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domingo, 10 de junho de 2018

Meditação Metta Bhavana: desenvolvendo o amor incondicional



Meditação Metta Bhavana


É uma e a primeira das quatro Brahma Viharas que são meditações que desenvolvem o amor universal por todos os seres sencientes.
“Bhavana” significa “cultivo” ou “desenvolvimento” e “Metta” é uma palavra que significa “amor”, “amabilidade” ou “amor incondicional”. Portanto, esta é uma prática de meditação onde nós cultivamos ativamente alguns estados emocionais muito positivos em relação aos outros e em relação a nós mesmos.
Essa prática nos ajuda a levar mais harmonia a nossas relações com as outras pessoas, de modo que experimentamos menos conflitos, resolvemos dificuldades existentes e aprofundamos nossas ligações com pessoas com quem já temos uma boa relação. Ela nos ajuda a sentir mais empatia, a ter mais consideração, gentileza e capacidade de perdoar. Nós também aprendemos a apreciar mais os outros, concentrando-nos mais nas suas qualidades positivas e menos nos seus defeitos.
Nesta prática de meditação, nós também cultivamos Metta em relação a nós mesmos, de modo a sentirmos uma redução nos conflitos internos e uma maior apreciação por nós próprios.
Cultivando as emoções
Algumas pessoas podem se surpreender e considerar estranha a ideia de cultivar emoções na meditação. Afinal de contas, as emoções não “acontecem simplesmente?” Elas parecem brotar dentro de nós espontaneamente e, assim como a mudança de tempo, elas vão e vêm. Grande parte da linguagem que usamos para falar sobre emoções sugere uma falta de controlo. Por exemplo, estamos “loucos” de amor ou estamos “possuídos” pela raiva, ou nos sentimos “deprimidos” (quem está fazendo a depressão?) ou nos sentimos “sobrecarregados” pelo estresse.
De um ponto de vista budista, as emoções não “acontecem simplesmente”. As emoções são hábitos e são ativamente criadas. Elas parecem ter vida própria, mas na verdade é porque não temos a consciência exata do modo como as criamos. Se pudermos trazer mais atenção a nossa vida emocional, poderemos cultivar as emoções que queremos sentir (aquelas que tornam a nós mesmos e os outros felizes), e desencorajar o surgimento das emoções não desejadas (aquelas que nos tornam infelizes e geram conflitos com os outros).
Nós cultivamos emoções o tempo todo. Um exemplo de como geramos emoções, de maneira inconsciente, é o seguinte: imagine que você está com um grupo de pessoas e vocês começam a falar sobre tudo o que está errado com o mundo: o ódio, a guerra, a intolerância, o abuso infantil, a poluição, etc. À medida que a conversa prossegue e que nos envolvemos mais e mais, o que acontece? Possivelmente vamos sentir raiva, ou depressão, ou nos consideraremos os donos da verdade. Ao nos concentrarmos em fatores que causam raiva ou depressão (sem usar o pensamento criativo para buscar soluções possíveis para os problemas), cultivamos essas emoções.
E se você se concentrasse em tudo o que encoraja um senso de amor e bem-estar? É disso que trata a prática de Metta Bhavana.
Maneiras de cultivar metta – introdução
Na verdade, podemos provocar o surgimento das emoções. É somente necessário estabelecer condições para que elas surjam e, a seguir, ver o que acontece.
É um pouco como plantar sementes. Você não pode fazer uma semente crescer. Tudo o que você pode fazer é providenciar calor, água, solo e ter paciência.
Ao cultivar sentimentos de amabilidade nós encorajamos a nós mesmos a desejar boas coisas aos outros. Então como estabelecemos as condições para fazer isso?
Exercício da consciência emocional
A primeira coisa é tomarmos consciência de como estamos nos sentindo exatamente nesse momento. Esse é o fundamento essencial para o restante da prática de meditação.
Experimente esse exercício:
·         Sente-se em silêncio e leve sua atenção para o seu corpo;
·         Relaxe cada músculo à medida que tomar consciência dele.
·         Traga sua atenção para área do coração e sinta quais emoções estão presentes.
·         Sorria gentilmente e perceba o que acontece.
·         Lembre-se: quaisquer emoções que esteja sentindo (boas, más ou neutras) são normais. Você pode trabalhar com essas emoções e só pode começar do ponto em que você está.
·         Quando se sentir pronto(a), volte ao mundo exterior.

