Ou o Tratado Matemático Quadripartido -
- Quatro livros sobre a influência das
estrelas -
- Planisfério
com constelações - Assíria séc. VII a. C. -
Os Historiadores afirmam que a Astrologia
surgiu na Suméria, por volta do IV milénio a.C. Por este
motivo, durante muitos séculos, na Europa, os astrólogos foram chamados de caldeus.
Traduzido da paráfrase grega de Próculo por J. M. Ashmand
Londres, Davis and Dickson [1822]
Traduzido para o português por Marcos
Monteiro a partir da versão cortesia encontrada
em www.classicalastrologer.com/
Prefácio
É justo dizer que Cláudio Ptolomeu foi o maior contribuinte individual à transmissão e à preservação do conhecimento astrológico e astronômico do mundo Clássico e do Antigo.
Nenhum estudo de astrologia tradicional pode ignorar a importância e a
influência deste trabalho enciclopédico. Ele fala não somente das estrelas, mas
também de uma cosmologia distinta que prevaleceu até o século XVIII.
Ironicamente, é fácil zombar de alguém que pensa que a terra é o centro do
Cosmos e se refere a ela como a esfera sublunar. No entanto, nosso conhecimento
atual nos diz que o Universo é infinito, até onde sabemos. Parece-me que, em um
universo infinito, qualquer ponto dado pode ser o centro; às vezes, os
cientistas não são tão científicos. O fato é que essa cosmologia ainda serve
para os nossos propósitos.
Em termos práticos, a Lua realmente tem o efeito mais imediato sobre a Terra que é, no final das contas, nosso ponto de referência. Ela muda as marés, influencia o crescimento vegetativo e os ciclos menstruais. Na verdade, ela influencia o próprio clima.
O que veio a ser conhecido como o Universo Ptolemaico consistia em círculos concêntricos emanando a partir da Terra até a oitava esfera das Estrelas Fixas, também conhecido como o Empíreo. Esta cosmologia é tanto espiritual quanto física. É, decididamente, uma cosmologia moral. Não se pedem desculpas pela incorreção política.
Ptolomeu foi, principalmente e antes de tudo, um antologista.
Esta é a capa de uma edição latina (apesar dos títulos em
grego) que inclui a introdução de Porfírio e o suposto comentário de Próculo.
Obra coletiva editada na Basileia, em 1559. Este exemplar encontra-se na
Biblioteca Geral da Universidade de Salamanca.
Estes conhecimentos chegaram até ele vindos do Egito, da Grécia, da
Caldeia, da Babilónia e de mais longe. Para ser mais preciso, ele estava na
invejável posição de se encontrar em Alexandria durante o cume de sua
eminência. Alexandria estava em ebulição espiritual e intelectual. Ptolomeu
claramente utilizou um grande leque de fontes no Tetrabiblos. Sua cosmologia
articulada passou a ser chamada pelo seu próprio nome. Quaisquer que sejam as
suas opiniões acerca do status de Ptolomeu, ele permanece leitura obrigatória
para qualquer um interessado na história das artes celestes. Sua influência
sobre os astrólogos renascentistas foi profunda por seus próprios méritos.
Política Editorial
Neste, como em qualquer texto, sempre há discussões sobre qual tradução é a
definitiva. Esta edição de 1822 já foi, anteriormente, difícil de ser
encontrada em um formato digital prático e legível. O estilo é às vezes
excêntrico, o que qualquer um interessado no assunto, no entanto, facilmente
perdoará.
Havia uma legião de erros tipográficos no original, chegando à casa das centenas. Estes erros foram corrigidos onde não havia dúvida sobre a palavra pretendida. Os arcaísmos permaneceram intactos. Alguns erros gramaticais, como um ponto no lugar de uma vírgula, quando a palavra seguinte não começava com maiúscula, foram editados para fazer mais sentido, não para mudar o conteúdo. Palavras faltantes foram adicionadas entre colchetes para indicar que elas não estão no original. Eu não fiz nenhum esforço para manter a paginação original neste formato.
Sempre que o significado pretendido não estava claro, eu deixei a frase como estava. Um exemplo disso é o uso da palavra “lang”, que pode estar no lugar tanto de “long” [N. do T.: longo, demorado] como “lung” [N. do T.: pulmão] quando se refere a Saturno e enfermidades. Estes pontos foram confiados ao discernimento do leitor. De resto, o texto original permaneceu inalterado [N. do T.: em caso de dúvida, o texto em português trará o sentido mais provável. Aqueles que realmente quiserem ter acesso ao pensamento original, sem distorções de tradução, de Ptolomeu, sintam-se à vontade para ler o original. Esta é uma tradução da adaptação de uma tradução de uma tradução de um texto bastante antigo].
Esta edição e este formato foram primeiramente concebidos para meus estudantes online do Traditional Astrology Course. O texto prestou-se bem para este fim. Eu convido o leitor a distribuir livremente este e-book, desde que o texto, incluindo os créditos, permaneça intacto. Confiram as versões atualizadas em minha página na web, de tempos a tempos.
Victoria, Columbia Britânica, Fevereiro de 2006.
Prof. Peter J. Clark
AVISO
O uso recente da Astrologia no maquinário poético de alguns trabalhos de
gênio (os quais gozam da mais alta popularidade, e estão acima de qualquer
louvor) parece ter excitado em todo o mundo um desejo de aprender algo dos
mistérios desta ciência, que tem, em todas as eras passadas, se não nestes
dias, suscitado, ora maior, ora menor, reverência e crença. A existência
aparente de tal desejo provocou a realização da seguinte Tradução e sua
apresentação ao público, tendo sido originalmente realizada, no entanto, apenas
em parte, e meramente para satisfazer o desejo de dois ou três indivíduos a
respeito dos fundamentos sobre os quais as agora negligenciadas doutrinas da
Astrologia obtiveram um crédito tão duradouro e tão firme.
SUMÁRIO
Livro I
Livro I – Introdução
Conhecimento por Meios Astronômicos
Que ele também seja benéfico
Poderes dos Planetas
Planetas Benéficos e Maléficos
Planetas Masculinos e Femininos
Planetas Diurnos e Noturnos
Poderes dos Aspetos com o Sol
Poderes das Estrelas Fixas.
Efeito das Estações e dos Quatro Ângulos
Signos Solsticiais, Equinociais, Sólidos e Bicorpóreos
Signos Masculinos e Femininos
Aspetos dos Signos
Signos Comandantes e Obedientes
Signos que se Observam e Signos de Mesmo Poder
Signos Disjuntos
Domicílios dos Diversos Planetas
Triângulos (Triplicidades)
Exaltações
Disposições dos Termos
De Acordo com os Caldeus
Lugares e Graus
Faces, Carruagens e Assemelhados
Aplicações e Separações e os outros Poderes
Livro I – Introdução
Conhecimento por Meios Astronômicos
Que ele também seja benéfico
Poderes dos Planetas
Planetas Benéficos e Maléficos
Planetas Masculinos e Femininos
Planetas Diurnos e Noturnos
Poderes dos Aspetos com o Sol
Poderes das Estrelas Fixas.
Efeito das Estações e dos Quatro Ângulos
Signos Solsticiais, Equinociais, Sólidos e Bicorpóreos
Signos Masculinos e Femininos
Aspetos dos Signos
Signos Comandantes e Obedientes
Signos que se Observam e Signos de Mesmo Poder
Signos Disjuntos
Domicílios dos Diversos Planetas
Triângulos (Triplicidades)
Exaltações
Disposições dos Termos
De Acordo com os Caldeus
Lugares e Graus
Faces, Carruagens e Assemelhados
Aplicações e Separações e os outros Poderes
Livro II
Livro II – Introdução
Características dos Habitantes dos Climas Gerais
Familiaridades entre os Países e as Triplicidades e as Estrelas
Método de Realizar Predições Particulares
Exame dos Países Afetados
Momento dos Eventos Previstos
Classe dos Afetados
Qualidade do Evento Previsto
Cores dos Eclipses, Cometas e dos Corpos Assemelhados
Lua Nova do Ano
Natureza dos Signos, Parte por Parte, e seu Efeito sobre o Clima
Investigação Detalhada do Clima
Importância dos Signos Atmosféricos
Livro II – Introdução
Características dos Habitantes dos Climas Gerais
Familiaridades entre os Países e as Triplicidades e as Estrelas
Método de Realizar Predições Particulares
Exame dos Países Afetados
Momento dos Eventos Previstos
Classe dos Afetados
Qualidade do Evento Previsto
Cores dos Eclipses, Cometas e dos Corpos Assemelhados
Lua Nova do Ano
Natureza dos Signos, Parte por Parte, e seu Efeito sobre o Clima
Investigação Detalhada do Clima
Importância dos Signos Atmosféricos
Livro III
Livro III – Introdução
Grau do Ponto do Horóscopo
Subdivisão da Ciência das Natividades
Pais
Irmãos e Irmãs
Se é Homem ou Mulher
Gémeos
Monstros
Crianças que Não Vingam
Duração da Vida
Forma Corporal e Temperamento
Danos Corporais e Doenças
Qualidade da Alma
Doenças da Alma
Livro III – Introdução
Grau do Ponto do Horóscopo
Subdivisão da Ciência das Natividades
Pais
Irmãos e Irmãs
Se é Homem ou Mulher
Gémeos
Monstros
Crianças que Não Vingam
Duração da Vida
Forma Corporal e Temperamento
Danos Corporais e Doenças
Qualidade da Alma
Doenças da Alma
Livro IV
Livro IV – Introdução
Fortuna Material
Fortuna de Dignidade
Qualidade da Ação
Casamento
Filhos
Amigos e Inimigos
Viagem ao Estrangeiro
Qualidade da Morte
Divisão dos Tempos
Livro IV – Introdução
Fortuna Material
Fortuna de Dignidade
Qualidade da Ação
Casamento
Filhos
Amigos e Inimigos
Viagem ao Estrangeiro
Qualidade da Morte
Divisão dos Tempos
Cilindro-selo sumério que aparentemente representa constelações zodiacais: de esquerda a direita, Urgula, Pabilsag, Anunitu, Shamash/Utu (con uma faca na mão), Simmah (andorinha), Ea/Enki e seu ministro, Isimud
PRIMEIRO LIVRO
CAPÍTULO I
PROÊMIO
Os estudos preliminares à realização de prognósticos pela Astronomia, ó
Ciro, são dois: o primeiro, maior tanto na ordem quando em poder, leva ao
conhecimento dos posicionamentos do Sol, da Lua, e das estrelas, e dos seus
aspetos relativos uns aos outros, e à Terra; o outro leva em consideração as
mudanças que esses aspetos criam, por meio de suas propriedades naturais, nos
objetos sob sua influência.
O primeiro estudo mencionado já foi explicado na Sintaxe i da forma mais
extensa possível, pois ele é completo em si mesmo, e de utilidade essencial
mesmo sem ser combinado com o segundo, ao qual este estudo será devotado, e que
não é igualmente autossuficiente. O presente trabalho deve, no entanto, ser
regulado pela devida atenção à verdade que a filosofia exige; e, uma vez que a
qualidade material dos objetos que sofrem a ação dos astros os torna fracos e
variáveis, e difíceis de ser apreendidos de forma acurada, não podem ser
apresentadas aqui regras positivas ou infalíveis (como foram apresentadas ao detalharmos
a primeira doutrina, que é sempre governada pelas mesmas leis imutáveis);
enquanto, por outro lado, não devemos omitir uma observação cuidadosa da
maioria daqueles eventos gerais cujas causas podem ser evidentemente rastreadas
até o Ambiente.
No entanto, é uma prática constante do vulgo desdenhar de tudo que seja
difícil de perceber, e com certeza aqueles que condenam o primeiro destes dois
estudos devem ser considerados completamente cegos, quaisquer que sejam os
argumentos produzidos para sustentar a opinião daqueles que impugnam o segundo.
Também há pessoas que imaginam que o que quer que eles não sejam capazes de
apreender deve estar completamente além do alcance de todo o entendimento;
enquanto outros ainda considerarão como inútil qualquer ciência que (mesmo que
tenham sido muitas vezes instruídos nela) não tenham conseguido aprender,
devido à sua dificuldade de retenção. Com relação a essas opiniões, portanto,
será feita uma tentativa de investigar em que medida a realização de prognósticos
pela astronomia é praticável, além de útil, antes de detalhar as minúcias da
doutrina.
LIVRO 1
1. Introdução [N. do T.: O Proêmio e a Introdução são claramente o mesmo texto duplicado
de forma indevida; eu não sei em que ponto da transmissão do texto isso
aconteceu. Merci, Guy].
Dos meios de predição através da astronomia, ó Ciro, dois são os mais
importantes e válidos. Um, que é o primeiro tanto na ordem como na eficácia, é
o pelo qual apreendemos os aspetos dos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas
em relação uns aos outros e à Terra, enquanto eles ocorrem, ao longo do tempo;
o segundo é aquele no qual, por meio da característica natural desses aspetos
em si mesmos, investigamos as mudanças que eles trazem ao que eles circundam.
O primeiro destes, que possui sua própria ciência, desejável por si mesma
ainda que não atinja o resultado dado por sua combinação com a segunda, foi
exposto a você o melhor que pudemos em um tratado próprio pelo método
demonstrativo. Devemos agora apresentar um relato do segundo e menos
autossuficiente método, de um modo propriamente filosófico, de forma que alguém
cujo objetivo seja a verdade nunca compare as perceções relativas a este com a
certeza da primeira ciência (que é invariável), pois ele atribuiria a ela a fraqueza
e a imprevisibilidade das qualidades materiais encontradas nas coisas
individuais, nem tampouco se abstenha dessa investigação enquanto ela esteja
dentro dos limites das possibilidades, quando é tão evidente que a maioria dos
eventos de natureza geral tem suas causas nos céus que nos envolvem.
No entanto, uma vez que normalmente os homens em geral atacam tudo o que é
difícil de perceber, e no caso das duas disciplinas mencionadas anteriormente,
alegações contra a primeira podem ser feitas apenas pelos cegos, enquanto há
fundamentos para as levantadas contra a segunda – pois sua dificuldade em
certas partes a fez ser considerada completamente incompreensível, e a
dificuldade de escapar ao que é sabido fez com que seu próprio objeto fosse
considerado inútil – devemos tentar examinar brevemente a extensão tanto da
possibilidade quanto da utilidade desse tipo de prognóstico antes de oferecer
instruções mais detalhadas sobre o assunto. Em primeiro lugar, sobre a sua
possibilidade.
2. Que o conhecimento por meios astronómicos seja possível de ser obtido, e em que extensão.
Algumas poucas considerações tornariam aparente a todos que um certo poder emanando da substância eterna etérea está disperso, permeando toda a região acima da Terra, a qual é em toda sua extensão sujeita a mudanças, uma vez que, dos elementos sublunares primários, o fogo e o ar são circundados e sofrem mudanças pelos movimentos do éter, e por sua vez circundam e mudam todo o mais, a Terra, a água e os animais e plantas nelas contidos. Pois o Sol, junto com o ambiente, está sempre da mesma forma afetando tudo na Terra, não só pelas mudanças que acompanham as estações do ano para produzir a geração dos animais, a produtividade das plantas, o fluxo das águas e as mudanças nos corpos, mas também por suas revoluções diárias, que levam calor, humidade, secura e frio em ordem regular e em correspondência com as posições relativas ao zênite.
A Lua, também, sendo o corpo celeste mais próximo da Terra, exerce sua
influência da forma mais abundante sobre as coisas mundanas, pois elas, em sua
maioria, animadas ou inanimadas, lhe são simpáticas e com ela mudam
conjuntamente; os rios aumentam e diminuem seu volume de acordo com sua luz, os
mares geram suas próprias marés de acordo com seu nascer e seu poente, e as
plantas e os animais no todo ou em uma mesma parte crescem e minguam com ela.
Além disso, as passagens das estrelas fixas e dos planetas pelo céu muitas
vezes significam que as condições do ar serão de calor, de vento ou de neve, e
as coisas mundanas são afetadas da mesma forma. Então, seus aspetos uns com os
outros, pelo encontro e pela mistura de seus eflúvios, produzem muitas mudanças
complicadas, pois embora o poder do Sol prevaleça no ordenamento geral da
qualidade, os outros corpos celestes ajudam ou se opõem a ele em detalhes
particulares, a Lua de forma mais óbvia e contínua, como por exemplo quando
está nova, crescente ou cheia, e as estrelas a intervalos maiores e de forma
mais obscura, como quando de seus aparecimentos, ocultações e aproximações. Se
esses assuntos fossem considerados desta forma, todos julgariam que
necessariamente não apenas as coisas já compostas devem ser afetadas do mesmo
modo pelo movimento destes corpos celestes, mas da mesma forma a germinação da
semente deve ser moldada e conformada à qualidade própria dos céus naquele
momento.
Os fazendeiros e criadores de gado mais observadores, na verdade,
conjeturam, a partir dos ventos que prevaleçam no momento da reprodução ou da
semeadura, a qualidade do que resultará, e de forma geral vemos que as
consequências mais importantes significadas pelas configurações mais óbvias do
Sol, da Lua e das estrelas são normalmente conhecidas de antemão, mesmo por
aqueles que investigam, não por meios científicos, mas somente por observação.
Aquelas que têm consequências sobre as maiores forças e as ordens naturais mais
simples, como as variações anuais das estações e dos ventos, são compreendidas
mesmo por homens muito ignorantes, não, até mesmo por algumas bestas; porque o
Sol é geralmente responsável por estes fenômenos. As coisas que não são de uma
natureza tão geral, no entanto, são entendidas por aqueles que por necessidade
se acostumaram a realizar observações, já que, por exemplo, os marinheiros
conhecem os sinais especiais das tempestades e dos ventos que surgem
periodicamente por meio dos aspetos da Lua e das estrelas fixas com o Sol.
No entanto, porque eles não conseguem, em sua ignorância, saber de forma
precisa os momentos e os locais destes fenômenos, nem os movimentos periódicos
dos planetas, que contribuem de forma importante para o efeito, acontece que
eles frequentemente erram.
Se, então, um homem souber de forma precisa os movimentos de todas as
estrelas, do Sol, e da Lua, para que nem o lugar nem o momento de nenhuma de
suas configurações escapem de sua atenção, e se ele houver distinguido suas
naturezas em geral, a partir de um estudo continuado prévio, e que ele possa
mesmo discernir, não suas qualidades essenciais, mas apenas suas qualidades
potencialmente efetivas, como o poder de aquecimento do Sol e de causar humidade
da Lua, e da mesma forma com os outros, e se ele for capaz de determinar, tendo
em vista todos estes dados, tanto de forma científica quanto por conjeturas
sucessivas, a marca distintiva da qualidade que resulta da combinação de todos
os fatores, o que o iria impedir de ser capaz de afirmar em cada ocasião as
características do ar, a partir das relações dos fenômenos no momento; por
exemplo, que ele esquentaria ou se tornaria mais húmido?
Porque ele também não poderia, em relação a um homem individual, perceber a
qualidade geral do seu temperamento a partir do ambiente no momento de seu
nascimento, como por exemplo dizer que ele é assim e assim de corpo, e assim e
assim de alma, e prever eventos ocasionais, utilizando o fato de que tal e tal
ambiente seja condizente com tal e tal temperamento e seja favorável à
prosperidade, enquanto outro não seja tão condizente e conduza a danos? É o
bastante, no entanto, com relação à possibilidade de que esse conhecimento
possa ser compreendido a partir deste argumento e de outros similares.
As considerações seguintes podem nos levar a observar que as críticas
a essa ciência - com base na sua impossibilidade - foram abundantes, mas
inválidas. Em primeiro lugar, os erros daqueles que foram instruídos de forma
eficiente nesta prática, e eles são muitos, como se poderia esperar em uma arte
importante e multifacetada, geraram a crença de que mesmo suas previsões
verdadeiras dependiam do acaso, o que é incorreto. Pois uma coisa como essa é
uma impotência, não da ciência, mas daqueles que a praticam.
Em segundo lugar, a maioria, visando o lucro, advoga crédito para outra
arte no nome desta, e engana o vulgo, pois tem a reputação de prever muitas
coisas, mesmo aquelas que não podem ser naturalmente conhecidas de antemão;
quanto às pessoas com maior discernimento, esta maioria deu oportunidade para
que elas apresentassem julgamentos igualmente desfavoráveis sobre os assuntos
naturais da profecia, o que não é correto. Ocorre o mesmo com a filosofia – não
necessitamos aboli-la porque há trapaceiros evidentes entre aqueles que aqueles
que a professam. No entanto, é claro que mesmo que se aborde a astrologia com o
espírito mais inquisitivo e legítimo possível, pode-se frequentemente errar,
não pelos motivos já apresentados, mas pela própria natureza da coisa e pela
própria fraqueza da pessoa em comparação com a magnitude de sua profissão.
Pois, em geral, além do fato de que toda ciência que lida com a qualidade
material de seu objeto é conjetural e não pode ser afirmada de forma absoluta,
principalmente uma que é composta de diversos elementos díspares, é também
verdade que as configurações antigas dos planetas, com base nas quais ligamos
os aspetos similares de nossos dias aos efeitos observados pelos antigos nos
deles, podem ser mais ou menos similares aos aspetos modernos, e isso, também,
a intervalos longos, mas não idênticos, uma vez que o retorno idêntico de todos
os corpos celestes e a Terra às mesmas posições, a menos que se sustente
opiniões vãs sobre a própria habilidade de compreender e conhecer o
incompreensível, ou não ocorre de maneira nenhuma ou não ocorre ao menos no
período de tempo compreendido na experiência do homem; desta forma, por esta razão,
as previsões às vezes falham, devido à disparidade dos exemplos nos quais se
baseiam.
Com relação à investigação dos fenômenos atmosféricos, isso seria a única
dificuldade, uma vez que não se leva em consideração outra causa além do
movimento dos corpos celestes. Entretanto, em uma investigação sobre
natividades e temperamentos individuais em geral, pode-se ver que há
circunstâncias de grande importância e de caráter não trivial, que se juntam
para causar as qualidades especiais dos que nascem. Assim, diferenças na
semente exercem uma influência muito grande nos traços especiais do género, já
que, se o ambiente e o horizonte são os mesmos, cada semente expressa
principalmente a sua própria forma, por exemplo, homem, cavalo, e assim por
diante, e os locais de nascimento produzem uma variação nada desprezível no que
é produzido, porque se a semente é genericamente a mesma, a humana por exemplo,
e as condições do ambiente são as mesmas, aqueles que nascem diferem muito,
tanto no corpo quanto na alma, de acordo com as diferenças entre os países.
Além disso, todas as condições mencionadas acima sendo iguais, a criação e
os costumes contribuem para influenciar o modo particular no qual uma vida é
vivida. A menos que cada uma dessas coisas seja examinada juntamente com as
causas que são derivadas do ambiente, mesmo que se conceda a esta última a
maior influência exercida (pois o ambiente é uma das causas deles serem o que
são, enquanto por sua vez eles não exercem nenhuma influência sobre ele), elas
podem gerar muita dificuldade para aqueles que acreditam que nestes casos tudo
pode ser compreendido, mesmo as coisas que não estejam completamente sob a sua
jurisdição, a partir somente do movimento dos corpos celestes.
Uma vez que este seja o caso, não se deveria dispensar todo prognóstico
deste tipo porque ele pode, às vezes, ser feito de maneira incorreta, uma vez
que não negamos crédito à arte do piloto devido a seus muitos erros, mas como
quando as questões são grandes, assim como quando são divinas, sevemos dar boas
vindas ao que é possível dizer e considerá-lo suficiente. Nem, além disso,
devemos, às cegas e de forma humana, exigir tudo da arte, mas ao contrário nos
juntarmos a ela na apreciação da beleza, mesmo em ocasiões em ela não possa
fornecer a resposta completa; e, da mesma forma que não julgamos ruins os
médicos, quando eles, ao examinar alguém, falam ao mesmo tempo da doença em si
e das idiossincrasias do paciente, assim também neste caso não devemos objetar
a que os astrólogos tomem como base para os seus cálculos a nacionalidade, o
país e a criação da pessoa em questão, ou quaisquer outras qualidades
acidentais existentes.
3. Que ele também seja benéfico.
De uma forma um pouco resumida demonstrou-se como o prognóstico por meios
astronómicos é possível, e que ele não pode ir além do que acontece no ambiente
e de suas consequências para o homem de tais causas – ou seja, ele enfoca os
surgimentos originais das faculdades e atividades da alma e do corpo, suas
doenças ocasionais, suas durações por um período longo ou curto, e, além disso,
todas as circunstâncias externas que têm uma conexão diretiva e natural com os
dons originais da natureza, como propriedade e casamento no caso do corpo e
honra e dignidades no caso da alma, e finalmente o que lhes acontece ao longo
do tempo.
A parte restante de nosso projeto seria investigar brevemente sobre sua
utilidade, em primeiro lugar distinguindo como e com qual fim em vista nós
devemos utilizar o significado da palavra utilidade. Porque, se olharmos para os
bens da alma, o que poderia conduzir melhor ao bem viver, ao prazer e à
satisfação em geral do que este tipo de previsão, pelo qual adquirimos uma
visão completa das coisas humanas e divinas? E se olharmos para os bens
corporais, tal conhecimento, melhor do que qualquer outra coisa, diria o que é
conveniente e produtivo para as capacidades de cada temperamento. Mas se ele
não ajuda na aquisição de riqueza, fama, e coisas afins, devemos ser capazes de
dizer o mesmo de toda a filosofia, pois ela não fornece nenhuma dessas coisas
por si só. Não estaríamos, no entanto, por esta razão, certos em condenar tanto
a filosofia quanto esta arte, desprezando suas grandes vantagens.
Em um exame geral pareceria que aqueles que veem um defeito na inutilidade
do prognóstico não se interessam pelos assuntos mais importantes, mas apenas
por isso – que o conhecimento prévio dos eventos que irão acontecer de qualquer
forma é supérfluo; isso, também, é dito sem reservas e sem o devido
discernimento.
Pois, em primeiro lugar, devemos considerar que mesmo com eventos que
necessariamente ocorrerão, sua imprevisibilidade facilmente causa pânico
excessivo e alegria delirante, enquanto o conhecimento prévio acostuma e acalma
a alma pela experiência de eventos distantes como se eles estivessem presentes,
e a prepara para acolher com calma e serenidade o que vier. Uma segunda razão é
que não devemos acreditar que eventos separados ocorram para a humanidade, como
resultado da causa celestial, como se eles tivessem sido ordenados originalmente
para cada pessoa por um comando divino irrevogável e destinados a acontecer sem
a possibilidade de nenhuma outra causa, qualquer que seja, intervir.
Ao contrário, é verdade que o movimento dos corpos celestes, com certeza, é
realizado eternamente de acordo com um destino divino e imutável, enquanto a
mudança nas coisas terrenas está sujeita a um ritmo natural e mutável, que,
mesmo recebendo suas causas primeiras do alto, é governado pelo acaso e pela
sequência natural. Além disso, algumas coisas acontecem à humanidade através de
circunstâncias gerais e não como resultado das propensões naturais do indivíduo
– por exemplo, quando os homens perecem em multidões devido à conflagração de
uma peste ou cataclismo, por mudanças monstruosas e inescapáveis no ambiente,
pois a causa subordinada sempre deve dar lugar à maior e mais forte; outras
ocorrências, no entanto, estão de acordo com o próprio temperamento individual,
através de antipatias menores e fortuitas do ambiente.
Pois, se estas distinções são assim feitas, é claro que, tanto em geral
quanto em particular, quaisquer que sejam os eventos que dependam de uma
primeira causa, que seja irresistível e mais poderosa que qualquer uma que se
oponha a ela, estes devem acontecer de qualquer modo; por outro lado, dos
eventos que não têm esta característica, os para os quais há forças que lhes
resistam são facilmente evitados, enquanto os para os quais não as há seguem as
causas primarias naturais, é claro; mas isso é devido à ignorância e não à
necessidade de um poder superior.
Deve-se observar a mesma coisa acontecendo em todos os eventos que tenham
causas naturais. Assim, mesmo em se tratando de pedras, plantas e animais, e
também de feridas, acidentes e doenças, algumas são de natureza tal que devem
agir necessariamente, outras que devem agir se nenhuma outra coisa oposta
interferir.
Deve-se portanto acreditar que os filósofos da natureza preveem o que deve
acontecer ao homem, tendo o conhecimento prévio desta característica, e não
abordam a sua tarefa sob falsas impressões; pois algumas coisas, porque suas
causas eficientes são numerosas e poderosas, são inevitáveis, mas outras pelas
razões contrárias podem ser evitadas.
Da mesma forma, os médicos que podem reconhecer doenças sabem quais são sempre
fatais e quais que admitem tratamento. No caso de eventos que podem ser
modificados devemos dar crédito ao astrólogo, quando, por exemplo, ele diz que
para tal e tal temperamento, com tal e tal característica do ambiente, se as
proporções fundamentais diminuírem ou aumentarem, tal e tal afeção resultará.
Da mesma forma, devemos acreditar no médico, quando ele diz que esta inflamação
se espalhará ou causará putrefação, e no mineiro, por exemplo, quando ele diz
que a magnetita atrai o ferro.
Da mesma forma que cada um destes, se deixado a si mesmo pela ignorância
das forças opostas, inevitavelmente se desenvolverá do modo que sua natureza
original o compelir, mas nem a inflamação se espalhará ou causará putrefação,
se receber tratamento preventivo, nem a magnetita atrairá o ferro, se for
esfregada com alho, e estas próprias medidas repressivas também têm sua força
de resistência naturalmente e devida ao destino; portanto, também nos outros
casos, se acontecimentos futuros em relação ao homem não forem conhecidos, ou
se eles forem conhecidos e os remédios não forem aplicados, eles
necessariamente irão seguir o curso de sua natureza primária; mas se eles forem
reconhecidos antes do tempo e os remédios forem providenciados, mais uma vez,
inteiramente de acordo com a natureza e o destino, eles ou não ocorrerão de
forma nenhuma ou serão menos graves.
E, em geral, uma vez que esse poder é o mesmo se for aplicado a coisas
consideradas universalmente ou particularmente, é de se admirar que todos
acreditem na eficácia da previsão em assuntos universais, e em sua utilidade em
preservar interesses particulares (pois a maior parte das pessoas admite que
tem conhecimento prévio das estações, da significação das constelações, e das
fases da Lua, e raciocinam com bastante antecedência para se salvaguardar,
sempre obtendo meios de se refrescar para se proteger do verão e de se aquecer
durante o inverno, e em geral preparando suas próprias naturezas, tendo a
moderação como um objetivo; além do mais, para garantir a segurança nas
diversas estações e nas suas viagens marítimas eles observam os significados
das estrelas fixas, e para o início da reprodução e da semeadura, os aspetos da
luz da Lua quando está cheia, e ninguém nunca condena estas práticas como
impossíveis ou inúteis); mas, por outro lado, quando se consideram assuntos
particulares e os que dependem da mistura de outras qualidades – como as
previsões de aumento ou diminuição, de frio ou calor, ou do temperamento
individual – algumas pessoas não acreditam nem que o conhecimento prévio seja
possível nem que seus conselhos possam ser seguidos em alguns casos.
Mesmo assim, uma vez que é óbvio que, se por acaso nos refrescarmos para
contrabalançar o calor em geral, nós sofreremos menos com ele, medidas
similares podem se provar eficientes contra forças particulares que aumentam
este temperamento particular para uma quantidade desproporcional de calor, pois
a causa deste erro é a dificuldade e a falta de familiaridade com a arte de
prognosticar em particular, um motivo que em diversas outras situações gera
descrédito.
E, uma vez que para a grande maioria a faculdade de resistir não está
associada com o prognóstico, uma vez que uma disposição tão perfeita é rara, e
uma vez que a força da natureza segue o seu curso sem restrições no que diz
respeito às naturezas primárias, produziu-se uma opinião de que todos os
eventos futuros, sem exceção, são inevitáveis e inescapáveis.
No entanto, creio eu, de mesma forma que, com a previsão, mesmo se não
inteiramente infalível, ao menos suas possibilidades merecerão a maior
consideração, também no caso da prática defensiva, mesmo que não forneça um
remédio para tudo, sua autoridade, em alguns casos ao menos, mesmo que poucos
ou não importantes, deveriam ser bem-vindos e estimados, e considerados como
aproveitáveis em um modo não usual.
Reconhecendo, aparentemente, que essas coisas são desta forma,
aqueles que mais avançaram este especto da arte, os egípcios, uniram
completamente a medicina e a predição astronômica. Pois eles nunca teriam
desenvolvido certos meios de evitar, repelir ou remediar as condições
universais e particulares que virão ou que já estejam presentes devido ao
ambiente, se eles acreditassem que o futuro não pode ser modificado ou movido.
Mas, na verdade, eles põem a faculdade de resistir por métodos ordenados
naturais em segundo lugar com relação aos decretos do destino, e reconheceram
na possibilidade de previsão sua faculdade útil e benéfica, através do que eles
chamam de seus sistemas iatromatemáticos (astrologia médica), de modo que por
meio da astronomia eles podem ter sucesso em apreender as qualidades das
temperaturas subjacentes, os eventos que irão ocorrem no futuro devido ao
ambiente, e suas causas especiais, escorados no fato de que sem este conhecimento
quaisquer medidas de ajuda irão, na maior parte dos casos, falhar, porque não
se aplicam a todos os corpos ou doenças; e, por outro lado, pelos meios da
medicina, pelo seu conhecimento do que seja propriamente simpático ou
antipático em cada caso, eles, na medida do possível, tomam as medidas de
precaução contra as doenças que estão para se manifestar e prescrevem
tratamentos infalíveis para as doenças já existentes.
Deixemos que este seja, neste ponto, nosso esboço preliminar exposto de
forma resumida. Devemos agora conduzir nossa discussão nos moldes de uma
introdução, começando com as características de cada um dos corpos celestes em
relação a seu poder ativo, de acordo com as observações físicas agregadas a
eles pelos antigos, e em primeiro lugar os poderes dos planetas, do Sol e da
Lua.
4. Sobre o Poder dos Planetas
Observa-se que o poder ativo da natureza essencial do Sol é aquecer e, em
algum grau, secar. Isso se torna ainda mais fácil de perceber no caso do Sol do
que para qualquer outro corpo celeste, devido a seu tamanho e à obviedade de
suas mudanças sazonais, pois quanto mais ele se aproxima do zênite mais ele nos
afeta desta forma.
O poder da Lua consiste principalmente em humedecer, claramente porque ela
está perto da Terra e por causa das exalações húmidas que vêm daí. Sua ação
então é precisamente esta, na maior parte, amolecer e causar putrefação em
corpos, mas ela também tem, moderadamente, a sua parte no poder de aquecer por
causa da luz que ela recebe do Sol.
A qualidade de Saturno é principalmente de esfriar e mais raramente, secar,
provavelmente porque ele está mais afastado tanto do calor do sol como das
exalações húmidas da Terra. Tanto no caso de Saturno quanto no caso dos outros
planetas existem poderes, também, que aparecem através da observação de seus
aspetos com o Sol e com a Lua, porque alguns deles parecem modificar as
condições do ambiente de uma forma, alguns de outra, por aumento ou diminuição.
A natureza de Marte é principalmente secar e queimar, em conformidade com
sua coloração abrasiva e em razão da sua proximidade com o Sol, pois a esfera
do Sol está localizada logo abaixo dele.
Júpiter possui uma força ativa temperada, porque seu movimento ocorre entre
a influência fria de Saturno e o poder incinerador de Marte. Ele aquece e
também umedece, e porque seu poder de aquecer é o maior em razão das esferas
subjacentes, ele produz ventos fertilizantes.
Vénus tem os mesmos poderes e a mesma natureza temperada de Júpiter, mas
age de forma oposta, pois ela aquece moderadamente por causa da sua proximidade
do Sol, mas, principalmente, umedece, do mesmo modo que a Lua, por causa da
quantidade da sua própria luz e porque ela se apropria das exalações da
atmosfera húmida que envolve a Terra.
Mercúrio, em geral, em alguns momentos seca e absorve a humidade, porque
ele nunca está muito longe, em longitude, do calor do Sol, e então umedece,
porque está próximo, logo acima, da esfera da Lua, que está mais próxima da
Terra; e muda rapidamente de uma ação para a outra, inspirado, por assim dizer,
pela velocidade de seu movimento nas proximidades do próprio Sol.
5. Sobre os Planetas Benéficos e Maléficos
Uma vez que o que se segue é verdade, porque dois dos quatro humores são férteis
e ativos, o quente e o húmido (porque todas as coisas são unidas e aumentadas
por eles), e dois são destrutivos e passivos, o seco e o frio, através dos
quais, mais uma vez, todas as coisas são separadas e destruídas, os antigos
aceitavam dois dos planetas, Júpiter e Vénus, junto com a Lua, como benéficos
por causa de sua natureza temperada e porque eles abundam no calor e na humidade,
e Saturno e Marte como produzindo efeitos da natureza oposta, um por causa de
seu frio excessivo e o outro por sua secura excessiva: o Sol e Mercúrio, no entanto,
são considerados como possuindo ambos os poderes, porque eles possuem uma
natureza comum, e juntam suas influências com quaisquer dos outros planetas com
os quais eles são associados.
