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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Bahkti yoga – o yoga da devoção






"...e não vos conformeis com este mundo mas, antes transformai-vos, pela renovação da vossa mente." - S. Paulo de Tarso


Os grandes mestres de yoga são unânimes ao considerar este yoga o mais apropriado para a Era de Kali. Como ainda estamos a terminar esta era - e como o fim parece longo! – é sempre bom sabermos do que se trata e se nos parecer bem praticar.

Falo para quem quer atingir a iluminação. Cada vez mais sentimos que estamos fora da antiga mentalidade que nos fazia sentir pouco merecedores e, por isso mesmo, sujeitos aos demónios do Samsara, os tais que nos fazem sofrer durante eras para espiar os nossos crimes.

Encontrei num livro de Shogyal Rimpoche, “O livro tibetano da vida e da morte”, uma estória muito curiosa. Segundo ele, descobriu um antigo texto que conta a verdadeira vida de Milarepa. Viveu no século XI e foi treinado, no início para ser um grande feiticeiro. Acho que era muito competente nas artes negras e fez mal a muita gente mas depois converteu-se inexplicavelmente e um grande mestre tibetano, Marpa, aceitou-o como pupilo...

Estes mestres tibetanos antigos faziam sofrer os alunos e Marpa não era excepção... Decidiu purificá-lo e Milarepa conseguiu expurgar o seu karma desta vida e, segundo contam, o do passado também, atingindo assim a iluminação.

Mas, para este assunto do Bahkti Yoga, o que nos interessa são duas coisas:

- Como usar?
-O que acontece usando?

A história cristã está cheia de pecadores convertidos... S. Paulo é um deles... De maior perseguidor de Cristo tornou-se seu discípulo e seguidor fervoroso.

S. Paulo de Tarso era um grande médium e vidente mas tinha um grande ego e por precaução foi-lhe deixado uma dor imensa que lhe consumia o tempo livre...só quando em trabalho era poupado e, numa das suas cartas às comunidades cristãs, escreveu que era mais forte quanto mais fraco se sentia mas sabia bem que era apenas um instrumento dessa Força que era Cristo.

Milarepa também sabia que era apenas um instrumento.

A co-criação e o nosso livre arbítrio servem respetivamente para criar as condições mais propícias para que se manifeste o que escolhemos.

A devoção a Deus, pois não há outro, apenas infindáveis aspectos d’Ele, é feita em confiança e em imitação.

Imitar Cristo na Redenção de todo o Karma é possível, até para alguém como eu que aparentemente é frágil. Aceito assim todas as dores e karma Universal quando tenho uma dor qualquer. Não fiquei mais doente, nem pensem, pois assim transmuto todo o karma que é possível para mim nessa altura. E mesmo que seja uma gota e eu ganhe mérito com esse feito, esse também não é para mim, eu ofereço-o a Deus em Amor.

A devoção ao Divino implica muita confiança e fé…

Se a nossa mente estiver sempre impregnada pela Divindade e se toda a nossa vida for em sua função sempre, não há nada a fazer mais. Somos adeptos do yoga da Devoção e o ego é queimado nesse Fogo Divino.

Sei que ando longe da perfeição, ainda, mas nem por isso vou desistir dela. Sei que sou filha de Deus e o meu Caminho é seguir as suas pisadas. Sou o Seu instrumento.



Deixo-vos com a Canção de Milarepa:

“Desde que a Graça do meu Senhor entrou em minha mente, Minha mente jamais se perdeu em distracções. 
Acostumado a contemplar longamente o Amor e a Piedade, 
Esqueci-me das diferenças entre mim e os outros. 
Acostumado a meditar longamente sobre o meu Guru como uma auréola sobre minha cabeça, 
Esqueci-me de tudo o que governa pela força e pelo prestígio. 
Acostumado a meditar longamente sobre os meus Deuses Guardiões como inseparáveis de mim mesmo, 
Esqueci-me da forma carnal inferior. 
Acostumado a meditar longamente sobre as Seletas Verdades Sussurradas, 
Esqueci-me de tudo o que é dito nos livros escritos e impressos. 
Acostumado, como estou, ao estudo da Ciência Elementar, 
Perdi o Conhecimento da Ignorância enganosa. 
Acostumado, como fiquei, a contemplar os Três Corpos como inerentes a mim, 
Esqueci-me de pensar na esperança e no medo. 
Acostumado, como fiquei, a meditar sobre esta vida e a vida futura como uma só, 
Esqueci-me do medo do nascimento e da morte. 
Acostumado a estudar longamente, por mim mesmo, minhas próprias experiências, 
Esqueci-me da necessidade de buscar as opiniões dos amigos e dos irmãos. 
Acostumado longamente a aplicar cada nova experiência ao meu próprio crescimento espiritual, 
Esqueci-me de todos os credos e dogmas. 
Acostumado a meditar longamente sobre o Incriado, o Indestrutível e o Permanente, 
Esqueci-me de todas as definições deste ou daquele Objetivo particular. 
Acostumado a meditar longamente sobre todos os fenómenos visíveis como o Dharmakaya, 
Esqueci-me de todas as meditações feitas pela mente. 
Acostumado por muito tempo a manter minha mente no Estado Incriado de Liberdade, 
Esqueci-me dos costumes convencionais e artificiais. 
Acostumado por muito tempo à humildade, de corpo e de mente, 
Esqueci-me do orgulho e das soberbas maneiras do poderoso. 
Acostumado a olhar longamente o meu corpo carnal como o meu eremitério, 
Esqueci-me do ócio e do conforto dos retiros nos mosteiros. 
Acostumado por muito tempo a conhecer o sentido do Inexprimível, 
Esqueci-me do modo de traçar as raízes dos verbos e a origem das palavras e das frases… 
Possas tu, ó sábio, esboçar essas coisas em livros comuns.”


Paz e Amor
Curadora64

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Posted by Auras, Cores e Números on Sábado, 29 de agosto de 2015

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