Plantando as sementes da emoção
Para fazer crescer as sementes de metta, precisamos de solo e água. O solo é a nossa consciência: precisamos manter nossas emoções em nossa consciência para cultivar emoções positivas. Assim, enquanto na prática da Consciência da Respiração o nosso foco são as sensações físicas da respiração, na meditação do Amor Incondicional são as nossas emoções o nosso foco.
Mas qual é a chuva? A chuva é a variedade de métodos que podemos utilizar para encorajar o desenvolvimento das sementes de metta. Há quatro métodos principais que eu considero proveitosos: dirigir palavras ao coração, as lembranças, o corpo, e a imaginação criativa.
Vamos considerar cada um desses métodos por vez. Talvez alguns deles funcionem para você e alguns não. É melhor experimentar e ver o que é mais adequado para a sua personalidade. Mas cuide para dar um tempo a qualquer método que escolher, para ver se funciona. Tal como as sementes germinam em resposta à água, pode levar um tempo para que as suas emoções comecem a se desenvolver, em resposta ao método escolhido.
Usando palavras ou frases
Vamos supor que estamos cultivando metta em relação a nós mesmos (este é o primeiro estágio da prática de meditação).
Usar frases é o método clássico de fazer a prática de meditação do Amor Incondicional. Eu utilizo esse método com maior frequência do que os outros. Não há limite para as palavras ou frases que você pode usar. A frase tradicional para o primeiro estágio é: “Que eu esteja bem, que eu seja feliz, que eu possa estar livre de sofrimento”.
Você deve dizer a frase para si mesmo(a) com total convicção. É preciso lembrar também de sempre trazer o foco de volta para suas emoções durante a meditação: você repete a frase várias vezes e observa o efeito que ela tem em seu estado emocional. Isto vale para qualquer palavra ou frase que você utilize (e outras frases podem ser usadas).
Dê um tempo entre cada repetição da frase, de modo que você possa absorver o seu efeito. Muitas vezes, eu adapto a frase ao ritmo da minha respiração. Eu digo: “que eu esteja bem” em uma expiração. A seguir, durante a inspiração, a expiração e inspiração seguintes eu sintonizo com o meu coração para ver que efeito a frase surtiu. Então, na expiração seguinte eu digo: “que eu seja feliz”. Em seguida, duas expirações mais tarde: “que eu esteja livre do sofrimento”.
Quando pensamos nessas palavras, estamos sendo ativos. Quando escutamos o efeito que elas produziram, estamos sendo receptivos. Esta prática exige que sejamos tanto ativos como receptivos: trabalhamos ativamente com nossas emoções e observamos, de modo receptivo, o efeito de nossas ações.
Não é necessário usar essa frase em especial. Pode-se apenas repetir uma palavra como “amor”, ou “gentileza” ou “paciência”. Ou podemos utilizar uma sequência de palavras.
Usando lembranças
Novamente, vamos supor que estamos cultivando metta em relação a nós mesmos (isto é, estamos fazendo o primeiro estágio da prática).
Recorde uma ocasião em que você se sentiu bem em relação a si mesmo(a). Talvez, por nenhum motivo aparente, você estivesse com excelente humor. Ou talvez tenha realizado algo significativo. Lembre-se de cada detalhe desse momento. Quanto mais vívida for essa experiência, maior será a possibilidade de você recuperar as emoções que sentiu naquela circunstância.
Recorde o que você vestiu, as coisas que viu, como você sustentava seu corpo, o perfume que talvez tenha sentido, as coisas que as pessoas disseram.
Lembre-se dos detalhes: a textura de suas roupas, o brilho das coisas que você viu, os tons de voz.
Quanto mais vívida a sua lembrança, mais fácil será experimentar novamente as emoções que você sentiu naquele dia.
Usando o seu corpo
A maneira como sustenta o seu corpo tem um enorme efeito sobre o modo de você sentir as emoções. Quando você está deprimido(a), seu peito afunda, seus ombros caem, sua postura não é ereta e seu queixo tende a se aproximar do peito. Com essa postura, é virtualmente impossível sentir qualquer coisa a não ser depressão. Quando você está nesse estado deprimido, caído e sem esperança, é muito difícil sentir-se bem em relação a si mesmo(a).
Por outro lado, se você mantiver seu corpo ereto (e relaxado), o peito aberto, os ombros para trás e a cabeça alta, será muito mais fácil sentir-se bem em relação a si mesmo(a). Será muito mais fácil sentir-se forte, confiante e capaz. Quando você está com raiva, o seu corpo fica tenso, os seus ombros se encolhem e os seus punhos se cerram. Mais uma vez, ao adotar esse tipo de postura, você começará a se sentir realmente agressivo, mas se você relaxar essa postura agressiva, vai descobrir que a sua raiva começa a abrandar. É quase como se nossos corpos guardassem memórias.
Você pode usar esses princípios em sua meditação. Utilize sua postura para ajudá-lo a cultivar metta, cuidando para evitar tensão ou ombros caídos. Lembre-se como é sentir confiança, sentir-se feliz e cheio de energia. Deixe seu corpo ajudar você a entrar nesses estados, relaxando os músculos e mantendo a coluna reta e o peito aberto. Imagine que seu corpo está cheio de energia. Quando eu começo a acessar a memória do meu corpo em relação a me sentir pleno de bem-estar, muitas vezes começo a sentir uma potente energia em meus braços e mãos.
Usando a imaginação criativa
Mais uma vez, vamos supor que estamos cultivando metta em relação a nós mesmos (isto é, estamos fazendo o primeiro estágio da prática).
Pense em uma experiência que faria você feliz. Às vezes eu imagino que estou mergulhando no recife australiano Great Barrier Reef. Na verdade nunca fiz isso, mas quando imagino a sensação de vida em meu corpo, as correntes de água quente acariciando a minha pele, a luz, vinda de cima, ondulando nos lindos corais coloridos e os cardumes de peixes de cores vívidas, nadando ao meu lado, eu me sinto bem.
Você pode pensar em qualquer coisa que provoque um verdadeiro e profundo senso de alegria e bem-estar. Talvez você se imagine voando em um balão de ar quente acima dos Andes, ou caminhando ao luar ou apenas descansando em uma praia.
Assim como no exercício de memória, traga o máximo possível os seus sentidos na prática e torne a sua imaginação sensorial tão vívida quanto puder.
Sendo flexível em sua maneira de abordar
Podemos usar mais de um método para cultivar o amor incondicional.
Inicialmente, inclino-me a usar lembranças, a imaginação criativa ou o método da memória corporal na meditação Metta Bhavana para entrar em contato com uma sensação de bem-estar; a seguir, passo para a frase tradicional: “Que eu esteja bem, que eu seja feliz, que eu possa estar livre de sofrimento”.
Isso pode ser apenas uma preferência pessoal. Experimente diversos métodos e veja qual funciona para você e qual não funciona.
Nem todos os métodos dão certo para cada pessoa. Experimente para ver o que funciona.
Dê tempo a um determinado método para que ele surta efeito e tome cuidado para não passar de um método para outro de um modo agitado, sem dar-lhe realmente uma hipótese de funcionar.
Lembre-se que, com qualquer método, o seu foco deve ser basicamente as suas emoções. Às vezes ficamos tão presos em nossos pensamentos e imaginação, que é fácil ficar simplesmente pensando, ao invés de meditarmos. Esquecemos tudo sobre o objetivo desse pensamento, que é encorajar o crescimento do amor incondicional.
Um esboço da prática de meditação do amor incondicional
Na prática de meditação Metta Bhavana estamos cultivando amor, amizade ou amor incondicional. No final das contas, queremos nos tornar uma fogueira emocional: uma chama constante de calor emocional que abraça cada ser senciente que aparecer em nossa consciência. Esse é um objetivo alcançável para todo ser humano. Tudo o que é necessário é tempo e algum esforço persistente.
A prática se dá em cinco estágios. Cultivamos Metta por:
1. Nós mesmos.
2. Um bom amigo(a).
3. Uma pessoa “neutra” – alguém que não desperte fortes sentimentos em nós.
4. Uma pessoa “difícil” – alguém com quem temos conflitos ou em relação a quem sentimos má vontade.
5. Todos os seres sencientes (i.e. todos os seres capazes de sentir prazer ou dor).


Estágio Zero
O Estágio Zero é o que chamo de estágio inicial da meditação, antes dos estágios propriamente ditos, no qual estabelecemos as condições que ajudam a prática da meditação a prosseguir a contento.
Assim, em primeiro lugar, estabeleça a sua postura e aprofunde a consciência de seu corpo, levando sua atenção a cada músculo e relaxando tanto quanto for possível.