6. Sobre os Planetas Masculinos e Femininos.
Mais uma vez, já que há dois tipos primários de natureza, masculino e
feminino, e das forças já mencionadas a da humidade é especialmente feminina –
pois de uma forma geral este elemento está presente em um grau maior em todas
as fêmeas, e as outras estão mais presentes nos machos, de forma acertada a
visão que nos foi passada é que a Lua e Vénus são femininas, porque elas compartilham
em um grau maior da humidade, e que o Sol, Saturno, Júpiter e Marte são
masculinos, e Mercúrio comum aos dois gêneros, pois ele produz tanto secura
quanto humidade.
Dizem também que as estrelas se tornam masculinas ou femininas de acordo
com seus aspetos com o Sol, pois quando elas são estrelas da manhã e precedem o
Sol elas se tornam masculinas, e femininas quando são estrelas da tarde e
seguem o Sol. Isso também ocorre ainda com sua posição relativa ao horizonte,
pois quando elas estão em posições entre o oriente e o meio-céu, ou ainda ente
o ocidente e o fundo do céu, eles se tornam masculinas porque estão orientais,
mas nos dois outros quadrantes, como estrelas ocidentais, elas se tornam
femininas.
7. Sobre os Planetas Diurnos e Noturnos.
Do mesmo modo, já que, dos dois intervalos mais óbvios entre aqueles que
compõem o tempo, o dia é mais masculino por causa do seu calor e da sua força
ativa, e a noite mais feminina por causa da sua humidade e do seu dom de
repouso, a tradição estabeleceu que a Lua e Vénus são noturnas, o Sol e Júpiter
diurnos, e Mercúrio comum, do mesmo modo que antes, diurno quando ele é uma
estrela da manhã e noturno quando dele é uma estrela da tarde. Eles também
associaram a cada um dos séquitos as duas estrelas destrutivas, mas não, desta
vez, com base no princípio das naturezas similares, mas em seu oposto: pois,
quando estrelas com as mesmas características são unidas com aquelas de bom
temperamento sua influência benéfica é aumentada, mas se estrelas dissimilares
forem associadas com as destrutivas grande parte do seu poder de causar dano é
aniquilado. Assim eles associaram Saturno, que é frio, ao calor do dia, e
Marte, que é seco, à humidade da noite, pois desta forma cada um deles atinge
uma boa proporção por mistura e se torna um membro efetivo do séquito, o que
concede moderação.
8. Sobre o Poder dos Aspetos com o Sol.
Agora, preste atenção, da mesma forma, de acordo com seus aspetos com o
Sol, a Lua e três dos outros planetas ii sofrem aumentos e diminuições de seus
próprios poderes. Pois ao aumentar da Lua Nova para o quarto crescente a Lua é
mais produtora de humidade; na sua passagem de crescente para cheia, de calor;
de cheia para minguante, de secura; de minguante para a ocultação, de frio. Os
planetas, quando estão orientais, somente, são mais produtivos de humidade, do
seu nascer matutino até a sua primeira estação; de calor da primeira estação ao
nascer vespertino; de secura, do nascer vespertino à segunda estação; de frio
da segunda estação à sua ocultação; e é claro que quando eles estão associados
uns com os outros, produzem muitas variações de qualidade no nosso ambiente,
sendo a própria força de cada um na maior parte do tempo persistente, mas sendo
modificada na quantidade pela força das estrelas que dividem a configuração.
9. Sobre o Poder das Estrelas Fixas.
Como o próximo ponto, na ordem, é relatar as naturezas das estrelas fixas, com referência a seus poderes especiais, devemos afirmar suas características observadas em uma exposição como a das naturezas dos planetas, e em primeiro lugar aquelas que ocupam as figuras do próprio zodíaco.
As estrelas na cabeça de Áries, portanto, tem um efeito como o de Marte e
de Saturno, misturados; as da boca, igual ao de Mercúrio e moderadamente o de
Saturno; as da pata traseira igual ao de Marte e as da cauda igual ao de Vénus.
Sobre as estrelas de Touro, as que estão ao longo da linha onde a figura é
cortada têm uma temperatura como a de Vénus e em certa medida como a de
Saturno; as das Plêiades, como a da Lua e a de Júpiter; das estrelas na cabeça,
a mais brilhante e de certa forma avermelhada das Híades, chamada a Tocha iii,
tem uma temperatura como a de Marte; as outras, como a de Saturno e,
moderadamente, como a de Mercúrio; aquelas da ponta dos chifres, como a de
Marte.
Sobre as estrelas de Gémeos, aquelas nos pés compartilham da mesma
qualidade que Mercúrio e, em um grau menor, Vénus; as estrelas brilhantes nas
coxas, a mesma de Saturno; sobre as duas estrelas brilhantes nas cabeças, a da
cabeça da frente tem a mesma de Mercúrio; ela também é chamada a estrela de
Apolo iv; a da cabeça que segue a primeira, a mesma qualidade que Marte; ela também
é chamada a estrela de Hércules v.
Sobre as estrelas de Câncer, as duas nos olhos produzem o mesmo efeito que
Mercúrio, e, em um menor grau, Marte; as das patas, o mesmo que Saturno e
Mercúrio; o aglomerado parecido com uma nuvem no peito, chamado de Presépio, o
mesmo que Marte e a Lua; e as duas de cada lado dele, que são chamadas de
Jumentos, o mesmo que Marte e o Sol.
Das de Leão, as duas na cabeça agem da mesma forma que Saturno, e em menor
grau, Marte; as três na garganta, da mesma forma que Saturno e em menor grau,
Mercúrio; a estrela brilhante no coração, chamada Régulos, da mesma forma que
Marte e Júpiter; as dos quadris e a estrela brilhante na cauda, da mesma forma
que Saturno e Vénus; e as das coxas, da mesma forma que Vénus e, em menor grau,
Mercúrio.
Sobre as estrelas de Virgem, as na cabeça e a estrela sobre a ponta
da asa do sul têm um efeito como o de Mercúrio, e, em menor grau, como o de
Marte; as outras estrelas brilhantes da asa e as da guirlanda como o de
Mercúrio, e em certa medida, o de Vénus; a estrela brilhante na asa do norte,
chamada de Vindemiator, como o de Saturno e Mercúrio; a assim chamada Spica,
como o de Vénus e em um menor grau, de Marte; as das pontas dos pés e da bainha
do vestido como o de Mercúrio e em um menor grau, Marte.
Sobre as estrelas das Garras do Escorpião vi, as que estão bem na
extremidade exercem a mesma influência que Júpiter e Mercúrio; as das partes do
meio o mesmo que Saturno e, em um menor grau, Marte.
Sobre as estrelas do corpo do Escorpião, as estrelas brilhantes da fronte
agem da mesma forma que Marte em certo grau, Saturno; as três no corpo, sendo
que a do meio é avermelhada e bastante brilhante e se chama Antares, o mesmo
efeito de Marte e em algum grau, Júpiter; as das juntas, o mesmo efeito de
Saturno e, em algum grau, Vénus; aquelas no ferrão, o mesmo de Mercúrio e
Marte; e o assim chamado aglomerado com aparência de nuvem [N. Do T.:
nebulosa], o mesmo de Marte e da Lua.
Sobre as estrelas em Sagitário, as da ponta da sua flecha têm um efeito
como o de Marte e da Lua; as do arco e do ponto onde sua mão agarra o arco,
como o de Júpiter e Marte; o aglomerado em sua fronte, como o do Sol e de
Marte; as do manto e em suas costas, como o de Júpiter e, em menor grau, de
Mercúrio; as dos seus pés, como o de Júpiter e Saturno; o quadrilátero sobre a
sua cauda, como o de Vénus e, em menor grau, de Saturno.
Sobre as estrelas de Capricórnio, as nos chifres agem da mesma forma que Vénus,
e em algum grau, Marte; as da boca, como Saturno e, em algum grau, Vénus; as
nos pés e na barriga, como Marte e Mercúrio; e as da cauda, como Saturno e
Júpiter.
Sobre as estrelas em Aquário, as nos ombros exercem uma influência como a
de Saturno e a da Mercúrio, juntamente com as do braço esquerdo e do manto; as
das coxas, como a de Mercúrio em um maior grau e como a de Saturno em menor
grau; as do fluxo d’água, como a de Saturno e, em algum grau, como a de
Júpiter.
Sobre as estrelas de Peixes, as na cabeça do peixe mais ao sul agem da
mesma forma que Mercúrio e de alguma forma como Saturno; as no corpo, como
Júpiter e Mercúrio; as na cauda e no cordão do sul, como Saturno, e em algum
grau, Mercúrio; as no corpo e na espinha dorsal do peixe do norte, como Júpiter
e, em algum grau, Vénus; as na parte norte do cordão, como Saturno e Júpiter; e
a estrela brilhante no nó, como Marte e, em algum grau, Mercúrio.
Sobre as estrelas em configurações ao norte do zodíaco, as estrelas
brilhantes de Ursa Menor tem uma qualidade similar à de Saturno e, em menor
grau, a de Vénus; as da Ursa Maior, similar à de Marte; e o aglomerado da Coma
Berenice sob a cauda da Ursa, à da Lua e de Vénus; as estrelas brilhantes na
constelação do Dragão, à de Saturno, Marte e Júpiter; as de Cefeu, à de Saturno
e Júpiter: as do Boieiro, à de Mercúrio e de Saturno; a estrela chamada
Arcturo, avermelhada brilhante, à de Júpiter e Marte; a estrela na Coroa
Boreal, à de Vénus e Mercúrio; as na Constelação de Hércules, à de Mercúrio; as
em Lira, à de Vénus e Mercúrio, assim como aquelas no Cisne.
As estrelas em Cassiopeia têm os efeitos de Saturno e Vénus; as em Perseu,
de Júpiter e Saturno; o aglomerado no cabo da espada, de Marte e Mercúrio; as
estrelas brilhantes do Cocheiro, de Marte e Mercúrio; as do Serpentário, de
Saturno e, em algum grau, Vénus; as da sua Serpente, de Saturno e Marte; as da
Flecha, de Marte e, em algum grau, de Vénus; as da Águia, de Marte e Júpiter;
as do Delfim, de Saturno e Marte; as estrelas brilhantes no Cavalo (Pégaso), de
Marte e Mercúrio; as em Andrómeda, de Vénus; as no Triângulo, de Mercúrio.
Sobre as estrelas nas formações ao sul do zodíaco, a estrela brilhante na
boca do Peixe Austral tem uma influência similar à de Vénus e Mercúrio; as na
Baleia, similar à de Saturno; sobre as em Órion, as estrelas em seus ombros têm
influências similares à Marte e Mercúrio; e as outras estrelas brilhantes são
similares à de Júpiter e Saturno; das estrelas em Erídano, a última brilhante
tem uma influência como a de Júpiter e as outras, como a de Saturno; a estrela
na Lebre, como a de Saturno e Mercúrio; das do Cão, as comuns, como a de Vénus,
e a brilhante na boca, como a de Júpiter e, em menor grau, Marte; a estrela
brilhante Prócion, como a de Mercúrio e, em menor grau, a de Marte; as estrelas
brilhantes na Hidra, como a de Saturno e Vénus; as da Taça, como a de Vénus, e
em um menor grau, de Mercúrio; as do Corvo, como a de Marte e a de Saturno; as
estrelas brilhantes de Argo Navis, como a de Saturno e Júpiter; das estrelas do
Centauro, as no corpo humano, como a de Saturno e Júpiter, e as brilhantes no
corpo equino como a de Vénus e Júpiter; as estrelas brilhantes no Lobo, como a
de Saturno e, em menor grau, a de Marte; as do Altar, como a de Vénus e, em
menor grau, Mercúrio; e as estrelas brilhantes na Coroa Austral, como a de
Saturno e Mercúrio. Assim, então, são as observações dos efeitos das próprias
estrelas como feitas pelos nossos predecessores.
10. Sobre os Efeitos das Estações e dos Quatro Ângulos.
Das quatro estações do ano, primavera, verão, outono e inverno, a primavera
excede em humidade por causa da sua difusão após o frio ter ido e porque o
aquecimento está se estabelecendo; o verão, em calor, por causa da proximidade
do sol com o zénite; o outono, em secura, por causa da absorção da humidade
durante a estação quente que a precedeu; e o inverno excede no frio, porque o
sol está no ponto mais distante do zénite. Por esta razão, embora não haja um
início natural do zodíaco, sendo ele um círculo, assume-se que o signo que
começa com o equinócio vernal, ou seja, o de Áries vii, seja o ponto inicial de
todos, tornando a humidade excessiva da primavera a primeira parte do zodíaco,
como se ele fosse uma criatura vivente, e tomando por ordem em seguida as
estações remanescentes, porque em todas as criaturas, as idades mais jovens,
como a primavera, tem uma maior quantidade de humidade e são mais tenras e
ainda delicadas. A segunda idade, até o ápice da vida, excede em calor, como o
verão; a terceira, quando o ápice já passou e se está no início do declínio, há
um excesso de secura, como no outono; e a última, que se aproxima da
dissolução, excede no frio, como o inverno.
De forma similar, das quatro regiões e ângulos do horizonte, dos quais, a
partir dos pontos cardeais, os ventos se originam, o leste do mesmo modo excede
em secura porque, quando o sol está nesta região, qualquer coisa que tenha sido
umedecida pela noite começa então a secar, e os ventos que sopram desta região,
os quais chamamos de Apeliotes, em geral, são sem humidade e de efeito secante.
A região ao sul é a mais quente por causa do calor abrasivo das passagens do
sol pelo meio do céu e porque essas passagens, por causa da inclinação do nosso
mundo habitado, se voltam mais para o sul, e os ventos que sopram de lá são
chamados pelo nome geral de Notus e são quentes e rarefeitos. A região ao oeste
é ela mesma húmida, porque quando o sol está lá as coisas que secaram durante o
dia começam então a se umedecer; da mesma forma, os ventos que ventam desta
parte, que chamamos pelo nome geral de Zephyrus, são frescos e húmidos. A
região ao norte é a mais fria, porque através da inclinação do nosso mundo
habitado ela é muito afastada das causas de aquecimento que surgem pela
culminação do sol, e quando o sol está lá, também está em sua culminação
mínima; e os ventos que ventam de lá, que são chamados pelo nome geral de
Bóreas, são frios e de efeito condensador.
O conhecimento destes fatos é útil para permitir que se forme um julgamento
completo das temperaturas em exemplos individuais. Pois é facilmente reconhecido
que, junto com condições como essas, de estações, de idades, ou de ângulos, há
uma variação correspondente na potência das faculdades das estrelas, sendo que
em condições similares a elas sua qualidade é mais pura e sua eficiência mais
forte, como por exemplo aquelas que por sua natureza aquecem, por exemplo, no
calor, e aquelas que por sua natureza umedecem, na humidade, enquanto sob
condições opostas seu poder fica adulterado e mais fraco. Assim, as estrelas
que aquecem, nos períodos frios, e as estrelas que umedecem, nos períodos
secos, ficam mais fracas, e de forma similar nos outros casos, de acordo com a
qualidade produzida pela mistura.
11. Sobre os signos Solsticiais, Equinociais, Sólidos e Bicorpóreos.
Após a explicação destas matérias o próximo assunto a ser exposto seriam as características naturais dos próprios signos zodiacais, da forma que foram estabelecidas pela tradição. Pois, embora seus temperamentos mais gerais sejam, cada um, análogos às estações que ocorrem neles, algumas qualidades peculiares suas surgem de sua relação com o Sol, a Lua e os planetas, como iremos relatar no que se segue, primeiro expondo os poderes isolados dos próprios signos sozinhos, considerados tanto absolutamente como em relação uns com os outros.
As primeiras distinções, então, são entre os assim chamados signos solsticiais, equinociais, sólidos e bicorpóreos.
Pois existem dois signos solsticiais, o primeiro intervalo de 30° a partir
do solstício de verão, o signo de Câncer, e o primeiro a partir do solstício de
inverno, Capricórnio; e eles receberam seus nomes do que ocorre neles, porque o
Sol retorna quando ele está no começo de um desses signos e reverte seu
progresso latitudinal, causando o verão em Câncer e o inverno em Capricórnio
viii.
Dois signos são chamados de equinociais, o que é o primeiro a partir
do equinócio da primavera, Áries, e o que começa com o equinócio do outono,
Libra; e eles também recebem este nome devido ao que acontece neles, porque
quando o sol está no começo destes signos ele faz as noites terem exatamente a
mesma duração dos dias.
Dos signos restantes, quatro são chamados sólidos e quatro são chamados
bicorpóreos.
Os signos sólidos, Touro, Leão, Escorpião e Aquário, são aqueles que seguem
os signos solsticiais e equinociais; e eles são chamados assim porque, quando o
Sol está neles, a humidade, o calor, a secura e o frio das estações que começam
nos signos precedentes nos toca de forma mais firme, não que o clima seja
naturalmente de qualquer modo menos ameno nesta época, mas nós é que estamos
mais acostumados com ele e por esta razão somos mais sensíveis ao seu poder.
Os signos bicorpóreos, Gémeos, Virgem, Sagitário e Peixes, são aqueles que
seguem os signos sólidos, e são chamados assim porque eles estão entre os
signos sólidos e os solsticiais e equinociais e compartilham, por assim dizer,
no começo e no final, as propriedades naturais dos dois estados do clima.
12. Sobre os Signos Masculinos e Femininos.
Novamente, da mesma forma, os antigos apontaram seis dos signos como de natureza masculina e diurna e um número igual como da natureza feminina e noturna. Uma ordem alternante foi imposta a eles porque o dia sempre domina a noite e está sempre próximo dela, e do mesmo modo são a fêmea e o macho.
Assim, como Áries é considerado o ponto inicial pelas razões que
mencionamos, e como o macho da mesma forma comanda e possui o primeiro lugar,
uma vez que, também, o ativo é sempre superior ao passivo em poder, os signos
de Áries e Libra foram considerados como masculinos e diurnos, sendo que uma
razão adicional é o fato de que o círculo equinocial, que é inscrito através
deles, completa o movimento mais poderoso e primário de todo o universo. Os
signos em sucessão após eles correspondem, como dissemos, em ordem alternada.
Alguns, no entanto, empregam uma ordem de signos masculinos e femininos
pala qual o masculino se inicia com o signo que está ascendendo, chamado de
horóscopo. Pois, da mesma forma que alguns começam os signos solsticiais com o
signo da Lua porque a Lua muda de direção de forma mais rápida do que o resto,
da mesma forma eles começam os signos masculinos com o horóscopo porque ele
está mais para o leste, alguns, como antes, utilizando a ordem alternada dos
signos, e outros os dividindo por quadrantes inteiros, e designando como
matutinos e masculinos os signos do quadrante do horóscopo ao meio do céu e os
do quadrante oposto, do ocidente ao fundo do céu, e como vespertinos e
femininos os outros dois quadrantes.
Também anexaram outras descrições aos signos, derivadas de seus formatos:
eu me refiro, por exemplo, a “de quatro patas”, “terrestres”, “comandantes”,
fecundos”, e designações similares. Consideramos que a enumeração destas
denominações, já que sua razão e sua significação são diretamente deriváveis, são
supérfluas, uma vez que a qualidade resultante destas conformações pode ser
explicada em conexão com as previsões, onde isto for claramente útil.
13. Sobre os Aspetos dos Signos.
Das partes do zodíaco, as que são mais familiares umas com as outras são as
que estão em aspeto. Estes são os que estão em oposição, que compreende dois
ângulos retos, seis signos, e 180 graus; os que estão em trígono, que
compreende um ângulo reto e um terço, quatro signos, e 120 graus; os que se diz
que estão em quartil, compreendendo um ângulo reto, três signos, e 90 graus, e
finalmente os que ocupam a posição de sextil, que compreende dois terços de um
ângulo reto, dois signos e 60 graus.
Iremos aprender, do que se segue, porque apenas estes intervalos foram
levados em consideração. A explicação da oposição é imediatamente óbvia, porque
ela faz com que os signos estejam em uma linha reta. Mas se tomarmos as duas
frações e os dois superparticulares mais importantes em música, e se as frações
um meio e um terço forem aplicadas à oposição, compostas de dois ângulos retos,
o meio faz o quartil e o terço o sextil e o trígono. Dos superparticulares, se
o sesquiáltero e o sesquiterciano forem aplicados ao intervalo de quartil de um
ângulo reto, que se posiciona entre eles, o sesquiáltero
produz a proporção do quartil para o sextil e o sesquiterciano (proporção de
4:3 usada na música por exemplo) a proporção do trígono para o
quartil. Destes aspetos, o trígono e o sextil são chamados de harmónicos porque
eles são compostos de signos do mesmo tipo, tanto completamente de signos
femininos ou completamente de signos masculinos; enquanto o quartil e a
oposição são inarmónicos porque são compostos de signos de tipos opostos.
14. Sobre Os Signos Comandantes e Obedientes.
Da mesma forma, os nomes “comandantes” e “obedientes” se aplicam às
divisões do zodíaco que se dispõem em distâncias iguais do mesmo signo
equinocial, qualquer que seja, porque eles ascendem em um período igual de
tempo e estão em paralelos iguais. Destes, os que estão no hemisfério de verão
são chamados de “comandantes”, enquanto os que estão no hemisfério de inverno,
“obedientes”, porque o sol faz o dia mais longo que a noite quando ele está no hemisfério
de verão, e mais curto no inverno.
15. Sobre os Signos que se Observam e sobre os Signos de Mesmo Poder.
Mais uma vez, dizem que as partes que estão igualmente afastadas do mesmo signo tropical, qualquer que seja, têm o mesmo poder, porque quando o Sol entra em qualquer um deles, os dias são iguais aos dias e as noites às noites, e as durações das suas próprias horas são iguais. Eles também são considerados como “observando” uns aos outros tanto pelas razões apresentadas quanto pelo fato de que o par ascende pela mesma parte do horizonte e se põe na mesma parte. ix
16. Sobre os Signos Disjuntos.
Signos "disjuntos" e "estranhos” são os nomes aplicados para aquelas divisões do zodíaco que não têm quaisquer das familiaridades mencionadas acima uns com os outros. Esses são os signos que não pertencem nem à classe dos signos Comandantes ou Obedientes, nem à classe dos que se observam ou que têm o mesmo poder, e além disso eles estão completamente desprovidos dos quatro aspetos mencionados acima, oposição, trígono, quartil e sextil, e estão um ou cinco signos distantes um do outro, pois aqueles que estão um signo distantes uns dos outros são como se tivessem aversão uns aos outros, e, embora sejam dois, estão ligados ao ângulo de um, e aqueles que estão cinco signos distantes uns dos outros dividem o círculo inteiro em partes diferentes, enquanto os outros aspetos perfazem uma divisão equitativa do perímetro.
17. Sobre os Domicílios dos Diversos Planetas.
Os planetas também têm familiaridade com as partes do zodíaco, que devido a isso são denominadas seus domicílios, triângulos [triplicidades], exaltações, termos, entre outros. O sistema de domicílios é da seguinte natureza. Uma vez que dos doze signos, os mais ao norte, que estão mais próximos do que os outros do nosso zênite e são portanto mais produtores de calor, são Câncer e Leão, estes dois signos foram designados como domicílios dos maiores e mais poderosos corpos celestiais, ou seja, os luminares, Leão, que é masculino, ao Sol e Câncer, que é feminino, à Lua. Com o mesmo raciocínio, o semicírculo de Leão a Capricórnio foi considerado solar e o de Aquário a Câncer, lunar, de forma que em cada um dos semicírculos um signo seria consignado a cada um dos cinco planetas como seu, um signo fazendo aspeto com o Sol e outro com a Lua, consistentemente com as esferas de seu movimento e as peculiaridades de suas naturezas. Pois a Saturno, em cuja natureza o frio prevalece, em oposição ao calor, e que ocupa a órbita mais alta e mais distante dos luminares, foram designados os signos opostos a Câncer e Leão, especificamente Capricórnio e Aquário, com a razão adicional que estes signos são frios e invernais, e além disso seu aspeto diamétrico não é consistente com a beneficência. A Júpiter, que é moderado e está abaixo da esfera de Saturno, foram designados os dois signos próximos dos anteriores, fecundos e com bastante vento, Sagitário e Peixes, em um aspeto triangular com os luminares, que é uma configuração harmoniosa e beneficente. Então, a Marte, que é seco por natureza e ocupa uma esfera abaixo da de Júpiter, foram designados novamente os signos contíguos aos anteriores, Escorpião e Áries, que possuem uma natureza similar e, de forma concordante com a Natureza destrutiva e desarmoniosa de Marte, em aspeto de quartil com os luminares. A Vénus, que é temperada e está abaixo de Marte, foram dados os dois signos seguintes, que são extremamente férteis, Libra e Touro. Estes dois preservam a harmonia do aspeto sextil; outra razão é que este planeta nunca está mais de dois signos afastado do Sol, em qualquer direção. Finalmente, foram dados a Mercúrio, que nunca está mais de um signo afastado do Sol em qualquer direção e está abaixo dos outros e mais perto de certa forma de ambos os luminares, os dois signos remanescentes, Gémeos e Virgem, que estão próximos dos domicílios dos luminares.
18. Sobre os Triângulos [Triplicidades].
A familiaridade dos triângulos é a seguinte. Na medida em que a forma triangular equilateral é a mais harmoniosa em si mesma, o zodíaco também é limitado por três círculos, o equinocial e os dois trópicos, e suas doze partes são divididas em quatro triângulos equilaterais.
O primeiro deles, que passa por Áries, Leão e Sagitário, é composto de três
signos masculinos e inclui os domicílios do Sol, de Marte e de Júpiter. Esse
triângulo foi dado ao Sol e a Júpiter, uma vez que Marte não é do séquito
solar. O Sol assume o governo em primeiro lugar durante o dia e Júpiter durante
a noite. Além disso, Áries está próximo do círculo equinocial, Leão do
solstício de verão e Sagitário do solstício de inverno. Este triângulo é
preeminentemente do norte por causa da partilha de seu governo com Júpiter, uma
vez que Júpiter é fecundo e causador de ventos similares aos ventos do norte.
No entanto, por causa do domicílio de Marte ele sofre uma mistura de sudoeste e
é Borrolibycon, misto, porque Marte causa esses ventos e também por causa do
séquito da Lua e da qualidade feminina do ocidente.
O segundo triângulo, que é o que é desenhado através de Touro, Virgem e
Capricórnio, é composto por três signos femininos, e consequentemente foi dado
à Lua e Vénus; a Lua o governa de noite e Vénus de dia. Touro está perto do
trópico de verão; Virgem, do equinócio, e Capricórnio do trópico de inverno.
Este triângulo é principalmente do sul por causa da dominância de Vénus, uma
vez que é esta estrela, através do calor e da humidade, que produz ventos
similares aos do sul; no entanto, como ele recebe uma mistura de Apeliotes já
que o domicílio de Saturno, Capricórnio, está incluído nele, ele é
Notapeliotes, misto, em contraste com o primeiro triângulo, uma vez que Saturno
produz ventos deste modo e está relacionado ao primeiro grupo porque participa
do séquito do Sol.
O terceiro triângulo é o desenhado através de Gémeos, Libra e Aquário,
compostos por três signos masculinos, não tendo nenhuma relação com Marte mas
ao contrário com Saturno e Mercúrio por causa de seus domicílios. Ele foi dado,
por sua vez, a eles, com Saturno governando durante o dia devido a seu séquito e
Mercúrio durante a noite. O signo de Gémeos se localiza próximo ao trópico de
verão, Libra ao equinócio e Aquário ao trópico de inverno. Este triângulo
também é primariamente de constituição leste, por causa de Saturno, mas por
mistura nordeste, porque o séquito de Júpiter tem familiaridade com Saturno, na
medida em que ele é diurno.
O quarto triângulo, o que é desenhado através de Câncer, Escorpião e
Peixes, foi deixado ao único planeta remanescente, Marte, que está relacionado
a ele através de seu domicílio, Escorpião; e junto com ele, devido a seu
séquito e à feminilidade dos signos, seus corregentes são a Lua durante o dia e
Vénus durante a noite. Câncer está próximo do círculo do verão, Escorpião ao
círculo de inverno e Peixes ao equinócio. Este triângulo é constituído
preeminentemente de oeste, porque ele está dominado por Marte e a Lua; no
entanto, por mistura ele se torna sudoeste através da dominação de Vénus.
19. Sobre as Exaltações.
As assim chamadas exaltações dos planetas têm a seguinte explicação. Uma vez que o Sol, quando está em Áries, está fazendo sua transição para o semicírculo maior e mais ao norte, e em Libra ele está passando para o semicírculo menor e mais ao sul, os antigos de forma acertada deram Áries a ele como sua exaltação, uma vez que lá a duração do dia e seu poder de aquecimento começam a crescer, e Libra como sua depressão pelas razões opostas.
Novamente, Saturno, de forma a ter uma posição oposta à do Sol, como também
é no assunto de seus domicílios, considera, ao contrário, Libra como sua
exaltação e Áries como sua depressão, pois quando o calor aumenta o frio
diminui, e onde o primeiro diminui, o frio ao contrário aumenta.
Uma vez que a Lua, se fizer uma conjunção com o Sol na exaltação deste,
Áries, irá mostrar sua primeira fase e começará a aumentar sua luz e, por assim
dizer, sua altura, no primeiro signo de seu próprio triângulo, Touro, este foi
denominado sua exaltação, e o signo diametralmente oposto, Escorpião, como sua
depressão.
Júpiter, então, que produz os fecundos ventos do norte, atinge sua posição
mais ao norte em Câncer e aí leva sua própria força à completude; assim
tornaram este signo sua exaltação e Capricórnio sua depressão.
Marte, que por sua natureza é abrasante e se torna mais ainda assim
quando está em Capricórnio porque nele ele está mais afastado ao sul,
naturalmente recebeu Capricórnio como sua exaltação, e ao contrário de Júpiter,
Câncer como sua depressão.
Vénus, no entanto, já que ela é húmida por natureza e aumenta seu próprio
poder da forma mais forte em Peixes, onde o começo da húmida primavera é
indicado, têm a sua exaltação em Peixes e a sua depressão em Virgem.
Mercúrio, pelo contrário, uma vez que ele é mais árido, em contraste é
naturalmente exaltado, por assim dizer, em Virgem, no qual o seco outono é
significado, e é deprimido em Peixes.
20. Sobre a disposição dos Termos.
Com relação aos termos, dois sistemas principais estão mais em circulação; o primeiro é egípcio, o qual está baseado primeiramente no governo dos domicílios, e o segundo é caldeu, que se baseia no governo das triplicidades.
Pois bem, o sistema egípcio dos temos comumente aceitos não preserva de
forma alguma a consistência nem da ordem nem da quantidade individual, pois, em
primeiro lugar, na questão da ordem, eles às vezes deram o primeiro lugar para
os senhores dos domicílios e às vezes para os senhores das triplicidades, e às
vezes ainda para os senhores das exaltações. Por exemplo, se é verdade que eles
seguiram os domicílios, porque eles deram precedência a Saturno, por exemplo,
em Libra, e não a Vénus, e porque a Júpiter em Áries, e não a Marte? E se eles
seguiram as triplicidades, porque deram a Mercúrio, e não a Vénus, o primeiro
lugar em Capricórnio? Ou caso tenham seguido as exaltações, porque dar a Marte,
e não a Júpiter, a precedência em Câncer; e se eles observaram os planetas que
tem o maior número dessas qualificações, porque deram o primeiro lugar em
Aquário em Mercúrio, que tem apenas a sua triplicidade ali, e não a Saturno,
pois ele é tanto o domicílio quanto a triplicidade deste planeta? Ou porque
eles deram o primeiro lugar a Mercúrio em Capricórnio, acima de tudo, uma vez
que ele não tem nenhuma relação de governo com este signo? É possível encontrar
o mesmo tipo de coisas no resto do sistema.
Em segundo lugar, o número de termos manifestamente não possui
consistência, porque o número derivado de cada planeta a partir da adição de
seus termos em todos os signos, de acordo com o que eles dizem que os planetas
determinam anos de vida, não fornece nenhum argumento adequado ou aceitável. No
entanto, mesmo se confiarmos no número derivado desta soma, de acordo com essa
simples proposição dos egípcios, descobriríamos que a soma seria a mesma, mesmo
que as quantidades, signo a signo, frequentemente mudem de várias formas.
E em relação à afirmação espúria e sofista sobre eles que alguns tentam
fazer, ou seja, que o número de vezes dados a cada planeta individual pelo
esquema de ascensões em todos os climas se soma a essa mesma quantia, ela é falsa,
pois, em primeiro lugar, eles seguem o método comum, baseado em aumentos
regularmente maiores nas ascensões, o que não está nem perto da verdade. De
acordo com este esquema, os signos Virgem e Libra, no paralelo que corta o
Baixo Egito, ascenderiam, cada um, em 38 e 1/3 unidades de tempo, e Leão e
Escorpião, cada um, em 35, embora esteja demonstrado pelas tabelas que esses
signos ascendem em mais de 35 e Vigem e Libra em menos. Além do mais, aqueles
que tentaram estabelecer esta teoria nem mesmo parecem seguir o número
comumente aceito de termos, e são compelidos a realizar diversas falsas
afirmações, e ele até mesmo utilizaram a parte não inteira das frações em uma
tentativa de salvar sua hipótese, que, como dissemos, nem é em si mesma
verdadeira.
No entanto, os termos mais geralmente aceitos sob a autoridade da tradição
antiga são dados da seguinte forma: Termos de Acordo com os Egípcios.
Áries: Júpiter = 6; Vénus = 6; Mercúrio = 8; Marte = 5; Saturno = 5;
Touro: Vénus = 8; Mercúrio = 6; Júpiter = 8; Saturno = 5; Marte = 3;
Gémeos: Mercúrio = 6; Júpiter = 6; Vénus =5; Marte = 7; Saturno = 6;
Câncer: Marte = 7; Vénus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 4;
Leão: Júpiter = 6; Vénus = 5; Saturno = 7; Mercúrio = 6; Marte = 6;
Virgem: Mercúrio = 7; Vénus = 10; Júpiter = 4; Marte = 7; Saturno = 2;
Libra: Saturno = 6; Mercúrio =8; Júpiter = 7; Vénus = 7; Marte = 2;
Escorpião: Marte = 7; Vénus = 4; Mercúrio = 8; Júpiter = 5; Saturno = 6;
Sagitário: Júpiter = 12; Vénus = 5; Mercúrio = 4; Saturno = 5; Marte = 4;
Capricórnio: Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Vénus = 8; Saturno = 4; Marte = 4;
Aquário: Mercúrio = 7; Vénus = 6; Júpiter = 7; Marte = 5; Saturno = 5;
Peixes: Vénus = 12; Júpiter = 4; Mercúrio = 3; Marte = 9; Saturno = 2;.
21. De Acordo com os Caldeus.
O método caldeu envolve uma sequência, simples, com certeza, e mais plausível, embora não tão autossuficiente em relação ao governo das triplicidades e à disposição da quantidade, de forma que, ao contrário, ela fosse facilmente inteligível mesmo sem um diagrama. Pois na primeira triplicidade, Áries, Leão e Sagitário, que tem neste caso as mesmas divisões por signos que no sistema dos egípcios, o senhor da triplicidade, Júpiter, é o primeiro a receber termos, e então o senhor do próximo triângulo, Vénus, e então o senhor do triângulo de Gémeos, Saturno, e Mercúrio, e finalmente o senhor da triplicidade restante, Marte. Na segunda triplicidade, Touro, Virgem e Capricórnio, que novamente tem a mesma divisão por signos, Vénus vem primeiro, então Saturno, e então Mercúrio, após esses, Marte, e finalmente, Júpiter. Esse arranjo de uma forma geral é observado também nas duas triplicidades restantes. Sobre os dois senhores da mesma triplicidade, no entanto, Saturno e Mercúrio, de dia é Saturno que toma o primeiro lugar na ordem de posse, e à noite, Mercúrio.
O número designado a cada um também é uma questão simples, pois para que o
número de termos de cada planeta seja sempre menor em um grau do que o
precedente, para corresponder com a ordem descendente no qual o primeiro lugar
é decidido, eles sempre dão 8° ao primeiro, 7° ao segundo, 6° ao terceiro, 5°
ao quarto e 4° ao último; assim se completam os 30° de um signo. A soma do
número de graus assim dados a Saturno é de 78 durante o dia e 66 à noite, a
Júpiter 72, a Marte 69, a Vénus 75, a Mercúrio 66 durante o dia e 78 à noite; o
total é de 360 graus.
Pois bem, desses termos aqueles que são constituídos pelo método egípcio
são, como dissemos, mais dignos de crédito, tanto devido à forma na qual eles
foram coletados pelos escritores egípcios que os julgaram dignos de registro
devido à sua utilidade, quanto por causa de na maior parte do tempo os graus
desses termos terem sido consistentes com as natividades que foram registradas
por eles como exemplos.
Como estes mesmos escritores, no entanto, não explicam em nenhum lugar a
disposição de seus números, sua incapacidade de concordar em uma explicação do
sistema pode bem se tornar objeto de suspeita e alvo de críticas. Recentemente,
no entanto, chegou até nós um manuscrito antigo, muito danificado, que contém
uma explicação natural e consistente de sua ordem e número, e ao mesmo tempo
percebemos que os graus relatados nas natividades acima mencionadas e os
números dados nas somas concordaram com a tabulação dos antigos. O livro era
muito alongado em suas expressões, muito excessivo em suas demonstrações, e seu
estado danificado o tornou difícil de ler, de modo que eu mal pude fazer uma
ideia de seu propósito geral; e isso apesar da ajuda fornecida pelas tabulações
dos termos, melhor preservadas porque estavam localizadas no fim do livro. Com
relação ao seu arranjo dentro de cada signo, as exaltações, as triplicidades e
os domicílios foram levados em consideração. Pois, de maneira geral, a estrela
que tiver duas regências deste tipo no mesmo signo é posta em primeiro lugar,
mesmo que ela seja maléfica. Entretanto, onde quer que esta condição não
exista, os planetas maléficos são sempre postos por último, e os senhores da
exaltação em primeiro, os senhores da triplicidade em seguida, e então os do
domicílio, seguindo a ordem dos signos.
