do invocador alcançou o sâyujya, ou identidade perfeita de essências com a Alma Universal, quando a matéria é finalmente conquistada, então o adepto pode entrar livremente na comunhão de todos os dias e de todas as horas com aqueles que, embora aliviados de suas formas corpóreas, ainda estão progredindo por meio de uma série infindável de transformações inerentes na aproximação gradual do Paramâtman, ou a grande Alma Universal.

Fonte: livro 3 de "Ísis sem véu" de H. P. Blavatsky
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"Se não existe vida fora da Terra, então o universo é um grande desperdício de espaço."- Carl Sagan
Posted by Auras, Cores e Números on Sábado, 29 de agosto de 2015

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