Estágio um

Cultivando metta em relação a si mesmo
“A amizade em relação a si mesmo é fundamental, porque sem isso não conseguimos ser amigos de ninguém mais no mundo.”
Eleanor Roosevelt
Roosevelt expressa uma verdade psicológica que a tradição budista adotou por dois milênios e meio: que a nossa atitude em relação a nós mesmos condiciona a nossa atitude em relação aos outros. Por esse motivo, na prática de meditação do Desenvolvimento do Amor Incondicional começamos, em primeiro lugar, a cultivar metta em relação a nós mesmos.
Antes de iniciar essa prática, você precisará ler (se não fez isso ainda) as sessões sobre postura e maneiras de cultivar metta.
Depois dessa leitura, o que se segue fará muito mais sentido.
No primeiro estágio da prática, estabeleça sua postura e aprofunde sua consciência corporal.
Depois, conscientize-se do que está sentindo. Que emoções estão presentes? Não é necessário dar um rótulo para elas, apenas tome consciência de sua presença.
Essas emoções serão o seu foco durante a prática. Mantenha a sua atenção focada em suas emoções durante toda a prática. Se você ficar distraído, volte para o seu corpo e, a seguir, para suas emoções.
Para trabalhar com suas emoções, use uma palavra ou frase, ou uma lembrança, ou a sua imaginação. Quando trabalhar com um método específico, fique atento ao efeito que ele surte em suas emoções, que são o seu foco.
O que deveria acontecer?
Considere o seguinte. Cada pensamento seu surte um efeito em sua maneira de sentir. Esses efeitos são muitas vezes sutis, de modo que um pensamento pode ter um efeito muito pouco perceptível.
Os pensamentos são como gotas de água caindo em uma pedra. Com o tempo eles vão esculpindo profundos canais (alguns pensamentos, certamente, podem ter um efeito emocional muito grande, mas são relativamente raros). Mas os efeitos, dificilmente perceptíveis, de todos esses pensamentos são cumulativos. Com o tempo, nossos pensamentos afetarão intensamente a maneira como surgem nossas emoções.
Na maior parte do tempo, nem mesmo estamos especialmente conscientes daquilo que pensamos, e muito menos do efeito que os pensamentos eventualmente possam ter em nossas emoções e atitudes. Por esse motivo é tão importante realizar a outra prática principal de meditação que ensinamos nesse site, a Consciência da Respiração. Precisamos de atenção plena para ver como as nossas mentes funcionam, como nossos pensamentos e emoções surgem.
Na prática de meditação do Amor Incondicional estamos cultivando mais consciência de como os pensamentos afetam nossas emoções. De maneira consciente, estamos encorajando palavras, frases, imagens, lembranças que terão o efeito de reforçar as emoções positivas e enfraquecer as emoções negativas.
Isso tem um efeito em curto prazo de alterar o seu humor (você pode se animar por um tempo) e o efeito de longo prazo de alterar a sua personalidade, de modo que você se torna uma pessoa mais positiva emocionalmente, menos propensa à raiva e ao desânimo e mais propensa ao amor, empatia, confiança e contentamento.
Isso tudo leva tempo, é claro. Essas gotas terão que desbastar a pedra dos seus hábitos arraigados. Mas funciona. Essa água que goteja é inexorável. A água é mais forte que a pedra. Tudo o que você precisa fazer é manter gotejando a água, através da prática diária.
Amar a nós mesmos é certo?
Amar a si mesmo não é bem visto no Ocidente. Muitas vezes associamos isso com pessoas autocentradas, que não ligam para as outras.
Na verdade, temos uma tendência de não nos valorizar, para evitar que nos considerem uma pessoa autocentrada.
Mas na tradição budista, que produziu inumeráveis indivíduos excepcionalmente generosos e altruístas, há uma ênfase no desenvolvimento do amor a si próprio como um pré-requisito indispensável para amar os outros. Na tradição cristã podemos também lembrar que a injunção é: “ama os outros como a ti mesmo”, dando a entender que deveríamos amar não apenas os outros, mas também a nós mesmos.
Os budistas acreditam que se você não se ama, é difícil, se não impossível, amar outras pessoas. E se você pensar sobre isso, talvez descubra, ou talvez já tivesse essa suspeita, que algumas das pessoas mais egoístas que você conhece, lá no fundo, realmente não gostam de si mesmas. O seu egoísmo é um mecanismo de compensação. Por outro lado, muitas pessoas calorosas, generosas e amorosas são capazes de se sentir à vontade com elas próprias, sem parecer, de modo algum, narcisistas ou egoístas.
Se você não gostar de alguns aspectos seus, a sua tendência será não gostar das mesmas coisas em outras pessoas. Na verdade, os psicólogos chamam de “projeção” o seguinte processo: às vezes temos tanta aversão por alguma característica de nossa personalidade que recusamos a admitir que ela exista (se estiver pensando agora que só os outros fazem isso, você está projetando neste exato momento!). Mas conseguimos ver essa mesma característica nas outras pessoas e assim “projetamos” nelas o nosso “lado sombrio” não reconhecido. Portanto, grande parte de nossa má vontade em relação aos outros é, na verdade, uma aversão por nós mesmos. É evidente que se quisermos melhorar nosso relacionamento com as outras pessoas, temos que também melhorar o nosso relacionamento com nós mesmos.
É claro que se nossa metta começasse e terminasse com nós mesmos, não seria realmente metta, seria egoísmo. Assim, embora o primeiro estágio da prática inicie com nós mesmos, ela passa para os outros nos quatro estágios restantes.
É importante garantir que você faça o primeiro estágio (não o ignore – se for difícil significa que você precisa fazer). O cosmos não vai dar a você uma recompensa extra se você ignorar a si mesmo(a). Mas lembre-se também de fazer os outros estágios.
E se eu achar difícil gostar de mim mesmo?
Muitos de nós consideramos o primeiro estágio da meditação do amor incondicional como o mais difícil, provavelmente porque nossa sociedade nos condiciona a pensar que é ruim gostar de nós mesmos. Na verdade, temos uma página inteira sobre esse assunto.
A primeira coisa a lembrar é a importância de aprender a gostar de nós mesmos. Se não gostarmos de nós mesmos, nunca seremos capazes de amar os outros. É possível também que nunca sejamos realmente felizes simplesmente porque não valorizamos nossa própria felicidade.
Portanto nunca pule o primeiro estágio da meditação do amor incondicional. Faça-o sempre!
Perspectivas Vantajosas
Se você começar o primeiro estágio da prática de meditação e não conseguir sentir muita coisa, não entre em pânico. Fique calmo. É perfeitamente normal sentir-se assim. Eu me recordo quando estava aprendendo a meditação pela primeira vez. Comecei a entrar em desespero porque não conseguia desenvolver nenhuma metta por mim mesmo. Mas esse é um processo lento. Ele funciona, mas não é imediato.
Pense sobre as coisas que você faz bem. Pense sobre realizações no passado ou no presente. Pense no que as outras pessoas valorizam em você. Isso vai ajudá-lo(a) a perceber as suas próprias boas qualidades.
Reflita: você quer ser feliz? Esse desejo de ser feliz é metta. É possível que você não consiga apreciar a sua própria metta pelo excesso de familiaridade. Portanto, talvez você sinta muita metta por si mesmo(a), mas não tenha percebido. Às vezes temos o hábito de não ver o óbvio.
Pense sobre as qualidades que você gostaria de desenvolver; as realizações que você gostaria de atingir no futuro. O que realmente importa para você? Estou disposto a apostar que você consegue pensar em grandes ideais para si mesmo(a). Se for capaz de ter ideais tão dignos, você deve ser, em alguma medida, um indivíduo digno. Respeite isso em si mesmo(a). Se fizer isso, vai conseguir desenvolver essas qualidades e atingir essas realizações.
Receptividade e atividade
Lançando Flores em uma Lagoa Tranquila na Floresta
Quando você entrar em contato com suas emoções, pense que são como uma lagoa tranquila em uma floresta. Assim como uma lagoa, as suas emoções são vivas e vibrantes, prontas para estremecer sob menor toque.
Estar consciente das vibrações na lagoa de suas emoções é a receptividade. Você está sendo receptivo para tudo o que influencia as suas emoções.