E, novamente, em ordem, aqueles que têm duas senhorias têm preferência
sobre os que têm apenas uma no mesmo signo. Uma vez que não se dá termos para
os luminares, no entanto, Câncer e Leão, os domicílios do Sol e da Lua, são
dados aos planetas maléficos porque eles foram privados de sua parte na ordem,
Câncer a Marte e Leão a Saturno; nestes a ordem apropriada a eles é preservada.
Com relação ao número dos termos, quando não há nenhuma estrela com duas
prerrogativas, nem no signo mesmo nem nos que o seguem dentro do quadrante, são
concedidos a cada um dos benéficos, ou seja, Júpiter e Vénus, 7º, aos
maléficos, Saturno e Marte, 5º cada e a Mercúrio, que é comum 6º, de forma que
o total perfaz 30º. Entretanto, uma vez que alguns sempre têm duas
prerrogativas, pois Vénus sozinha se torna a regente da triplicidade de Touro,
já que a Lua não participa nos termos, é dado a cada um dos planetas nesta
condição, seja no mesmo signo ou nos signos seguintes no mesmo quadrante, um
grau extra; esses foram marcados com pontos; os graus, no entanto, adicionados
por causa da prerrogativa dupla são retirados dos outros, que têm somente uma,
e de forma geral, de Saturno e de Júpiter porque eles têm o movimento mais
lento.
Esses termos estão da seguinte forma:
Termos de acordo com Ptolomeu:
Áries: Júpiter = 6; Vénus = 8; Mercúrio = 7; Marte = 5; Saturno = 4;
Touro: Vénus = 8; Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Saturno = 2; Marte = 6;
Gémeos: Mercúrio = 7; Júpiter = 6; Vénus = 7; Marte = 6; Saturno = 4;
Câncer: Marte = 6; Júpiter = 7; Mercúrio = 7; Vénus = 7; Saturno = 3;
Leão: Júpiter = 6; Mercúrio = 7; Saturno = 6; Vénus = 6; Marte = 5;
Virgem: Mercúrio = 7; Vénus = 6; Júpiter = ; Saturno = 6; Marte = 6;
Libra: Saturno = 6; Vénus = 5; Mercúrio = 5; Júpiter = 8; Marte = 6;
Escorpião: Marte = 6; Vénus = 7 ; Júpiter = 8; Mercúrio = 6; Saturno
= 3;
Sagitário: Júpiter = 8; Vénus = 6; Mercúrio = 5; Saturno = 6; Marte=
5;
Capricórnio: Vénus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 6; Marte
= 5;
Aquário: Saturno = 6; Mercúrio = 6; Vénus = 8; Júpiter = 5; Marte =
5;
Peixes: Vénus = 8; Júpiter = 6; Mercúrio = 6; Marte = 5; Saturno = 5;
22. Sobre os Lugares e os Graus.
Alguns ainda realizaram divisões mais finas de regência do que essas, utilizando os termos “lugares” e “graus”. Definindo “lugar” como a décima segunda parte de um signo, ou 2 1/2°, deram o domínio sobre eles aos signos, na ordem. Outros seguem outras ordens ilógicas; e novamente deram a cada “grau” a partir do começo a cada um dos planetas de cada signo de acordo com a ordem caldeia de termos. Iremos omitir esses assuntos, já que foram apresentados a seu favor argumentos apenas plausíveis e não naturais, mas ao contrário, sem fundamentos. Não devemos ignorar o assunto seguinte, no entanto, sobre o qual vale a pena permanecer um certo tempo, que é o fato de ser razoável que consideremos os inícios dos signos também a partir dos equinócios e solstícios, em parte porque os escritores deixaram este ponto bem claro, e em parte porque, a partir de nossas demonstrações anteriores, observamos que suas naturezas, poderes e familiaridades têm sua causa nos pontos iniciais dos solstícios e dos equinócios, e de nenhuma outra fonte. Pois, se outros pontos iniciais são presumidos, não seremos mais compelidos a utilizar as naturezas dos signos para prognósticos, ou, se as utilizarmos, estaremos errados, uma vez que os espaços do zodíaco que conferem os poderes aos planetas os passariam a outros e se tornariam, então, alienados.
23. Sobre as Faces, Carruagens e Assemelhados.
Tais são, então, as afinidades naturais das estrelas e dos signos do zodíaco. Dizem que os planetas estão em sua “própria face” quando um planeta individual mantém com a Lua ou o Sol o mesmo aspeto que o seu domicílio mantém com os seus domicílios; por exemplo, quando Vénus está em sextil com os luminares, desde que ela esteja ocidental ao Sol e oriental à Lua, de acordo com o arranjo natural de seus domicílios. Considera-se que eles estejam em sua própria “carruagem” e “trono” e coisas similares quando acontece que eles tenham familiaridade em dois ou mais modos com os lugares nos quais se encontram; pois então a efetividade do seu poder aumenta bastante devido à similaridade e à cooperação das propriedades familiares dos signos que os contêm. Considera-se que eles se “regozijem” quando, mesmo que os signos que os contenham não possuam familiaridades com as estrelas em si, no entanto eles as possuem com estrelas do mesmo séquito; desta forma, a simpatia surge menos diretamente. Eles compartilham, no entanto, da similaridade da mesma forma; assim como, ao contrário, quando eles se encontram em regiões estranhas pertencentes ao séquito oposto, uma grande parte de seus próprios poderes é paralisada, porque o temperamento que surge da dissimilaridade dos signos produz uma natureza diferente e adulterada.
24. Sobre as Aplicações e Separações e os outros Poderes.
Em geral, aqueles que precedem são considerados como “se aplicando” a
aqueles que se seguem, e aqueles que se seguem como “se separando” daqueles que
precedem, quando o intervalo entre eles não é grande. Considera-se que uma
relação como essa exista tanto se ocorrer uma conjunção corporal quanto se
ocorrer um dos aspetos tradicionais, exceto que em relação às aplicações e
separações corporais dos astros celestes é útil, também, observar suas
latitudes, de modo que apenas aquelas passagens que forem do mesmo lado da
eclíptica possam ser aceitas. No caso das aplicações e separações por aspeto,
no entanto, essa prática é supérflua, porque todos os raios sempre caem de
qualquer direção e convergem da mesma forma para o mesmo ponto, ou seja, para o
centro da Terra. De tudo isto, então, é fácil ver que a qualidade de cada uma
das estrelas deve ser examinada com relação tanto às suas próprias
características quanto com relação aos signos que as incluem, ou do mesmo modo
com relação à característica de seus aspetos com o sol e com os ângulos, da
forma como explicamos.
Seus poderes devem ser determinados, em primeiro lugar, do fato de que eles
estejam orientais e aumentando seu próprio movimento – pois eles estão então
mais poderosos – ou ocidentais e diminuindo em velocidade, pois então sua
energia é menor. Em segundo lugar, deve ser determinada da sua posição relativa
ao horizonte; pois elas estão mais poderosas quando estão no meio do céu ou se
aproximando dele, e depois quando eles estão exatamente no horizonte ou no
local sucedente, seu poder é maior quando eles estão no oriente, e menor quando
eles culminam abaixo da terra ou estão em algum outro aspeto ao oriente; se
eles não fizerem nenhum aspeto com o oriente, eles estão totalmente sem poder.
Do período acádio (2350-2150 a.C. aprox.), e a primeira época de Babilônia (1950-1500 a.C. aprox.) temos acesso a cilindros selos com representações das primeiras constelações (Águia, Aquário, Tauro, Leo…), cada uma homenageando a um deus.
LIVRO II.
1. Introdução.
Devemos considerar que, até agora, fornecemos, resumidamente, os
detalhes mais importantes da exposição tabular necessária para a pesquisa nos
prognósticos particulares. Vamos acrescentar, então, na sequência adequada, os
procedimentos para lidarmos em detalhe com aqueles assuntos que estão dentro
dos limites da possibilidade deste tipo de previsão, permanecendo sempre firmes
no método natural de exposição.
Uma vez, então, que a previsão por meios astronômicos está dividida
em duas grandes partes principais, e uma vez que a primeira e mais universal,
chamada de geral, é aquela que está relacionada com raças, países e cidades
consideradas em sua totalidade, e a segunda, e mais específica, que é chamada
de genetliológica (prognóstico ligado ao indivíduo), é aquela que se
refere aos homens individuais, cremos ser acertado tratarmos primeiramente da
divisão geral, porque tais assuntos são normalmente influenciados por causas
maiores e mais poderosas do que são os eventos particulares. E, já que as
naturezas mais fracas devem ceder às mais fortes, e o particular sempre cai
dentro do geral, seria sempre necessário, para aqueles que pretendem realizar
uma investigação sobre um indivíduo único, ter compreendido muito antes as
considerações mais gerais.
Sobre a investigação geral em si mesma, novamente, uma parte se refere a
países inteiros, e uma parte se refere a cidades; além disso, uma parte lida
com as condições maiores e mais periódicas, tais como as guerras, as fomes, as
pestes, os terremotos, os dilúvios e coisas assim; e outra lida com os eventos
menores e mais ocasionais, como por exemplo, as mudanças na temperatura nas
estações do ano, e as variações na intensidade das tempestades, calor e ventos,
e a qualidade, boa ou má, das colheitas, entre outros. No entanto, para cada um
destes casos, é preferível proceder analisando países inteiros e as condições
mais gerais, pela mesma razão de antes.
Duas coisas são particularmente levadas em conta no exame destas questões:
a familiaridade dos signos do zodíaco, e também das estrelas, com os diversos
climas, e as significações dos corpos celestiais em suas próprias regiões em um
dado momento, manifestadas pelas conjunções eclípticas do Sol e da Lua e dos
trânsitos dos planetas ascendentes e em seus períodos estacionários. Devemos,
portanto, em primeiro lugar, explicar a razão natural para as simpatias ditas
acima, e ao mesmo tempo resumir rapidamente as peculiaridades corporais e
éticas geralmente observadas em nações inteiras, que não são estranhas às
características naturais das estrelas e dos signos que lhe são familiares.
2. Sobre as Características dos Habitantes dos Climas Gerais.
A demarcação de características nacionais é estabelecida, em parte,
por paralelos e ângulos inteiros, através de sua posição relativa à eclíptica e
ao Sol, pois, enquanto a região na qual habitamos é uma das regiões do norte,
as pessoas que vivem sob os paralelos mais ao sul, ou seja, aqueles que vivem
entre o equador e o trópico de verão, uma vez que eles têm o Sol sobre suas
cabeças e são queimados por ele, possuem pele negra e cabelos grossos e como a
lã, são contraídos na forma e encolhidos na estatura, de natureza sanguínea, e,
quanto aos hábitos, são em sua maior parte selvagens, porque seus lares são
continuamente oprimidos pelo calor; nós os chamamos pelo nome geral de Etíopes.
Não apenas eles estão nesta condição, mas observamos também que o seu clima e
os animais e plantas da sua região claramente fornecem evidência deste
cozimento pelo Sol.
Aqueles que vivem sob os paralelos mais ao norte, aqueles, quero
dizer, que tem as Ursas sobre suas cabeças, uma vez que estão muito afastados
do zodíaco e do calor do Sol, são portanto resfriados; no entanto, porque eles
possuem uma quantidade maior de humidade, que é mais nutritiva e não está,
neste lugar, exaurida pelo calor, eles possuem a compleição branca, com os
cabelos lisos, são altos e bem-nutridos, e de certa forma frios por natureza;
eles também são selvagens em seus hábitos, porque seus locais de morada são
continuamente frios. A característica invernal de seu clima, o tamanho de suas
plantas, e a ferocidade de seus animais estão de acordo com essas qualidades.
Nós os chamamos, também, por um nome geral, Citas.
Os habitantes da região entre o trópico de verão e as Ursas, no
entanto, uma vez que o Sol não está nem diretamente sobre suas cabeças nem
muito distante em seus trânsitos diurnos, partilham da temperatura moderada do
ar, que varia, com certeza, mas não apresenta mudanças violentas do calor para
o frio. Eles estão, portanto, em posição mediana na cor, possuem estatura
moderada, são moderados por natureza, vivem bastante unidos, e são civilizados
nos seus hábitos. Os mais ao sul entre eles são mais astutos e inventivos, e
melhores versados nas coisas divinas porque seu zênite está mais perto do
zodíaco e dos planetas que se movem sobre ele. Através desta afinidade os
homens mesmos são caracterizados por uma atividade da alma que é sagaz,
investigativa, e em conformidade com a investigação das ciências
especificamente chamadas de matemáticas. Ainda a respeito deles, o grupo
oriental é mais masculino, vigoroso e franco em todas as coisas, porque se
poderia presumir razoavelmente que o oriente partilha da natureza do Sol. Esta
região, portanto, é diurna, masculina, e destra, mesmo quando observamos que
entre os animais também suas partes destras são mais conformes à força e ao
vigor. Aqueles ao oeste são mais femininos, de alma mais mole, e dados a
segredos, porque esta região, mais uma vez, é lunar porque é sempre no oeste
que a Lua emerge e faz sua aparição após a conjunção. Por esta razão, o clima
parece noturno, feminino, e, em contraste com o oriente, canhoto.
Agora, em cada uma destas regiões gerais, certas condições especiais
de caráter e costumes naturalmente aparecem, assim como, no caso do clima,
mesmo dentro de regiões que são consideradas quentes, frias, ou temperadas,
algumas localidades e países possuem peculiaridades especiais de excesso ou
deficiência em razão de sua situação, altitude, localização baixa ou
proximidade. Desta forma, assim como alguns povos são mais inclinados à criação
de cavalos porque seu país é constituído de planícies, ou às atividades
marinhas porque vivem perto do mar, ou à civilização por causa da riqueza de
seu solo, do mesmo modo se descobriria traços especiais surgindo da
familiaridade natural dos seus climas particulares com as estrelas nos signos
do zodíaco. Esses traços, também, seriam encontrados de forma geral, mas não em
todos os indivíduos. Devemos, então, tratar brevemente do assunto, na medida em
que seja útil para o propósito das investigações particulares.
3. Sobre as Familiaridades entre os Países e as Triplicidades e Estrelas.
Das quatro formações triangulares reconhecidas no zodíaco, como demonstramos acima, a que consiste de Áries, Leão e Sagitário é do Noroeste, e dominada principalmente por Júpiter devido ao vento norte, mas Marte se junta a esta regência por causa do vento sudoeste. Aquela que é composta de Touro, Virgem e Capricórnio é do Sudeste, e, novamente, é governada primariamente por Vénus devido ao vento sul, mas em conjunto com Saturno por causa do vento leste. A que consiste em Gémeos, Libra e Aquário é do Nordeste e é governada primariamente por Saturno, por causa do vento leste, e conjuntamente com Júpiter por causa do vento norte. O triângulo de Câncer, Escorpião e Peixes é do Sudoeste e é governado primariamente, devido ao vento sudoeste, por Marte, que rege conjuntamente com Vénus devido ao vento sul.
Já que as coisas são assim, e uma vez que nosso mundo habitado é divido
em quatro quadrantes, igual em número aos triângulos, e é dividido
latitudinalmente por nosso Mar, dos Estreitos de Hércules até o Golfo de Isso e
os cumes montanhosos adjacentes no Leste, e devido a estes suas porções ao
norte e ao sul são separadas; e na longitude pelo Golfo Arábico, o Mar Egeu, o
Ponto e o Lago
Mareotis, pelos quais as porções ao leste e ao oeste estão separadas,
surgem quatro quadrantes, e estes concordam em sua posição com os triângulos.
O primeiro quadrante está localizado inteiramente no noroeste do mundo
habitado; ele abrange a Gália Celta e damos a ele o nome geral de Europa.
Oposto a esta região está o quadrante sudeste, que inclui a Etiópia do leste,
que seria denominada a parte sul da Ásia Maior. Mais ainda, o quadrante nordeste
do mundo habitado é o que contém a Cítia, que da mesma forma é a parte norte da
Ásia Maior; e o quadrante oposto a este e na direção do vento sudeste, o
quadrante da Etiópia do oeste, é o que chamamos pelo termo geral de Líbia.
Novamente, de cada um dos quadrantes mencionados acima, suas partes que
estão localizadas mais próximas do centro do mundo habitado são dispostas de
uma forma contrária em relação aos quadrantes que as circundam, da mesma forma
que estes últimos estão em comparação com o mundo inteiro; e, uma vez que o
quadrante europeu está todo no noroeste do mundo, as suas partes perto do
centro, que estão alinhadas ao ângulo oposto, obviamente estão situadas na
região sudeste do quadrante.
O mesmo é verdade para todos os outros quadrantes, de forma que cada um
deles está relacionado a dois triângulos situados em oposição a eles, pois,
enquanto as outras partes estão em harmonia com a inclinação geral do
quadrante, as porções no centro do mundo têm familiaridade com a inclinação
oposta, e, mais ainda, sobre as estrelas que governam em seus próprios
triângulos, em todos os outros domicílios elas governam sozinhas, mas nas
partes próximas ao centro, da mesma forma estão com o grupo, e além disso,
Mercúrio, porque ele está no meio do caminho entre os dois séquitos e é comum a
ambos.
Sob este arranjo, o restante do primeiro quadrante, ou seja, o
quadrante europeu, situado no noroeste do mundo habitado, é similar ao
triângulo noroeste, Áries, Leão e Sagitário, e é governado, como se deveria
esperar, pelos senhores do triângulo, Júpiter e Marte, ocidentais. Em termos de
nações inteiras, estas partes consistem da Bretanha, da Gália Transalpina,
Alemanha, Bastárnia, Itália, Gália Cisalpina, Apúlia, Sicília, Tirrénia,
Céltica e Espanha. Como se poderia esperar, é a característica geral destas
nações, em razão da predominância dos triângulos e das estrelas que se juntam
em seu governo, serem independentes, amantes da liberdade, com apreço pelas
armas, industriosos, muito guerreiros, com qualidades de liderança, higiénicos
e magnânimos. No entanto, por causa do aspeto ocidental de Júpiter e Marte, e
além disso, porque as primeiras partes do triângulo mencionado acima são
masculinas e as últimas femininas, eles não têm paixão por mulheres e desprezam
os prazeres do amor, mas estão mais satisfeitos com e possuem maior desejo em
relação a homens. E eles não consideram o ato como uma desgraça para a honra,
nem, na verdade, se tornam afeminados ou moles por causa desta tendência,
porque sua disposição não é pervertida, mas eles retêm em suas almas a
hombridade, a utilidade, boa-fé, amor do companheirismo e benevolência.
Destes mesmos países, a Bretanha, a Gália Transalpina, a Alemanha e a
Bastárnia são mais familiares com Áries e Marte. Assim, na maior parte dos
casos, seus habitantes são mais ferozes, mais teimosos e bestiais. No entanto,
a Itália, Apúlia, a Gália Cisalpina e a Sicília são mais familiares com Leão e
com o Sol; portanto, estes povos são mais destros, soberanos, benevolentes e
cooperativos. A Tirrénia, a Céltica e a Espanha são sujeitas a Sagitário e
Júpiter, de onde vêm sua independência, simplicidade e amor por limpeza. As
partes deste quadrante que estão situadas ao redor do centro do mundo habitado,
Trácia, Macedônia, Ilíria, Hélade, Acaia, Creta, e da mesma forma as Cíclades,
e as regiões da costa da Ásia Menor e Chipre, que estão na porção sudeste do
quadrante inteiro, têm, além do explicado acima, familiaridade com o triângulo
do sudeste, Touro, Virgem e Capricórnio, e seus corregentes, Vénus, Saturno e
Mercúrio. Em consequência, os habitantes destes países são de um modo conforme
com estes planetas no corpo e na alma e são de uma constituição mais combinada.
Eles também possuem qualidades de liderança e são nobres e independentes, por
causa de Marte; eles são amantes da liberdade e se autogovernam, são
democráticos e feitores de leis, devido a Júpiter; amantes de música e do
estudo, com apreço pelas competições e higiene, devido a Vénus; sociais,
amigáveis em contato com o estrangeiro, amantes da justiça, com apreço pelas
letras e muito eficientes na eloquência, por causa de Mercúrio, e são
particularmente viciados em demonstrações de mistérios, por causa do aspeto
ocidental de Vénus. Mais uma vez, parte a parte, os deste grupo que vivem nas
Cíclades e nas costas da Ásia Menor e do Chipre são mais estreitamente
familiares a Touro e Vénus; por estas razões eles são, no geral, luxuriosos,
limpos e atentos ao próprio corpo. Os habitantes da Hélade, da Acaia e de
Creta, no entanto, têm familiaridade com Virgem e Mercúrio, e são, portanto,
melhores no raciocínio e amigos do estudo, e exercitam a alma, preferentemente
ao corpo. Os Macedónios, Trácios e Ilírios têm familiaridade com Capricórnio e
Saturno, de modo que embora eles sejam perdulários, não têm uma natureza mole,
nem são sociáveis em suas instituições.
Sobre o segundo quadrante, que abrange a Índia, a Ariana, a Gedrósia,
a Pártia, a Média, a Pérsia, a Babilónia, a Mesopotâmia e a Assíria, que estão
situadas no sudeste do mundo habitado, são, como poderíamos supor, familiares
ao triângulo sudeste, Touro, Virgem e Capricórnio, e são governadas por Vénus e
Saturno em aspetos orientais. Portanto, veremos que as naturezas de seus
habitantes estão em conformidade com os temperamentos governados por estes
regentes; pois eles reverenciam a estrela de Vénus sob o nome de Ísis, e a de
Saturno pelo nome de Mitras Hélios. A maior parte deles, também, prediz eventos
futuros, e entre eles existe a prática de consagrar os órgãos genitais, por causa
do aspeto das estrelas acima mencionadas, que por natureza é generativo. Além
disso, eles são ardentes, concupiscentes e inclinados aos prazeres do amor;
através da influência de Vénus eles são dançarinos, saltadores e amantes do
adorno, e através da influência de Saturno, amantes da vida luxuosa. Eles
realizam suas relações com as mulheres de forma aberta e não em segredo, por
causa do aspeto oriental de Vénus, mas consideram detestável este tipo de
relação com machos. Por estas razões muitos deles geram crianças com suas
próprias mães, e eles fazem o que o peito lhes manda, em virtude do nascer
matinal dos planetas e por causa da primazia do coração, que é próximo do poder
do Sol. Em relação ao resto, são geralmente luxuosos e efeminados no modo de se
vestir, de se adornar e em todos os hábitos relativos ao corpo, por causa de Vénus.
Em suas almas e por sua predileção eles são magnânimos, nobres e afeitos à
guerra, devido às familiaridades com Saturno oriental. Parte por parte, mais
uma vez, Pártia, Média e Pérsia são mais estreitamente familiares com Touro e Vénus,
portanto seus habitantes utilizam roupas bordadas, que cobrem todo o corpo
exceto o peito e são de uma maneira geral luxuosos e limpos. Babilónia,
Mesopotâmia e Assíria são familiares a Virgem e Mercúrio, e, portanto, o estudo
da matemática e a observação dos cinco planetas são traços especiais destes
povos. Índia, Ariana e Gedrósia possuem familiaridade com Capricórnio e
Saturno; portanto, os habitantes destes países são feios, sujos e bestiais. As
partes restantes do quadrante, situadas próximas do centro do mundo habitado,
Idumeia, Síria Coelê, Judeia, Fenícia, Caldeia, Orquínia e Arábia Feliz, que
estão situadas para o noroeste do quadrante inteiro, têm uma familiaridade
adicional com o triângulo do noroeste, Áries, Leão e Sagitário e, além disso,
possuem como corregentes Júpiter, Marte e Mercúrio. Portanto, estes povos são,
em comparação com os outros, mais hábeis no comércio e nas trocas; eles são
mais inescrupulosos, covardes desprezíveis, traidores, servis e em geral
inconstantes, devido ao aspeto das estrelas mencionadas. Destes, novamente os
habitantes da Síria Coelê, da Idumeia e da Judeia são mais estreitamente
familiares com Áries e Marte, e portanto estes povos são em geral ousados, sem
Deus e armadores de esquemas. Os Fenícios, Caldeus e Orquínios têm
familiaridade com Leão e o Sol, de modo que eles são mais simples, mais
afáveis, viciados em astrologia e acima de todos os outros homens adoradores do
Sol. Os habitantes da Arábia Feliz são familiares a Sagitário e Júpiter; isso
explica a fertilidade do país, de acordo com seu nome, e sua variedade de
temperos, e a graça de seus habitantes e seu livre espírito na vida diária, no
comércio e nos negócios.
Sobre o terceiro quadrante, que inclui a parte norte da Ásia menor, as
outras partes, incluindo a Hircânia, a Arménia, a Matiana, a Bactriana, a
Caspéria, a Sérica, a Seuromática, a Oxiana, a Sogdiana e as regiões no
nordeste do mundo habitado, são familiares com o triângulo nordeste, Gémeos,
Libra e Aquário, e são, como poderia se esperar, governadas por Saturno e
Júpiter em aspeto oriental. Portanto, os habitantes destas terras adoram a
Júpiter e Saturno, possuem muitas riquezas e ouro e são limpos e decentes em
seu viver, educados e adeptos dos assuntos de religião, justos e liberais em
suas maneiras, magnânimos e nobres de alma, odiadores do mal, passionais e
prontos para morrer por seus amigos por uma causa santa e justa. Eles são
dignos e puros em suas relações sexuais, pródigos no vestir, graciosos e
magnânimos; estas coisas em geral são causadas por Saturno e Júpiter em aspetos
do leste. Dessas nações, novamente, Hircânia, Armênia e Matiana são mais
estreitamente familiares com Gémeos e Mercúrio; e, portanto, são mais
facilmente movidos e inclinados à trapaça. Bactriana, Caspéria e Sérica são
mais afins a Libra e Vénus, de modo que seus povos são ricos e seguidores das
Musas, e mais luxuosos. As regiões de Sauromática, Oxiana e Sogdiana são
familiares a Aquário e Saturno; estas nações são, portanto, menos gentis,
estéreis e bestiais. As regiões remanescentes deste quadrante, que se localizam
perto do centro do mundo habitado, Bitínia, Frígia, Cólquica, Síria, Comagena,
Capadócia, Lídia, Lícia, Cilícia e Panfília, uma vez que estão situadas no
sudeste do quadrante, têm, além disso, familiaridade com o quadrante sudoeste,
Câncer, Escorpião e Peixes, e seus corregentes são Marte, Vénus e Mercúrio;
portanto, aqueles que vivem nesses países geralmente adoram Vénus, como mãe dos
deuses, a chamando por vários nomes, e Marte e Adónis, para quem eles também
dão outros nomes, e eles celebram em sua honra certos mistérios acompanhados
por lamentações. Eles são em alto grau depravados, servis, trabalhadores
trapaceiros, podem ser encontrados em expedições mercenárias, pilhando e
fazendo cativos, escravizando seu próprio povo e realizando guerras
destrutivas. Devido à junção de Marte e Vénus no oriente, uma vez que Marte
está exaltado em Capricórnio, um signo do triângulo de Vénus, e Vénus em Peixes,
um signo do triângulo de Marte, surge que suas mulheres demonstram completa boa
vontade em relação a seus maridos; elas são apaixonadas, cuidam da casa,
diligentes, prestativas e em todos os aspetos trabalhadoras e obedientes.
Destes povos, novamente, aqueles que vivem em Bitínia, Frigia e Cólquica são
mais estreitamente familiares a Câncer e à Lua; portanto, os homens são
geralmente cuidadosos e obedientes, e a maior parte das mulheres, devido à
influência do aspeto oriental e masculino da Lua, são viris, comandantes e
afeitas à guerra, como as Amazonas, que desprezam o comércio com os homens,
amam as armas e desde a infância tornam masculinas todas as suas
características femininas, ao cortar seus seios direitos por necessidades
militares e deixando estas partes nuas na linha de batalha, para mostrarem a
ausência de feminilidade em suas naturezas. Os povos da Síria, Comagena e
Capadócia são familiares a Escorpião e Marte; portanto, muita ousadia, engodo,
traição e labor são encontrados entre eles. Os povos da Lídia, Cilicia e
Panfília são familiares com Peixes e Júpiter, e portanto são mais saudáveis,
comerciais, livres socialmente e confiáveis em seus acordos.
Sobre o quadrante restante, que inclui o que é chamado pelo nome
comum de Líbia, as outras regiões, incluindo a Numídia, Cartago, África,
Fazânia, Nasamonite, Garamântica, Mauritânia, Getúlia, Metagonite e as regiões
situadas no sudeste do mundo habitado estão relacionadas, devido à sua
familiaridade, com o triângulo sudoeste, Câncer, Escorpião e Peixes, e são,
portanto, regidos por Marte e Vénus em seu aspeto ocidental. Por esta razão, a
maior parte de seus habitantes, por causa da junção mencionada acima destes
planetas, é governada por um homem e sua esposa, que são irmão e irmã, o homem
governante dos homens e a mulher das mulheres, e uma sucessão desta forma é
mantida. Eles são extremamente ardentes e dispostos ao comércio com mulheres,
de forma que mesmo seus casamentos são feitos através de abduções violentas, e
frequentemente seus reis aproveitam o jus primae noctis [direito da primeira
noite] com as noivas, e entre alguns deles as mulheres são comuns a todos os
homens. Eles são afeitos a se embelezarem, e se adornarem com adereços
femininos, devido à influência de Vénus; pela influência de Marte, no entanto,
eles são viris de espírito, trapaceiros, mágicos, impostores, enganadores e
despreocupados. Desses povos, novamente, os habitantes da Numídia, de Cartago e
da África são mais estreitamente familiares a Câncer e à Lua. Eles são, portanto,
sociais, comerciantes e vivem em grande abundância. Os que habitam Metagonite,
Mauritânia e Getúlia são familiares a Escorpião e Marte; eles são, portanto,
mais agressivos e amantes da guerra, comedores de carne, muito descuidados e
despreocupados com a vida a tal grau que não poupam nem uns aos outros. Aqueles
que vivem na Fazânia, em Nasamonite e em Garamântica são familiares a Peixes e
Júpiter, e, portanto, são livres e simples em suas características, com vontade
de trabalhar, inteligentes, limpos e independentes, de uma forma geral, e são
adoradores de Júpiter pelo nome de Amon. As partes restantes do quadrante, que
estão situadas perto do centro do mundo habitado, Cirenaica, Marmárica, Egito,
Tebas, o Oásis, Troglodítica, Arábia e a Etiópia Meridiana, que se voltam para
o nordeste do quadrante inteiro, têm uma familiaridade adicional com o
triângulo nordeste, Gémeos, Libra e Aquário, e, portanto, possuem como
corregentes Saturno e Júpiter e, além desses, Mercúrio. Portanto, aqueles que
vivem nestes países, porque todos eles em comum, por assim dizer, estão
sujeitos à regência ocidental dos cinco planetas, são adoradores dos deuses,
supersticiosos, dados a cerimônias religiosas e afeitos à lamentação; eles
enterram seus mortos, os pondo fora do alcance da visão, por causa do aspeto
ocidental dos planetas; e eles praticam todos os tipos de usos, costumes e
ritos a serviço de todos os tipos de deuses.
Quando comandados eles são humildes, tímidos, penosos e suportam longos
sofrimentos; quando lideram, são corajosos e magnânimos; são, no entanto,
polígamos e poliândricos e dados à luxúria, casando-se até mesmo com suas
próprias irmãs, e os homens são potentes na geração, as mulheres, na conceção,
e até sua terra é fértil. Além disso, muitos dos homens são doentes e
afeminados de alma, e mesmo alguns desprezam os órgãos de geração, devido à
influência do aspeto dos planetas malignos em combinação com Vénus ocidental.
Destes povos, os habitantes de Cirenaica e Marmárica, e particularmente do
Baixo Egito, são mais estreitamente relacionados com Gémeos e Mercúrio; por
causa disto eles são ponderados, inteligentes e têm facilidades em todas as
coisas, especialmente na busca da sabedoria e na religião; eles são mágicos,
realizam ritos de mistérios secretos e são em geral versados em matemática.
Aqueles que vivem em Tebas, no Oásis e na Troglodítica, são familiares a Libra
e Vénus, portanto são mais ardentes e vivazes de natureza e vivem na
abundância. Os povos da Arábia, Azânia e Etiópia Meridional são familiares a
Aquário e Saturno, e por essa razão são comedores de carne, de peixe e nómadas,
vivendo uma vida dura e bestial.
Essa foi a nossa exposição breve das familiaridades dos planetas e dos
signos do zodíaco com as diversas nações e das características gerais desses
últimos. Também exporemos, para uso imediato, uma lista das diversas nações que
estão em familiaridade, em cada signo, de acordo com o que já foi dito acima
sobre eles.
Assim:
Áries: Bretanha, Gália, Germânia, Bastárnia; no centro, Síria Coelê, Palestina,
Idumeia, Judeia.
Touro: Pártia, Média, Pérsia; no centro, as Cíclades, Chipre, a região
costal da Ásia Menor.
Gémeos: Hircânia, Arménia, Matiana; no centro, Cirenaica, Marmárica, Egito
Menor.
Câncer: Numídia, Cartago, África; no centro, Bitínia, Frígia, Cólquica.
Leão: Itália, Gália Cisalpina, Sicília, Apúlia; no centro, Fenícia,
Caldeia, Orquênia.
Virgem: Mesopotâmia, Babilónia, Assíria; no centro, Hélas, Acaia, Creta.
Libra: Bactriana, Caspéria, Sérica; no centro, Tebas, Oásis, Troglodítica.
Escorpião: Metagonite, Mauritânia, Getúlia; no centro, Síria, Comagena,
Capadócia.
Sagitário: Tirrênia, Céltica, Espanha; no centro, Arábia Félix.
Capricórnio: Índia, Ariana, Gedrósia; no centro, Trácia, Macedônia, Ilíria.
Aquário: Sauromática, Oxiana, Sogdiana; no centro, Arábia, Azânia, Etiópia
Meridional
Peixes: Fazânia, Nasamonite, Garamântica; no centro, Lídia, Cilícia,
Panfília.
Agora que o assunto estudado foi apresentado, é razoável adicionar a esta
seção esta consideração posterior – que cada uma das estrelas fixas tem
familiaridade com os países com os quais as partes do zodíaco que têm a mesma
inclinação que elas (com relação ao círculo feito através de seus polos)
exercem simpatia. Além disso, no caso de cidades metropolitanas, as regiões do
zodíaco que são as mais simpáticas são as através das quais o Sol ou a Lua
passaram (para os centros, especialmente o horóscopo), em sua fundação, como em
uma natividade. No entanto, em casos em que o momento exato da fundação não
pode ser descoberto, as regiões simpáticas são as que caem no meio do céu das
natividades daqueles que tinham o poder ou eram os reis daquela época.
4. Método de Realizar Previsões Particulares.
Após esse exame introdutório, a próxima tarefa seria lidar brevemente com o
procedimento das predições, e primeiramente com aqueles referentes às condições
gerais dos países e das cidades. O método de investigação será o que se segue:
a causa primeira e mais potente de tais eventos está nas conjunções entre o Sol
e a Lua no eclipse e nos movimentos das estrelas no mesmo momento. Sobre a
predição ela mesma, uma porção é regional; desta forma podemos prever para
quais países ou cidades são significativos os vários eclipses, ou as estações
ocasionais regulares dos planetas (ou seja, de Saturno, de Júpiter e de Marte)
sempre que eles cessam o movimento, pois então eles são importantes. Outra
divisão da predição é cronológica, nela, a necessidade é de prever o momento
das potestades e sua duração. Uma parte, também, é genérica; através dessa,
devemos compreender em quais classes o evento exercerá seus efeitos. E,
finalmente, há o aspeto específico, pelo qual discerniremos a qualidade do
próprio evento.
5. Sobre o Exame dos Países Afetados.
Devemos julgar a primeira porção da investigação, que é regional, da maneira seguinte: nos eclipses do Sol e da Lua, quando ocorrem, em particular aqueles mais fáceis de serem observados, devemos examinar a região do zodíaco na qual ele se dá, e os países em familiaridade com os seus triângulos, e, de forma similar, averiguar quais das cidades, tanto pelo horóscopo no momento de sua fundação e a posição dos luminares no momento, quanto pelo meio-céu da natividade de seus governantes, são simpáticas ao signo zodiacal do eclipse. Em quaisquer países ou cidades que descobrirmos uma familiaridade deste tipo, devemos supor que algum evento ocorrerá, que se aplique, de uma forma geral, a todos eles, particularmente àqueles que possuem uma relação com o signo zodiacal do eclipse e àqueles nos quais o eclipse, uma vez que ocorreu sobre a Terra, foi visível.