Os pensamentos que você está conscientemente gerando, as palavras, frases, lembranças, e fantasias guiadas que está utilizando na meditação do amor incondicional, são a sua atividade. Você está usando os métodos que surtem um efeito em suas emoções.
A atividade é como a mão que lança flores, uma a uma, na lagoa. A receptividade é como observar as ondulações na água à medida que estas se espalham e desaparecem.
Você pode utilizar essa imagem em sua prática. É uma analogia que irá ajudá-lo(a) a aprofundar a sua apreciação daquilo que a prática está atingindo.
Quando eu utilizo a frase “Que eu esteja bem, que eu seja feliz, que eu esteja livre de sofrimento”, eu gosto de “lançar” cada parte da frase em separado, como se fosse uma flor individual. Eu lanço: “Que eu esteja bem” e depois paro durante uma respiração completa para observar as ondulações em minhas emoções. Depois eu digo: “Que eu seja feliz” e faço novamente uma pausa para sentir quaisquer efeitos da frase. A seguir, faço o mesmo com “Que eu esteja livre de sofrimento”.
Seja paciente. Pode levar tempo para você sintonizar com os efeitos da prática. Mas à medida que você fortalece e aprofunda a sua consciência, será capaz de sentir os efeitos em suas emoções toda vez que disser a frase “Que eu esteja bem”.
Estágio dois
Cultivando Metta em relação a um amigo
Um amigo é, por definição, alguém cujo bem-estar é importante para nós. Quando ele está mal isso nos perturba e quando está bem, ficamos contentes. Portanto, um amigo é alguém por quem já sentimos metta e o que faremos na meditação é fortalecer nossa metta.
Vale a pena pensar antecipadamente na pessoa que escolheremos como amigo(a), para não perder muito tempo durante a meditação com indecisões.
Pense em um bom amigo e dirija os mesmos votos a ele. Decida antes quem você vai escolher, para não ficar indeciso e perder tempo durante a prática.
Quem você escolhe como o amigo
Há algumas sugestões tradicionais em relação a quem escolher e quem não escolher para o segundo estágio de Metta Bhavana.
Escolha alguém com mais ou menos a mesma idade que você.
Queremos garantir que cultivamos metta e não algum tipo de sentimentalidade (que pode ocorrer se escolhermos uma pessoa mais jovem no segundo estágio), ou o desejo de agradar uma figura de autoridade (que pode ocorrer se escolhermos uma pessoa mais velha).
Assim, escolha alguém de uma faixa etária próxima à sua.
Escolha alguém por quem não sente atração sexual.
O motivo para isso é que um excesso de emoção calorosa fluindo em direção àquele(a) amigo(a) tão atraente pode acabar se revelando uma atração sexual, ou sentimentos românticos, ao invés de metta.
Escolha alguém que esteja vivo.
Você pode ter um amigo que já morreu e por quem sente muitas emoções calorosas, mas podem existir também muitos outros sentimentos associados com essa pessoa, como arrependimento, ou culpa ou tristeza. Não há nada de errado com esses sentimentos, mas não é isso que queremos cultivar com essa prática.
Em estágios posteriores da prática você poderá incluir todas as pessoas acima que estão sendo excluídas neste momento. Além disso, depois que tiver feito a prática por algum tempo e sentir com mais clareza o significado de metta, você poderá usar mais o seu próprio critério em relação a quem escolher. Entretanto, no momento, vamos facilitar as coisas para nós e agir com cautela.
Qual é o objetivo do estágio dois?
No segundo estágio estamos fortalecendo a metta que já sentimos pelo nosso amigo.
A palavra metta vem de uma língua chamada páli e, nessa língua, a palavra metta está intimamente relacionada com a palavra “amigo”, ou mitta. Um mitta é alguém por quem você sente metta.
É importante lembrar que metta é algo que nós já sentimos. Não é uma nova emoção jamais sentida antes. O que estamos desenvolvendo, ou fortalecendo, é a metta que já sentimos em relação aos nossos amigos.
Sentimos metta na vida comum quando somos atenciosos com nossos amigos, quando desejamos que eles sejam felizes, quando nos esforçamos para que eles se sintam mais à vontade.
Esse estágio aprofunda nossas amizades. Uma vez que nossas amizades são um dos fatores que mais contribuem para nossa saúde e felicidade, o segundo estágio é um passo importante em direção ao bem-estar físico e emocional.
Quais métodos eu posso usar?
Quando você evoca o seu amigo em sua mente, pode ser útil visualizá-lo com o olho de sua mente. Imagine que ele está sorrindo e feliz.
Você pode repetir: “Que você esteja bem, que você seja feliz, que você esteja livre do sofrimento”.Ou você pode contar ao seu amigo sobre aquilo que aprecia em relação a ele(a).
Você pode desejar coisas específicas que possam fazer seu amigo feliz ou reduzir o seu sofrimento. Você pode desejar que seu amigo esteja livre de dívidas, ou que aprenda a estimar a si mesmo, por exemplo.
Você pode desejar recordar um momento em que estavam juntos e se sentiam particularmente próximos. Lembrar disso ajudará a fortalecer os sentimentos que você nutre por ele(a).
Você pode convidá-lo(a) para participar de sua visualização criativa: leve-o para um mergulho submarino no recife australiano, ou para uma fonte de água quente natural, nas montanhas.
Estágio três
Cultivando metta em relação a uma “pessoa neutra”.
Nesse estágio da prática de meditação cultivamos metta, ou o amor incondicional, em relação a alguém que não inspira nenhum sentimento forte em nós. Não se trata de um amigo(a), nem de alguém com quem tenhamos dificuldades. Simplesmente nos sentimos neutros em relação a essa pessoa.
A maioria das pessoas em nossas vidas pertence a essa categoria. Quando caminhamos na rua de uma cidade ou entramos em uma loja repleta de gente, encontramos tanta gente que nossas emoções ficam em um estado neutro e, virtualmente, ignoramos essas pessoas.
A vida é simplesmente repleta de demasiadas pessoas, para que tenhamos um relacionamento emocional real com todas as que encontramos e, muitas vezes, as pessoas que não conhecemos não parecem reais para nós, pelo fato de nunca termos nos relacionado com elas.
Assim, nessa prática nós aprendemos a levar mais a sério o bem-estar e o sofrimento daqueles seres que habitualmente ignoramos e com quem não conseguimos nos relacionar.
Chame à sua mente alguém com quem você tenha pouca ou nenhuma conexão emocional. Talvez seja uma pessoa que você viu trabalhando em uma loja, ou alguém que passou por você na rua.
Não importa se existir algum sentimento. O principal é que você nem realmente goste nem realmente desgoste dessa pessoa.
Uma vez que tiver evocado essa pessoa, deseje que ela esteja bem, usando palavras ou frases ou a sua imaginação.
Porque temos esse estágio?
Podemos ter muitos amigos. Talvez existam algumas pessoas com quem não nos relacionamos bem. Mas as pessoas que existem no mundo, em sua grande maioria, são pessoas “neutras”, isto é, não temos nenhuma emoção intensa positiva ou negativa em relação a elas.
Às vezes, essa neutralidade acontece simplesmente porque ainda não conhecemos alguém. Outras vezes, (especialmente no Ocidente) trata-se de um hábito cultural.
A maioria de nós, ocidentais, vive em grandes cidades. Na época em que grande parte das pessoas vivia em aldeias, todo mundo se conhecia. É possível que os indivíduos gostassem de algumas pessoas e não gostassem de outras. Se vissem alguém desconhecido, talvez ficassem muito interessados e desejosos de conhece-lo(a), mas talvez ficassem desconfiados, dependendo do momento e das circunstâncias.
Atualmente, entretanto, vemos centenas ou talvez milhares de pessoas nas ruas, nos carros, em restaurantes, nos ônibus e nas lojas. Não podemos dizer “oi” para todo mundo. Então colocamos nossas emoções no modo neutro, como um tipo de mecanismo de defesa.
É possível que essa seja uma resposta saudável em uma situação extrema, mas você já percebeu como ficamos incapazes de sair do modo neutro?
O que acontece quando estamos em um elevador ou sentamos ao lado de alguém em um avião? Muitas vezes tentamos fingir que as pessoas ali não existem. Mesmo quando alguém está nos servindo em uma loja (na verdade, está nos ajudando!) nós podemos nos comportar em relação a essa pessoa como se ela fosse alguma máquina de vender automática.
Na verdade, acontece que ficamos atolados no estado neutro. Podemos ficar enredados dentro de nós mesmos e às vezes sentir medo de sermos humanos. E essa neutralidade pode facilmente se transformar em negatividade. Podemos ficar frustrados e zangados quando uma fila em uma loja parece estar se movendo muito devagar. Podemos tratar com grosseria o vendedor(a) mesmo que ele já se sinta sob pressão.
Isto é desagradável para nós dois.
No terceiro estágio da Metta Bhavana, estamos aprendendo a sair do modo neutro. Estamos resgatando nossa plena humanidade.
Estamos ousando sentir. Estamos nos conectando novamente com outro ser humano como um ser sensível. Estamos sendo respeitosos.
Estamos mostrando solidariedade com outros seres que sofrem.
Maneiras de trabalhar no estágio três
Muitos dos métodos usados nos primeiros dois estágios também podem ser usados no terceiro. Você pode simplesmente chamar à mente a pessoa neutra, visualizá-la com seu olho mental, feliz e sorridente, e desejar-lhe que esteja bem. Você pode usar palavras ou frases para fazer isso.
Você pode utilizar a sua imaginação e compartilhar com a pessoa neutra alguma experiência maravilhosa. Você também pode utilizar a sua imaginação para visualizar que vocês se conhecem na vida real, mas dessa vez você se visualizará agindo de um modo mais amigável do que o habitual.
Não é incrível? Os seres humanos são as formas de vida mais complexas do planeta. Nós temos uma experiência de nós mesmos e do mundo mais rica e multifacetada do que qualquer outra criatura que conhecemos. Não obstante, deixamos passar despercebidos uns aos outros com muita frequência. Pense em alguém que você sempre vê, mas em quem nunca pensa muito. Essa pessoa tem uma vida rica, desconhecida, misteriosa. O que a faz vibrar? O que ela faz depois do trabalho? Será que ela tem uma família? Qual foi o último livro que ela leu? Que sonhos e ambições ela tem? Ela gosta de seu trabalho? Você pode simplesmente desenvolver um senso de curiosidade e assombro com tudo isso.
Eis uma outra coisa que você pode tentar: se você conseguiu dar início a uma atitude emocional de metta nos dois primeiros estágios, você pode simplesmente incluir a pessoa neutra nessa atitude. É como se tivesse acendido uma fogueira e pudesse apenas convidar a pessoa neutra a vir se aquecer também.
Não consigo encontrar uma pessoa por quem meus sentimentos sejam neutros
Algumas pessoas são especialmente sensíveis emocionalmente às outras. Se esse for o seu caso, talvez perceba que tão logo você evoca alguém à sua mente, já começa a sentir alguma coisa em relação a essa pessoa.
Isso é ótimo! É uma vantagem e tanto ter essa receptividade. Essa qualidade tornará mais fácil para você a prática de Metta Bhavana.
Não se preocupe se sentir que não consegue encontrar uma pessoa neutra. Lembre-se apenas de não escolher nem um amigo nem um “inimigo”. Apenas escolha alguém que não inspire nenhuma emoção particularmente forte em você, seja positiva ou negativa. Você pode escolher alguém que mal conhece, talvez um mero conhecido ou uma pessoa que trabalha em uma loja que você frequenta.
É difícil sentir intensamente em relação a uma pessoa neutra?
Sim, pode ser difícil desejar felicidades a uma pessoa que você não conhece. Pelo fato de essa pessoa não existir realmente para nós como um ser emocional, não há muito o que resolver nesse sentido. A pessoa neutra pode ser tão imprecisa como a areia que escorre pelos nossos dedos.
Mas com a prática isso pode mudar. Prossiga com a prática e você descobrirá maneiras de trabalhar nesse estágio. Entretanto, é importante lembrar que não estamos tentando fazer alguma coisa acontecer. Estamos pacientemente trabalhando com a ausência de emoções, se for isso que estiver acontecendo.
Nosso problema inicial pode ser a expectativa. Nós esperamos que a prática de Metta Bhavana seja uma exibição de fogos de artifício emocionais. O problema é que no terceiro estágio descobrimos que nossos fósforos estão húmidos! Então, acostume-se com o fato de que esse estágio pode levar tempo para se desenvolver. Cultive um senso de aceitação de que a mudança virá em seu próprio tempo se você continuar trabalhando com persistência e gentileza.
Acostume-se a apenas sentar com a imagem da pessoa neutra, enquanto repete a frase: “Que você esteja bem, que você seja feliz, que você esteja livre de sofrimentos”. De tempos a tempos, você pode interromper isso e experimentar algumas das ideias encontradas na página que trata do “terceiro estágio como um ensaio”.
Você pode ficar tentado a continuar mudando de pessoa neutra até encontrar alguém mais interessante (isto é, não realmente neutra!) Talvez seja melhor permanecer com a mesma pessoa neutra por algumas sessões de meditação para dar a si próprio tempo de desenvolver um maior sentimento por ela.
Estágio quatro
Cultivando metta em relação a uma “pessoa difícil”.
Nesse estágio da meditação nós chamamos à mente, de modo deliberado, alguém com quem tenhamos algum conflito e fazemos votos para que essa pessoa esteja bem. Isso pode incluir desde uma mera irritação com alguém até um conflito profundo.
Aqui estamos indo de encontro à nossa má vontade. Metta, ou o amor incondicional, é o oposto emocional da má vontade. Assim, estamos de maneira consciente evocando a imagem de uma pessoa em relação a qual geralmente reagimos com aversão, e o nosso objetivo é o de superar as nossas reações habituais. Isto não significa que cultivaremos a má vontade para poder lidar com ela! É suficiente chamar à mente alguém com quem tenhamos dificuldades e fazer votos para que ele(a) esteja bem.
A seguir nós cultivamos metta por alguém com quem não nos damos bem. Talvez nossas dificuldades com essa pessoa venham de longo tempo, ou talvez seja um amigo(a) que no presente momento tenha despertado a nossa irritação.
Chame a pessoa difícil à sua mente e seja honesto acerca do que você sente. Talvez exista um sentimento de desconforto. Perceba qualquer tendência sua de pensar mal dessa pessoa, ou de aprofundar o seu conflito com ela (por exemplo, entrando em discussões imaginadas), e abra mão dessas tendências.
Ao invés disso, dirija a ela votos de felicidade: “Que você esteja bem, que seja feliz, que esteja livre de sofrimentos”.
Há alguém que eu não deveria escolher?
Em última instância, queremos desenvolver Metta por todos os seres sensíveis. Mas há algumas categorias de pessoas que, de forma geral, deveriam ser evitadas no quarto estágio, e algumas que talvez devam ser evitadas nesse estágio enquanto você ainda estiver aprendendo a prática.
Evite Totalmente
Não use pessoas que você não conhece pessoalmente. Pode ser tentador usar um “bicho-papão” como Hitler, ou Saddam Hussein (dependendo de nossas inclinações pessoais). É muito mais proveitoso ficar com as pessoas que realmente conhecemos.
Você pode incluir o “bicho-papão” no último estágio da prática, momento em que desejamos que todos os seres sejam felizes.
Deixe para Depois
Se houver alguém que você não consegue trazer à mente sem ficar muito irritado (triste ou bravo), talvez seja porque essa pessoa causou muito mal a você e provavelmente é melhor deixá-la de lado por enquanto. Fazer a prática da Metta Bhavana vai ajudar você a desenvolver confiança para lidar com as suas reações em relação a essa pessoa. Vamos manter a prática mais ou menos simples, por enquanto, e retornaremos a essa pessoa depois.
Quando penso em um inimigo sinto raiva dele
Você pode ter lido em algum lugar que a meditação conta com o fato de existir uma brecha entre estímulo e resposta e que (supondo que estamos conscientes) podemos fazer escolhas nessa brecha. Podemos escolher como iremos responder em qualquer situação dada. A psicologia budista faz uma interessante distinção entre sentimento e emoção, e essa distinção lança alguma luz na brecha.
Sentimento
Nós tendemos a usar as palavras “sentimento” e “emoção” mais ou menos da mesma maneira, mas na psicologia budista o sentimento se refere aos nossos gostos e aversões básicos, viscerais. Os sentimentos basicamente são de três tipos: agradáveis, desagradáveis ou neutros.
Essas respostas são automáticas, ou seja, não temos nenhum controle sobre elas. Há algumas coisas em algumas pessoas de que simplesmente não gostamos, em um determinado momento (entretanto, nossos gostos e aversões podem mudar com o tempo).
Emoção