6. Sobre o Momento dos Eventos Previstos.
Pela segunda divisão, a cronológica, pela qual devemos aprender os momentos
dos eventos significados e sua duração, devemos considerar o seguinte: da mesma
forma que os eclipses que ocorrem ao mesmo tempo não se completam no mesmo
número de horas ordinárias em todas as localidades, e uma vez que os mesmos
eclipses solares não têm em toda a parte o mesmo grau de obscurecimento, nem a
mesma duração, devemos em primeiro lugar estabelecer a hora do eclipse, em cada
uma das localidades relacionadas, e a altitude do pólo, bem como os ângulos,
como em uma natividade; em segundo lugar, quantas horas equinociais o
obscurecimento do eclipse dura em cada um. Pois, quando estes dados são
examinados, se o eclipse for solar, devemos compreender que os eventos
previstos duram tantos anos quanto forem as horas equinociais que descobrirmos,
e se for lunar, tantos meses quanto forem as horas.
A natureza dos inícios e das intensificações mais importantes dos eventos,
no entanto, são deduzidas da posição do lugar do eclipse em relação aos
ângulos. Pois, se o local do eclipse cai no horizonte leste, isso significa que
o começo do evento previsto é no primeiro período de quatro meses a partir do
momento do eclipse e que suas intensificações importantes caem no primeiro
terço do período inteiro de sua duração; se no meio-céu, no segundo grupo de
quatro meses e no terço do meio; se sobre o horizonte oeste, no terceiro grupo
de quatro meses e no terço final.
O começo de atenuações e intensificações particulares do evento deduzimos
das conjunções que ocorrem neste meio tempo, se elas ocorrerem nas regiões
importantes ou nas regiões em algum aspeto a elas, e também pelos movimentos dos
planetas, se aqueles que efetivam os eventos previstos estão ou ascendendo ou
se pondo ou estacionários ou na ascensão vespertina e estão ao mesmo tempo em
algum aspeto com os signos zodiacais que regem a causa; porque os planetas,
quando estão ascendendo de manhã ou estacionários produzem intensificações nos
eventos, mas quanto estão se pondo, e sob os raios do sol, ou culminando à
noite, produzem uma atenuação.
7. Sobre a Classe dos Afetados.
A terceira parte é aquela da classificação genérica, pela qual se deve
determinar quais classes de seres o evento irá afetar. Isso é descrito pela
natureza e forma especiais dos signos do zodíaco nos quais ocorrem os eclipses
e nas quais estão os corpos celestes, tanto planetas quanto estrelas fixas, que
governam tanto o signo do eclipse quando o do ângulo precedendo o eclipse. No
caso dos planetas descobrimos a regência dessas regiões assim: aquele que tem o
maior número de relações com ambas as regiões ditas acima, aquela do eclipse e
aquela do ângulo ao qual o eclipse segue, tanto em virtude das aplicações ou
recessões visíveis mais próximas, tanto por aqueles aspetos que possuem uma
relação, e além disso, por regência dos domicílios, triângulos, exaltações e
termos, e somente este planeta terá a dominância. No entanto, se o mesmo
planeta não é o senhor do eclipse e do ângulo, devemos considerar, juntos, os
dois que possuem o maior número de familiaridades, como dito acima, para
qualquer uma das regiões, dando preferência ao senhor do eclipse.
Se diversos rivais forem encontrados em qualquer das contas, devemos
preferir para o domínio aquele que estiver mais perto de um ângulo, ou for o
mais importante, ou for o mais estreitamente unido por séquito. No caso das
estrelas fixas, devemos tomar a primeira das estrelas brilhantes que tenha
significação sobre o ângulo precedente à hora real do eclipse, de acordo com os
nove tipos de aspeto visível definidos em nossa primeira compilação x, e a
estrela que, do grupo visível no momento do eclipse, ou ascendeu ou atingiu o meridiano
com o ângulo seguinte ao local do eclipse.
Quando descobrimos assim as estrelas que partilham as causas do evento,
devemos também considerar as formas dos signos do zodíaco nos quais o eclipse e
as estrelas dominantes estão, uma vez que, a partir de suas características, a
qualidade das classes afetadas é normalmente descoberta. Constelações com forma
humana, tanto no zodíaco quanto entre as estrelas fixas, fazem o evento estar
relacionado com a raça humana. Dos signos terrestres, os de bestas de quatro
patas dizem que o evento estará relacionado com bestas de quatro patas, e os
signos formados com coisas rastejantes, com serpentes e animais afins.
Novamente, os signos animais têm importância para os animais selvagens e
para aqueles que causam dano à raça humana; os signos domésticos, com os
animais úteis e domesticados, e aqueles que ajudam a se conseguir prosperidade,
em consistência com suas diversas formas, por exemplo, cavalos, bois, ovelhas,
e afins. Novamente, dos signos terrestres, os do norte tendem a significar
terremotos súbitos e os do sul chuvas inesperadas do céu. Ainda, aquelas
regiões dominantes que têm forma de criaturas aladas, como Virgem, Sagitário,
Cygnus, Áquila e afins, exercem um efeito sobre criaturas aladas, particularmente
aquelas que são usadas para o alimento humano, e os que têm a forma de
criaturas que nadam, sobre os peixes e os animais aquáticos.
E destes, nas constelações que pertencem ao mar, como Câncer, Capricórnio e
o Golfinho, influenciam as criaturas do mar e a partidas das esquadras. Nas
constelações que pertencem a rios, como Aquário e Peixes, seus efeitos são
sobre as criaturas dos rios e riachos, e em Argo eles afetam ambas as classes.
Da mesma forma, as estrelas nos signos solsticiais ou equinociais têm
importância em geral para as condições do ar e para as estações relacionadas a
cada um destes signos, em particular eles estão relacionados à primavera e as
coisas que crescem da terra, pois quando estão no equinócio da primavera elas
afetam os novos ramos dos vegetais arbóreos, como uvas ou figos, e o que quer
que amadureça com eles; no solstício de verão, a colheita e o armazenamento dos
vegetais, e no Egito, peculiarmente, a cheia do Nilo; no solstício de outono
elas estão relacionadas com a semeadura, o feno, e plantas gramíneas; e no
equinócio de inverno, os vegetais e os tipos de pássaros e peixes mais comuns
nesta estação.
Além disso, os signos equinociais possuem importância para os ritos
sagrados e para a adoração aos deuses; os signos solsticiais, para mudanças no
ar e nos costumes políticos; os signos sólidos para fundações e construções de
casas; os bicorpóreos, para os homens e os reis. Da mesma forma, os que estão
mais perto do oriente no momento do eclipse significam o que quer que seja relacionado
à agricultura, à juventude e às fundações; aqueles perto do meio-céu acima da
terra, a ritos sagrados, reis e à meia-idade; e aqueles perto do ocidente, à
mudança dos costumes, à velhice e àqueles que faleceram. Com relação à questão
da proporção da classe envolvida que será afetada, a resposta é fornecida pela
extensão do obscurecimento dos eclipses e pelas posições relativas ao lugar do
eclipse no qual estejam as estrelas que se relacionam com o caso. Pois, quando
elas estão ocidentais aos eclipses solares ou orientais aos lunares, os eventos
usualmente afetam uma minoria; quando estão em oposição, metade; e a maioria,
se elas estiverem orientais aos eclipses solares e ocidentais aos lunares.
8. Sobre a Qualidade do Evento Previsto.
O quarto tema diz respeito à qualidade do evento previsto, ou seja, se ele
produz o bem ou o oposto, e de que tipo são os seus efeitos em qualquer das
direções, de acordo com o caráter peculiar das espécies. Isto se depreende da
natureza da atividade dos planetas que regem os lugares dominantes e da sua
combinação, tanto de uns com os outros quanto com os lugares nos quais eles
estão. Pois o Sol e a Lua são os líderes, por assim dizer, dos outros, já que
eles são responsáveis pela totalidade da força, e são as causas das regências
dos planetas, e mais ainda, as causas da força ou debilidade dos planetas
regentes. A observação cuidadosa das estrelas regentes demonstra a qualidade
dos eventos previstos.
Devemos começar com as forças ativas características dos planetas, um por
um, realizando, primeiramente, no entanto, esta observação geral, como um
lembrete resumido, que em geral sempre que falarmos de qualquer temperamento
dos cinco planetas devemos entender que o que quer que produza a natureza em
questão também deve, seja o planeta em si em sua própria condição, ou uma das
estrelas fixas, ou um dos signos do zodíaco, ser considerado em relação ao
temperamento que lhe seja próprio, como se as caracterizações fossem aplicadas
às naturezas ou às qualidades elas mesmas, e não aos planetas; e devemos
lembrar que nas combinações, novamente, não devemos considerar somente a
mistura dos planetas uns com os outros, mas também sua combinação com os outros
que partilham da mesma natureza; sejam eles as estrelas fixas ou signos do
zodíaco, em virtude de suas afinidades com os planetas, já mencionadas.
Saturno, quando ele recebe a dominância isolada, é em geral causa de
destruição pelo frio, e em particular, quando o evento está relacionado aos
homens, causa doenças no pulmão, tuberculose, envelhecimento, perturbações
causadas por fluidos, reumatismos, e febres quartãs, exílio, empobrecimento,
prisão, temores mórbidos e morte, especialmente entre aqueles avançados em
idade. Ele normalmente é importante com relação àquelas bestas que são úteis ao
homem, e gera sua escassez, e a destruição corporal por doença daquelas que já
existem, de modo que os homens que as utilizam são afetados de forma similar e
perecem.
Com relação ao clima, ele causa frio terrível, congelamento, névoa e clima
pestilento; corrupção do ar, nuvens e escuridão; além disso, muitas tempestades
de neve, não benéficas, mas destrutivas, nas quais são produzidos os répteis
prejudiciais ao homem. Com relação aos rios e mares, em geral ele causa
tempestades, o naufrágio de esquadras, viagens desastrosas, a escassez e a
morte dos peixes, e em particular nas marés cheias e vazantes dos mares e dos
rios enchentes excessivas e poluição de suas águas. Para as plantações na
terra, ele causa falta, escassez e perda, especialmente daquelas cultivadas por
necessidade, seja através de vermes ou gafanhotos, ou enchentes, ou geadas, ou
granizo, ou fenômenos parecidos, de forma que a fome e a destruição do homem
resultam destes acontecimentos.
Quando Júpiter rege sozinho, ele produz aumento em geral, e, em
particular, quando a previsão está relacionada aos homens, ele produz fama e
prosperidade, abundância, existência pacífica, ou aumento das coisas
necessárias à vida, saúde física e espiritual, e, além disso, benefícios e presentes
dos governantes, e o aumento, grandiosidade e magnanimidade destes, e em geral
ele é causa de felicidade. Com referência às bestas ele causa uma profusão e
abundância daquelas que são úteis ao homem e a diminuição e a destruição
daqueles do tipo oposto. Ele torna a condição do ar temperada e saudável, com
ventos, húmida e favorável ao crescimento do que a terra suporta; ele causa a
viagem afortunada das esquadras, a cheia moderada dos rios, a abundância das
plantações, e tudo o que for similar.
Marte, quando assume sozinho a regência, é em geral a causa da
destruição através da secura e, em particular, quando o evento diz respeito aos
homens, causa as guerras, divisão civil, capturas, escravidão, motins, a ira
dos líderes, e mortes súbitas surgindo destas causas; além disso, desordens
febris, febres terçãs, hemorragias, mortes rápidas e violentas, especialmente
no auge da vida; da mesma forma, violência, invasões, falta de leis, incêndios
criminosos e assassinato, roubos e pirataria. Com relação à condição do ar ele
causa clima quente, morno, pestilento e ventos ressecantes, a queda de
relâmpagos e furacões, e seca. Novamente, no mar ele causa o naufrágio súbito
das esquadras através de mudança de ventos ou raios ou coisas do tipo; a falta
de água em rios, o ressecamento de fontes, e contaminação das águas potáveis.
Com relação às necessidades produzidas sobre a terra para o uso humano, ele
causa a escassez e a perdas das bestas e das coisas que crescem sobre a terra e
a perda das colheitas pela seca e em resultado do clima quente, ou por
gafanhotos, ou pelo aquecimento dos ventos, ou por incêndios nos locais de estucagem.
Vénus, quando é a regente sozinha do evento, em geral causa
resultados similares ao de Júpiter, mas com a adição de uma certa qualidade
agradável; em particular, quando o evento está relacionado aos homens ela causa
fama, honra, felicidade, abundância, casamentos felizes, muitas crianças,
satisfação em toda relação mútua, o aumento das propriedades, um modo bom e bem
conduzido de vida, que honre aquelas coisas que devem ser reverenciadas; além
disso, ela é a causa da saúde corporal, de alianças com os líderes e elegância
dos regentes; com relação aos ventos do ar, ela é causa da temperatura amena e
de condições fixas de humidade e de ventos muito férteis; de bom ar, clima
limpo e chuvas generosas de águas fertilizantes; ela causa a sorte das viagens
das esquadras, sucessos, lucros, e a cheia completa dos rios; dos animais úteis
e dos frutos da terra ela é a causa proeminente da abundância, de boas
colheitas e de lucro.
Mercúrio, se recebe a regência é, de forma geral, de natureza igual
aos dos outros planetas com os quais ele esteja associado. Em particular, ele é
acima de tudo estimulante, em previsões relacionadas aos homens ele é bom,
prático e engenhoso em qualquer situação; mas ele causa roubos, assaltos,
pirataria e invasões e, além disso, causa o insucesso das viagens quando está
em algum aspeto com os maléficos, e gera doenças de secura, febres cotidianas,
tosses, hemorragia e tuberculose. Ele é a causa dos eventos que ocorrem em
relação ao código dos sacerdotes, à veneração aos deuses, às finanças dos reis
e às mudanças nos costumes e nas leis, de tempos a tempos, de acordo com sua
associação com os outros planetas em cada ocasião. Em relação ao ar, sendo
muito seco e ágil por causa da sua proximidade com o Sol e da velocidade de sua
revolução, ele é particularmente apto a gerar ventos mutáveis, agressivos e
irregulares e, como seria de se esperar, trovões, furacões, rachaduras na
terra, terremotos e raios; às vezes, desta forma, ele causa a destruição de
animais e plantas úteis. Ao se pôr ele diminui as águas e os rios, ao nascer os
enche.
Tais são os efeitos produzidos pelos diversos planetas, cada um por
si próprio e no comando de sua própria natureza. Associado, no entanto, agora
com um, agora com outro, em diferentes aspetos, pela troca dos signos xi, e
pelas diferentes fases em relação ao Sol, e experimentando uma atenuação
correspondente de seus poderes, cada um produz uma característica cujo efeito é
a mistura das naturezas dos participantes, complicando o resultado. É,
obviamente, uma tarefa impossível e sem esperança mencionar os resultados
apropriados de cada combinação e enumerar absolutamente todos os aspetos de
qualquer tipo, uma vez que podemos conceber uma enorme variedade deles.
Consequentemente, questões deste tipo devem ser, de forma razoável, deixadas à
iniciativa e à engenhosidade do matemático, para que faça as necessárias
distinções.
É necessário observar a afinidade que existam entre os planetas que
governam a previsão e os países ou cidades para os quais o evento irá ocorrer.
Pois, se os planetas regentes são benéficos, e têm familiaridade com as coisas
afetadas, e se não são suplantados por planetas do séquito oposto, ele produzem
os benefícios naturais a eles de forma mais poderosa; da mesma forma, quando
não há familiaridade, ou quando são suplantados por seus opostos, eles são
menos úteis.
No entanto, quando os planetas que governam a previsão são os de
temperamento maléfico, se eles possuem familiaridade com o que está sendo
afligido ou são suplantados pelo séquito oposto, eles fazem menos mal; mas se
eles não são nem senhores dos países nem são suplantados por planetas que têm
familiaridade com esses países, eles exercem o poder destruidor de seu
temperamento de forma bem mais intensa. Normalmente, no entanto, os homens são
afetados pelos males gerais que, em suas próprias genituras, têm os lugares
mais essenciais, quer dizer, os lugares dos luminares e dos ângulos, nos mesmos
pontos dos que produzem a causa dos infortúnios gerais, ou seja, nos lugares
dos eclipses ou nos lugares diretamente opostos. Destes, as posições mais
perigosas e as mais difíceis de evitar são aquelas nas quais qualquer um dos
luminares esteja no mesmo grau do lugar do eclipse, ou no grau oposto.
9. Sobre as Cores dos Eclipses, dos Cometas, e dos Corpos Assemelhados.
Para a previsão das condições gerais devemos também observar as cores
no momento do eclipses, tanto aquelas dos luminares eles mesmos, quanto das
formações que ocorrem perto deles, como caudas, halos, e outras. Porque, se
eles parecem negros ou lívidos significam os efeitos que foram mencionados em
conexão com a natureza de Saturno; de brancos, com a de Júpiter; se
avermelhados, com a de Marte; se amarelos, com a de Vénus; e se multicores, com
a de Mercúrio. Se a cor característica parecer cobrir o corpo inteiro do
luminar ou toda a região em volta dele, o evento previsto irá afetar a maior
parte dos países; entretanto, se ela se localizar em apenas uma parte, ele
afetará apenas aquela parte para a qual o fenômeno se inclina.
Devemos observar, além disso, para a previsão das condições gerais,
os cometas que aparecem tanto no momento do eclipse quanto em qualquer momento,
por exemplo, os assim chamados “raios”, “trombetas”, “potes”, e afins, porque
esses naturalmente produzem os efeitos peculiares a Marte e Mercúrio – guerras,
clima quente, condições de perturbação e o que acompanha essas condições; e eles
mostram, através das partes do zodíaco nas quais suas cabeças aparecem e
através das direções para as quais as formas de suas caudas apontam, as regiões
nas quais os infortúnios irão ocorrer.
Através da formação, por assim dizer, das suas cabeças, eles indicam o tipo de evento e a classe sobre a qual o infortúnio irá se produzir, através do tempo em que duram a duração dos eventos; e, através de sua posição relativa ao Sol, da mesma forma, seu início, pois em geral sua aparição no oriente significa eventos que se aproximam rapidamente e no ocidente, aqueles que se aproximam de forma mais lenta.
10. Com Relação à Lua Nova do Ano.
Agora que descrevemos o procedimento das previsões sobre os estados gerais
dos países e das cidades, resta mencionar assuntos mais detalhados; eu me
refiro a eventos que ocorrem anualmente em conexão com as estações. Na
investigação deste assunto, seria apropriado, em primeiro lugar, definir a
assim chamada Lua Nova do ano. Que essa deva ser, apropriadamente, o começo do
curso circular do Sol em cada uma das suas revoluções é claro a partir da
própria coisa, tanto por seu poder como por seu nome. Não se poderia conceber,
é claro, qual ponto inicial se assumiria em um círculo, como uma proposição
geral; mas no círculo que passa pelo meio do zodíaco se poderia tomar de forma
apropriada como únicos inícios razoáveis os pontos determinados pelo equador e
pelos trópicos, ou seja, os dois equinócios e os dois solstícios.
Mesmo assim, no entanto, há dúvidas sobre qual dos quatro preferir. Na
verdade, num círculo considerado de forma isolada, nenhum deles é proeminente,
como seria o caso se houvesse um ponto inicial, mas aqueles que escreveram
sobre esses assuntos utilizaram cada um dos quatro, de diversos modos,
assumindo um como o ponto inicial, da forma como foram levados a fazer por seus
próprios argumentos, e pelas características naturais dos quatros pontos. Isso
não é estranho, uma vez que cada uma dessas partes tem o mesmo direito de ser
considerada o único ponto inicial real.
O equinócio da primavera pode ser preferido porque, neste momento, o dia
começa a ser mais longo do que a noite e porque ele pertence à estação húmida,
e esse elemento, como dissemos mais cedo, é o mais presente no início das
natividades; o solstício de verão, porque nele ocorre o dia mais longo e porque
para os egípcios ele significa a cheia do Nilo e a ascensão da estrela-cão xii;
o equinócio de outono, porque todas as colheitas, quando ele ocorre, já foram
feitas, e um novo começo ocorre então com a semeadura das futuras colheitas; e
o solstício de verão, porque, neste momento, após diminuir, o dia começa a
aumentar novamente. Parece mais próprio e natural utilizar, no entanto, os
quatro pontos iniciais em investigações que lidam com o ano, observando as sizígias
do Sol e da Lua na Lua Cheia e na Nova que os precedem mais de perto, e entre
estes em particular as conjunções nas quais os eclipses ocorrem, de forma que
do ponto inicial em Áries podemos conjeturar como será a primavera, do de
Câncer, como será o verão, do de Libra, o outono, e do de Capricórnio, como
será o inverno, pois o Sol cria as qualidades gerais das estações, de modo que
até aqueles que são totalmente ignorantes da astrologia podem prever o futuro.
Além disso, devemos levar em consideração as qualidades especiais dos signos do zodíaco para obter prognósticos dos ventos e das naturezas mais gerais, e as variações qualitativas de um momento para outro são, de forma geral, novamente demonstradas pelas conjunções que ocorrem nos pontos mencionados acima e pelos aspetos dos planetas a eles e em particular, também, pelas conjunções xiii e Luas Cheias nos diversos signos e pelo curso dos planetas. Isso pode ser chamado de investigação mensal.
Como é apropriado que para este propósito sejam enumeradas as forças
naturais peculiares dos diversos signos que influenciam as condições anuais,
bem como as dos diversos planetas, já explicamos, no que precedeu, a
familiaridades dos planetas, e das estrelas fixas de temperamento similar, com
o ar e os ventos, bem como dos signos, como um todo, com os ventos e as
estações. Ainda falta falar da natureza dos signos, parte por parte.
11. Sobre a Natureza dos Signos, Parte por Parte, e seu Efeito sobre o Tempo.
O signo de Áries, no geral, porque ele marca o equinócio, é
caracterizado por trovão e granizo, mas, tomado parte a parte, através da
variação nos graus, que é devida à qualidade especial das estrelas fixas, sua
porção inicial é chuvosa e caracterizada por ventos, sua porção mediana é
temperada, e parte seguinte quente e pestilenta. Suas partes ao norte são
quentes e destrutivas, suas partes ao sul são caracterizadas pelo frio e pelo
gelo.
O signo de Touro, no geral, é indicativo de ambas as temperaturas xiv e é,
de certa forma, quente, mas tomado parte a parte, sua porção inicial,
particularmente perto das Plêiades, é marcada por terremotos, ventos e névoas,
sua parte do meio por humidade e frio, e sua parte final, perto das Híades,
abrasante e produtiva de trovões e relâmpagos. Suas partes ao norte são
temperadas e suas partes ao sul instáveis e irregulares.
O signo de Gémeos, no geral, é produtivo de uma temperatura mediana,
mas tomado parte a parte sua parte inicial é húmida e destrutiva, sua parte do
meio temperada, e sua parte final misturada e irregular. Suas partes ao norte
são cheias de vento e causam terremotos, suas partes ao sul são secas e muito
quentes.
O signo de Câncer, no geral, é de clima quente e agradável, mas, parte por
parte, sua porção inicial e a região da Manjedoura são abafados, produtores de
terremotos, e enevoados; sua parte do meio, temperada, e sua parte final com
ventos. Suas partes ao norte e ao sul são quentes e ressecantes.
O signo de Leão, no geral, é quente e abafado, mas parte a parte, sua
parte inicial é abafada e pestilenta, sua parte do meio temperada, e sua parte
final húmida e destrutiva. Suas partes ao norte são instáveis e abrasadoras,
suas partes ao sul húmidas.
O signo de Virgem é, no geral, húmido e marcado por tempestades; mas,
tomado parte a parte, sua porção inicial é bastante quente e destrutiva, sua
porção do meio temperada e sua porção final húmida. Suas partes ao norte são de
ventos e suas partes ao sul são temperadas.
O signo de Libra, no geral, é mutável e variável, mas tomado parte a parte,
sua porção inicial e do meio são temperadas e sua porção final é húmida. Suas
partes ao norte são de ventos e suas partes ao sul húmidas e pestilenciais.
O signo de Escorpião no geral é marcado pelo trovão e pelo fogo, mas tomado
parte a parte, sua porção inicial é de neve, sua porção do meio temperada, e
sua porção final causa terremotos. Suas partes ao norte são quentes e as partes
ao sul são húmidas.
O signo de Sagitário no geral é com vento, mas tomado parte a parte sua
parte inicial é húmida, sua parte do meio temperada e a seguinte abrasante.
Suas partes ao norte são de vento, suas partes ao sul húmidas e mutáveis.
O signo de Capricórnio no geral é húmido, mas tomado parte a parte, sua
porção inicial é marcada pelo tempo quente e é destrutiva; sua porção do meio é
temperada e a porção seguinte levanta tempestades. Suas porções ao norte e ao
sul são húmidas e destrutivas.
O signo de Aquário no geral é frio e húmido, mas tomado parte a parte sua
porção inicial é húmida, sua porção do meio é temperada, sua porção seguinte
com ventos. Suas partes ao norte trazem clima quente e sua parte ao sul nuvens.
O signo de Peixes no geral é frio e com ventos, mas, tomado parte a parte
sua porção inicial é temperada, sua porção do meio é húmida, e sua porção
seguinte é quente. Suas partes ao norte são de ventos e suas partes ao sul são húmidas.
12. Sobre a Investigação Detalhada do Clima.
Já que estes fatos foram estabelecidos na introdução, o método de
lidar com as significações em detalhe envolve o seguinte procedimento. Um
método mais comum é o relacionado aos quadrantes, que exigirá, como já
dissemos, que nós observemos as Luas Novas ou Luas Cheias que precedem mais de
perto os signos solsticiais e equinociais e, para grau e para a hora em que a Lua
nova ou Lua cheia cair, em cada latitude investigada, disponhamos os ângulos
como em uma natividade. Será necessário, então, determinar os regentes do lugar
da Lua nova ou da Lua cheia, e o ângulo que o segue, da forma explicada por nós
nas seções precedentes, que lidavam com os eclipses, e assim julgar a situação
geral a partir da natureza especial dos quadrantes e determinar a questão do
grau de intensificação e relaxamento da natureza dos planetas regentes, de suas
qualidades, e dos tipos de clima que eles produzem.
O segundo modo de proceder é mensal. Neste método será necessário
examinarmos da mesma forma as Luas novas ou Cheias que ocorrem, nos diversos
signos, observando apenas que, se uma Lua Nova ocorre mais perto do signo
solsticial ou equinocial imediatamente anterior, devemos utilizar as Luas Novas
que ocorrem até o próximo quadrante, e no caso de uma Lua Cheia, utilizamos as
Luas Cheias.
Será necessário, de forma similar, que observemos os ângulos e os regentes de ambos os locais xv, e especialmente as aparições mais próximas dos planetas, e suas aplicações e recessões, as propriedades peculiares dos planetas e de seus lugares, e os ventos que são produzidos tanto pelos próprios planetas quanto pelas partes dos signos nos quais eles estejam; além disso, qual vento é produzido pela latitude da Lua com relação à eclíptica. De todos estes fatos, pelo princípio da prevalência, podemos prever as condições gerais do clima e os ventos dos meses.
O terceiro passo é observar as indicações mais detalhadas, por minúsculas
que sejam, de relaxamento e intensificação. Esta observação é baseada nas
configurações do Sol e da Lua sucessivamente, não somente das Luas Cheias e
Novas, mas também das Meias-luas, e neste caso as mudanças significadas
geralmente começam três dias antes, e algumas vezes três dias depois, do
momento em que os progressos da Lua passam a corresponder aos do Sol. Ela é
baseada, também, nos seus aspetos com os planetas, quando eles estiverem em
cada uma das posições deste tipo, ou outras parecidas, como o trígono e o
sextil. Pois é concorde à natureza destes aspetos que a qualidade especial da
mudança seja apreendida, em harmonia com as afinidades naturais dos planetas
envolvidos e dos signos do zodíaco, para o ambiente e para os ventos.
As intensificações diárias destas qualidades particulares se produzem,
principalmente, quando as estrelas fixas mais brilhantes e mais poderosas fazem
suas aparições, matutinas ou vespertinas, ao amanhecer ou ao pôr-do-sol,
próximas ao Sol. Pois, normalmente, elas modulam as condições particulares para
que concordem com suas próprias naturezas, e da mesma forma quando os luminares
estão passando por sobre um dos ângulos.
As intensificações e relaxamentos horários do clima variam em
resposta às posições das estrelas, mencionadas anteriormente, da mesma forma
que a cheia e a vazante das marés respondem às fases da Lua, e as mudanças nas
correntes de ar se produzem especialmente nestas aparições dos luminares nos
ângulos, na direção dos ventos aos quais a latitude da Lua se incline. Em todo
caso, no entanto, deve-se tirar conclusões utilizando o princípio que as causas
universais e primárias têm precedência e que as causas dos eventos particulares
lhe são secundárias, e que a força é mais segura e aumentada quando as
estrelas, que são os senhores das naturezas universais, estão em configuração
com as causas particulares.
13. Sobre a Significação dos Sinais Atmosféricos.
Os sinais que possam ser vistos ao redor do Sol, da Lua e dos
planetas também são úteis para um conhecimento prévio dos eventos particulares
significados. Devemos, então, observar o Sol ao nascer para determinar o clima
durante o dia e ao se pôr para determinar o clima de noite, e seus aspetos com
a Lua para determinar as condições climáticas de maior duração, sob o
pressuposto de que cada aspeto, em geral, prediz a condição que perdurará até o
próximo. Pois, quando o Sol nasce ou se põe, claro, sem obscurecimentos, firme
e sem nuvens, a previsão é de tempo bom, mas se o seu disco é multicor ou
avermelhado ou emite raios vermelhos ou róseos, tanto voltados diretamente para
seu exterior quanto voltados para si próprio, ou se ele apresenta as assim
chamadas nuvens periélicas de um lado, ou formações de nuvens amareladas, e
parece emitir raios longos, a previsão é de ventos fortes, do tipo que vêm dos
ângulos para os quais os sinais ditos acima apontam. Se ao nascer ou ao se pôr
ele estiver escuro ou lívido, sendo acompanhado por nuvens, ou se tiver halos
ao seu redor em um lado, ou nuvens periélicas em ambos os lados, e emitir raios
ou lívidos ou lusco-fusco, a previsão é de chuvas e tempestades.
Devemos observar a Lua em seu curso, três dias antes ou três dias
depois da Lua Nova, da Lua Cheia, da Lua Crescente e da Lua Minguante. Pois, quando
ela aparece fina e clara e não há nada ao seu redor, ela significa tempo limpo.
Se ela está fina e avermelhada, e o disco todo da porção não iluminada está
visível e de certa forma tremulando, ela indica ventos, na direção indicada por
sua latitude e inclinação. Se ela estiver escura, ou pálida, ou grossa, ela é
significadora de tempestades e chuvas.
Também devemos observar os halos ao redor da Lua. Pois, se houver um, e ele
for claro, e for sumindo gradualmente à medida que se afasta da Lua, a previsão
é de tempo bom; se houver dois ou três, tempestades; se eles forem amarelados,
com a aparência de quebrados, as tempestades serão acompanhadas de ventos
fortes; se eles forem grossos e enevoados, tempestades de neve; pálidos, ou
lusco-fusco, e parecendo quebrados, tempestades com ventos fortes e neve; e
quanto mais deles houver, mais graves serão as tempestades.
Os halos que se agrupam ao redor das estrelas, sejam planetas ou estrelas
fixas brilhantes, significam o que é apropriado a suas cores e às naturezas dos
astros que circundam.
As estrelas fixas que estão agrupadas em um certo número devem ser
observadas quanto a suas cores e suas magnitudes. Pois, se elas aparecerem mais
brilhantes e maiores do que o normal, em qualquer parte do céu na qual
estiverem, indicam os ventos que sopram de sua própria região. Quanto aos
aglomerados em sentido estrito, no entanto, como a Manjedoura e outros assim,
sempre que em um céu claro aparecerem com o brilho enfraquecido, como se
estivessem invisíveis, ou mais grossos, eles significam uma grande queda de
água; mas se estiverem limpos e cintilarem constantemente, significam ventos
fortes. Sempre que, das estrelas chamadas de Jumentos, em cada lado da
Manjedoura, aquela ao norte se tornar invisível, quer dizer que o vento norte
soprará; e caso seja a do sul, o vento sul soprará.
Sobre os fenômenos ocasionais na atmosfera superior, os cometas geralmente
predizem secas ou ventos, e quanto maior for o número de partes que forem
encontradas em suas cabeças e quanto maior for o seu tamanho, mais fortes serão
os ventos. Estrelas móveis e cadentes, se vierem de um ângulo, denotam que o
vento virá daquela direção, mas se vierem de ângulos opostos, uma confusão de
ventos, e se vierem dos quatro ângulos, tempestades de todos os tipos,
incluindo trovões, relâmpagos e fenômenos assemelhados.
Da mesma forma, nuvens que se assemelhem a flocos de lã são, às vezes,
significadoras de chuva. E os arco-íris que aparecem de tempos em tempos
significam tempestades após tempo bom e tempo bom após tempestades.
Para resumir o assunto, os fenômenos visíveis, que aparecem com cores
peculiares às suas próprias na atmosfera, em geral, indicam resultados
similares às suas naturezas, da forma já explicada anteriormente. Vamos, então,
considerar que até agora esboçamos um relato da investigação das questões
gerais, tanto em seus aspetos mais universais quanto em detalhes particulares.
A seguir deveremos fornecer na ordem devida o procedimento para a previsão que
segue a forma genetliológica.
LIVRO III
1. Introdução.
Como, na parte anterior, nós apresentamos a teoria dos eventos
universais, porque ela vem primeiro e tem, em grande parte, poder para
controlar das previsões que dizem respeito à natureza especial de cada
indivíduo (a parte dos prognósticos que denominamos arte genetliológica),
devemos acreditar que as duas divisões têm uma e a mesma origem tanto na
prática quanto na teoria. Pois a causa, tanto dos eventos universais quanto dos
particulares, é o movimento dos planetas, do Sol e da Lua; e a arte de realizar
prognósticos é a observação científica precisamente das mudanças, nas naturezas
dos sujeitos, que correspondem aos movimentos paralelos dos corpos celestes
através dos céus que nos envolvem, exceto que as condições universais são
maiores e independentes, e as particulares, não. Não devemos, no entanto,
considerar que ambas as divisões empregam os mesmos pontos iniciais, a partir
dos quais, através da perceção da disposição dos corpos celestes, tentamos
prever os eventos significados por seus aspetos naquele momento. Pelo
contrário, no caso dos universais devemos tomar muitos pontos de partida, uma
vez que não temos um ponto inicial para o universo; e estes, também, não são
sempre tomados a partir dos próprios objetos de investigação, mas também a
partir dos elementos que os auxiliam e carregam com eles as causas; pois nós
investigamos praticamente todos os pontos iniciais apresentados pelos eclipses
mais completos e as passagens significativas dos planetas. Em previsões
afetando os homens individuais, no entanto, temos tanto um quanto muitos pontos
iniciais.
O um é o início dos próprios temperamentos, pois neste caso temos o ponto
inicial, e os muitos são as significações sucessivas dos ambientes que são
relativos a este primeiro começo, embora, com certeza, o ponto inicial único
seja, naturalmente, neste caso, de maior importância porque ele produz os
outros. Assim, as características dos temperamentos são determinadas a partir
do primeiro ponto inicial, enquanto através dos outros nós prevemos os eventos
que surgirão em momentos específicos e variarão em grau, de acordo com as assim
chamadas idades da vida.
Uma vez que o ponto inicial cronológico das natividades humanas é o
momento mesmo da conceção, mas potencialmente e acidentalmente o momento do
nascimento, nos casos para os quais o momento exato da conceção é conhecido
tanto por acaso quanto por observação, é mais acertado que o utilizemos para
determinar a natureza especial do corpo e da alma, examinando a força efetiva
da configuração das estrelas naquele momento. Pois, para a semente, são dadas
de uma vez por todas no começo tais e tais qualidades devidas ao ambiente, e
mesmo embora este possa mudar à medida que o corpo subsequentemente cresce, uma
vez que por processos naturais a matéria só se combina com o que é afim a ela,
assim o corpo se parecerá ainda mais com o tipo de sua qualidade inicial.
No entanto, se não se sabe o momento da conceção, o que normalmente é
o caso, devemos seguir o ponto inicial fornecido pelo momento do nascimento e a
este ponto prestar atenção, pois ele, também, é de grande importância e é
segundo ao anterior apenas em um aspeto, é que pelo anterior se pode prever
também eventos anteriores ao nascimento. Pois se alguém denominar o anterior de
“fonte”, por assim dizer, e o outro, “início”, sua importância no tempo, na
verdade, é secundária, mas é igual ou até mesmo mais perfeita em
potencialidade, e com razoável propriedade o primeiro seria chamado de gênese
da semente humana e o último de gênese de um homem.
Ao nascer, a criança e a sua forma corporal recebem muitos atributos que
não possuíam antes, quando estavam no útero, aqueles próprios atributos, na
verdade, que pertencem à natureza humana isolada; e, mesmo se parecer que o
ambiente no momento do nascimento não contribui nada para a sua qualidade, ao
menos o próprio fato de a criança vir à luz sob a conformação apropriada dos
céus contribui, uma vez que a natureza, após a criança estar perfeitamente
formada, gera o impulso para o seu nascimento sob uma configuração de forma
similar àquela que governou a formação detalhada da criança, em primeiro lugar.
Da mesma forma, pode-se com razão acreditar que a posição das estrelas no
momento do nascimento é importante para coisas deste tipo, mas não, no entanto,
pela razão de que seja causativo no sentido completo, mas que, por necessidade
e por natureza ela tem, potencialmente, força causativa muito similar.
Uma vez que nosso propósito atual é tratar esta divisão, da mesma
forma, sistematicamente, com base na discussão introduzida no início deste
compêndio, sobre a possibilidade de previsão deste tipo, devemos evitar
apresentar o antigo método de previsão, que utiliza a combinação de todas ou da
maior parte das estrelas, porque este método é multifacetado e, na prática,
infinito, se alguém tentar relatá-lo em detalhe. Além disso, ele depende muito
mais das tentativas particulares daqueles que realizam suas investigações
diretamente a partir da natureza, do que daqueles que podem teorizar com base
nas tradições, e além do mais devemos omiti-lo por causa da dificuldade em
utilizá-lo e em segui-lo. Estes procedimentos, através dos quais cada tipo de
coisa é apreendida pelo método prático, e pelas influências ativas das
estrelas, tanto especiais quanto gerais, devemos expor, na medida do possível,
de forma breve e consistente, de acordo com a conjetura natural.
Nosso prefácio deverá ser um relato dos locais nos céus aos quais se faz
referência quando eventos humanos particulares são considerados teoricamente,
um tipo de marca a qual se deve dirigir antes de proceder; a isso devemos
adicionar uma discussão geral das forças ativas dos corpos celestiais que
recebem familiaridades com estes lugares ao dominarem-nos – a soltura da
flecha, por assim dizer-; mas o evento previsto, a resultante da soma da
combinação de diversos elementos aplicados à forma subjacente, devemos deixar,
como para um arqueiro mais habilitado, aos cálculos daquele que conduz a
investigação. Em primeiro lugar, então, devemos discutir na sequência adequada
os assuntos gerais cuja consideração é conseguida através do momento do
nascimento, tomado como o ponto inicial, pois, como havíamos dito, ele fornece
uma explicação de todos os eventos naturais, mas, se houver vontade de fazer o
esforço adicional, pelo mesmo raciocínio as propriedades que caírem no momento
da conceção também serão úteis para assegurar as qualidades peculiares que se
aplicam diretamente à combinação.
2. Sobre o Grau do Ponto Horoscópico [Ascendente]
Com relação ao primeiro e mais importante fato, ou seja, a fração da
hora do nascimento, uma dificuldade normalmente surge; pois, em geral, somente
a observação através de astrolábios horoscópicos no momento do nascimento pode,
para observadores científicos, dar o minuto exato, enquanto praticamente todos
os outros instrumentos horoscópicos com os quais a maioria dos praticantes mais
cuidadosos contam são, com frequência, passíveis de erro; os instrumentos
solares, pela mudança ocasional de suas posições ou da inclinação de seu
ponteiro; os relógios de água, por paradas e irregularidades no fluxo, por
diferentes causas e por mero acaso.
Seria, então, necessário, que em primeiro lugar se desse um relato de
como se pode, por raciocínio natural e consistente, descobrir o grau do zodíaco
que esteja ascendendo, dado o grau da hora conhecida mais próxima do evento, o
que se descobre pelo método das ascensões.
Devemos, então, tomar a sizígia mais recente anterior ao nascimento, seja
ela uma Lua Nova ou Cheia; e, da mesma forma, tendo determinado precisamente o
grau dos luminares, caso a Lua seja Nova, ou o grau do luminar que estiver
acima da Terra, caso a Lua seja Cheia, observar quais estrelas o regem no
momento do nascimento.
Em geral, o modo do domínio é considerado como caindo em uma destas cinco
formas: triplicidade, domicílio, exaltação, termo e fase ou aspeto; ou seja, se
o ponto zodiacal em questão está relacionado em um, ou diversos, ou todos os
modos, com a estrela que seja a regente.
Se, então, descobrimos que uma estrela é familiar com o grau em todos ou na
maioria destes aspetos, qualquer grau, determinado por observação precisa, que
esta estrela esteja ocupando no signo pelo qual esteja passando, devemos julgar
que o grau correspondente está ascendendo no momento da natividade no signo que
esteja mais próximo, pelo método das ascensões. Mas se descobrirmos dois ou
mais corregentes, devemos utilizar o número de graus apresentado por qualquer
um deles que esteja, no momento do nascimento, passando pelo grau que esteja
mais perto do que esteja ascendendo, de acordo com o método de ascensões. No
entanto, se dois ou mais estiverem próximos no número de graus, devemos seguir
aquele que for mais proximamente relacionado com os centros e o séquito. Se, no
entanto, a distância do grau ocupado pelo regente até o grau do horóscopo geral
for maior do que sua distância até o meio-céu correspondente, devemos utilizar
o mesmo número para constituir o nível médio e portanto estabelecer os outros
ângulos.
3. A subdivisão da Ciência das Natividades.
Após esse prefácio, qualquer um que quiser, apenas por uma questão de
organização, tentar subdividir o campo da ciência genetliológica, encontraria
que, de todas as previsões naturais e possíveis, uma divisão é dedicada apenas
aos eventos anteriores ao nascimento, como a descrição dos pais; outra lida com
eventos anteriores e posteriores ao nascimento, como a descrição dos irmãos e
das irmãs; outra, com eventos no próprio momento do nascimento, um assunto que
não é tão unitário e simples; e, finalmente, a que trata dos assuntos
pós-natais, que é, da mesma forma, mais complexa no seu desenvolvimento
teórico. Entre os assuntos investigáveis contemporâneos ao nascimento estão o
do sexo, sobre os Gémeos, sobre monstros e sobre crianças que não sobrevivem.
Entre os que lidam com eventos posteriores ao nascimento está a descrição da
duração da vida, porque essa questão não está relacionada às crianças que não
vingam; em segundo lugar, a forma do corpo e as doenças corporais e os
ferimentos; em seguida, a qualidade da mente e as doenças mentais; em seguida,
a fortuna, tanto em questões de posses quanto de dignidade; então, descrições
da qualidade da ação; em seguida, o casamento e a geração de filhos, e as
associações, acordos e amigos; em seguida, as viagens, e finalmente a qualidade
de morte, o que é potencialmente similar à investigação sobre a duração da
vida, mas, por ordem, deve ser posta no fim de todos esses assuntos. Iremos
esboçar cada um desses assuntos de forma breve, explicando, como dissemos
antes, junto com as forças eficientes em si, o procedimento de investigação;
com relação aos disparates com a qual muitas pessoas desperdiçam o seu trabalho
e dos quais nenhum relato decente pode ser feito, iremos nos abster, preferindo
as causas naturais primárias.
Tudo o que, no entanto, admitir previsão, iremos investigar, não por meio
de Lotes e números dos quais não se pode dar uma explicação razoável, mas
somente por meio da ciência dos aspetos das estrelas aos locais com os quais
elas têm familiaridades, em termos gerais, no entanto, que são aplicáveis a
absolutamente todos os casos, para podermos evitar a repetição que envolve a
discussão dos casos particulares.
Em primeiro lugar, devemos examinar o local do zodíaco que seja pertinente
à questão da genitura que esteja sob investigação; por exemplo, o meio-céu,
para a investigação sobre a ação, ou o local do Sol para a questão sobre o pai;
então, devemos observar aqueles planetas que tenham uma relação de regência no
local em questão dos cinco modos ditos acima; caso um planeta seja o senhor de
todos esses modos, devemos apontá-lo como o regente da previsão; se forem dois,
ou três, devemos escolher o que tiver mais direitos.
Em seguida, para determinar a qualidade da previsão, devemos considerar as
naturezas dos planetas regentes em si e dos signos nos quais os planetas estão,
e dos locais a eles familiares. Para sabermos a magnitude do evento, devemos
examinar a sua força e observar se eles estão ativamente situados tanto no
cosmo quanto na natividade, ou não; pois eles são mais eficazes quando, com
relação ao cosmo, estão na sua própria região ou em alguma região familiar, e,
da mesma forma, quando estão ascendendo e aumentando seus números xvi; e, com
relação à natividade, se eles estiverem passando pelos ângulos ou signos que
ascendem após eles, especialmente os principais, ou seja, os signos ascendente
e culminante.
Eles são mais fracos, com relação ao universo, quando estão em locais
pertencentes a outros ou não relacionados com eles mesmos, e quando estão
ocidentais ou retrocedendo seu curso; e, com relação à natividade, quando estão
declinando dos ângulos. Para o momento do evento previsto em geral, devemos
observar se eles estão orientais ou ocidentais com relação ao Sol e ao
ascendente; os quadrantes que os precedem e os que lhes são diametralmente
opostos são orientais, e os outros, que seguem, são ocidentais. Também devemos
observar se eles estão nos ângulos ou nos signos sucedentes, porque se eles
estiverem orientais ou nos ângulos, são mais eficazes no começo; se estiverem
ocidentais ou nos signos sucedentes, eles demoram mais a agir.
4. Sobre os Pais.
O modo de investigação, ao qual se deve aderir durante todo o tempo, é
exposto anteriormente. Devemos, então, começar, seguindo a ordem já
estabelecida, com a descrição dos pais, que vem primeiro.
O Sol e Saturno são, por natureza, associados à pessoa do pai e a Lua e Vénus
à da mãe e, da forma como eles estiverem dispostos uns em relação aos outros e
às outras estrelas, devemos julgar que está a questão dos pais. A pergunta
sobre sua fortuna e riqueza deve ser investigada por meio da doriforia xvii dos luminares; quando eles estiverem
cercados por planetas benéficos e por planetas do seu próprio séquito, no mesmo
signo ou no signo seguinte, as circunstâncias dos pais serão bastante
brilhantes, principalmente se as estrelas da manhã servirem o Sol e as do
entardecer servirem a Lua e os próprios luminares estiverem em locais
favoráveis, do modo já descrito. Além disso, se Saturno e Vénus, da mesma
forma, estiverem no oriente e nas suas faces, ou nos ângulos, devemos
considerar esse fato uma previsão de felicidade conspícua, de acordo com o que
é próprio e justo para cada pai. Por outro lado, se os luminares estiverem
sozinhos e sem planetas assistentes, isso indica uma posição inferior e
obscuridade para os pais, principalmente se Vénus ou Saturno não estiverem em
posição favorável.
Se, no entanto, eles tiverem assistentes, mas não planetas do mesmo
séquito, como quando Marte ascende logo após o Sol, ou Saturno após a Lua, ou
quando eles forem servidos por planetas benéficos em posição desfavorável ou
que não sejam do mesmo séquito, devemos entender que uma situação moderada e
sorte cambiante devam ser previstas para eles. Se a Parte da Fortuna, que
explicaremos mais tarde, estiver de acordo, na natividade, com os planetas que,
em uma posição favorável, assistem o Sol ou a Lua, as crianças receberão o
património intacto; se, no entanto, ela estiver em desacordo ou em oposição, e
não houver planeta servidor, ou se os planetas servidores foram maléficos, o
património dos pais será inútil para os filhos, ou mesmo prejudicial.
Com relação à duração maior ou menor de sua vida, deve-se investigar a
partir das outras configurações. No caso do pai, se Júpiter ou Vénus estiver em
qualquer aspeto com o Sol e com Saturno, ou se o próprio Saturno estiver em um
aspeto harmonioso com o Sol, seja em conjunção, sextil ou trígono, ambos
estando com força, devemos conjeturar uma vida longa para o pai; se eles forem
fracos, no entanto, a significação não é a mesma, embora isso não indique uma
vida curta. Se, no entanto, esta condição não estiver presente, mas Marte
estiver elevado com relação ao Sol ou Saturno, ou ascender logo após eles, ou
quando, mais uma vez, Saturno não estiver em harmonia com o Sol, mas estiver em
quartil ou em oposição, se eles estiverem declinando dos ângulos, os pais
simplesmente serão fracos, mas se eles estiverem nos ângulos ou ascendendo após
eles, eles terão vida curta ou serão passíveis de acidentes; de vida curta,
quando estiverem sobre os dois primeiros ângulos, o oriente e o meio do céu, ou
nos signos sucedentes, e passíveis de acidentes ou doenças quando estiverem nos
outros dois ângulos, o ocidente e o meio do céu inferior, ou nos seus signos
sucedentes. Marte, com relação ao Sol do modo descrito, destrói o pai de forma
súbita ou causa danos à sua visão; se ele estiver relacionado a Saturno, o pai
está em perigo de morte ou de tremores e febre ou de lesões por corte ou
cauterização. O próprio Saturno em um aspeto desfavorável com o Sol traz a
morte do pai por doença e enfermidades causadas pelo acúmulo de humores.
No caso da mãe, se Júpiter estiver em qualquer aspeto com a Lua e com
Vénus, ou se a própria Vénus estiver em harmonia com a Lua, em sextil, trígono
ou conjunção, quando elas estiverem com força, a mãe terá vida longa. Se, no
entanto, Marte estiver relacionado com a Lua ou com Vénus, ascendendo após ela
ou em quartil ou em oposição, ou se Saturno, da mesma forma, observar a própria
Lua, quando estiverem diminuindo xviii ou decaindo xix, mais uma vez a ameaça é
apenas de infortúnio ou doença; mas se eles estiverem ascendendo ou angulares,
a mãe terá vida curta ou será passível de dano. De forma parecida, ela terá
vida curta quando eles estiverem nos ângulos do leste ou nos signos que
ascendem após eles, e será passível de dano se eles estiverem nos ângulos do
oeste. Quando Marte, desta forma, observa a Lua crescente, traz morte súbita e
dano à vista para as mães; mas se a Lua estiver minguante, traz morte por
aborto ou coisas semelhantes, e danos por cortes e cauterização. Se ele
observar Vénus, causa morte por febre, enfermidades misteriosas e obscuras, e
ataques súbitos de doença. Saturno observando a Lua causa morte e enfermidades,
quando a Lua estiver oriental, por tremores e febre; quando ela estiver
ocidental, por úlceras uterinas e câncer. Devemos levar em consideração,
também, com relação aos tipos particulares de danos físicos, doenças, ou
mortes, as características especiais dos signos nos quais os planetas que
produzem a causa estão, os quais teremos ocasião mais apropriada para discutir
na própria natividade e, além disso, devemos observar, de dia, em particular ao
Sol e a Vénus, e de noite, Saturno e a Lua.
De resto, ao realizar essas investigações em particular, seria apropriado e
consistente considerar o local do séquito paterno ou materno como um ascendente
e investigar os tópicos restantes como se este novo mapa fosse a natividade dos
próprios pais, seguindo o procedimento para a investigação das classificações
gerais, tanto práticas quanto casuais, cujos títulos serão dados a seguir. No
entanto, tanto aqui quanto em qualquer outro lugar é bom lembrar o modo de
mistura dos planetas e, caso aconteça que os planetas que regem os locais sob
investigação não sejam de um mesmo tipo, mas sejam diferentes, ou tenham
efeitos opostos, devemos tentar descobrir os que têm mais direitos sobre o
lugar e os modos nos quais eles se superam em força em um caso particular, para
a regência dos eventos previstos. Isso é para que possamos, ou nos guiar em
nossa investigação pelas naturezas desses planetas, ou, se os direitos de mais
de um planeta forem de igual peso, quando os regentes estiverem juntos,
possamos calcular de forma bem-sucedida o resultado combinado da mistura das
suas diferentes naturezas; mas quando eles estiverem separados, devemos dar a
cada um deles, por sua vez, no tempo adequado, os eventos que pertencem a cada
um, primeiro para o mais oriental entre eles e então para o mais ocidental.
Um planeta deve, desde o começo, ter familiaridade com o local no qual a
investigação é feita, para exercer algum efeito nela, e, em geral, se esse não
for o caso, um planeta que não tiver nenhuma parcela no início não pode exercer
grande influência; no momento da ocorrência do evento, no entanto, a dominância
original não é mais a causa, mas a distância do planeta que domina, de qualquer
forma, a partir do Sol e dos ângulos do universo.
5. Sobre os Irmãos e Irmãs
A seção anterior talvez tenha esclarecido o tópico dos pais.
Com relação aos irmãos, se aqui, também, se examinar apenas o assunto geral
e não se ultrapassar os limites da possibilidade dessa investigação sobre o
número exato e outros detalhes, é mais natural considerar, quando a questão é
apenas dos irmãos de sangue, o signo culminante e o local da mãe, ou seja, onde
está Vénus de dia e a Lua de noite; pois, nesse signo e no seguinte está o
local das crianças da mãe, que deve ser o mesmo que o local dos irmãos do
nativo xx.
Se, portanto, os planetas benéficos estiverem em aspeto com esse local,
devemos prever uma abundância de irmãos, baseando a nossa conjetura no número
de planetas e se eles forem signos de forma simples ou bicorpórea. No entanto,
se os planetas maléficos os sobrepujarem ou estiverem em oposição a eles,
haverá uma escassez de irmãos, especialmente se o Sol estiver entre eles. Se a
oposição for nos ângulos, especialmente no horóscopo, no caso de Saturno estar
no ascendente, eles serão os primogênitos ou os primeiros a vingar; no caso de
Marte, há um pequeno número de irmãos por causa da morte dos outros. Se os
planetas que indicam os irmãos estiverem em uma posição mundana favorável,
devemos acreditar que os irmãos significados serão elegantes e distintos; se o
contrário for o caso, humildes e inconspícuos. Se, entretanto, os planetas
maléficos sobrepujarem os que indicam os irmãos, ou ascenderem após eles, os irmãos
também terão vida curta; e os planetas masculinos no sentido mundano indicam
homens, e os planetas femininos mulheres; mais uma vez, os mais ao leste serão
os primeiros e os mais ao oeste nascerão mais tarde. Além disso, se os planetas
que indicam irmãos estiverem em um aspeto harmonioso com o planeta que rege o
local dos irmãos, eles serão amistosos, e também viverão juntos, se fizerem um
aspeto harmonioso com a Parte da Fortuna; mas se estiverem em signos disjuntos
ou em oposição, produzirão irmãos briguentos, ciumentos e, na maioria dos
casos, intrigantes. Finalmente, caso alguém se interesse em investigar mais
detalhadamente, com relação aos indivíduos, é possível, mais uma vez,
considerar o planeta que significa os irmãos como o horóscopo e lidar com o
resto como uma natividade.
6. Se o Nativo é Homem ou Mulher
Agora que o tópico dos irmãos foi levado aos nossos olhos de modo
apropriado e natural, o próximo passo é iniciar a discussão de assuntos
diretamente relacionados ao nascimento, e em primeiro lugar tratar da
investigação do sexo do nativo. Isso não é determinado por nenhuma teoria
baseada em algum fator isolado, mas depende da posição dos dois luminares, do
horóscopo e das estrelas que tiverem alguma relação com eles, em particular com
sua disposição no momento da conceção, mas de forma geral também no momento do
nascimento. A situação inteira deve ser observada; se os três locais
mencionados acima e os planetas que os regem forem todos ou em sua maioria
masculinos, homens serão produzidos, se forem femininos, mulheres serão
produzidas, e nessa base a decisão dever ser tomada: devemos, no entanto,
distinguir os planetas masculinos e femininos do modo proposto na série
tabulada no começo desta compilação, da natureza dos signos nos quais eles estejam,
e da natureza dos próprios planetas, e além disso, a partir da sua posição com
relação ao universo, uma vez que eles se tornam masculinos quando estão no
leste e femininos no oeste; e, além disso, da sua relação com o Sol, pois, mais
uma vez, quando eles ascendem de manhã eles são masculinos, e são femininos
quando ascendem ao entardecer. Por meio de todos esses critérios deve-se
conjeturar qual planeta exerce o controlo preponderante sobre o sexo.
7. Sobre os Gémeos
Da mesma forma, com relação ao nascimento de dois ou mais, é apropriado
observar os mesmos lugares mencionados antes, ou seja, os dois luminares e o
horóscopo.
Para um evento desses é adequado observar a combinação que ocorre quando
dois ou três dos lugares estiverem em signos bicorpóreos, e particularmente
quando isso também acontecer com os planetas que os regerem, ou quando alguns
estiverem em signos bicorpóreos, e alguns estiverem dispostos em pares ou em
grupos maiores. Quando ambos os locais dominantes estiverem em signos bicorpóreos
e a maior parte dos planetas estiver configurada da mesma forma, então acontece
que até mesmo mais de dois são concebidos, uma vez que o número é conjeturado a
partir da estrela que causa a propriedade relacionada ao número xxi, enquanto o
sexo se vê a partir dos aspetos que os planetas fazem com relação ao Sol e à
Lua e ao horóscopo para a produção de homens ou mulheres, de acordo com os
modos indicados acima.
No entanto, sempre que este arranjo entre os planetas não apresentar os
luminares no ângulo do horóscopo, mas no meio-céu, as mães com esse tipo de
genitura xxii normalmente conceberão Gémeos ou até mesmo mais; em particular,
eles significam nascimentos múltiplos, de três homens, como na genitura de
Reis, quando Saturno, Júpiter e Marte estiverem em signos bicorpóreos e fizerem
o mesmo aspeto com os locais mencionados; de três mulheres, como na genitura
das Graças, quando Vénus e a Lua, com Mercúrio feminino, estiverem arranjados
da mesma forma; de dois homens e uma mulher, como na genitura dos Dióscoros
(Castor e Pólux), quando Saturno, Júpiter e Vénus estiverem ordenados dessa
forma, e de duas mulheres e um homem, como na genitura de Deméter e Coré,
quando Vénus, a Lua e Marte estiverem ordenados dessa forma. Nesses casos,
normalmente acontece que os filhos não se desenvolvem totalmente e nascem com
certas marcas corporais e, mais uma vez, os locais governados podem gerar
determinadas marcas incomuns e surpreendentes devidas à manifestação divina,
por assim dizer, desses prodígios.
8. Sobre Monstros
O assunto dos Monstros não é estranho à investigação presente, pois, em
primeiro lugar, nesses casos os luminares estão o mais longe possível do
horóscopo, ou não estão relacionados de nenhuma forma com ele, e os ângulos
estão separados pelos planetas maléficos.
Sempre, então, que uma disposição assim for observada, já que elas
frequentemente ocorrem em natividades humildes e sem sorte, mesmo que não sejam
genituras de monstros, deve-se olhar imediatamente para a última Lua nova ou
cheia precedente, e para o senhor dessa Lua e dos luminares do nascimento.
Porque, se os locais do nascimento, da Lua, e do horóscopo, todos ou sua
maioria, não estiverem relacionados com o local da sizígia anterior, a criança
provavelmente será monstruosa. Se os luminares forem encontrados em signos de
quatro patas ou com formas de animais, e os dois planetas maléficos estiverem
angulares, a criança nem pertencerá à raça humana; se nenhum benéfico for
testemunha dos luminares, mas os planetas maléficos o forem, ele será
completamente bestial, um animal de natureza selvagem e nociva; mas se Júpiter
ou Vénus forem testemunhas, ele será um dos tipos de animal que são
considerados sagrados, como por exemplo cães, gatos, e coisas assim; se
Mercúrio for testemunha, um dos que forem úteis ao homem, como pássaros,
porcos, bois, touros e animais parecidos.
Se os luminares forem encontrados em signos de forma humana, mas os outros
planetas estiverem dispostos do mesmo modo, o que nascerá será, na verdade, da
raça humana, ou participará, pelo menos, na natureza humana, mas será
monstruoso e inclassificável no caráter qualitativo, e as suas qualidades neste
caso, também, serão observadas a partir da forma dos signos nos quais os
planetas maléficos que separam os luminares ou os ângulos estejam. Agora, se
neste caso nenhum dos planetas benéficos for testemunha de qualquer dos lugares
mencionados, a prole será inteiramente irracional e, no sentido verdadeiro da
palavra, inclassificável; mas, se Júpiter ou Vénus for testemunha, o tipo de
monstro será honrado e gracioso, como é o costume com os hermafroditas ou os
assim chamados harpocratíacos, ou outros. Se Mercúrio for testemunha, junto com
o exposto acima, essa disposição produz profetas que também ganham dinheiro
dessa forma; mas, quando Mercúrio está sozinho, ele os torna sem dentes e
surdos e mudos, embora espertos e astuciosos.
9. Sobre as crianças que não vingam
Uma vez que ainda falta o relato das crianças que não vingam na discussão
dos assuntos relacionados com o nascimento em si, é apropriado ver que, por um
lado, esse procedimento está conectado com a pesquisa relacionada com a duração
da vida, uma vez que a questão, em cada caso, é do mesmo tipo; mas, por outro
lado, eles são distintos, porque há uma certa diferença no significado real da
investigação. A questão da duração da vida considera os que em geral sobrevivem
por períodos percetíveis de tempo, ou seja, não menos do que um trajeto
completo do Sol, e esse período é na verdade o que se entende por um ano; mas,
potencialmente, períodos menores do que esse, meses e dias e horas, são também
durações percetíveis de tempo. No entanto, a investigação relacionada às
crianças que não vingam se refere às que não atingem nenhum período de “tempo”,
definido dessa forma, mas perecem em uma duração menor do que “tempo” por
excesso de influência maléfica.
Por essa razão, a investigação da primeira questão é mais complexa; mas
essa é mais simples, porque é o caso simplesmente de, se um dos luminares for
angular e um dos planetas maléficos estiver em conjunção com ele, ou em
oposição, tanto em graus quanto em igualdade de distância xxiii, enquanto não
houver planetas benéficos fazendo nenhum aspeto, e se o senhor dos luminares
for encontrado nos locais dos planetas maléficos, a criança que nascer não
vingará; mas chegará imediatamente ao seu fim. Se isso ocorrer sem a igualdade
de distância, mas os raios dos planetas maléficos incidirem perto dos locais
dos luminares, e houver dois planetas maléficos, e se eles afligirem um ou
ambos dos luminares, por sucessão ou por oposição, ou se um afligir um luminar
e o outro atingir o outro, por sua vez, ou se um afligir por oposição e o outro
por suceder o luminar, deste modo também as crianças nascidas não viverão; pois
o número de aflições repele tudo o que for favorável à duração da vida devido à
distância do planeta maléfico através da sua sucessão.
Marte aflige particularmente o Sol por sucessão, e Saturno, a Lua; ao
contrário, em oposição ou posição superior Saturno aflige o Sol e Marte a Lua,
principalmente se eles ocupam, como regentes, os locais dos luminares ou do
horóscopo. Mas se houver duas oposições, quando os luminares estiverem nos
ângulos e os planetas maléficos estiverem em uma configuração isósceles, então
as crianças nascerão mortas ou semimortas. Nestas circunstâncias, se os
luminares estiverem se afastando da conjunção com um dos planetas benéficos, ou
estiverem em algum outro aspeto com eles, mas lançando, de qualquer modo, seus
raios às partes que os precedem, a criança que nascer viverá um certo número de
meses ou de dias, ou mesmo horas, igual ao número de graus entre o prorrogador
e o raio mais próximo dos planetas maléficos, em proporção à grandeza da
aflição e à força dos planetas regendo a causa.
Se, no entanto, os raios dos planetas maléficos caírem antes dos luminares,
e os dos benéficos depois, a criança que for exposta será adotada e viverá.
Mais uma vez, se os planetas maléficos sobrepujarem os benéficos que fizerem um
aspeto sobre a genitura, eles viverão em aflição e servidão; mas se os planetas
benéficos os sobrepujarem, eles viverão, mas como filhos supostos de outros
pais; e se um dos planetas benéficos estiver ascendendo ou se aplicando à Lua,
enquanto um dos planetas maléficos estiver se pondo, eles serão criados por
seus próprios pais. E os mesmos métodos de julgamento serão utilizados também
em casos de nascimentos múltiplos. Se um dos planetas que, dois a dois ou em
grupos maiores, fizerem um aspeto com a genitura estiver no poente, a criança
nascerá semimorta, ou um mero pedaço de carne, e imperfeita. Mas se os planetas
maléficos os sobrepujarem, a criança nascida sob essa influência não será
criada ou não sobreviverá.
10. Duração da vida
A consideração sobre a duração da vida é a mais importante das
investigações sobre os eventos após o nascimento, pois, como dizem os antigos,
é ridículo fazer previsões particulares a alguém que, pela constituição dos
anos de sua vida, jamais chegará ao momento dos eventos previstos. Essa
doutrina não é assunto simples, nem está isolado dos outros, mas é derivada, de
forma complexa, do domínio dos locais de maior autoridade. O método mais
agradável para nós e, além disso, em harmonia com a natureza, é o seguinte. Ele
depende inteiramente da determinação dos locais prorrogadores e das estrelas
que alimentam a prorrogação, e da determinação dos locais ou estrelas
destrutivas xxiv. Cada um desses é determinado da maneira seguinte:
Em primeiro lugar, devemos considerar os locais prorrogadores nos quais, de
qualquer forma, o planeta deve estar para receber o domínio da prorrogação; ou
seja, a décima-segunda parte do zodíaco ao redor do horóscopo, de 5° acima do
horizonte real até os 25° que restam, que estão ascendendo logo após o
horizonte; a parte em sextil destro a esses trinta graus, chamada de Casa do
Bom Daimon; a parte em quartil, o meio-céu; a parte em trígono,
chamada de Casa de Deus; e a parte oposta, o Ocidente. Entre estes, devem ser
preferidos, com relação ao poder de domínio, em primeiro lugar os que estiverem
no meio-céu, em seguida os do oriente, então os que estão no signo sucedente ao
meio-céu, em seguida os no ocidente, então os do signo ascendendo antes do meio
do céu; pois toda a região abaixo da Terra deve, como seria razoável supor,
devem ser desconsiderada, exceto aquelas partes que, no próprio signo
ascendente, estão subindo para a luz.
Da parte acima da Terra não se deve considerar tanto o signo disjunto do
ascendente, nem o que ascendeu antes dele, chamado de a Casa do Mau Daimon,
porque ele fere a emanação à Terra das estrelas que nele estão, e ele também
está declinando, e a exalação espessa e enevoada da humidade da Terra cria uma
turbidez e uma, por assim dizer, obscuridade tão forte que as estrelas não
aparecem com as suas cores ou magnitudes verdadeiras.
Após isso, mais uma vez, devemos tomar como prorrogadoras as quatro regiões
de maior autoridade, ou seja, o Sol, a Lua, o Horóscopo, a Parte da Fortuna,
bem como os regentes destes locais.
Sempre calcule a Parte da Fortuna como quantidade, em graus, tanto à noite
como de dia, da distância da Lua ao Sol, e estenda a mesma quantidade do
Horóscopo adiante na ordem dos signos seguintes, de modo que, quaisquer que
sejam as relações e os aspetos que o Sol tenha com o horóscopo, a Lua também
tenha com que a Parte da Fortuna, e que ela seja como um horóscopo lunar.
Desses todos, de dia daremos o primeiro lugar ao Sol, se ele estiver em
locais prorrogativos; se não, à Lua; e se a Lua também não estiver em um desses
locais, ao planeta que tiver mais relações de domínio com o Sol, com a
conjunção precedente, e com o Horóscopo; ou seja, quando, dos cinco métodos de
domínio existentes, ele tiver pelo menos três, ou mais; mas se isso não
ocorrer, finalmente, daremos preferência ao horóscopo.
À noite, prefira primeiro a Lua, em seguida o Sol, então os planetas com o
maior número de relações de domínio com a Lua, com a Lua Cheia precedente, e
com a Parte da Fortuna; por último, se a sizígia anterior tiver sido uma Lua
Nova, o horóscopo, mas se tiver sido uma Lua Cheia, a Parte da Fortuna.
Se ambos os luminares, ou o regente do próprio séquito, estiverem nos
locais prorrogadores, devemos considerar o luminar que estiver no local de
maior autoridade. Devemos, também, preferir o planeta regente de ambos os
luminares somente quando ele ocupar uma posição de maior autoridade e tiver uma
relação de domínio de ambos os séquitos.
Quando o prorrogador foi determinado, devemos, além disso, adotar dois
métodos de prorrogação. Um, na ordem dos signos sucedentes, deve ser utilizado
somente no caso do que é chamado de a projeção dos raios, quando o prorrogador
estiver no oriente, ou seja, entre o meio-céu e o horóscopo. Não se deve
utilizá-lo apenas, mas também o que segue a ordem dos signos precedentes, na
assim proporção horária xxv, quando o prorrogador estiver em locais que
declinem do meio-céu.
Sendo assim, os graus destrutivos na prorrogação que segue a ordem dos
signos precedentes são somente o grau do horizonte oeste, porque ele faz com
que o Senhor da Vida desapareça; e os graus dos planetas que assim se aproximam
ou testemunham simplesmente tiram ou adicionam anos à soma dos que estiverem
até uma distância do poente do prorrogador, e eles não destroem porque eles não
se movem na direção do local prorrogar, mas ele se move na sua direção. As
estrelas benéficas adicionam e as maléficas subtraem. Mercúrio, mais uma vez,
será incluído no grupo com o qual ele fizer aspeto. O número da adição ou da
subtração é calculada por meio da localização em graus em cada caso. O número
completo de anos é o mesmo que o número de períodos horários de cada grau,
horas do dia quando é de dia e horas da noite quando é de noite; isso deve ser
nosso cálculo quando eles estiverem no oriente, e a subtração deve ser feita em
proporção ao seu afastamento desse lugar, até quando, no seu poente, ele se
torna zero.
Na prorrogação na ordem dos signos sucedentes, no entanto, os locais dos
planetas maléficos, Saturno e Marte, são destrutivos, se estiverem se
aproximando de forma corpórea, ou projetarem seus raios de qualquer lugar que
seja, em quartil ou oposição, e às vezes, também, em sextil, de um signo que
observe, que seja obediente, ou que tenha o mesmo poder [com relação ao signo
do prorrogador]; o signo que estiver em quartil com o signo prorrogador na
ordem dos signos seguintes também é destrutivo.
Às vezes, também, entre os signos de ascensão longa, o aspeto de sextil é
destrutivo, quando estiver afligido, e entre os signos de ascensão curta o
trígono é destrutivo. Quando a Lua é o prorrogador, o local do Sol também é
destrutivo. Em uma prorrogação deste tipo, as aproximações dos planetas servem
tanto para destruir quanto para preservar, uma vez que eles estão na direção do
local prorrogativo. No entanto, não se deve pensar que esses locais sempre,
inevitavelmente, são destrutivos, mas somente quando eles estão afligidos, pois
eles são impedidos de destruir quando estão no termo de um planeta benéfico ou
quando um dos planetas benéficos projeta seus raios em quartil, trígono ou
oposição, tanto no próprio grau destrutivo quanto nas partes que o seguem, no
caso de Júpiter até 12, e no de Vénus, a menos de 8 xxvi; isso também ocorre
quando o prorrogador e o planeta que se aproxima estiverem corporalmente
presentes mas a latitude de ambos não for a mesma.
Quando existirem dois ou mais em cada lado, assistindo ou, ao contrário,
destruindo, devemos considerar qual deles prevalece, pelo número dos que
cooperam e por sua força; pelo número, quando um grupo for bem mais numeroso do
que o outro, e com relação à força, quando alguns dos planetas assistentes ou
destrutivos estiverem nos seus próprios lugares, e alguns não estiverem, e, em
especial, quando alguns estiverem ascendendo e outros se pondo.
Em geral, não devemos admitir qualquer planeta, tanto para destruir quanto
para ajudar, que esteja sob os raios do Sol, exceto que, quando a Lua for o
prorrogador, o local do Sol por si só é destrutivo, quando ele for modificado
pela presença de um planeta maléfico e não for melhorado por nenhum dos
planetas benéficos.
No entanto, o número de anos, determinado pelas distâncias entre o local
prorrogativo e o planeta destrutivo, não deve ser determinado de forma simples
ou leviana, de acordo com as tradições usuais, pois os momentos de ascensão de
cada grau, exceto quando o próprio horizonte leste for o prorrogador, ou algum
dos planetas que estiver ascendendo estiver nessa região for o prorrogador.
Apenas um método está disponível para quem considerar este assunto de uma forma
natural – calcular após quantos períodos equinociais o local do corpo seguinte
ou do seu aspeto irá chegar ao local do precedente no momento real do
nascimento, porque os períodos equinociais passam de forma uniforme pelo
horizonte e pelo meio-céu, ambos os quais estão relacionados com as proporções
das distâncias espaciais e, como é razoável, cada um dos períodos tem o valor
de um ano solar.
Sempre que o prorrogador e o local precedente estiverem de fato no
horizonte leste, devemos considerar os momentos de ascensão dos graus até o
local de encontro; após este número de períodos equinociais o planeta
destrutivo chega ao local do prorrogador, ou seja, ao horizonte leste. Mas,
quando ele estiver na verdade no meio-céu, devemos considerar as ascensões da
esfera reta nas quais o segmento, em cada caso, passa pelo meio-céu; e, quando
ele estiver no horizonte oeste, o número no qual cada um dos graus do intervalo
descende, ou seja, o número no qual os diretamente opostos a eles ascendem.
Se o local precedente, no entanto, não estiver nesses três limites mas nos
intervalos entre eles, neste caso os tempos das ascensões, descensões ou
culminações mencionadas acima não levarão os locais seguintes aos locais dos
precedentes, mas os períodos serão diferentes.
Um local é equivalente e similar aos outros se tiver a mesma posição na
mesma direção com referência tanto ao horizonte quanto ao meridiano. Isso é
quase completamente verdade considerando os que estão sobre um dos semicírculos
descritos através das seções do meridiano e do horizonte, cada um dos quais, na
mesma posição, perfaz a mesma hora temporal.