A emoção, por outro lado, refere-se às respostas ativas que surgem com base nos sentimentos. Com base em um sentimento desagradável, podemos fazer surgir a má vontade (que é uma emoção). Quando não estamos sendo conscientes, essas respostas emocionais surgem automaticamente. Entretanto, quando temos consciência, podemos ter escolha acerca de como vamos responder.
Quando você evoca na sua mente uma pessoa difícil, poderão surgir muitas associações desagradáveis relacionadas a essa pessoa. Isto faz surgir sentimentos desagradáveis.
Então uma, entre duas coisas, pode acontecer. Se perdermos nossa atenção, é provável que a resposta emocional da má vontade surja, com base naqueles sentimentos desagradáveis.
Entretanto, se mantivermos nossa atenção, teremos opções. Podemos escolher sentir os sentimentos desagradáveis que surgem espontaneamente, e podemos escolher desejar o bem àquela pessoa.
Aprendendo a ficar confortável com o desconforto
Uma coisa importante a lembrar é que as coisas que parecem desagradáveis não são necessariamente “negativas”. Um exemplo é sentir vergonha. Sentir vergonha não é uma experiência agradável (é uma experiência desagradável), mas é considerada positiva em termos psicológicos budistas, porque é uma emoção baseada em uma sensibilidade ética.
E nem tudo que é agradável é positivo, obviamente. É possível sentir prazer com a falta de delicadeza e a indelicadeza é um estado emocional negativo.
Uma das coisas que temos que aprender na meditação é sentir-nos confortáveis em meio ao desconforto, de modo que não reagimos de modo inapropriado e não criamos estados emocionais negativos que apenas levarão a mais sofrimento no futuro.
Abrindo mão da má vontade
De qualquer maneira, voltando a você e àquela pessoa difícil… tomar consciência dessa distinção entre sentimento e emoção permite que nos sintamos confortáveis em meio ao desconforto de sensações desagradáveis, sem dar surgimento à má vontade. Quando a má vontade de fato aparecer, tome consciência disso e escolha abrir mão dela. Com prática, a nossa atenção plena só tenderá a se fortalecer e nossas emoções positivas, a se desenvolver e desabrochar.
Por que eu devo desenvolver metta por uma pessoa má?
Há algumas pessoas muito más no mundo. Às vezes a palavra mal não parece forte o suficiente para algumas das ações perpetradas, e você pode muito bem se perguntar porque desenvolver metta em relação àqueles que cometem más ações.
Metta é um estado de amor pelos outros. É um estado de consciência empática que provoca compaixão, consideração e gentileza. Se aquelas pessoas más sentissem metta, não fariam as coisas que deploramos tanto. Atos de maldade vêm de uma falha de empatia.
Faz sentido então que, se quisermos que o mundo seja um lugar melhor, vamos desejar que todos os seres experimentem metta, mesmo os que são maus. Na verdade, especialmente os que são maus, uma vez que se as pessoas más sentissem metta, não causariam o mal. Não estou sugerindo que seja possível transformar pessoas más em boas pelo mero desejo de que isso aconteça, mas simplesmente que é racional querer que aqueles que cometem o mal se libertem dos estados mentais nocivos conducentes às suas ações. Isso implica que deveríamos ter compaixão até mesmo por aqueles que cometem más ações.
Uma aluna minha de meditação, que é psicoterapeuta, mencionou para mim que a maioria das ações que rotularíamos de más são cometidas por pessoas que sofrem da chamada Desordem da Personalidade Anti-social e que as pesquisas científicas mostram que até 75% que todos os envolvidos no sistema de justiça criminal norte-americano entram nos critérios de diagnóstico dessa desordem de personalidade.
É quase certo que essa desordem tenha um componente genético, de modo que muitas pessoas más nasceram assim (e não se tornaram assim), embora seja quase certo que ambientes de pobreza pioram esses traços genéticos. Muitas pessoas, ao cometer más ações, estão, portanto, passando adiante os resultados de uma doença da qual sofrem: uma doença que as impede de sentir empatia, remorso e ansiedade,
Além disso, elas podem se sentir obrigadas a mentir, mesmo quando não for necessário, têm dificuldades de aprender com a experiência passada e têm dificuldades em controlar seus impulsos da forma como muitas pessoas fazem.
O Mal enquanto uma doença
Não há nenhum motivo pelo qual deveríamos nos sentir menos solidários em relação a um criminoso que, por causa de um defeito genético, tem uma capacidade menor do que a normal de controlar seus impulsos do que em relação a uma pessoa com qualquer outra condição física ou mental com base genética.
Se pudermos sentir simpatia por uma pessoa que sofra de, por exemplo, Síndrome de Down, então por que não cultivar simpatia na meditação por alguém que tenha alguma desordem genética como a Desordem da Personalidade Anti-social, que arruína a vida não apenas de quem sofre diretamente dela, mas também das pessoas que têm a má sorte de ser exploradas ou prejudicadas por elas?
Fazendo um comentário à parte, eu espero (embora eu não tenha nenhuma experiência pessoal na qual basear essa esperança) que as pessoas que sofrem da Desordem da Personalidade Anti-social sejam capazes de aprender a controlar seus impulsos. Alguns profissionais da saúde mental demonstraram que a terapia individual e grupal pode ajudar os que sofrem dessa condição devastadora a aprender a sentir e lidar com suas emoções e a aprender a ter mais preocupação moral com as outras pessoas.
Não quero dar a impressão de estar dizendo que aqueles que agem destrutivamente deveriam ser absolvidos de toda responsabilidade pelos seus estados mentais e ações. Simplesmente, nem todas as pessoas começam do mesmo lugar a aprender a assumir essa responsabilidade e é proveitoso para elas e para nós se tivermos simpatia pelos que estejam nessa posição infeliz.
Mas você pode muito bem perguntar: como o ato de fazer metta bhavana em relação a uma pessoa má vai ter qualquer efeito sobre ela? Não é simplesmente um jogo que acontece dentro de sua cabeça?
É verdade que a sua prática de meditação provavelmente não terá muito efeito na outra pessoa (embora nunca se sabe, pois segundo algumas pesquisas interessantes realizadas, isso acontece), mas no mínimo ela terá um efeito sobre você. Ela irá ajudá-lo a se tornar mais verdadeiramente compassivo. Irá reduzir a quantidade de intolerância e ódio no mundo ao reduzir a quantidade de intolerância e ódio no seu próprio coração (que é o único local que você pode certamente afetar).
Estágio cinco
Cultivando Metta em relação a todos os Seres Sencientes
Nesse estágio da meditação desenvolvemos um senso de expansividade em nossos votos de felicidade. Embora em estágios anteriores tenhamos dirigido nosso amor incondicional para uma pessoa, nos agora incluímos muitas pessoas, e não apenas as pessoas mas todos os seres capazes de sofrer e sentir felicidade.
Então, no último estágio da prática, disseminamos nossos votos de bem-estar aos outros, em círculos cada vez mais amplos.
Inicie com você mesmo, seu amigo, a pessoa neutra e a pessoa difícil. Visualize vocês quatro juntos, e deseje o bem-estar de todos. Tente incluir todas as quatro pessoas igualmente, e note a tendência ao favoritismo, quando desejamos mais felicidades ao amigo do que aos outros.
A seguir, expanda seus votos de felicidades a ponto de incluir círculos cada vez mais amplos, até desejar que todos os seres sencientes estejam bem e sejam felizes.
Maneiras de trabalhar com o quinto estágio
Todos os seres sencientes… é muita gente (e não só as pessoas: “seres sencientes” incluem todas as formas de vida capazes de sentir dor ou prazer). Como desenvolver sentimentos de metta por todos os seres?
No quinto estágio estamos trabalhando para desenvolver metta como uma atitude aberta de amor. É como se fôssemos um sol ardente de emoção positiva que aquece todos os seres. Estamos nos preparando para sermos tão radiantes que todo aquele que aparecer em nossa experiência será recebido com metta: com amizade, calor e cuidado. Isso pode soar como uma obrigação difícil, mas pense naqueles dias quando, por alguma razão, você se viu dono de um bom humor inabalável e nada parecia capaz de perturbá-lo. Esse é o tipo de estado que estamos querendo encorajar, só que queremos que seja assim o tempo todo, não apenas em dias especiais.