Mesmo se ele, caso a revolução esteja sobre os arcos mencionados acima,
atingir a mesma posição com relação tanto ao meridiano quanto ao horizonte, mas
fizer os períodos de passagem do zodíaco de forma desigual com relação a um
deles, do mesmo modo, nas posições das outras distâncias, ele fará as suas
passagens de forma desigual com relação ao primeiro.
Devemos, portanto, adotar apenas um método, pelo qual, se o local
precedente ocupar o oriente, o meio-céu, o ocidente, ou qualquer outra posição,
o número proporcional de períodos equinociais que levam o local seguinte a ele
poderá ser determinado. Após termos descoberto o grau culminante do zodíaco e,
além disso, o grau do local precedente e do subsequente, em primeiro lugar
devemos investigar a posição do precedente, quantas horas ordinárias ele está
distante do meridiano, contando as ascensões que ocorrem, de forma apropriada,
até o grau exato do meio-céu, seja acima ou abaixo da Terra, na esfera reta, e
as dividindo pela quantidade de períodos horários do grau precedente, diurno se
estiver acima da Terra e noturno se estiver abaixo.
No entanto, uma vez que as seções do zodíaco que estejam um número igual de
horas ordinárias distante do meridiano se localizam acima do mesmo semicírculo,
dos mencionados acima, também será necessário encontrar após quantos períodos
equinociais a seção subsequente estará distante do mesmo meridiano pelo mesmo
número de horas ordinárias que o precedente. Quando tivermos determinado isso,
devemos investigar quantas horas equinociais na sua posição original o grau do
subsequente estava distante do grau no meio-céu, mais uma vez, por meio de
ascensões da esfera reta, e quantas quando ele percorreu o mesmo número de
horas ordinárias que o precedente, multiplicando esses pelo número de períodos
horários do grau do subsequente.
Se, mais uma vez, a comparação das horas ordinárias estiver relacionada com
o meio-céu acima da Terra, elas serão multiplicadas pelo número de horas
diurnas, mas se estiver relacionada com o meio-céu abaixo da Terra, pelo número
de horas noturnas. Tomando os resultados das diferenças das duas distâncias,
devemos ter o número de anos para os quais a investigação foi feita.
Para tornar isso mais claro, suponhamos que o local precedente esteja no
início de Áries, por exemplo, e o subsequente no começo de Gémeos, na latitude
onde o dia mais longo dura catorze horas, e a magnitude horária do início de
Gémeos seja aproximadamente 17 períodos equinociais. Vamos pressupor que o
início de Áries esteja ascendendo, de modo que o início de Capricórnio esteja
no meio-céu, e o início de Gémeos esteja distante do meio-céu 148 períodos
equinociais. Agora, uma vez que o início de Áries está cinco horas ordinárias
distante do meio-céu diurno, multiplicando isso pelos 17 períodos equinociais,
que são os períodos de magnitude horária no início de Gémeos, uma vez que a
distância de 148 vezes está relacionada com o meio-céu acima da Terra,
deveremos ter, para esse intervalo, também 102 vezes. Assim, após 46 vezes, que
é a diferença, o local subsequente irá passar à posição do precedente.
Essa são quase exatamente os períodos equinociais da ascensão de Áries e Touro,
já que pressupomos que o signo prorrogador é o Horóscopo.
Da mesma forma, esteja o início de Áries no meio-céu, de modo que na sua
posição original o início de Gémeos esteja 58 períodos equinociais distante do
meio-céu. Portanto, uma vez que na sua segunda posição, o início de Gémeos deve
estar no Meio-céu, devemos ter, para essa diferença de distâncias, precisamente
essa quantidade de 58 períodos, nos quais, mais uma vez, porque o signo
prorrogativo está no meio-céu, Áries e Touro passam pelo meridiano.
Da mesma forma, esteja o início de Áries se pondo, de forma que o início de
Câncer esteja no meio-céu e o início de Gémeos esteja distante do meio-céu na
direção do signo precedente por 32 períodos equinociais. Mais uma vez, se o
início de Áries estiver seis horas ordinárias distantes do meridiano na direção
do ocidente, se multiplicarmos isso por 17 teremos 102 períodos, que será a
distância do início de Gémeos até o meridiano no qual ele se põe. Na sua
posição inicial ele também estava distante do mesmo ponto 32 vezes; portanto,
ele se moveu para o ocidente em 70 vezes a diferença; no mesmo período, Áries e
Touro descenderam e os signos opostos, Libra e Escorpião, ascenderam.
Vamos pressupor, agora, que o início de Áries não esteja em nenhum dos
ângulos, mas distante, por exemplo, três horas ordinárias do meridiano na
direção dos signos precedentes, de forma que o 18° grau de Touro esteja no
meio-céu, e na sua primeira posição o início de Gémeos esteja 13 períodos
equinociais distante do meio-céu acima da Terra na ordem dos signos seguintes.
Se, mais uma vez, multiplicarmos 17 períodos equinociais pelas três horas, o
início de Gémeos estará, na sua segunda posição, distante do meio-céu na
direção dos signos líderes 51 períodos equinociais, e ele fará, ao todo, 64
vezes. Mas ele fez 46 vezes pelo mesmo procedimento quando o local prorrogativo
estava ascendendo, 58 quando ele estava no meio-céu e 70 quando ele estava se
pondo.
Portanto, o número de períodos equinociais na posição entre o meio-céu e o
ocidente é diferente dos outros, sendo 64, e essa diferença é proporcional ao
excesso de três horas, uma vez que isso equivaleu a 12 períodos equinociais no
caso dos outros quadrantes no centro, mas 6 períodos equinociais no caso da
distância de três horas. Da mesma forma, em todos os casos que a proporção
aproximada for observada, será possível usar o método dessa forma mais simples.
Mais uma vez, quando o grau precedente estiver ascendendo, devemos empregar as
ascensões até o subsequente; se ele estiver no meio-céu, os graus da esfera
reta; e se estiver se pondo, as descensões.
No entanto, quando ele estiver entre esses pontos, por exemplo no intervalo
de Áries mencionado acima, devemos em primeiro lugar tomar os períodos
equinociais correspondentes a cada um dos ângulos em torno, e encontraremos,
uma vez que se pressupôs que o início de Áries estava além do meio-céu acima da
Terra, entre o meio-céu e o ocidente, que os períodos equinociais até o
primeiro grau de Gémeos do meio-céu distam 58, e do ocidente, 70.
Vamos determinar, agora, como foi proposto acima, quantas horas ordinárias
a seção precedente está distante dos dois ângulos, e qual a fração que eles
podem ter das seis horas ordinárias do quadrante; essa fração da diferença
entre as duas somas devemos adicionar ou subtrair do ângulo com o qual a
comparação é feita. Por exemplo, uma vez que a diferença entre os valores
mencionados acima, 70 e 58, seja 12 períodos, e pressupondo que o local
precedente esteja distante um número igual de horas ordinárias, três, de cada
um dos ângulos, ou seja, metade das seis horas, então, também tomando metade
dos 12 períodos equinociais e ou adicionando eles aos 58 ou subtraindo dos 70,
devemos encontrar que o resultado é 64 vezes. Se ele estivesse, no entanto,
distante duas horas ordinárias de qualquer um dos ângulos, que são um terço das
seis horas, mais uma vez devemos tomar um terço dos 12 períodos de excesso, ou
seja, 4, e assumindo que a remoção de duas horas foi a partir do meio-céu,
teremos adicionado isso aos 58 períodos, mas se ele tiver sido medido do
ocidente, teremos subtraído eles de 70.
O método de determinar a quantidade de intervalos temporais deve ser, deste
modo, ser seguido de forma consistente. Para o restante, devemos determinar em
cada um dos casos acima em que eles estejam se aproximando ou se pondo, na
ordem dos que ascendem mais rápido, os que são destrutivos, climatéricos xxvii
ou transicionais, de acordo com o que acontece com o encontro, se ele é
assistido ou afligido, da forma como já expusemos, e por meio da significação
particular das previsões feitas a partir dos ingressos temporais do encontro.
Quando ao mesmo tempo os locais são afligidos e os trânsitos das estrelas com
relação ao ingresso dos anos de vida aflige os locais de governo, devemos
entender que a morte é com certeza significada; se um deles é benéfico, crises
grandes e perigosas; se ambos são benéficos, apenas lentidão, danos, ou
desastres transitórios.
Nesses assuntos a qualidade especial é determinada pela familiaridade dos
locais ocorrentes com as circunstâncias da natividade. Algumas vezes, quando se
tem dúvidas de qual deve receber o poder destrutivo, não há nada evitando que
calculemos os eventos de cada um e então, os seguirmos, ao prever o futuro, os
eventos que concordam mais com os eventos passados, ou os observando todos,
como tendo força igual, determinando, do mesmo modo que o anterior, a questão
dos seus graus.
11. Sobre a forma e temperamento corporais
Agora que o procedimento sobre o assunto da duração da vida foi explicado,
entraremos na investigação da forma e do caráter do corpo, começando pela
discussão detalhada na ordem adequada, porque, também, naturalmente, as partes
corporais são formadas antes da alma; pois o corpo, porque é mais material,
traz quase a partir do nascimento as aparências naturais das suas
idiossincrasias, enquanto a alma apresenta os caracteres recebidos pela
primeira causa apenas mais tarde, e pouco a pouco, e as qualidades externas
acidentais só aparecem ainda mais tarde.
Devemos, então, em geral, observar que o horizonte leste e os planetas que
estão nele, ou que assumem a sua regência do modo já explicado; e, em
particular, também a Lua; por que é por causa do poder formativo desses dois
locais e dos seus regentes e através da mistura dos dois tipos, e além disso,
através das formas das estrelas fixas que ascendem ao mesmo tempo, que a
conformação do corpo é determinada; os planetas regentes têm mais poder dessa
maneira e as características dos seus planetas os ajudam.
O relato detalhado, então, de forma simples, é esse:
Em primeiro lugar, entre os planetas, Saturno, se estiver no oriente, faz
os nativos apresentarem pele escura, serem robustos, de cabelos negros e
encaracolados, de peito cabeludo, com olhos de tamanho moderado, estatura
média, e tendo um excesso de humidade e frio no temperamento. Se Saturno
estiver se pondo, os nativos terão a aparência escura, delgada, curta, com
cabelos lisos, pouco pelo no corpo, graciosos e de olhos negros; o temperamento
partilhará do frio e da secura xxviii.
Júpiter, como o regente das regiões mencionadas acima, quando está
ascendendo, faz os nativos terem a pele clara, mas de forma a terem uma boa
cor, com o cabelo moderadamente encaracolado e olhos grandes, altos, e aparência
de comando; seu temperamento é excedente em calor e humidade. Quando Júpiter
está se pondo, ele faz os seus nativos claros, com certeza, mas não, como
antes, de forma a terem uma boa cor, e com cabelo fraco ou mesmo carecas na
fronte e na coroa, e de estatura mediana; seu temperamento terá um excesso de humidade.
Da mesma forma, Marte, quando está ascendendo, faz seus nativos terem
compleição avermelhada e branca, altos e robustos, de olhos cinza, com cabelos
grossos, um pouco encaracolados, e com temperamento apresentando um excesso de
calor e secura. Quando ele estiver se pondo, ele os fazem apenas avermelhado,
de estatura mediana, com olhos curtos, sem muito pelo no corpo, e cabelo
amarelado e liso; seu temperamento excede no seco.
Vénus tem efeitos similares a Júpiter, mas torna seus nativos mais bem
formados, graciosos, feminis, efeminados na aparência, rechonchudos e luxuosos.
Por seu próprio poder ela faz os olhos serem brilhantes e bonitos.
Mercúrio, no oriente, torna os nativos pálidos, de tamanho médio,
graciosos, com olhos pequenos e cabelo moderadamente encaracolado, de
temperamento com excesso de calor. No ocidente ele os faz serem claros mas sem
uma boa coloração, com cabelos lisos e compleição verde-oliva, magra e delgada,
com olhos brilhantes e um pouco avermelhados e olhar rápido e fugaz; seu
temperamento excede em secura.
Os luminares cooperam com cada um desses planetas quando fazem um aspeto
com eles, o Sol tendendo a ter um efeito mais impressionante e robusto, e a
Lua, especialmente quando está se separando dos planetas, tende, em geral, a
uma melhor proporção e uma maior esbeltez, e a um temperamento mais húmido;
mas, nos casos particulares, o seu efeito é proporcional à qualidade especial
da sua iluminação, de acordo com o sistema de mistura explicado no início do
tratado. xxix
Mais uma vez, de forma geral, quando os planetas são estrelas da manhã e
determinam a aparência, fazem os corpos serem maiores; na sua primeira estação,
poderosos e musculares; quando estão se movendo para a frente, não muito bem
proporcionados; na sua segunda estação, bem fracos; e quando se põem,
completamente sem renome mas capazes de suportar durezas e opressão.
Da mesma forma os seus lugares, como dissemos, têm uma parte importante na
formação dos caracteres corporais e dos temperamentos. Em termos gerais, mais
uma vez, o quadrante entre o equinócio da primavera e o solstício de verão
torna o nativo favorecido na compleição, estatura, robusteza e nos olhos, e com
temperamento com excesso de humidade e calor. O quadrante entre o solstício de
verão e o equinócio de outono produz indivíduos com compleição moderadamente
boa, altura e robustez moderadas, com grandes olhos e cabelos grossos e
encaracolados, com excesso de calor e secura.
O quadrante entre o equinócio de outono e solstício de verão os faz
pálidos, delgados, enfermiços, com cabelos moderadamente encaracolados e bons
olhos, excedendo em secura e frio. O quadrante entre o solstício de verão e o
equinócio da primavera produz indivíduos de compleição escura, altura moderada,
cabelos lisos, com pouco pelo no corpo, um pouco graciosos e excedendo em frio
e humidade.
Em particular, as constelações, tanto dentro quanto fora do zodíaco que
possuem forma humana produzem corpos harmoniosos de movimento e bem
proporcionados; aquelas, no entanto, que têm forma diferente da humana,
modificam as proporções corporais para corresponder às suas próprias
peculiaridades, e de certa forma, tornam as partes correspondentes como as suas
próprias, maiores e menores, ou mais fortes e mais fracas, ou mais ou menos
graciosas.
Por exemplo, Leão, Virgem e Sagitário os tornam maiores; outros, como
Peixes, Câncer e Capricórnio, menores. Mais uma vez, como no caso de Áries,
Touro e Leão, as partes superiores e frontais os tornam mais robustos, e as
partes inferiores e traseiras mais fracas. Por outro lado, as partes anteriores
de Sagitário, Escorpião e Gémeos produzem maior magreza e as partes posteriores
maior robustez. Assim, também, Virgem, Libra e Sagitário tendem a torná-los
mais proporcionais e graciosos, enquanto Escorpião, Peixes e Touro os tornam
mais desajeitados e desproporcionais.
Assim também é com o resto xxx, e é bom que observemos e combinemos todas
essas coisas e façamos uma conjetura sobre o caráter que resulta da mistura,
com relação tanto à forma quanto ao temperamento do corpo.
12. Sobre danos corporais e doenças.
Uma vez que o assunto que vem a seguir é o relacionado com danos e doenças
do corpo, devemos expor, aqui, em ordem regular, o método de investigação
proposto para esse modo de pergunta, que é o seguinte. Nesse caso, também, para
obter uma compreensão geral, é necessário olhar para os dois ângulos do
horizonte, ou seja, o oriente e o ocidente, e especialmente para o próprio
ocidente e o signo que o precede, que é disjunto ao ângulo oriental xxxi.
Devemos também observar qual é o aspeto que os planetas maléficos fazem com
eles. Se um deles, ou ambos, estiverem relacionados com os graus sucessivos que
compões os lugares mencionados acima, tanto corporalmente quanto em quartil ou
oposição, devemos concluir que os nativos nascidos irão sofrer danos corporais
ou doenças, especialmente se um ou ambos os luminares também estiverem
angulares da forma descrita, ou em oposição.
Nesse caso, não apenas se um dos planetas maléficos estiver ascendendo após
os luminares, mas até mesmo se ele estiver ascendendo antes deles e for, ele
mesmo, angular, ele terá poder de produzir um dos danos ou doenças mencionadas,
como indicados pelos locais do horizonte e dos signos, bem como pelas naturezas
dos planetas que afligem e dos que são afligidos, além dos que fazem algum
aspeto com eles. As partes dos signos individuais do zodíaco ao redor da parte
afligida do horizonte indicarão a parte do corpo que será atingida pelo evento,
e se a parte indicada irá sofrer dano ou doença ou ambos; as naturezas dos
planetas produzem os tipos de eventos que irão ocorrer.
Das partes mais importantes do corpo humano, Saturno é o senhor da orelha
direita, do baço, da bexiga, da fleuma, e dos ossos; Júpiter é o senhor do
tato, dos pulmões, das artérias e do sêmen; Marte, da orelha esquerda, dos
rins, das veias e dos genitais; o Sol, da visão, do cérebro, do coração, dos
nervos e todas as partes direitas; Vénus, o olfato, o fígado e a carne;
Mercúrio, a fala e o pensamento, a língua, a bílis e as nádegas; a Lua, o
paladar, o estômago, a barriga, o ventre e todas as partes esquerdas.
Na maior parte dos casos, é um princípio geral que os danos ocorrem quando
os planetas maléficos significativos são orientais, e as doenças, ao contrário,
quando eles estão se pondo. A razão para isso é que essas duas coisas são
diferenciadas dessa maneira – um dano afeta o sujeito de uma vez por todas, e
não envolve dor duradoura, enquanto a doença incide sobre o paciente de forma
contínua ou em ataques bruscos.
Para examinar particularidades, algumas configurações significativas de
dano ou doenças devem ser observadas de forma especial, por meio dos eventos
que normalmente acompanham essas posições das estrelas. A cegueira em um olho
ocorre quando a Lua estiver em um dos ângulos mencionados, ou estiver em
conjunção xxxii ou cheia; ou quando estiver em algum outro aspeto com o Sol e
se aplicar a um dos aglomerados de estrelas do zodíaco, como, por exemplo, ao
aglomerado em Câncer, às Plêiades de Touro, à ponta da flecha de Sagitário, ao
ferrão de Escorpião e às partes de Leão ao redor da Coma Berenice, ou ao jarro
de Aquário; e sempre que Marte ou Saturno se moverem na direção da Lua, quando
ela estiver angular e minguante e eles estiverem ascendendo, ou quando eles
estiverem ascendendo antes do Sol, eles estando angulares.
Se, no entanto, eles estiverem em aspeto com ambos os luminares de uma vez,
no mesmo signo ou em oposição, como dissemos, estrelas da manhã com relação ao
Sol, e estrelas do entardecer com relação à Lua, eles afetarão ambos os olhos;
porque Marte traz cegueira causada por um golpe, pancada, espada ou fogo;
quando ele faz aspeto com Mercúrio, em locais de desporto ou exercício ou por
ataques de criminosos. Saturno causa cegueira por derrame, frio, glaucoma e
razões assemelhadas. Se Vénus estiver sobre um dos ângulos mencionados acima,
em particular o ocidente, se ela estiver unida com Saturno ou em aspeto com
ele, ou com ele trocou de domicílio xxxiii, e estiver inferior a Marte ou em
oposição a ele, os homens que nascerem serão estéreis, e as mulheres serão
sujeitas a sofrerem abortos, nascimentos prematuros, ou mesmo embriotomias, em
particular em Câncer, Virgem e Capricórnio.
Se a Lua, ao ascender, se aplicar a Marte, e se ela também fizer o mesmo
aspeto a Mercúrio que Saturno faz, enquanto Marte, mais uma vez, está elevado
acima dela ou em oposição, as crianças nascidas serão eunucos ou hermafroditas,
ou não terão os dutos ou orifícios naturais. Assim, se o Sol também fizer um
aspeto, se os luminares e Vénus forem tornados masculinos, se a Lua estiver
minguante, e se os planetas maléficos estiverem se aproximando nos graus
sucedentes, os meninos que nascerem não terão órgãos sexuais ou os terão
danificados, em particular em Áries, Leão, Escorpião, Capricórnio e Aquário, e
as meninas serão estéreis.
Algumas vezes as pessoas com essa genitura também sofrem de problemas de
visão, mas os que sofrem com problemas de fala, de pronúncia, ou tem
dificuldades de fala, têm Saturno ou Mercúrio juntos com o Sol nos ângulos
mencionados acima, em particular se Mercúrio também estiver se pondo e ambos
fizerem algum aspeto com a Lua.
Quando Marte estiver presente com eles ele normalmente afrouxará o
impedimento da língua, após a Lua ter encontrado com ele. Mais uma vez, se os
luminares, juntos ou em oposição, se moverem na direção dos planetas maléficos
sobre os ângulos, ou se os planetas maléficos se moverem na direção dos
luminares, em particular quando a Lua estiver nos nodos ou nos pontos de
latitude máxima, ou em signos nocivos como Áries, Touro, Câncer, Escorpião ou
Capricórnio, aparecerão deformações do corpo, tais como corcundas,
arqueamentos, claudicações ou paralisia; congénitas, se os planetas maléficos
estiverem unidos com os luminares, mas se estiverem nos pontos do meio-céu,
elevados acima dos luminares ou em oposição um com o outro, as deformações
resultarão de graves perigos, como quedas de grandes alturas, quedas de telhados
de casas, ou ataques de assaltantes ou animais. Se Marte prevalecer, o perigo
vem do fogo, de ferimentos, de ataques biliosos ou assaltos; se for Saturno, do
colapso de edifícios, naufrágios ou espasmos.
Na maior parte dos casos os danos ocorrem quando a Lua está perto dos
signos solsticiais ou equinociais; em especial, no equinócio da primavera, o
que ocorre é lepra branca; no solstício de verão, herpes; nos equinócios de
outono, lepra; no solstício de inverno, verrugas e coisas parecidas. As doenças
são mais comuns quando, nas posições já descritas, os planetas maléficos estão
em aspeto, mas no sentido oposto, ou seja, as estrelas do entardecer, com
relação ao Sol e estrelas da manhã com relação à Lua. Em geral, Saturno faz
seus nativos ter friagem no ventre, aumento da fleuma, os torna reumáticos,
secos, fracos, biliosos, e passíveis de disenteria, tosses, obstrução, cólicas
e elefantíase; as mulheres são, além disso, sujeitas a doenças do útero. Marte
faz com que os nativos cuspam sangue, os torna melancólicos, enfraquece seus
pulmões, e causa úlceras; além disso, eles são constantemente irritados por
cortes ou cauterizações de suas partes íntimas devido a fístulas, hemorroidas
ou tumores, ou também úlceras ardentes, ou dores para ingerir; ele também aflige
a mulher, além disso, com abortos, embriotomias ou doenças corrosivas.
Por si só, eles também causam as propriedades das doenças, de acordo com as
naturezas, que já foram discutidas, dos planetas em aspeto, da forma como eles
se relacionam com as partes do corpo.
Mercúrio os assiste, principalmente, no prolongamento dos efeitos
maléficos, quando ele está aliado com Saturno, aumentará sempre o frio e porá
em atividade reumatismos e perturbações dos fluidos, em particular no peito, na
garganta e no estômago. Quando ele está aliado a Marte, ele se junta com a sua
força para produzir secura, como em casos de olhos ulcerados, cicatrizes,
abcessos, eripselas, herpes ou erupções de pele, bile negra, insanidade, a
doença sagrada, e coisas assemelhadas.
Algumas qualidades da doença são determinadas por mudanças nos signos
zodiacais onde estão as configurações mencionadas anteriormente, nos dois
ângulos. Câncer, Capricórnio e Peixes, em particular, e de forma geral os
signos atribuídos a animais terrestres e peixes causam doenças relacionadas a
problemas de ingestão, herpes, descamação, fístulas, elefantíase e outras.
Sagitário e Gémeos são responsáveis por aquelas que surgem de ataques e
desmaios ou convulsões epiléticas. Quando os planetas estão nos últimos graus
dos signos eles causam doenças e danos, especialmente nas extremidades, por
lesões ou reumatismos, dos quais resultam a elefantíase e, de forma geral, a
gota nos pés e nas mãos.
Uma vez que essa seja a causa, se não houver planetas benéficos fazendo
aspeto com os maléficos que promovem a causa, nem com os luminares nos centros,
os danos e as doenças serão incuráveis e dolorosos; isso também ocorre se eles
fizerem um aspeto mas os planetas maléficos estiverem com força e os
sobrepujarem. Mas se os planetas benéficos estiverem, eles mesmos, nas posições
de autoridade e sobrepujarem os planetas maléficos que tiverem a
responsabilidade pelo mal, então os danos não serão desfigurantes e não
causarão censura, e as doenças serão moderadas e passíveis de tratamento, e
poderão, às vezes, ser facilmente curadas, se os planetas beneficentes
estiverem ascendendo.
Júpiter normalmente faz os danos serem escondidos por meio de ajuda humana,
riquezas e honra, e as doenças serem mitigadas; em companhia de Mercúrio, seu
efeito se dá por remédios e a ajuda de bons médicos. Vénus faz com que
pronunciamento dos deuses e oráculos digam que as manchas sejam, de certa
forma, agradáveis e atrativas, e as doenças serão prontamente moderadas pela
cura divina; se, no entanto, Saturno estiver envolvido, a cura será acompanhada
por exibição e confissão das doenças, e coisas assim, mas se Mercúrio estiver
unido com ela, isso se dará com proveito de uso e ganho, através dos próprios
danos e doenças, àqueles que os possuírem.
13.Sobre a Qualidade da Alma xxxiv
O caráter, portanto, da pesquisa sobre as afeções corporais seria este. Sobre as qualidades da alma, aquelas que dizem respeito ao raciocínio e à mente são percebidas pela condição de Mercúrio observado na sua situação em particular; e as qualidades da parte sensitiva e irracional são descobertas a partir do luminar mais corpóreo, ou seja, a Lua, e dos planetas que estiverem configurados com ela nas suas separações e aplicações. No entanto, uma vez que a variedade dos impulsos da alma é grande, é razoável supor que essa investigação não será feita de forma simples ou isolada, mas por meio de muitas observações complicadas. Na verdade, as diferenças entre os signos onde estão Mercúrio e a Lua e entre os planetas que os dominam, podem contribuir muito para o caráter da alma, assim como os aspetos ao Sol e aos ângulos dos planetas relacionados com a classe de qualidades consideradas e a qualidade peculiar natural de cada um dos planetas relacionados com os movimentos da alma.
Entre os signos do zodíaco em geral, portanto, os signos solsticiais
produzem almas propícias para lidar com as pessoas, afeiçoadas à turbulência e
à atividade política, ávidas por glória e, além disso, tementes aos deuses,
nobres, móveis, inquisitivas, inventivas, boas de conjetura e hábeis na prática
da astrologia e da adivinhação. Os signos bicorpóreos tornam as almas
complexas, mutáveis, difíceis de compreender, leves, instáveis, inconstantes,
amorosas, versáteis, afeiçoados à música, preguiçosas, facilmente gananciosas,
sempre prontos a mudar de opinião. Os signos sólidos os tornam justos, não
afetados pela bajulação, persistentes, firmes, inteligentes, pacientes,
industriosos, austeros, controlados, tenazes no rancor, extorsivos,
contenciosos, ambiciosos, facciosos, gananciosos, duros, inflexíveis.
Com relação às configurações, posições no oriente e no horóscopo, e em
particular os que estão na sua própria face, produzem almas liberais, simples,
obstinadas, fortes, nobres, mordazes e abertas. As estações da manhã e as
culminações as tornam mais calculistas, pacientes, de boa memória, firmes,
inteligentes, magnânimas, que sempre conseguem o que desejam, inflexíveis,
robustas, rudes, não facilmente enganáveis, críticas, práticas, com tendências
a punir, dotadas de entendimento. As precessões e o poente as fazem facilmente
mutáveis, instáveis, fracas, incapazes de suportar trabalho, emocionais,
humildes, covardes, enganadoras, provocadoras, maçantes, de inteligência lenta,
difíceis de estimular. As estações do entardecer e a posição no meio-céu abaixo
da Terra, e principalmente, no caso de Mercúrio e de Vénus, quando são estrelas
da manhã de dia e estrelas do entardecer de noite, produzem almas nobres e
sábias, mas com memória medíocre, sem aptidão nem gosto para o trabalho duro,
mas investigadores das coisas ocultas e pesquisadores do desconhecido, por
exemplo, mágicos, adeptos dos mistérios, meteorologistas, fabricantes de
instrumentos e máquinas, conjuradores, astrólogos, filósofos, intérpretes de
augúrios, ou de sonhos, entre outros.
Quando, além disso, os governantes da alma, como explicamos no início,
estão nos seus próprios domicílios ou séquitos ou em domicílios ou séquitos
familiares, as propriedades da alma são abertos, desimpedidos, espontâneos e efetivos,
em especial quando os mesmos planetas regem os dois locais ao mesmo tempo, ou
seja, quando estão configurados com Mercúrio em qualquer aspeto e estão se
separando ou se aplicando à Lua; se eles não estão dispostos desta forma, no
entanto, mas estão em locais estranhos a eles, as propriedades das suas
próprias naturezas ficam obscuras, indistintas, imperfeitas e ineficientes, com
relação à qualidade ativa da alma. As forças da natureza dos planetas que os
dominam ou o sobrepujam, no entanto, são vigorosas e prejudiciais aos nativos.
Assim, homens que, por causa da familiaridade dos planetas maléficos, são
injustos e maus, encontram seu impulso para prejudicarem-se uns aos outros de
forma fácil, desimpedida, segura e honrada, se esses planetas estiverem com
força, mas se forem sobrepujados pelos planetas do séquito oposto, esses homens
são letárgicos, ineficientes e facilmente punidos. Aqueles que, mais uma vez,
pela familiaridade dos planetas benéficos aos limites mencionados acima são
bons e justos, se esses planetas não forem sobrepujados, são felizes e possuem
uma boa reputação por sua bondade para com os outros, e, sem serem caluniados
por ninguém, continuam a se beneficiar da sua própria justiça; se, no entanto,
os bons planetas estiverem dominados por planetas opostos, eles, justamente por
causa de sua gentileza, bondade e compaixão, sofrem o desprezo e a censura, ou
até mesmo são prejudicados pela maior parte das pessoas.
Assim, portanto, é o método geral de investigação relacionado com o caráter.
Devemos considerar de forma breve, na ordem apropriada, os traços particulares
que resultam da própria natureza dos planetas, neste tipo de domínio, até que a
teoria da mistura tenha sido tratada em seus aspetos mais importantes.
Se Saturno for o único regente da alma e dominar Mercúrio e a Lua, se ele
estiver em uma posição dignificada com relação ao universo e aos ângulos, seus
nativos serão amantes do corpo, de vontade firme, pensadores profundos,
austeros, de propósito único, trabalhadores, ditatoriais, propensos a punir,
amantes da propriedade, avaros, violentos, acumuladores de tesouros e
ciumentos; mas se sua posição for a oposta, sem dignidade, eles serão sórdidos,
sem importância, de espírito mesquinho, indiferentes, com propósitos pequenos,
malignos, covardes, desconfiados, falantes do mal, solitários, chorosos, sem
vergonha, supersticiosos; sempre fatigados, sem sentimentos, maquinadores de
planos contra seus amigos, sombrios e sem cuidados com o corpo.
Saturno, aliado com Júpiter da forma descrita, mais uma vez em posições
dignificadas, torna os nativos bons, respeitosos com os mais velhos,
tranquilos, de mente nobre, prestativos, críticos, afeiçoados de posses,
magnânimos, generosos, de boas intenções, amantes dos seus amigos, gentis, sábios,
pacientes, filosóficos; mas nas posições opostas, ele os torna incultos,
loucos, facilmente assustáveis, supersticiosos, frequentadores de santuários,
pessoas que alardeiam em público suas doenças, suspeitosos, que odeiam seus
próprios filhos, sem amigos, que se escondem atrás das portas, sem
discernimento, sem fé, velhacos, tolos, venenosos, hipócritas, ineficientes,
sem ambição, afeitos a mudar de opinião, rígidos, difíceis de se conversar ou
de se aproximar, cautelosos, mas ao mesmo tempo tolos e submissos a abusos.
Saturno, aliado com Marte em posições honradas torna os nativos nem bons
nem maus, diligentes, francos, fanfarrões covardes, de conduta severa, sem
pena, desprezadores, rudes, contenciosos, imprudentes, desordenados,
enganadores, emboscadores, de raiva duradoura, imovíveis por rogos,
cortejadores da multidão, tirânicos, ambiciosos, odiadores da cidadania,
afeitos a brigas, malignos, maus por completo, ativos, impacientes,
tempestuosos, vulgares, bazófios, caluniadores, injustos, perigosos de se
menosprezar, odiadores da humanidade, inflexíveis, imutáveis, sempre ocupados,
mas ao mesmo tempo hábeis e práticos, não são suplantados pelos rivais, e
normalmente são bem-sucedidos na realização dos seus objetivos. Nas posições
opostas ele os faz ladrões, piratas, adulteradores, submissos a tratamento
desonroso, que lucram com coisas vis, sem Deus, sem afeição, insultadores,
ardilosos, assaltantes, mentirosos, assassinos, comedores de alimentos
proibidos, malfeitores, homicidas, envenenadores, ímpios, ladrões de templos e
de tumbas, e completamente depravados.
Aliado com Vénus em posições honradas, Saturno faz os nativos odiadores de
mulheres, amantes de antiguidades, solitários, desagradáveis ao encontro, sem
ambição, odiadores do belo, invejosos, ríspidos nas relações sociais, sem
companheiros, de opinião fixa, proféticos, dados à prática dos ritos
religiosos, amantes dos mistérios e das iniciações, executores dos ritos
sacrificiais, místicos, viciados em religião, mas dignificados e reverentes;
modestos, filosóficos, fiéis no casamento, autocontrolados, calculistas,
precavidos, que rapidamente se ofendem, e facilmente são levados, pelo ciúme, a
suspeitarem das suas mulheres.
Em posições do tipo oposto, ele os torna frouxos, lascivos, executores de
atos vis, sem discriminação e sem limpeza nas relações sexuais, impuros,
enganadores de mulheres e em particular da sua própria família, doentios,
censuráveis, depravados, odiadores do belo, fallit-findere (precipitados?),
faladores do mal, bêbados, servis, adulteradores, sem lei nas relações sexuais,
tanto ativos quanto passivos, tanto naturais quanto não-naturais, e desejosos
de procurar parceiros que lhes estejam proibidos por idade, posição ou lei, ou
procurar animais; ímpios, desdenhosos dos deuses, ridicularizando os mistérios
e os ritos sagrados, completamente sem fé, caluniadores, envenenadores,
trapaceiros que não se deterão por nada.
Saturno, com familiaridade com Mercúrio, em posições honradas torna seus
nativos intrometidos, investigadores, pesquisadores em assuntos de lei e
costumes, afeitos à arte da medicina, místicos, compartilhadores de ritos
secretos e ocultos, operadores de milagres, enganadores, que vivem apenas para
o presente, condescendentes, capazes de gerir negócios, astutos, amargos,
precisos, sóbrios, amigáveis, afeitos aos assuntos práticos, capazes de atingir
seus fins. Em posições desonrosas, ele os torna faladores frívolos, malignos,
sem pena nas suas almas, dados ao esforço, odiadores da própria família,
afeitos aos tormentos, à escuridão, gatunos noturnos, emboscadores, traidores,
antipáticos, ladrões, mágicos, envenenadores, falsários, sem escrúpulos,
azarados e, normalmente, malsucedidos.
Se Júpiter tiver o domínio isolado da alma, em posições honradas ele torna
os nativos magnânimos, generosos, tementes a Deus, honrados, amantes do prazer,
gentis, magnificentes, liberais, justos, afeitos a assuntos elevados, dignos,
que se preocupam com seus próprios assuntos, compassivos, afeitos à discussão,
beneficentes, apaixonados, com qualidades de liderança. Se ele estiver no tipo
oposto de posição, ele torna as suas almas similares, é verdade, mas na direção
de uma maior humildade, menor visibilidade e menor discernimento.
Por exemplo, em vez de magnanimidade, ele os concede prodigalidade; em vez
de reverência aos deuses, superstição; em vez de modéstia, covardia; em vez de
dignidade, presunção; em vez de bondade, simplicidade tola; em vez de elevação,
estupidez; em vez de liberalidade, indiferença, e assim por diante.
Júpiter, aliado com Marte em posições honradas, torna os seus nativos
rudes, belicosos, militares, administradores, incansáveis, indisciplinados,
ardentes, imprudentes, práticos, francos, críticos, eficientes, insolentes,
comandantes, dados a tramar, respeitáveis, viris, afeitos à vitória, mas
magnânimos, ambiciosos, passionais, sensatos, bem-sucedidos. Na posição oposta
ele os torna insolentes, sem discernimento, selvagens, implacáveis, sediciosos,
contenciosos, teimosos, difamadores, vaidosos, rapaces, que mudam com rapidez,
superficiais, que mudam de opinião com facilidade, instáveis, teimosos, não
confiáveis, insensatos, insensíveis, excitáveis, ativos, querelantes, pródigos,
fofoqueiros e de todas as formas instáveis e facilmente excitáveis.
Júpiter, aliado com Vénus, em posições honradas faz seus nativos puros,
amantes dos prazeres, amantes do belo, das crianças, dos espetáculos, e do
domínio das Musas, singelos, afeitos a quem os criou, de bom caráter,
beneficentes, compassivos, leais, religiosos, afeitos ao treinamento atlético,
afeitos à competição, sábios, apaixonados, charmosos de um modo digno,
magnânimos, justos, caridosos, afeitos ao aprendizado, de bom discernimento,
moderados e decorosos nos assuntos amorosos, afeitos à sua família, pios, justos,
ambiciosos, buscadores de glória, e no geral cavalheirescos.
Nas posições opostas ele os torna luxuriosos, amantes da vida mansa,
efeminados, afeitos à dança, feminis no espírito, pródigos nas despesas, maus
nas relações com mulheres, eróticos, lascivos, devassos, caluniadores,
adúlteros, amantes de ornamentos, moles, preguiçosos, dissolutos, dados a
encontrar faltas, passionais, que se adornam com frequência, de mente feminina,
apaixonados pelos ritos religiosos, alcoviteiros, frequentadores dos mistérios,
mas no entanto confiáveis e não patifes, mas graciosos, fáceis de abordar e
alegres, e inclinados à liberalidade mesmo no infortúnio.
Júpiter junto com Mercúrio em posições honradas torna os seus nativos
educados, afeitos à discussão, geômetras, matemáticos, realistas, oradores,
dotados, sóbrios, de bom intelecto, bons de conselho, homens de estado,
benfeitores, gerentes, de boa natureza, generosos, amantes da multidão,
astutos, bem-sucedidos, líderes, reverentes, religiosos, hábeis nos negócios, apaixonados,
amantes da própria família, bem-criados, filosóficos, dignificados. Nas
posições opostas ele os torna simples, tagarelas, tendentes a cometer erros,
desprezíveis, fanáticos, entusiastas religiosos, falantes de tolices,
inclinados a serem amargos, simuladores de sabedoria, tolos, fanfarrões,
estudantes, mágicos, de certo modo desordenados, mas bem informados, de boa
memória, professores e puros nos seus desejos.
Marte, com o domínio isolado da alma, em uma posição honrada, torna os seus
nativos nobres, comandantes, de espírito, militares, versáteis, poderosos,
aventureiros, precipitados, indisciplinados, indiferentes, teimosos, mordazes,
teimosos, desprezíveis, tirânicos, ativos, fáceis de se irarem, com qualidades
de liderança. Em uma posição do tipo oposto ele os torna selvagens, insolentes,
sedentos por sangue, criadores de perturbações, gastadores, de boca-grande, de
punhos rápidos, impetuosos, bêbados, rapaces, malfeitores, sem pena, inquietos,
loucos, odiadores da própria família, ímpios.
Aliado com Vénus, em posição honrada, Marte torna seus nativos agradáveis,
alegres, amigáveis, de vida mansa, felizes, brincalhões, sem arte, graciosos,
afeitos à dança, eróticos, artísticos, imitadores, amantes dos prazeres,
capazes de defender a própria propriedade, masculinos e dados a condutas
impróprias em assuntos de amor, mas ainda assim bem-sucedidos, circunspectos e
sensíveis, difíceis de serem condenados e discretos; além disso, passionais
tanto por mulheres jovens quanto por homens jovens, perdulários, irritadiços e
ciumentos. Nas posições contrárias ele os torna lúbricos, lascivos, devassos,
indiferentes, caluniadores, adúlteros, insolentes, mentirosos, enganadores,
sedutores tanto dos seus familiares quanto dos outros, ao mesmo tempo afeitos ao
prazer e insaciáveis, corruptores de mulheres e donzelas, aventureiros,
ardentes, insubordinados, traidores, mentirosos, facilmente influenciáveis e de
mente doentia, mas também dissolutos, afeitos a adornos, imprudentes, dispostos
a práticas vis e sem vergonha.
Aliado com Mercúrio, em posições honradas, Marte torna os seus nativos
líderes de exércitos, habilidosos, vigorosos, ativos, que não devem ser
desprezados, cheios de recursos, inventivos, sofísticos, meticulosos, patifes,
faladores, pugnazes, cheios de truques, instáveis, trabalhadores sistemáticos,
praticantes das artes do mal, de espírito penetrante, enganadores, hipócritas,
insidiosos, de mau caráter, intrometidos, inclinados à patifaria mas mesmo
assim bem-sucedidos e capazes de honrar contratos e fé com pessoas como eles
mesmos, e no geral prejudiciais aos seus inimigos e úteis aos seus amigos. Nas
posições opostas, ele os torna perdulários, avaros, selvagens, aventureiros,
audazes, fáceis de mudar de opinião, facilmente excitáveis, mentirosos,
ladrões, ímpios, perjuradores, sempre prontos a tomar a ofensiva, sediciosos,
amantes do fogo, criadores de perturbações no teatro, insolentes, piratas,
arrombadores, assassinos, falsificadores, vilões, bruxos, mágicos, feiticeiros,
homicidas.
Se Vénus sozinha recebe o domínio da alma, em uma posição honrada ela torna
os nativos agradáveis, bons, luxuriosos, eloquentes, asseados, alegres, afeitos
à dança, ávidos por beleza, odiadores do mal, amantes das artes, afeitos aos
espetáculos, decorosos, saudáveis, sonhadores de sonhos agradáveis, afetuosos,
beneficentes, compassivos, fastidiosos, fáceis de se conciliar, bem-sucedidos
e, em geral, charmosos. Nas posições opostas ela os torna sem cuidados,
eróticos, afeminados, feminis, tímidos, indiferentes, depravados, censuráveis,
insignificantes e merecedores de censura.
Unida com Mercúrio, em posições honradas Vénus os torna artísticos,
filosóficos, dotados de entendimento, talentosos, poéticos, amantes das musas,
amantes da beleza, de bom caráter, buscadores de diversão, luxuriosos, felizes,
afeitos aos amigos, pios, sagazes, cheios de recursos, intelectuais,
inteligentes, bem-sucedidos, que aprendem fácil, que buscam o melhor,
imitadores da beleza, eloquentes e agradáveis no falar, que exigem afeição, de
caráter bem-ordenado, sinceros, afeitos ao atletismo, retos, de bom julgamento,
magnânimos; em assuntos de amor, comedidos nas suas relações com mulheres mas
mais apaixonados por meninos, e ciumentos. Nas posições contrárias, ele os
torna pugnazes, cheios de recursos, faladores do mal, instáveis, de más
intenções, enganadores, agitadores, mentirosos, caluniadores, perjuradores,
patifes completos, tramadores, sem fé, não confiáveis, adulteradores,
corruptores de mulheres e crianças; além disso, adornadores de si mesmos,
bastante afeminados, maliciosos na censura e na fofoca, tagarelas, vilões, às
vezes fingindo atos visando à corrupção e às vezes os realizando de verdade, se
prestando a atos vis e os realizando, e sujeitos a todos os tipos de tratamento
vil.
Mercúrio, por si só, quando recebe o domínio da alma em uma posição honrada
torna os que nascem sob ele sábios, astutos, pensativos, eruditos, inventivos,
experientes, bons calculistas, pesquisadores da natureza, especulativos,
talentosos, imitadores, beneficentes, prudentes, bons de conjeturas,
matemáticos, partilhadores dos mistérios, bem-sucedidos na realização dos seus
objetivos. Na posição contrária ele os torna completos patifes, precipitados,
esquecidos, impetuosos, de mente superficial, volúveis, que mudam facilmente de
opinião, tolos desonestos, desmiolados, pecaminosos, mentirosos, sem
discernimento, instáveis, não confiáveis, avaros, injustos e, de forma geral,
de discernimento fraco e inclinados a maus atos.
O que foi dito acima é verdadeiro; no entanto, a condição da Lua, em si,
também contribui de alguma forma. Quando a lua está no ponto de retorno, nos
limites xxxv norte ou sul, ela ajuda, com relação ao caráter da alma, na
direção de maior versatilidade, recursos, e capacidade de mudança; nos nodos,
na direção de maior agudeza, atividade, e excitabilidade; além disso, quando
está ascendendo e durante o aumento da sua iluminação, na direção de maiores
dotes naturais, renome, firmeza e franqueza; e na diminuição da sua luz, na
direção de maior lentidão e embotamento, menor fixidez de propósito, maior
precaução e menos renome.
O Sol também auxilia, quando tem familiaridade com o planeta que governa o
temperamento da alma; em uma posição honrada, o modifica na direção da justiça,
do sucesso, da honra, da dignidade, e da reverência com os deuses, mas na
posição estranha e oposta o torna mais humilde, áspero, com uma vida mais
difícil e de forma geral menos bem-sucedido.
14.Doenças da Alma
Já que o relato das principais doenças da alma, em um certo sentido, segue o das características da alma, é, de forma geral, necessário notar e observar as posições de Mercúrio e da Lua um com relação ao outro, aos ângulos e com os planetas cuja natureza seja causar dano; porque, se não estiverem relacionados um com o outro, ou com o horizonte leste, e forem sobrepujados, ou cercados, ou estiverem em oposição com estrelas não familiares em um aspeto prejudicial, eles causarão a incidência de diversas doenças que afetam o caráter da alma. A sua interpretação, mais uma vez, deve ser calculada a partir das qualidades previamente descritas dos planetas que forem familiares aos locais no céu.
Na verdade, a maior parte das doenças mais moderadas já foi, de certo modo,
descrita no que foi dito sobre o caráter da alma, e o seu aumento pode ser
discernido a partir do excesso de influências prejudiciais; pode-se se chamar
agora, com propriedade, de “doenças” os extremos de caráter que ficam aquém ou
além da média. Aqueles estados de espírito, no entanto, cuja desordem é de uma
proporção tão grande que podem ser chamados de patológicos, que estão
relacionados à natureza como um todo, estando relacionados tanto à parte
inteligente da alma quanto à sua parte passiva são, resumidamente, descritos da
forma seguinte.
Na maioria dos casos são epiléticos os que têm, em suas genituras, a Lua e
Mercúrio, como dissemos acima, sem relação um com o outro ou com o horizonte
leste, enquanto Saturno, de dia, ou Marte, de noite, está angular e no aspeto
descrito anteriormente. Eles são violentamente insanos quando, ao contrário,
nas mesmas condições, Saturno, de noite, e Marte, de dia, rege a posição, em
particular em Câncer, Virgem ou Peixes. Eles são afligidos por demônios e têm
água no cérebro quando os planetas maléficos estão nesta posição e controlam a
Lua em fase, Saturno quando ela está em conjunção, e Marte quando ela está
cheia, em especial em Sagitário e Peixes.
Quando os planetas maléficos são sozinhos e regem a configuração da forma
descrita, as doenças da parte racional da alma que mencionamos como sendo
causadas por eles são, com certeza, incuráveis, mas latentes e obscuras. Mas se
os planetas benéficos Júpiter e Vénus tiverem alguma familiaridade com eles
quando eles próprios estiverem nas partes oeste e os planetas benéficos
estiverem angulares no leste, as doenças serão curáveis, mas percetíveis; se o
planeta em questão for Júpiter, elas serão curáveis por tratamentos médicos,
uma dieta ou medicamentos; se Vénus, por oráculos e pela ajuda dos deuses.
Quando os próprios planetas maléficos estiverem angulares no leste e os
planetas benéficos estiverem se pondo, as doenças que eles causam serão
incuráveis, alvo de falatório e conspícuas; na epilepsia, as vítimas sofrerão
ataques contínuos, notoriedade, e perigo de morte; na loucura e nas convulsões,
eles causarão instabilidade, alienação dos amigos, rasgamento das roupas,
linguajar ofensivo, e coisas assim; em convulsões demoníacas, ou água no
cérebro, possessão, confissão, tormentos e manifestações semelhantes. De forma
mais detalhada, entre os lugares que possuem essa configuração, os do Sol e de
Marte ajudam a produzir loucura, os de Júpiter e Mercúrio, epilepsia; os de Vénus,
possessão divina e confissão pública, e os de Saturno e da Lua, acúmulo de água
e convulsões demoníacas.
A perversão mórbida da parte ativa da alma na sua natureza geral, portanto,
é produzida em algumas formas tais como descritas acima e é produzida por essas
configurações dos planetas. A perversão correspondente da porção passiva, como
no caso anterior vista nos casos extremos, é mais aparente nos excessos e
deficiências das faculdades masculina e feminina, comparado com o que é
natural, e a investigação é feita de forma similar, embora o Sol seja
considerado, junto com a Lua, em vez de Mercúrio, e a relação deles com Marte,
junto com Vénus, seja observada.
Quando esses planetas são investigados, se os luminares não forem
assistidos em signos masculinos, os homens excederão na qualidade natural, e as
mulheres na qualidade não natural, de forma a aumentar a virilidade e a
atividade da alma.
Porém, se, da mesma forma, Marte ou também Vénus, um deles ou ambos, se
tornarem masculinos, os homens serão viciados no intercurso sexual natural, e
serão adúlteros, insaciáveis, e prontos em todas as ocasiões para atos vis e
ilegais de paixão sexual, enquanto as mulheres serão ávidas por atos sexuais
antinaturais, olhares convidativos e serão o que chamamos de tríbades, porque
elas lidam com mulheres e realizam as funções dos homens. Se Vénus, sozinha,
estiver constituída de forma masculina, elas realizam essas ações em segredo e
não de forma aberta. Se Marte estiver configurado da mesma forma, esses atos
são realizados sem reservas, de forma que, às vezes, elas até mesmo designam as
mulheres com quem estão nesses termos como suas “esposas” perante a lei.
Por outro lado, quando os luminares da configuração mencionada não estão
assistidos e estão em signos femininos, as mulheres excedem na prática natural,
e os homens na prática antinatural, com o resultado de que suas almas se tornam
moles e afeminadas. Se Vénus também estiver feminina, a mulher se torna
depravada, adúltera e lasciva, com o resultado que elas podem se relacionar da
forma natural em qualquer ocasião e por qualquer um que seja, de forma que elas
não recusem absolutamente nenhum tipo de ato sexual, mesmo os vis ou ilegais.
Os homens, ao contrário se tornam afeminados e inseguros com relação às
relações antinaturais e às funções femininas, e são tratados como páticos
xxxvi, mas em privado e em segredo.
Se Marte, no entanto, também estiver feminino, sua sem-vergonhice é franca
e pública e eles realizam os atos mencionados acima de qualquer forma,
assumindo o disfarce de uma cafetina comum que se submete ao abuso geral e a
qualquer vileza até que sejam marcados com a censura e o insulto que acompanham
esses costumes. E as posições ascendentes e matutinas tanto de Marte quanto de
Vénus contribuem, para fazê-los mais viris e notórios, enquanto as posições
descendentes e vespertina aumentam a feminilidade e discrição. De forma
parecida, se Saturno estiver presente, a sua influência se junta com cada um
dos outros para produzir mais licenciosidade, impureza e desgraça, enquanto
Júpiter auxilia na direção de mais decoro, comedimento e modéstia, e Mercúrio
tende a aumentar a notoriedade, a instabilidade das emoções, a versatilidade e
a previdência.
Neste período (1350-1100 a.C., principalmente) surgem as primeiras representações clássicas de constelações, especialmente nos kudurrus (kudurreti em plural acádio, que significa “limite”, “fronteira” ou “território”).
Um kudurru é um memorandum com valor de ata referida a doações de terrenos e imóveis em benefício de uma comunidade ou personalidade importante. Um kudurru pode dia ter de dois a três metros de altura.
LIVRO IV
1.Introdução.
O dito acima pode ser considerado o que pode se aprender da investigação dos assuntos antecedentes à natividade e contemporâneos a ela, junto com os assuntos posteriores à natividade que se aplicam de forma apropriada à constituição do nativo ao revelar a qualidade geral do seu temperamento. Entre os acidentes externos, que deveriam ser tratados em seguida, a discussão da fortuna, tanto em riqueza quanto em honra, vem primeiro; da mesma forma que a fortuna material está associada com as propriedades do corpo, a honra pertence às propriedades da alma.
2.Sobre a Fortuna Material.
O que as aquisições materiais do nativo serão deve ser obtido da assim chamada “Parte da Fortuna”, que é descoberta, somente, no entanto, quando medimos, a partir do horóscopo, a distância entre o Sol e a Lua, em natividades diurnas e noturnas, pelas razões que estabelecemos na discussão sobre a duração da vida. Uma vez tendo-a determinado da forma acima, somos obrigados, então, a descobrir quem são os planetas que dominam o local onde ela está, e observar qual é a condição desses planetas em termos de força e de familiaridade, como especificamos no início. Além disso, devemos considerar os planetas que estão em aspeto com eles, ou aqueles do mesmo séquito ou do séquito oposto, que se elevam antes deles. Quando os planetas que governam a Parte da Fortuna estão fortes, eles tornam os nativos ricos, em particular quando têm o testemunho apropriado dos luminares; assim, Saturno traz riquezas vindas da construção, agricultura, ou negócios de navegação, Júpiter, de relações fiduciárias, tutelas, ou postos religiosos, Martes, de operações militares e comando, Vénus, de presentes de amigos ou mulheres e Mercúrio pela eloquência e pelo comércio.
E de uma forma especial, quando Saturno está associado com a fortuna
material, e estiver em aspeto com Júpiter, ele causa heranças, em particular
quando isso ocorre sobre os ângulos superiores e Júpiter estiver em um signo
bicorpóreo ou tiver a Lua se aplicando a ele. Nesse caso, os nativos são
adotados e herdam as posses de outros; e se os planetas do mesmo séquito que os
planetas regentes testemunharem a regência, eles retêm as posses sem perdas,
mas se os planetas do séquito oposto estiverem elevados com relação aos locais
de governo ou ascenderem após eles, trarão a perda das posses, e o período
geral é descoberto pela aproximação dos planetas causadores aos ângulos e aos
signos sucedentes.
3.Da Fortuna da Dignidade
Será necessário determinar as questões de dignidade e felicidade que resultam da posição dos luminares e a familiaridade deles com os planetas que os assistem. Se ambos os luminares estiverem em signos masculinos e um deles, ou ambos, estiverem angulares, em particular se o luminar do séquito estiver assistido xxxvii pelos cinco planetas, matutinos com relação ao Sol e vespertinos com relação à Lua, as crianças serão reis. Se os planetas que os assistem estiverem, eles próprios, angulares ou fizerem um aspeto com o ângulo superior xxxviii, as crianças nascidas continuarão a ser grandes, poderosas e regentes mundiais, e serão ainda mais afortunados se os planetas assistentes estiverem em posição destra com relação aos ângulos superiores. Se, no entanto, enquanto os outros estiverem nessa posição, o Sol, sozinho, estiver em um signo masculino, e a Lua estiver em um signo feminino, e um dos luminares estiver angular, eles serão apenas generais, com poder de vida e morte.
Se, entretanto, além disso os planetas assistentes não estiverem angulares
nem testemunhando os ângulos, eles serão apenas grandes e terão dignidades
parciais, que envolvem vestir ornamentos religiosos, ou os de superintendência
ou de comando militar, e não do primeiro escalão. Se os luminares, no entanto,
não estiverem angulares, e a maior parte dos planetas assistentes forem
angulares ou fizerem aspetos com os ângulos, eles não receberão as honras mais
visíveis, mas serão lideranças civis e terão avanços moderados nas suas
carreiras. Se, ainda assim, os planetas assistentes não estiverem associados
com os ângulos, eles serão obscuros nas suas ações e sem preferência, e serão
completamente humildes e miseráveis nas suas fortunas quando nenhum dos luminares
estiver angular, ou em um signo masculino, ou assistido pelos planetas
benéficos.
Esse esboço geral, portanto, da investigação que se apresenta perante nós,
envolve uma graduação das dignidades desta forma. Uma vez que há muitas
condições intermediárias entre esses graus, deve-se estimá-las a partir das
qualidades específicas dos próprios luminares, e as variações particulares da
forma como são assistidos, e o governo dessa assistência.
Se a assistência consistir de planetas do mesmo séquito, ou planetas
benéficos, uma maior independência e segurança existirá nas dignidades; mas se
o séquito oposto estiver envolvido, ou planetas maléficos, haverá dependência e
menor segurança.
O tipo de honra futura será prevista pela qualidade dos planetas assistentes,
se Saturno governar a assistência, ele trará poder baseado na riqueza e na
aquisição de posses, mas Júpiter ou Vénus significam poder baseado em favores,
honras e magnanimidade; Marte traz poder fundado no generalato, em vitórias, e
no medo dos subordinados, e Mercúrio, poder que depende de inteligência,
educação e cuidado e gerência dos negócios.
3.Sobre a Qualidade da Ação
O Senhor da ação é descoberto por dois métodos, a partir do Sol e do signo culminante. Será necessário, para isso, observar tanto o planeta que tenha feito sua aparição matutina mais próximo do Sol quanto o que está no meio-céu, em particular quando ele recebe uma aplicação da Lua; e se a mesma estrela ocupa ambas as posições, apenas ela deve ser empregada, e, da mesma forma, se nenhuma ocupar um desses lugares, devemos usar o que ocupa o outro lugar.
Se um planeta apareceu mais perto do Sol e outro está associado com o
meio-céu, e com a Lua, devemos usar ambos, dando preferência ao que, em razão
da sua força, tem o maior número de reivindicações de domínio de acordo com o
esquema que já expusemos. Mas se não houver nenhum planeta que tenha feito a
aparição matutina nem que esteja no meio-céu, devemos tomar o Senhor dessa
última região, com referência, no entanto, a investigações ocasionais do
assunto, para pessoas cujas genituras sejam, na maior parte dos casos,
inativas.
Assim, portanto, determinamos o planeta que governa a ação. A qualidade da
ação, no entanto, deve ser discernida do caráter dos três planetas, Marte, Vénus
e Mercúrio, e dos signos pelos quais eles estejam passando. Se Mercúrio
governar a ação, para tratarmos de forma geral, ele torna os nativos escribas,
homens de negócios, calculadores, professores, mercadores, banqueiros,
adivinhos, astrólogos e realizadores de sacrifícios, e de forma geral aqueles
que realizam as suas funções por meio de documentos, interpretação, e doações e
recebimentos. Se Saturno testificar por ele, eles serão gerentes das
propriedades de outros, intérpretes de sonhos, ou frequentadores de templos
para obter profecias e inspiração. Se Júpiter testemunhar, eles serão
legisladores, oradores, sofistas, que gostam da familiaridade com grandes
pessoas.
Se Vénus reger a ação, ela torna os nativos pessoas cujas atividades se dão
entre os perfumes de flores ou unguentos, vinho, cores, tinturas, temperos ou
adornos, como, por exemplo, vendedores de unguentos, tecelões, comerciantes de
temperos, pintores, fabricantes de adornos, proprietários de hospedarias,
tintureiros, vendedores de roupas. Se Saturno testificar por ela, ela os tornas
comerciantes de bens usados para prazer ou adorno, feiticeiros, fabricantes de
venenos, alcoviteiros e quem ganha a vida com ocupações similares. Se Júpiter
testificar, eles serão atletas, portadores de coroas, pessoas consideradas
merecedoras de honras e homens que recebem sustento de mulheres.
Marte, em aspeto com o Sol, torna os seus nativos pessoas que usam fogo
para fabricação dos seus objetos, como cozinheiros, moldadores, cauterizadores,
ferreiros, trabalhadores de minas; se ele não estiver com o Sol, pessoas que
trabalhem com o ferro, como construtores de navios, carpinteiros, fazendeiros,
trabalhadores de pedreiras, joalheiros, trabalhadores com madeira, e seus
empregados subordinados. Se Saturno testificar por ele, ele produz homens do
mar, extratores de água, construtores de túneis, pintores, encarregados da
caça, cozinheiros, embalsamadores. Se Júpiter testificar, ele produz soldados,
serventes, publicanos, donos de hospedarias, barqueiros, assistentes de
sacrifício.
Mais uma vez, quando dois planetas regem a ação, se Mercúrio e Vénus
tiverem a regência, eles causam ação expressada pelas artes das Musas,
instrumentos musicais, melodias ou poemas, e ritmo, em particular quando estão
em locais trocados xxxix. Eles produzem trabalhadores no teatro, atores,
comerciantes de escravos, fabricantes de instrumentos musicais, membros do
coro, fabricantes de cordas, pintores, dançarinos, tecelões e moldadores de
cera. Mais uma vez, se Saturno testificar a eles, ele produz aqueles das
atividades já mencionadas, bem como comerciantes de adornos femininos. Se
Júpiter testificar, ele produz advogados, supervisores de casas de contagem,
oficiais públicos, professores de crianças, lideres do populacho.
Se Mercúrio e Marte juntos assumirem a regência da ação, eles produzirão
escultores, fabricantes de armaduras, fabricantes de monumentos sagrados,
modeladores, lutadores, médicos, cirurgiões, acusadores, adúlteros,
malfeitores, falsificadores. Se Saturno testificar a eles, eles produzem
assassinos, ladrões, arrombadores, piratas, ladrões de gado, vilões. Se Júpiter
testificar, eles produzirão homens de armas, duelistas, pessoas energéticas,
inteligentes, ativas, que se intrometem nos assuntos dos outros e ganham a vida
assim.
Se Vénus e Marte dominarem a ação juntos, eles produzirão tintureiros,
perfumistas, trabalhadores de lata, chumbo, ouro e prata, fazendeiros,
dançarinos de armadura, farmacêuticos, médicos que usam medicamentos nos seus
tratamentos. Se Saturno testificar a eles, eles produzem assistentes de animais
sagrados, coveiros, pranteadores, flautistas de funerais, fanáticos, quem
procura qualquer lugar onde haja mistérios, lamentos e ritos sangrentos. Se
Júpiter testificar, serão frequentadores de templos, intérpretes de profecias,
portadores dos instrumentos sagrados, supervisores de mulheres, intérpretes de
casamentos e competições, ganhando a vida com essas ocupações, e ao mesmo
tempo, devotados ao prazer e imprudentes.
Da mesma forma, as naturezas específicas dos signos nos quais os regentes
da ação estão contribuem para a variedade da ação. Signos antropomórficos
promovem todos os tipos de atividade científica, bem como as atividades úteis
ao homem; os signos quadrúpedes assistem no que diz respeito a minas, comércio,
construção e carpintaria; os signos solsticiais e equinociais, às atividades
interpretativas, que envolvam escambo, ou estejam relacionadas a medições,
agricultura e religião; os signos terrestres e aquáticos, atividades em ou com
líquidos, ou as que são botânicas, ou estão relacionadas à construção de
navios, e além disso, enterros, ou conservas e salgas.
De forma especial, mais uma vez, se a Lua tiver o local da ação, e estiver
saindo de uma conjunção, com Mercúrio, em Touro, Capricórnio ou Câncer, ela
produz adivinhos, realizadores de sacrifícios e adeptos de lecanomancia;
em Sagitário ou Peixes, necromantes
e quem invoca demónios; em Virgem ou Escorpião, mágicos, astrólogos, profetas,
os que têm segunda visão; em Libra, Áries ou Leão, pessoas inspiradas pelos
deuses, intérpretes de sonhos e exorcistas.
Assim, portanto, as espécies particulares de ação serão conjeturadas por
esses meios, por combinações; sua amplitude deve ser descoberta do poder dos
planetas dominantes. Quando eles estão ascendendo ou angulares as ações que
eles causam são independentes, mas se eles estiverem se pondo ou declinando dos
ângulos, subordinadas; quando os planetas benéficos os sobrepujarem, grandes,
gloriosos, lucrativos, infalíveis e graciosos; mas se os planetas maléficos os
sobrepujarem, mesquinhos, sem proveito e falíveis. Com Saturno em oposição,
eles trazem frio e mistura de cores xl; com Marte, temeridade e notoriedade;
com ambos juntos, ruína completa da ação. Em geral, o período de aumento ou
diminuição, mais uma vez, é calculado por meio da posição, ao longo do tempo,
dos planetas responsáveis pelo efeito relativo aos ângulos leste e oeste.
5.Sobre o Casamento.
Uma vez que o assunto do casamento vem em seguida a esses assuntos, o método pelo qual a associação legítima de homem e mulher deve ser investigado é o seguinte. Para os homens, é necessário observar a posição da Lua nas suas genituras. Em primeiro lugar, se ela estiver nos quadrantes a leste, ela faz com que os homens se casem jovens ou casem com mulheres mais jovens que eles; mas se ela estiver nos quadrantes a oeste, eles se casam tarde ou com mulheres mais velhas.
Se ela estiver sob os raios do Sol e em Aspeto com Saturno, eles não se
casam de forma nenhuma. Mais uma vez, se a Lua estiver em um signo de uma
forma, ou estiver se aplicando a um dos planetas, elas o fazem homens de um só
casamento, mas se ela estiver em um signo bicorpóreo ou multiforme, ou se
aplicar a diversos planetas no mesmo signo, ela faz com que eles casem mais de
uma vez. E se os planetas aos quais ela se aplica, por proximidade ou por
testemunho, forem benéficos, os homens terão boas esposas; mas se forem
planetas maléficos, o oposto. Se ela se aplicar a Saturno, ele torna as esposas
trabalhadoras e rígidas; Júpiter, dignificada e boas administradoras; Marte,
arrojadas e indisciplinadas; Vénus, alegres, bonitas e charmosas; Mercúrio,
inteligentes e perspicazes. Além disso, Vénus, com Júpiter, Saturno, ou
Mercúrio as torna parcimoniosas e afeiçoadas aos seus maridos e crianças, mas
com Marte, facilmente iráveis, instáveis e insensíveis.
No caso das esposas deve-se observar o Sol nas suas genituras; pois se ele,
mais uma vez, estiver nos quadrantes a leste, ele faz com quem o tenha nessa
posição na genitura se case cedo ou com homens mais novos, mas nos quadrantes
oeste, elas se casam tarde ou com maridos mais velhos. Se o Sol estiver em um
signo de uma forma, ou se aplicar a um dos planetas orientais, elas casam
apenas uma vez; mas, mais uma vez, se ele estiver em um signo bicorpóreo ou
multiforme, ou em um aspeto com diversos planetas no leste, elas se casam mais
de uma vez.
Se Saturno, da mesma forma, fizer um aspeto com o Sol, elas se casarão com
maridos discretos, úteis e trabalhadores; se Júpiter fizer um aspeto,
dignificados e magnânimos; Marte, homens de ação, com pouca afeição, e
indisciplinados; Vénus, asseados e belos; Mercúrio, parcimoniosos e práticos;
Vénus com Saturno, lentos e bem fracos nas relações sexuais; Vénus com Marte,
ardentes, impetuosos e adúlteros; Vénus com Mercúrio, apaixonados por garotos.
Nesse assunto, com quadrantes leste, no caso do Sol, queremos dizer os signos
que antecedem o signo ascendente do zodíaco, e aqueles que antecedem o signo
que se põe; com relação à Lua, os signos entre as Luas novas e cheias e os
quartos; quadrantes oeste são os quadrantes opostos xli a estes.
Casamentos, na sua maior parte, são duráveis quando ambas em ambas as genituras os luminares estão em um aspeto harmonioso, ou seja, em trígono ou em sextil, um com outro, e de forma particular quando isso se dá por troca de locais xlii; ainda mais quando a Lua do marido está em um aspeto desses com o Sol da esposa. Divórcios sob pretextos triviais e alienações completas ocorrem quando as posições mencionadas acima dos luminares estão em signos disjuntos, ou em oposições ou em quartil. Se os planetas benéficos observarem os luminares quando os últimos estiverem em aspeto harmoniosos, o casamento será agradável, concorde e proveitoso, mas se os planetas maléficos os observarem da mesma forma, o casamento será tumultuado, desagradável e desvantajoso.
Da mesma forma, quando os luminares estiverem em posições desarmoniosas,
com os planetas benéficos testificando a eles, os casamentos não terminam, mas
passam por renovações e recordações, que preservam a amabilidade e a afeição;
mas os planetas maléficos causam o divórcio com abuso e violência.
Se Mercúrio somente estiver com eles, eles estarão envolvidos em
notoriedade e recriminações; se ele estiver com Vénus, adultério,
envenenamentos, e coisas assim. Casamentos que ocorrem de qualquer outra forma
devem ser julgados olhando-se para Vénus, Marte e Saturno. Se eles estiverem
com os luminares em familiaridade, devemos decidir que os casamentos também
serão domésticos e a relação será legítima. A relação do casamento seguirá a
relação que Vénus apresenta com cada um dos planetas mencionados, relacionada
com Marte, com pessoas da mesma idade, uma vez que eles têm suas exaltações em
signos que estão em trígono um com o outro; relacionada com Saturno, com uma
pessoa mais velha, uma vez que, novamente, eles possuem suas casas em signos que
estão em trígono um com o outro.
Portanto, Vénus, com Marte, produz somente disposições amorosas, mas se
Mercúrio estiver presente, também notoriedade; nos signos comuns e familiares,
Capricórnio e Peixes, uniões com irmãos ou parentes. Se, no caso dos homens,
Vénus estiver com a Lua, ela os torna unidos com duas irmãs ou parentes, e se,
no caso das mulheres, Vénus estiver com Júpiter, com dois irmãos ou parentes.
Mais uma vez, se Vénus estiver com Saturno, ela produz uniões apenas
agradáveis e firmes, mas se Mercúrio estiver presente, elas também serão
benéficas. Mas se Marte também estiver presente, o casamento será instável,
prejudicial e cheio de ciúmes. Se ela fizer o mesmo aspeto com eles, os
casamentos serão entre pessoas da mesma idade; mas se ela estiver mais aos
leste que eles, os casamentos serão com homens ou mulheres mais jovens, e se
ela estiver mais ao oeste, com mulheres ou homens mais velhos. Entretanto, se
Vénus e Saturno também estiverem em signos comuns, ou seja, Capricórnio ou Libra,
os casamentos serão entre parentes. Se a Lua estiver presente na combinação
mencionada acima quando ela estiver no horóscopo ou no meio-céu, os homens
casarão com as suas mães, ou com as irmãs de suas mães, ou com suas madrastas,
e as mulheres casarão com os seus filhos, com os irmãos de seus filhos, ou com
os maridos das suas filhas.
O Sol, em especial se os planetas estiverem se pondo, faz os homens casarem
com suas filhas, com as irmãs das suas filhas, ou com as esposas dos seus
filhos, e as mulheres casarem com seus pais, com os irmãos dos seus pais, ou
com seus padrastos. Se os aspetos entre Vénus e Saturno mencionados acima não
forem compostos de signos do mesmo gênero, mas estiverem em locais femininos,
produzirão indivíduos depravados, prontos sempre para a participação ativa ou
passiva, e em algumas formações, totalmente obscenos, por exemplo nas partes
anteriores e posteriores de Áries, nas Híades ou no Jarro de Aquário, nas
partes anteriores de Leão ou na face de Capricórnio.
Se a configuração, no entanto, for angular, nos dois primeiros ângulos, o
do leste e o do meio-céus, eles mostram abertamente suas anormalidades e as
cometem mesmo em locais públicos; nos dois últimos, ou seja, no ângulo oeste e
no ângulo norte, eles produzem eunucos ou homens ou mulheres estéreis, ou sem
as passagens naturais; se Marte estiver presente, homens que perderam seus
genitais, ou as assim chamadas tríbades.
Em geral devemos, no caso de homens, utilizar Marte para investigar o que
será a sua disposição com relação aos assuntos do amor. Se Marte estiver
separado de Vénus ou Saturno, mas tiver o testemunho de Júpiter, ele produzirá
homens que são limpos e decorosos no amor e que visam somente o seu uso
natural. Se ele estiver acompanhado somente por Saturno, produz homens
cautelosos, hesitantes e frígidos. Se Vénus e Júpiter fizerem aspeto com ele,
produzirá homens facilmente excitáveis e passionais, que são, no entanto,
continentes, com autocontrolo e evitam perder o decoro. Com Vénus sozinha, ou
se Júpiter também estiver com ela, mas Saturno estiver ausente, ele produz
homens lascivos, descuidados, que procuram seus prazeres de todos os lados; se
um dos planetas for uma estrela da tarde e o outro uma estrela da manhã, homens
que têm relações tanto com homens quanto com mulheres, mas sem serem
exageradamente inclinados a nenhum dos dois.
No entanto, se ambos forem estrelas da tarde, eles serão inclinados apenas
às mulheres, e se os signos do zodíaco forem femininos, eles mesmos serão
páticos. Se ambos forem estrelas da manhã, os homens serão infetados apenas com
o amor por garotos, e se os signos do zodíaco forem masculinos, com homens de
qualquer idade. Se Vénus estiver mais ao oeste, eles terão inclinações para
mulheres de baixo grau, escravas ou estrangeiras; se Marte estiver mais ao
oeste, com superiores, mulheres casadas, ou damas de alta categoria.
Nas genituras de mulheres deve-se examinar Vénus. Se Vénus fizer aspeto com
Júpiter, ou, do mesmo modo, com Mercúrio, ela as fará comedidas e puras no
amor. Se Saturno não estiver presente, mas ela estiver associada com Mercúrio,
ela as fará facilmente excitáveis e cheias de desejo, mas geralmente
cautelosas, hesitantes e evitando a torpeza. Se Vénus, no entanto, estiver
unida somente com Marte, ou fizer algum aspeto com ele, ela as torna lascivas e
depravadas e mais descuidadas.
Se Júpiter também estiver presente com eles, e se Marte estiver sob os
raios do Sol, elas terão relações com escravos, homens de classes inferiores ou
estrangeiros; mas se Vénus estiver nessa posição, elas se relacionarão com
homens de posições superiores, ou mestres, fazendo o papel de amantes ou
adúlteras; se os planetas estiverem femininos devido ao seu local ou a aspetos,
elas serão inclinadas apenas a serem passivas, mas se os planetas estiverem
masculinos elas serão tão depravadas a ponto de terem relações ativas com
homens.