As quatro direções
Os monges budistas eram tradicionalmente encorajados a caminhar em toda parte irradiando metta nas quatro direções do espaço. No quinto estágio você pode ou apenas imaginar que está enviando metta em todas as direções, ou pensar acerca de cada direção geográfica e desejar que todos os seres naquela direção estejam bem e felizes.
Mantendo o mundo em seu coração
Você pode imaginar que tem o mundo envolvido pelo seu coração e cuidar bem dele.
Fazendo um tour mundial
Você pode deixar que cenas do mundo inteiro venham à sua mente e desejar felicidade às pessoas que você vir nessas cenas.
Você não precisa se limitar a lugares que conhece. Você deve ter visto muitas partes do mundo na televisão, em revistas e no cinema.

Estabelecendo uma rede
Você pode evocar em sua mente as pessoas que você conhece no mundo todo. Pode imaginar sua metta fluindo até elas e, através delas para todas as pessoas que elas conhecem, e assim por diante.
Lembrando os que não são humanos
Você pode se lembrar de incluir os animais também!
E não há necessidade de parar no planeta Terra. Você pode enviar sua metta através do universo, a quaisquer seres sencientes que possam existir ali.

Entrando em contato com as emoções
Se tentarmos entrar em contato com nossas emoções da maneira errada, isso pode tornar mais difícil entrar em contato com elas.
Lembro-me de uma vez em que eu estava conduzindo um retiro e um jovem veio até mim após uma sessão de Metta Bhavana. Ele parecia bem preocupado e disse:
“Sabe, fiquei realmente perturbado durante a última Metta Bhavana porque não conseguia descobrir o que eu estava sentindo”.
Eu disse: “Você estava se sentindo perturbado”.
Ele disse: “Sim, eu realmente estava!”, Como se eu tivesse resolvido algo realmente difícil.
Foi curioso, ele disse-me como se havia sentido, mas pensava que não sabia o que estava sentindo. Era como se ele estivesse procurando suas emoções no lugar errado.
Na Grã-Bretanha, o meu lugar de origem, são encenados alguns shows no Natal, chamados de Pantomimas. Eles são realmente ritualizados (o que é parte da festa) e um dos rituais é que, em certo momento, o “vilão” (o Lobo, ou o Xerife de Nottingham, ou quem quer que seja) está parado de modo ameaçador atrás do herói. O herói faz uma pergunta do tipo: “Onde estará aquele lobo grande e mau?” e todas as crianças (e grande parte dos adultos que também apreciam essas coisas, mas não querem admitir) gritam: “Atrás de você! Atrás de você!”
O herói então vira o corpo muito, muito devagar, mas o vilão também se movimenta à sua volta exatamente no mesmo momento. Então o herói se volta para o público (enquanto o vilão se movimenta ao mesmo tempo) e diz: “Onde vocês disseram que ele estava?” E isso prossegue por algum tempo.
Às vezes, procurar pelas nossas emoções é um pouco assim. Fazemos um esforço tão desajeitado para encontrá-las que nunca conseguimos obter um vislumbre delas. Encontrar emoções requer simplesmente que estejamos receptivos e abertos. Esse tipo de receptividade começa com a consciência corporal (ver a sessão sobre postura para maiores detalhes). Se ficarmos mais conscientes de nossos corpos e relaxarmos, será muito mais fácil tomarmos consciência daquelas partes mais sutis de nós mesmos, como os nossos sentimentos e emoções.
Famílias e amantes
Você se lembra quando aprendemos o segundo estágio da prática metta bhavana e eu disse que não era uma boa ideia usar os amantes e os filhos ou pais no lugar do amigo? Havia motivos muito bons para isso, mas percebi que ao excluir essas pessoas no segundo estágio nós podemos muitas vezes esquecer totalmente delas em nossa prática de metta bhavana. Isso é realmente lamentável.
Esses relacionamentos próximos e cotidianos são o verdadeiro fundamento para nossa prática de metta. Nossos relacionamentos com nossos pais, filhos e esposos ou amantes são geralmente os mais importantes em nossas vidas. Aqueles que são mais próximos de nós se tornam, em certo sentido, uma parte de nós. Todos percebemos isso com nossos pais quando começamos a descobrir (muitas vezes com um choque) como somos parecidos com eles. Creio que o mesmo é verdadeiro em relação aos nossos filhos e parceiros.
E você já notou como as pessoas (tudo bem, estou falando sobre você e sobre mim) tendem a comportar-se de modos diferentes em relação aos que lhes são mais próximos? Por sentirmos que nossas famílias não são completamente separadas de nós, tendemos a nos comportar em relação a elas de modos que nem consideraríamos em relação a outras pessoas, como colegas ou amigos. Amantes brigam e insultam uns aos outros em público de maneiras extraordinárias, e os pais falam com seus filhos de uma maneira igualmente bizarra.
É claro que percebemos que muitas vezes, lá no fundo, esse comportamento é um produto da intimidade que sentimos. Nós baixamos a guarda e renunciamos a nossas inibições sociais com aqueles que são mais próximos. Isso tem seu lado positivo, e também o seu lado sombrio. Parece-me que a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas próximas de algum modo espelha a maneira como nos relacionamos com nós mesmos, e que nossas relações com nossas famílias e parceiros é uma janela que mostra o modo como nos comportamos em relação a nós mesmos.
Por esse motivo, creio ser essencial que lembremos de evocar nossa família e parceiros durante a prática de metta bhavana. O quinto estágio é o momento ideal para fazer isso (a menos que você tenha um conflito com alguém; nesse caso, pode desejar situá-lo(a) no quarto estágio). Talvez você possa fazer votos de felicidade para a sua família imediatamente depois da fase das quatro pessoas juntas e antes de começar a expandir sua metta para o mundo mais amplo.
Metta e o divino
Creio que estamos conscientes de apenas uma parte minúscula de nós mesmos. A parte consciente de nós mesmos é apenas o topo do iceberg e a maior parte de nós mesmos encontra-se sob as ondas. Parte desse inconsciente é infantil e, até mesmo, bastante desagradável. Mas as partes mais profundas têm uma sabedoria que mal percebemos. Nossas mentes conscientes raramente apreendem essa sabedoria, embora às vezes ela apareça através de sonhos ou de momentos nossos particularmente intuitivos. Ou seja, quando a barreira entre o consciente e o inconsciente encontra-se especialmente permeável.
Há momentos em que sentimos nosso subconsciente profundo e sábio, mas não o sentimos como um “eu” e por isso nós o experimentamos como o “outro”. Assim, podemos sentir uma presença gentil, amorosa, sábia ou até mesmo ter uma visão, ou ouvir uma voz que nos guia. Considero que essas são experiências do “divino”.
Uma de minhas alunas descreveu uma experiência desse tipo ao dizer:
“Quando eu estava descrevendo a experiência que tive há cerca de uma semana atrás, quando eu senti uma forte presença benevolente, você mencionou que o sentimento de metta pode ser externo ou interno. Isso realmente me impressionou, porque naquela ocasião eu não exprimi de fato o quanto era externo o sentimento. Realmente parecia haver uma presença muito forte à minha frente, gerando um senso profundo de compaixão, conforto e amor.
“Para ser honesto, pensei comigo mesmo que eu estava na presença de Deus. Eu achava que não havia muito lugar para esse tipo de experiência no pensamento budista, portanto não sabia o que pensar, embora certamente não quisesse descartar o que aconteceu.”
Esse tipo de experiência não é incomum na meditação. De fato, ela forma a base de alguns tipos de práticas de meditação. As práticas budistas de visualização são uma tentativa de integrar as qualidades de sabedoria, compaixão e energia desobstruída, através da contemplação de formas simbólicas que, em certo sentido, correspondem àquelas qualidades (que já estão presentes em nós, mas são ainda não realizadas).
Portanto, ao visualizar a forma compassiva de uma imagem de Buda, estamos realmente evocando na mente nossa própria compaixão em potencial e, portanto, criando um canal do inconsciente para o consciente. Finalmente, um tipo de integração pode ocorrer, de modo que o meditador e a figura visualizada se fundem. Assim, nesse tipo de prática é muito comum sentir um senso de metta, ou outras bênçãos, fluindo a partir de “fora” de nós mesmos.
No budismo, as distinções que fazemos entre interno e externo não tem real validade. Essa distinção é apenas uma ficção conveniente, que possibilita criarmos um certo sentido em nossas vidas (embora não seja sempre um sentido muito exato). Podemos ver isso se refletirmos na experiência comum de nos apaixonarmos e desapaixonarmos. Quando você se apaixona por alguém, considera a pessoa maravilhosa. Às vezes tudo dá certo, mas outras vezes descobrimos que ela não era exatamente a pessoa que pensávamos que fosse, e então nos desapaixonamos. A pessoa não mais parece ter todas aquelas qualidades maravilhosas que imaginávamos nela.
Assim onde estavam todas aquelas qualidades? O que nos atraía? Obviamente, em tais casos, nossa atração não era inteiramente pela outra pessoa, mas por alguma parte inconsciente de nós mesmos que imaginávamos estar nela. Confundimos algo que estava dentro de nós mesmos com algo que estava fora de nós.
Nossos mundos interno e externo na verdade existem em interdependência e não enquanto realidades separadas. Mude um deles e você mudará o outro. Assim, a experiência de metta pode não ser nem interna nem externa, nem as duas coisas, nem algo diferente do que é interno ou externo. É realmente algo extremamente indefinível. O importante é que funciona. Quando penso em termos do “divino” não considero que as experiências de uma fonte externa de metta estejam emanando de uma deidade. Uso esse termo para sugerir um senso de mistério- um senso da maneira pela qual podemos experimentar a nós mesmos como “outro”, e o modo pelo qual podemos conectar com as forças ocultas que habitam nossas profundezas.
Se esse tipo de experiência ocorre com você, você provavelmente vai categorizá-la em termos do seu sistema de crenças existente. Algumas pessoas, ao experimentar um senso externo de metta, dirão que essa é uma experiência de Deus. Tais descrições podem certamente trazer um senso mais profundo de relevância e significado para a sua prática de meditação. Por outro lado, você pode desejar apenas aceitar essas bênçãos e refletir no fato de que realmente não sabemos praticamente nada sobre nós mesmos e sobre o universo em que vivemos.
Você pode desejar apenas sentir e aceitar a natureza misteriosa e inefável dessas experiências e reconhecer que está chegando a uma apreciação mais plena na natureza da Realidade.
Fonte adaptada por C64


Recapitulando a meditação Metta Bhavana em 5 estágios:

Estágio Zero

Iniciamos, como sempre, desenvolvendo a consciência corporal e entrando em contato com as nossas emoções. O Estágio Zero, como você já sabe se estiver trabalhando sistematicamente através desse guia, é o estágio inicial da meditação, antes dos estágios propriamente ditos, no qual estabelecemos condições que ajudam a prática da meditação a prosseguir adequadamente.
No estágio zero, você primeiro estabelece a sua postura e aprofunda a consciência do seu corpo, levando a sua atenção para cada músculo e relaxando-o tanto quanto possível. Em caso de dúvidas em relação à postura de meditação, consulte nosso workshop sobre postura.

Estágio 1

Após ter desenvolvido uma consciência maior do corpo, tome consciência de suas emoções, levando a sua atenção ao coração, e aceitando quaisquer emoções encontradas; depois comece a fazer votos de felicidade a si mesmo(a). Você pode utilizar qualquer um dos métodos de cultivo do amor incondicional esboçados nas sessões anteriores deste guia de meditação.
Quando tiver passado de 5 a 10 minutos desejando metta a si mesmo(a), passe para o segundo estágio.

Estágio 2

No segundo estágio da prática de meditação pense em um bom amigo, ou amiga, e dirigindo-lhe seus votos de felicidade. Decida antecipadamente quem você vai escolher, senão você pode perder tempo com a indecisão durante a prática.

Estágio 3

A seguir, leve à mente alguém com quem você tenha pouco ou nenhuma conexão emocional. Talvez seja alguém que você viu trabalhando em uma loja, ou que passou por você na rua.
Não importa se existir algum sentimento. O principal é que você não sente nem amor nem aversão por essa pessoa.
Quando tiver chamado essa pessoa à mente, deseje-lhe felicidades, usando palavras ou frases, ou a sua imaginação.

Estágio 4

A seguir, cultivamos metta por uma pessoa com quem tenhamos conflitos. Talvez seja uma pessoa com quem nos damos mal há muito tempo, ou um amigo em relação ao qual estejamos sentindo uma irritação momentânea.
Evoque na sua mente a pessoa difícil e seja honesto(a) em relação ao que sente. É muito provável que haja sentimentos desconfortáveis. Perceba qualquer tendência existente em você de pensar mal dessa pessoa, ou de aprofundar o conflito que você tem com ela (por exemplo, imaginando discussões com ela) e abra mão mentalmente dessas tendências.
Ao invés disso, deseje-lhe o bem: “Que você esteja bem, que você seja feliz, que você esteja livre de sofrimento”.

Estágio 5

Então, no último estágio da prática, disseminamos nossos votos de bem-estar aos outros, em círculos cada vez mais amplos.
Inicie com você mesmo, seu amigo, a pessoa neutra e a pessoa difícil. Visualize vocês quatro juntos, e deseje o bem-estar de todos. Tente incluir todas as quatro pessoas igualmente, e note a tendência ao favoritismo, quando desejamos mais felicidades ao amigo do que aos outros.
A seguir, expanda seus votos de felicidades a ponto de incluir círculos cada vez mais amplos, até desejar que todos os seres sencientes estejam bem e sejam felizes.

*****
Frases usadas comumente nesta meditação
  8 frases tradicionais

1.  Que ____ seja feliz.
2.  Que ____ não sofra.
3.  Que ____ encontre as verdadeiras causas da felicidade.
4.  Que ____ supere as causas do sofrimento.
5.  Que ____ supere toda ignorância, carma negativo e negatividades.
6.  Que ____ tenha lucidez.
7.  Que ____ tenha a capacidade de trazer benefício aos seres.
8.  Que ____ encontre nisso a sua felicidade.

OBS: O traço ___ é o local onde se coloca o nome de alguém.

*****

Recomendo também o livro de Paramananda: Guia da Meditação
E deixo-vos com METTA BHAVANA: Meditación Guiada del Cultivo de Amor Incondicional:

Paz e Amor
Curadora64

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Posted by Auras, Cores e Números on Sábado, 29 de agosto de 2015

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