No entanto, quando Saturno estiver associado com as configurações acima, se
ele mesmo estiver feminino, ele será a causa da licenciosidade, mas se estiver
ascendendo e em uma posição masculina, ele as tornará objetos de censura ou
amantes de pessoas assim xliii; mas a combinação com Júpiter, mais uma vez,
sempre dará uma aparência mais decorosa a essas faltas, e com Mercúrio, elas
serão mais notórias e menos seguras.
6.Sobre as Crianças
Uma vez que o tópico sobre as crianças segue o do casamento, devemos ter que observar os planetas que estão no meio-céu ou em aspeto com ele ou com o seu sucedente, ou seja, com a casa do Bom Daimon, ou, na falta de planetas assim, com os conectados com os locais diametralmente opostos; e devemos considerar que a Lua, Júpiter e Vénus proporcionam a geração de filhos, enquanto o Sol, Marte e Saturno indicam poucos filhos ou nenhum. Mercúrio deve ser tomado em comum com o grupo de planetas aos quais ele estiver em aspeto, e ele concederá filhos quando for uma estrela da manhã, e os negará quando for uma estrela da tarde.
Os planetas que concedem filhos, quando estiverem apenas nessa posição e
sozinhos, significam filhos únicos, mas se estiverem em signos bicorpóreos ou
femininos, ou estiverem nos signos fecundos, como Peixes, Escorpião ou Câncer,
significam dois ou até mesmo mais. Se tiverem uma natureza masculina, devido a
estarem em signos masculinos ou em aspetos com o Sol, significarão filhos
homens; mas se tiverem uma natureza feminina, filhas. Se os planetas maléficos
se elevarem acima deles, ou se ele estiverem em locais estéreis, como Leão ou
Virgem, eles significam filhos, mas não por muito tempo.
Quando o Sol e os planetas maléficos governarem os locais mencionados
acima, se estiverem em signos masculinos ou estéreis, e se não forem
sobrepujados pelos planetas benéficos, eles significam ausência completa de
filhos, mas se estiverem em signos femininos ou fecundos ou tiverem o
testemunho dos planetas benéficos, eles gerarão filhos, mas eles sofrerão danos
e terão vida curta. Se ambos os séquitos tiverem alguma relação com os signos
que significam a geração de crianças, haverá perdas entre as crianças
significadas, de todas ou de algumas, dependendo da superioridade dos planetas
de cada séquito que testemunha, o que encontrarmos em maior número, ou maior
força, devido as estarem mais ao leste, ou mais próximos dos ângulos, ou
estiverem superiores, ou forem sucedentes.
Se, então, os planetas que regem os signos mencionados acima estiverem
ascendendo, e forem significadores de crianças, se eles estiverem nos seus
próprios lugares, farão as crianças significadas serem famosas e ilustres; mas
se eles estiverem se pondo e em lugares pertencentes ao outro séquito, os
filhos serão humildes e obscuros. Se eles estiverem em harmonia com o horóscopo
e com a Parte da Fortuna, as crianças serão caras aos seus pais, atraentes, e
herdarão as suas propriedades; se, no entanto, eles estiverem disjuntos ou
opostos, eles serão briguentos, provocadores de confusões e caluniadores, e não
herdarão o patrimônio. Da mesma forma, se também os planetas que concedem
filhos estiverem em aspeto harmonioso uns com os outros, as crianças significadas
continuarão em afeição fraterna e respeito mútuo; mas se eles estiverem
disjuntos ou em oposição uns com os outros, a disposição das crianças será
briguenta e intrigante. Detalhes particulares, mais uma vez, podem ser
conjeturados usando em cada caso o planeta que concede filhos como o horóscopo,
e fazendo a investigação das questões mais importantes do resto da configuração
como em uma genitura.
7.Sobre os Amigos e os Inimigos
Com relação às disposições amigáveis e às opostas, as mais duradouras e profundas das quais chamamos amizades e hostilidades, e as menores e mais ocasionais, simpatias e desavenças, nossa investigação seguirá essa linha. Em questões relacionadas a assuntos de importância devemos observar os locais em ambas as natividades que têm a maior autoridade, ou seja, o do Sol, a Lua, o horóscopo e a Parte da Fortuna; porque, se eles caírem nos mesmos signos do zodíaco, ou se eles trocarem locais uns com os outros xliv, todos ou a maioria deles, e em particular se as regiões do horóscopo estiverem separadas por 17° xlv, eles trazem simpatia segura e indissolúvel, que não será quebrada por nenhuma desavença. No entanto, se eles estiverem em signos disjuntos ou opostos, eles produzem inimizades profundas e desavenças duradouras. Se eles não estiverem posicionados em nenhuma dessas formas, mas estiverem somente em signos que fazem aspeto uns com os outros, se eles estiverem em trígono ou em sextil, eles tornam as simpatias menores, e em quartil, as antipatias menores. Assim, surgem períodos de silêncio e de tagarelice nas amizades, sempre que os planetas maléficos estiverem passando por essas configurações, e tréguas e reconciliações nas inimizadas no ingresso dos planetas benéficos sobre eles. Há três classes de amizade e de inimizade, uma vez que os homens estão dispostos, uns aos outros por preferência, necessidade, ou prazer e dor; quando todos ou a maioria dos locais mencionados acima têm familiaridade um com o outro, a amizade é composta de todos os três tipos, bem como a inimizade, quando eles estiverem dissociados. No entanto, quando apenas os locais dos luminares estiverem em familiaridade, a amizade irá resultar da escolha, o que é melhor e mais correto tipo, e no caso de inimizade, o tipo pior e mais ímpio; da mesma forma, quando os locais das Partes da Fortuna são familiares, através da necessidade; e, quando os locais dos horóscopos forem familiares, através do prazer ou da dor.
Deve-se observar, com relação aos locais em aspeto, suas elevações e como
os planetas os observam. A maior autoridade e direção sobre a amizade ou
inimizade deve ser dada para a natividade na qual uma elevação da configuração
ocorrer, seja no mesmo signo como no local sucedente ou no local mais próximo
dele; e devemos dar o maior benefício na amizade e o maior sucesso na inimizade
às natividades nas quais a observação dos planetas for mais favorável em
benevolência e poder.
Nas simpatias e oposições ocasionais que surgem de tempos a tempos entre
indivíduos, devemos prestar atenção aos movimentos dos planetas em cada uma das
natividades, ou seja, em quais momentos as prorrogações dos planetas de uma
natividade atingem os planetas de outra. Amizades parciais e inimizades ocorrem
nesses momentos, prevalecendo pelo menos até o final da prorrogação, e no
máximo até que outro planeta atinja o lugar. Se Saturno e Júpiter se
aproximarem um do local do outro eles produzirão amizades através de
introduções, agricultura, ou herança; Saturno e Marte causam brigas e intrigas
intencionais; Saturno e Vénus, associações familiares, que, no entanto, esfriam
rápido; Saturno e Mercúrio causam casamentos e parcerias com vistas a trocas,
comércio, ou os mistérios. Júpiter e Marte causam associações por dignidades ou
gerência de propriedades; Júpiter e Vénus, amizades através de mulheres, ritos
religiosos, oráculos, e coisas assim; Júpiter e Mercúrio, associações para
discussão erudita baseada na inclinação filosófica. Marte e Vénus causarão
associações através do amor, adultério, ou relações ilegítimas, mas elas serão
inseguras e florescerão durante pouco tempo; Marte e Mercúrio produzem
inimizades, discussões barulhentas, e processos legais que surgem devido a
negócios ou envenenamentos. Vénus e Mercúrio produzem associações baseadas na
mesma arte ou domínio das Musas, ou uma introdução por carta ou por mulheres.
Devemos agora determinar o grau de intensidade ou de relaxamento das
simpatias e oposições a partir das relações entre os locais que os planetas
assumem e dos quatro locais principais e de maior autoridade, pois se eles estiverem
sobre o ângulos ou sobre a Parte da Fortuna ou nas casas dos luminares, sua
força é muito mais visível, mas se eles estiverem afastados deles, eles são
insignificantes. A associação será mais prejudicial ou mais benéfica aos
associados de acordo com o caráter para o bem ou para o mal dos planetas que
observam os locais nomeados.
O tópico especial sobre a descrição dos escravos e a simpatia ou antipatia
dos seus mestres com relação a eles é elucidado pela casa do Mau Daimon e da
adequação dos planetas que observam esse lugar tanto na própria natividade e
nos seus ingressos e oposições a ele, em particular quando os senhores do signo
estiverem ou em aspeto harmonioso com os locais principais da natividade, ou no
caso oposto.
8.Sobre Viagens ao Exterior.
O tópico sobre viagens ao exterior recebe o seu tratamento observando-se a posição dos luminares com relação aos ângulos, ambos, mas em particular a Lua. Quando a Lua estiver se pondo ou declinando dos ângulos, ela significa jornadas ao estrangeiro ou mudanças de lugar. Marte, às vezes, também, tem uma força similar, quando ele estiver se pondo ou quando ele mesmo também estiver declinando do meio-céu, quanto ele estiver em oposição ou quartil aos luminares. Se a Parte da Fortuna também cair entre o signo que causa viagem, os nativos passarão as suas vidas inteiras fora do próprio país e terão todas as suas relações pessoais e de negócios lá. Se os planetas benéficos observarem os locais mencionados acima ou os sucederem, suas atividades no estrangeiro serão honradas e proveitosas e o seu retorno rápido e desimpedido; mas se os planetas maléficos os observarem, sua jornada será laboriosa, prejudicial e perigosa, e o retorno difícil, embora, em cada caso, a mistura de influências seja levada em consideração, determinada pelo domínio dos planetas que fazem um aspeto com esses locais, como explicamos em primeiro lugar.
Em geral, acontece que, se os luminares caírem nas partes mais baixas dos
quadrantes leste, a viagem é para as partes leste ou sul do mundo, mas se nos
quadrantes oeste ou no próprio ocidente, para o norte e para o oeste; e se os
signos zodiacais que causaram a viagem forem os de forma única, eles ou os
planetas que os regem, as viagens serão feitas a grandes intervalos e em
algumas ocasiões determinadas; mas se eles forem signos bicorpóreos, ou de
forma dupla, eles viajarão continuamente e por muito tempo. Se Júpiter e Vénus
forem os regentes dos locais que governam a viagem, e dos luminares, eles
tornarão as jornadas não apenas seguras mas também agradáveis; os nativos serão
enviados para sua jornada ou pelo líder do país ou pelos recursos de seus
amigos, e as condições favoráveis de tempo e abundância de suprimentos também
os ajudarão. Muitas vezes, também, se Mercúrio estiver unidos a eles, lucro,
ganho, presentes e honra resulta dessa boa fortuna da qual falamos.
Se Saturno e Marte controlarem os luminares, no entanto, e em particular se
eles estiverem em oposição um com o outro, eles farão com que os resultados
sejam inúteis e envolverão o nativo em grandes perigos, através de viagens
desafortunadas e naufrágios se eles estiverem em signos de água, ou através de
idas difíceis e locais desertos; e se eles estiverem em signos sólidos, através
de quedas de alturas e ataque de ventos; nos signos solsticiais e equinociais,
através de falta de provisões e condições insalubres; nos signos de forma
humana, através de pirataria, tramas e assaltos; nos signos terrestres, através
do ataques de bestas, de terremotos e, se Mercúrio estiver presente ao mesmo
tempo, através do clima, acusações perigosas, e, além do mais, pelas mordidas
de répteis e outras criaturas venenosas. A qualidade peculiar dos eventos, ou
seja, se eles são benéficos ou prejudiciais, é observada do governo dos locais
significativos de ação, propriedade, corpo ou dignidade, de acordo com a nossa
disposição original a eles, e as ocasiões que irão, em maior grau, trazer esses
eventos serão julgadas pelo momento dos ingressos dos cinco planetas. Esse é o
nosso relato geral do assunto.
9.Sobre a Qualidade da Morte
Uma vez que, após todas as outras, ainda falta a investigação relacionada com a qualidade da morte, devemos, em primeiro lugar, determinar, através dos meios fornecidos pela discussão da duração da vida, se a destruição será acompanhada pela projeção de um raio ou pela descida do significador no ocidente. Se a destruição ocorrer pela projeção de raios ou pela posição oriental, deve-se observar o local da projeção ou da posição, para determinar a qualidade da morte, mas se ela ocorrer por causa da descida do significador ao ocidente, devemos observar o próprio ocidente. De acordo com a qualidade dos planetas que estejam nos locais mencionados acima, ou se eles não estiverem sobre eles, dos primeiros planetas a se aproximarem deles, devemos compreender como será a morte, enquanto, ao mesmo tempo, os planetas em aspeto, por sua natureza, contribuem para a complexidade dos eventos, bem como as características peculiares dos próprios locais destrutivos mencionados acima, tanto pelos signos do zodíaco quanto pela natureza dos termos.
Agora, se Saturno tiver o domínio da morte, ele causa o fim através de
doenças do pulmão, tísica, reumatismo, água no pulmão, tremores e febre, e
complicações no baço, hidropisia, complicações entéricas ou histeria, ou as que
surgem pelo excesso de frio. Júpiter causa a morte por estrangulação,
pneumonia, apoplexia, espasmos, dores de cabeça e afeções cardíacas, e
condições acompanhadas por excesso de ar, respiração irregular ou impura. Marte
mata por meio de febres, contínuas ou intermitentes em intervalos de um dia e
meio, ataques súbitos, complicações nefríticas, e problemas que envolvem cuspir
sangue, hemorragia, abortos, partos, eripselas e pestilências, e doenças que
induzem a morte por febre e calor imoderado. Vénus causa morte por complicações
estomacais, hepáticas e intestinais, e além disso por cânceres, fístulas,
herpes, envenenamentos e infortúnios resultantes do excesso ou deficiência de humidade.
Mercúrio pressagia a morte por loucura, distração, melancolia, desmaios e
quedas, epilepsia, doenças acompanhadas por tosse ou obstrução, ou doenças que
surgem do excesso ou da deficiência de secura.
Assim, portanto, os que saem da vida do modo descrito morrem mortes
naturais, sempre que os senhores da morte estiverem com suas propriedades
naturais ou com propriedades similares xlvi e se nenhum planeta que for capaz
de trazer danos e tornar o fim mais notável os sobrepujar. Eles morrem, no
entanto, por modos conspícuos e violentos sempre que os dois planetas maléficos
dominarem os locais destrutivos, em conjunção, quartil ou em oposição, ou
também se um dos dois, ou ambos, se apoderar do Sol, ou da Lua, ou de ambos os
luminares. A aflição da morte nesse caso surge da junção deles, sua magnitude
do testemunho dos luminares e a sua qualidade, mais uma vez, do modo como os
outros planetas os observam, e dos signos nos quais os planetas maléficos são
encontrados.
Se Saturno estiver em quartil com o Sol de um signo do séquito oposto, ou
estiver em oposição, nos signos sólidos, ele causa a morte por esmagamento por
uma multidão, ou alçapões, ou por estrangulamento; isso também ocorre se ele
estiver ser pondo, e a Lua estiver se aproximando dele; nos signos que têm a
forma de animais, ele causa a morte por bestas selvagens, e se Júpiter, ele
mesmo afligido, testemunhar a ele, a morte em locais públicos, ou em dias de
celebração, lutando com feras; mas no ascendente, em oposição a um dos
luminares, morte na prisão. Se ele fizer aspeto com Mercúrio, e em particular
na vizinhança da constelação da Serpente na esfera, ou nos signos terrestres,
ele faz os homens morrerem de mordidas de criaturas venenosas e, se Vénus
estiver presente com ele, por envenenamento e por tramas femininas; mas em
Virgem e Peixes, ou nos signos de água, se a Lua fizer um aspeto, por
afogamento e sufocamento na água; na vizinhança de Argo, como as vítimas de
naufrágio; nos signos tropicais ou de quatro patas, quando Saturno estiver com
o Sol ou em oposição a ele, ou se ele estiver com Marte em vez do Sol, por ser
pego no desabamento de uma casa; e se eles estiverem no meio-céu, acima ou
abaixo da Terra, pela queda de uma altura.
Se Marte estiver em quartil ou em oposição ao Sol ou à Lua, de um signo do
outro séquito, nos signos de forma humana, ele faz os nativos serem chacinados
em levantes civis ou pelo inimigo, ou cometerem suicídio, e morrerem por causa
de mulheres ou como assassinos de mulheres, sempre que Vénus testemunhar a ele;
e, se Mercúrio também fizer aspeto com eles, ele causa a morte nas mãos de
piratas, ladrões, ou criminosos; em signos mutilados e imperfeitos, ou na
Górgona de Perseu xlvii, morte por decapitação ou mutilação; em Escorpião ou
Touro, morte por cauterização, cortes ou amputação médica, ou morte em
convulsões; no meio-céu ou no ponto oposto, por ser posto em varas,
especialmente se estiver em Cefeu ou Andrómeda; no ocidente ou em oposição ao
horóscopo, por ser queimado vivo; nos signos quadrúpedes, morte por colapso de
casas, por quebras ou por esmagamento; se Júpiter também testemunhar a ele e
estiver afligido ao mesmo tempo, mais uma vez os nativos perecerão notavelmente
por condenação e pela raiva de generais ou reis.
Se os planetas maléficos estiverem juntos e nesse estado estiverem em
oposição a alguma das posições significativas mencionadas acima, eles
trabalharão juntos de forma mais forte para aflição na morte. Neste caso a
significação da qualidade da morte está com o planeta que estiver ocupando o
local destrutivo, ou então as ocorrências fatais são duplicadas ou
multiplicadas, seja em qualidade ou em quantidade, sempre que ambos tiverem a
mesma relação com os locais destrutivos. Pessoas com essas genituras são até
mesmo privadas do enterro, e são consumidas por feras selvagens ou pássaros,
sempre que os planetas maléficos estiverem em signos de formas assim, se nenhum
dos planetas benéficos estiver testemunhando o meio-céu abaixo da Terra ou os
locais destrutivos. As mortes ocorrem em terras estrangeira se os planetas que
ocupam os locais destrutivos caírem em locais de declínio, e em particular
quando a Lua estiver nas regiões mencionadas acima, ou em quartil ou em
oposição a elas.
10.Sobre a Divisão dos Tempos
Como tratamos sistematicamente, sob os diversos tópicos, o esquema geral de cada tipo de investigação até agora para explicar a doutrina geral, que era nossa intenção original, restaria adicionar da mesma forma algumas observações sobre a divisão dos tempos, de modo que concordem com a natureza e sejam consistentes com as doutrinas específicas que já foram expostas. Desta forma, entre todas as investigações genetliológicas possíveis, um destino mais geral recebe a precedência sobre as considerações particulares, ou seja, a do país de nascimento subordina os detalhes maiores de uma genitura, como os tópicos sobre a forma do corpo, o caráter da alma e as variações dos modos e dos costumes; é necessário, portanto, que quem quer que realize essa investigação considere primeiro, naturalmente, sempre a causa primária e com maior autoridade, para que ele não diga, por exemplo, inadvertidamente, que os Etíopes sejam brancos ou tenham os cabelos lisos, e os Alemães ou Gauleses tenham a pele escura e cabelos enrolados como a lã, ou que os últimos sejam de caráter gentil, afeitos à discussão, ou à contemplação, e os Gregos sejam de alma selvagem e de mente inculta; ou, mais uma vez, no assunto de casamento, para que não se errem os costumes e modos próprios, por exemplo, atribuindo casamento com uma irmã a um nativo de raça italiana, em vez de a um egípcio, o que seria o correto, e um casamento com a própria mãe a este último, embora esse seja o costume dos persas.
Assim, de forma geral, é necessário, em primeiro lugar, apreender as
condições gerais do destino, e então vincular a cada uma delas as condições
particulares quantitativas. Da mesma forma, quando lidamos com a divisão do
tempo, devemos tomar como base, em cada previsão individual, as diferenças e
propriedades especiais das idades temporais, e tomar o cuidado de não atribuir,
no tratamento ordinário e simples de assuntos relacionados à investigação,
inadvertidamente, ação ou casamento a um bebé, ou qualquer coisa relacionada a
adultos, ou a geração de filhos a um homem extremamente idoso, ou qualquer
outra coisa que seja mais apropriado a homens mais novos; mas, de uma vez por
todas, devemos harmonizar os detalhes que são contemplados nos termos temporais
com o que é apropriado e possível para pessoas dentro das diversas classes
etárias. No assunto das divisões etárias da humanidade em geral, há apenas uma
abordagem, que, para ter verossimilhança e admitir comparação depende da ordem
dos sete planetas; ela começa com a primeira idade do homem e com a primeira
esfera a partir de nós, ou seja, a da Lua, e termina com a última das idades e
com a esfera planetária mais externa, que é chamada a esfera de Saturno. Na
verdade, as qualidades acidentais de cada uma das idades são as que são
naturalmente apropriadas para o planeta comparado com ela, e será necessário
observar os planetas, para que, por meio disso, possamos investigar as questões
gerais das divisões temporais, enquanto determinamos as diferenças particulares
das qualidades especiais que são descobertas nas natividades.
Até o quarto ano, em concordância com o seu quadriênio, a Lua domina a
idade da primeira infância, e produz a maleabilidade e a falta de fixidez no
corpo, seu crescimento rápido e a natureza húmida, em geral, do seu alimento, a
mutabilidade da sua condição e a imperfeição e o estado desarticulado da sua
alma, apropriados às suas próprias qualidades ativas.
No período seguinte de dez anos, Mercúrio, a quem cabe o segundo lugar e a
segunda idade, a segunda infância, pelo período de metade de vinte anos, começa
a articular e a moldar a parte inteligente e lógica da alma, a implantar
algumas sementes e rudimentos de aprendizado e a trazer à luz peculiaridades
individuais de caráter e faculdades próprias, despertando a alma neste estágio
por meio de instrução, tutela e os primeiros exercícios de ginástica.
Vénus, recebendo o domínio da terceira idade, a da juventude, pelos
próximos oito anos, correspondentes, no número, ao seu próprio período, começa,
como é natural, a inspirar, na sua maturidade, uma atividade das passagens
seminais e a implantar um impulso na direção do abraço do amor. Neste período,
em particular, um tipo de frenesi entra na alma, bem como a incontinência, o
desejo de alguma gratificação sexual, a paixão ardente, a perfídia e a cegueira
do amante impetuoso.
O senhor da esfera do meio, o Sol, assume a quarta idade, que é a do meio
na ordem, a jovem idade viril, pelo período de dezanove anos, nos quais ele
implanta na alma de forma duradoura o domínio e a direção das suas ações, o
desejo por substância, por glória e por posição, e uma mudança dos erros
brincalhões e ingênuos na direção da seriedade, do decoro e da ambição.
Após o Sol, Marte, o quinto em ordem, assume o comando da idade viril pelo
espaço de quinze anos, igual ao seu próprio período. Ele introduz a severidade
e a miséria na vida, e implanta os cuidados e os aborrecimentos na alma e no
corpo, concedendo, por assim dizer, algum senso e alguma noção de ter passado o
apogeu e a urgência, antes de se aproximar do fim, pelo trabalho, em realizar
alguma coisa, dentro da sua esfera de empreendimento, que seja digno de nota.
Em sexto, Júpiter, assumindo como sua parte a idade idosa, mais uma vez,
pelo espaço do seu próprio período, doze anos, causa a renúncia ao trabalho
manual, à labuta, à agitação e às atividades perigosas, e no seu lugar traz o
decoro, a previsão, a aposentadoria junto com um discernimento que abrange
todos os aspetos da vida, a admoestação e a consolação; agora, de forma
especial, ele faz os homens visarem à honra, ao louvor e à independência,
acompanhados pela modéstia e pela dignidade.
Finalmente, a Saturno cabe a parte da decrepitude, o último período, que
dura pelo resto da vida. Os movimentos, tanto do corpo quanto da alma, são
agora frios e restritos em seus impulsos, divertimentos, desejos e velocidade;
o declínio natural sobrevém à vida, que se tornou gasta com a idade,
desanimada, fraca, facilmente ofendida e difícil de agradar em todas as
situações, de acordo com a lentidão dos seus movimentos.
O seguinte, então, pode ser tomado como uma descrição das características
das idades da vida, vistas de forma geral e de acordo com o curso ordinário da
natureza. Com relação aos detalhes particulares, que devem ser descobertos a
partir das peculiaridades das natividades, para alguns deles, mais uma vez,
devemos nos basear nas considerações gerais já expostas, ou seja, nas
prorrogações de maior autoridade, todas, no entanto, e não somente uma, como no
caso da duração da vida.
Devemos aplicar a prorrogação do Horóscopo a eventos relacionados ao corpo
e a jornadas ao estrangeiro; a prorrogação da Parte da Fortuna, a assuntos de
propriedade; a da Lua, a afeições da alma e ao casamento; a do Sol a dignidades
e glória; a do meio-céu a outros detalhes da conduta da vida, como ações,
amizades e a geração de filhos. Assim, pode ocorrer que uma estrela benéfica ou
maléfica não será o regente de todos eles ao mesmo tempo, porque normalmente
muitos eventos contraditórios ocorrem ao mesmo tempo. Pode-se, por exemplo,
perder um parente e receber uma herança, ou ao mesmo tempo estar prostrado por
doença e ganhar alguma dignidade e promoção, ou no meio do infortúnio se tornar
pai de crianças, ou ter outras experiências desse tipo que possam ocorrer.
Não é comum que, para o bem ou para o mal do corpo, da alma, da
propriedade, da dignidade e da companhia, uma mesma pessoa deva ser
necessariamente afortunada ou desafortunada em todos esses aspetos. Isso, com
certeza, pode talvez ocorrer em ocasiões que sejam completamente abençoadas ou
completamente infelizes, quando os concursos de todos os planetas benéficos, ou
de todos os planetas maléficos, convergem para a maioria das prorrogações.
É bem raro que isso ocorra, no entanto, porque a natureza humana é adaptada
de forma imperfeita a cada um dos extremos, mas é inclinada na direção do
equilíbrio do bem e do mal que surgem da sua alternância. Devemos, então,
realizar distinções entre os locais prorrogadores, da forma descrita, e com
relação às estrelas cujos concursos ocorram nas prorrogações, devemos levar em
consideração não apenas as destrutivas, como é o caso na duração da vida, mas
de fato todas elas, e de forma similar, não apenas aquelas que encontram com a
prorrogação corporalmente, ou por oposição, ou em quartil, mas também as que
estão em aspetos de trígono e sextil.
Em primeiro lugar, devemos dar a regência dos períodos em cada prorrogação
à estrela que está na verdade sobre o grau prorrogador, ou em aspeto com ele,
ou, se essa condição não existir, ao precedente mais próximo, até que cheguemos
a um que esteja em aspeto com o próximo grau na ordem dos signos; então, para
esse, até o próximo, e assim por diante; e os planetas que governam os termos
devem receber uma parte da regência. Mais uma vez, devemos atribuir anos aos
graus dos intervalos: na prorrogação do horóscopo, um número igual aos períodos
de ascensão na latitude em questão; na prorrogação do meio-céu, quantos forem
os períodos de culminação; e nas prorrogações de todas as outras, em proporção
a ou de acordo com a proximidade das ascensões, ou descensões, ou culminações,
ao ângulos, como explicamos na discussão da duração da vida.
Devemos descobrir os cronocratores gerais, então, da maneira descrita, e os
cronocratores anuais dando, para cada um dos locais prorrogatórios, na ordem
dos signos, o número de anos a partir do nascimento, um ano para cada signo, e
tomando o regente do último signo. Devemos fazer a mesma coisa para os meses,
concedendo, mais uma vez, o número de meses do mês de nascimento, começando
pelos locais que governam os anos, vinte e oito dias para cada signo; e, da
mesma forma, para os dias, devemos atribuir o número de dias a partir do dia de
nascimento, começando com os locais que governam os dias, dois dias e um terço
para cada signo.
Devemos também prestar atenção nos ingressos que são feitos nos locais
designados para os períodos, porque eles desempenham um papel importante na
previsão dos tempos dos eventos, em particular nos ingressos de Saturno nos
locais gerais dos tempos, e nos de Júpiter nos locais dos anos; para os do Sol,
Marte, Vénus e Mercúrio para os dos meses, e para os trânsitos da Lua ao dos
dias. A razão para isso é que os cronocratores gerais possuem maior autoridade
para realizar a previsão, enquanto os cronocratores parciais auxiliam ou
dificultam, de acordo com a familiaridade ou não das suas natureza, e os
ingressos influenciam o grau de aumento ou de diminuição do evento. Em geral a
qualidade especial e a duração do tempo são significados pelo local prorrogador
e pelo senhor dos períodos gerais juntos com o senhor dos termos, porque cada
um dos planetas no momento exato da natividade se torna familiar com os locais
que eles governam no primeiro momento.
Pode-se descobrir se o evento será bom ou mau pelas propriedades compostas
e naturais dos cronocratores, se eles forem benéficos ou maléficos, e a partir
da familiaridade original com os, ou antipatia aos, locais que eles possuem. Em
qual momento o evento ocorrerá é mostrado pelos aspetos dos signos anuais e
mensais aos locais que fornecem a causa e pelos aspetos dos signos nos quais os
planetas estejam ingressando e nos quais as fases do Sol e da Lua ocorrerão
para os signos anuais e mensais.
Aqueles cuja relação com os locais afetados em investigação seja harmoniosa
desde a natividade, e que, nos seus ingressos, estejam em aspeto favoráveis com
eles, exercem um bom efeito sobre as espécies dos assuntos em questão, da mesma
forma que causariam o mal se fizessem oposição. Aqueles que estiverem
relacionados de forma desarmoniosa e no séquito oposto causam o mal em oposição
ou em quartil com os trânsitos, mas não em outros aspetos.
Se os mesmos planetas forem senhores tanto dos períodos quanto dos
ingressos, a natureza dos eventos previstos será excessiva e sem mistura, sejam
eles inclinados ao bem ou ao mal; ainda mais se eles governarem a espécie da
causa não somente porque são cronocratores, mas também porque a regiam,
originalmente, na natividade. Os nativos são desafortunados ou afortunados em
todos os assuntos ao mesmo tempo, se todos ou a maioria das prorrogações
estiverem no mesmo local, ou se esses forem diferentes, se todos ou a maioria
dos concursos que ocorrerem nos mesmo períodos forem afortunados ou
desafortunados. O caráter da investigação dos períodos, portanto, é desta
forma, pelo estilo que concorda com os procedimentos naturais.
Nesses kudurrus podemos ver algumas das representações mais antigas das constelações, como Águia, Hidra, Escorpião, Touro, Triângulo, Leão, Sagitário, Capricórnio, e Aquário. Pode-se dizer que seis das constelações zodiacais clássicas tal como as conhecemos, provém claramente deste período (ainda que sua origem seja muito anterior): Touro, Leão, Escorpião, Sagitário, Capricórnio e Aquário.
Conclusão de acordo com Parisinus 2425:
Neste ponto, no entanto, o método de investigação, nos casos particulares,
ao problema da qualidade das previsões temporais, com um relato completo dos
resultados, que é um assunto complicado e de difícil explicação, deve, de
acordo com o nosso programa original, ser deixado para o discernimento do
astrólogo, que levará em conta o assunto dos temperamentos, porque desta forma
ele é capaz de acomodar corretamente a exemplos específicos a força efetiva da
natureza geral das estrelas. Uma vez que o tópico sobre as natividades foi
revisado de forma resumida, deve ser bom realizar esse procedimento também de
forma mais detalhada.
Conclusão de acordo com MADProc.Cam.:
Devemos, no entanto, omitir qualquer adição, neste ponto, de um relatório
detalhado dos tipos de eventos previstos que ocorrem nos períodos, devido ao
plano que expus no início, ou seja, de que a força efetiva que os planetas
exercem em situações gerais pode ser aplicada de forma similar e consistente
também em casos particulares, se a causa fornecida pelo astrólogo e a causa que
surge da mistura forem combinadas de forma apropriada e hábil.
Nota: segmentos desse livro, bem como outros clássicos da astrologia, estão
disponíveis – em inglês – nos arquivos em
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Todas as notas de rodapé são da autoria de Marcos
Monteiro:
ii Os três planetas exteriores, ou seja, Saturno, Júpiter e Marte.
iii Aldebaran
iv Castor
v Pólux
vi [Notem que não há a constelação de Libra, enquanto Ptolomeu fala, claramente, do Signo de Libra mais tarde]
vii Ou seja, o signo de Áries começa aí, não importando onde esteja a constelação de Áries.
viii É bom lembrar que esse tratado foi escrito no hemisfério norte.
ix Dois planetas em graus correspondentes nestes signos (ou seja, um a 10 graus de um signo e o outro a 20 do signo que o observa) estão em Antiscion.
x O Almagesto, tratado anterior de Ptolomeu sobre astronomia.
xi Recepção.
xii Sírius.
xiii entre o Sol e a Lua, ou seja, as Luas Novas.
xiv Obviamente, frio e calor, o que é desmentido parcialmente logo em seguida.
xv regentes de "ambos os locais”, isto é, regentes das Luas Novas ou Cheias e dos ângulos.
xvi Ou seus graus; ou seja, estão diretos.
xvii Ou “assistência”; decidi deixar o termo em grego porque está se popularizando; além do mais, Ptolomeu explica o conceito neste parágrafo.
xviii Retrógrados
xix Cadentes
xx Ou seja, o signo no meio-céu e o seguinte, de dia ou de noite; o signo onde está Vénus e o seguinte de dia, o signo onde está a Lua e o seguinte de noite. Nestes signos, por serem os locais dos filhos da mãe, estão os irmãos maternos do nativo.
xxi O sentido não é claro; segundo uma nota no site sacred-texts.com, já mencionado, provavelmente se trata do planeta relacionado com a maior parte dos lugares mencionados.
xxii Parece haver um erro no original, porque o texto falava até agora do mapa do(s) próprio(s) nativo(s), e não de sua mãe; as outras fontes procuradas não apresentam "mães com esse tipo de genitura"
xxiii Esse trecho não faz sentido. Uma opção é que ele quer dizer oposição exata (ou seja, as distâncias no sentido dos signos e no sentido contrário são iguais) a outra possibilidade é a que consta no site citado antes: "em distância igual com relação aos luminares", ou seja, o maléfico é o vértice de um triângulo cuja base é a distância entre os luminares e cujos lados luminar-maléfico são iguais.
xxiv Ou anaretas.
xxv Ou “horiméia”.
xxvi No texto em inglês, “120" E “80”, o que é, obviamente, um erro tipográfico.
xxvii Críticos; hoje em dia, o adjetivo “climatérico” passou a ser usado quase que exclusivamente com a significação de "relacionado ao período menstrual", o que, obviamente, não é o caso do texto.
xxviii Ou seja, segundo Ptolomeu, Saturno é um testemunho de temperamento fleumático quando oriental e melancólico quando ocidental.
xxix Ptolomeu exclui o Sol e a Lua da descrição da aparência física e do temperamento; quanto a este último, dos cinco outros planetas, quando ocidentais, apenas Saturno esfria; os outros nem esfriam nem esquentam, apenas secando (Marte e Mercúrio) ou umedecendo (Júpiter e Vénus); é bom enfatizar aqui também que para Ptolomeu, quando se fala de temperamento, Saturno Oriental é húmido e Vénus e Mercúrio orientais são quentes.
xxx Resto, provavelmente, é o resto das constelações, ou seja, as fora do Zodíaco, que Ptolomeu menciona acima mas não descreve em detalhes.
xxxi Ou seja, o signo da casa VI.
xxxii Pelo contexto, conjunção com o Sol, ou seja, Lua Nova.
xxxiiiOu seja, estão em receção mútua.
xxxiv Na verdade, trata-se do que chamamos hoje em dia de mente.
xxxv De latitude
xxxvi Efeminados, passivos no ato homossexual
xxxvii Por doriforia
xxxviii O meio-céu
xxxix Ou seja, mais uma vez, em receção mútua.
xl Essa “mistura de cores” não faz sentido; segundo J. Ashmand, pode se tratar de uma expressão idiomática ou de uma metáfora (querendo significar, por exemplo, “confusão de perspetivas”, ou “confusão de pontos de vista”), que foi traduzida ao pé da letra.
xli Na verdade, não. Os quadrantes orientais são opostos um ao outro; os ocidentais são os restantes (e são, obviamente, opostos entre si também)
xlii É sempre bom lembrar, se trata de receção mútua.
xliii Ou seja, amantes de pessoas que são objeto de censura.
xliv Neste caso, não se trata de receção mútua; Ptolomeu compara dois mapas diferentes.
xlv Ou seja, até 17º
xlvi Aparentemente, Ptolomeu fala aqui das dignidades.
xlvii Caput Algol.
Durante o período assírio (883-612) se redigem as famosas tábuas de Mul-Apin, “estrela arado”: chama-se assim por começar com o nome desta constelação, equivalente ao nosso Triângulo. A mais antiga é de 687 a.C., ainda que foram certamente compostas ao redor do ano 1000 a.C.
Todas as imagens têm origem em: http://www.astrothon.com/Hist%C3%B3ria_da_Astrologia
Veja também a versão Inglesa do Tetrabiblos:
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Texto revisto e adaptado por Curadora64.
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