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Algumas considerações sobre a visualização espontânea de auras

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O Deva do Fogo e o Marajá


Há muito tempo, em Jodhpur na Índia, reinava um grande Marajá. Ele era sábio e justo e por isso era amado pelos seus súbditos.

Enquanto outros Marajás se preocupavam com o seu próprio prazer mantendo muitas mulheres e comendo muitas iguarias delicadas o nosso Marajá era conhecido por ter apenas uma mulher, a sua Marani, a qual consultava em assuntos de estado e que sempre o acompanhava nas suas viagens, reinando os dois em igualdade.

Sendo muito espirituais iam muitas vezes para o deserto de Thar, desfrutar do silêncio e meditar. Esta estória que vou contar passou-se numa destas viagens.

Um dia, ao cair da noite, estando o Marajá e a Marani sentados à porta da sua tenda a contemplar as primeiras estrelas, viram um vulto negro, que parecia um homem debruçado num camelo, a aproximar-se lentamente.

O Marajá chamou o seu fiel escudeiro e pediu-lhe para ir ver quem era… Ao ser conduzido até à tenda o camelo revelou na sua garupa um homem muito desidratado quase moribundo.

Durante sete dias foi tratado de corpo e alma e na noite do sétimo dia pediu para ser conduzido ao seu anfitrião e salvador.

O Marajá e a Marani convidaram o seu protegido para cear com eles e prepararam-se para ouvir a sua estória.



Manu, assim se chamava o peregrino, respirou fundo, ajeitou a manta e narrou a sucessão e eventos que o trouxera até ali.

“- Assim como há homens que coleccionam espadas eu colecciono amigos que me transmitam algum tipo de conhecimento – disse Manu, suavemente.

Uma noite estava eu no deserto, num local mais a ocidente do que este, perto da fronteira com o Paquistão quando fui surpreendido com um homem Iraniano, de nome Farshid, que ia para o Tibete.

Sentou-se comigo ao fogo, porque as noites no deserto são frias e enquanto eu mexia as brasas com um graveto, para fazer o chai, perguntou-me:

-Sabes porque não se deve mexer no fogo com metal afiado? – disse ele, olhando para mim com olhos extraordinariamente brilhantes.

Abanei a cabeça negativamente um pouco surpreendido com a sua pergunta.

-Uma espada remexendo no fogo pode cortar a cabeça do Deva do Fogo. – continuou ele.

- Sim - disse Manu - existe uma lenda que diz isso, já ouvi dizer. 

-Mas também o podem libertar e transformar num homem. Foi isso que aconteceu comigo. – respondeu Farshid, agora com os olhos relampejantes e vermelhos e labaredas vermelhas e amarelas saindo da sua aura.”



- Claro que fugi que nem louco assim que o vi a dormir. – disse Manu, terminando a narrativa.- E, depois de vários dias, sem água nem mantimentos, que na pressa deixei no acampamento, aqui estou. Se não fosse a sabedoria do meu camelo e a tua bondade, nem sequer estava vivo para o contar.

O Marajá e a Marani ouviram, calmamente e com muita atenção, toda a narrativa e recolheram-se depois de desejarem as boas noites a Manu.

Ainda o dia não tinha nascido e já o Marajá estava em meditação virado para o sol nascente.

Quando abriu os olhos, verificou que tinha um homem em posição de meditação sentado ao seu lado. O Marajá tinha um perfeito domínio dos seus nervos e não se alterou.

Como o homem estava absolutamente concentrado, aproveitou para o observar com atenção, e viu as cores da sua aura. Nesse tempo recuado, a humanidade ainda tinha a capacidade de ver auras, e o Marajá já tinha visto um Deva do Fogo antes.

Percebeu que era Farshid, que quer dizer ser brilhante e resplandecente em Persa. Esperou até o seu companheiro acabar a meditação e sorrindo, deu-lhe as boas vindas quando este o olhou com olhos de fogo.

-Sei que sabes quem sou – disse Farshid – então, porque não tens medo de mim?

- Não temo os Filhos do Sol, eu também sou um.- disse o Marajá sorrindo.

Então, Farshid contou-lhe que tinha procurado Manu durante sete dias para lhe entregar os seus pertences. Além disso queria agradecer-lhe pela hospitalidade.

Quando o Marajá explicou a Manu, que significa ser pensante em sânscrito, ele entendeu. E mais tarde, depois de conversar com Farshid, agradeceu-lhe um pouco envergonhado, partindo ambos na direcção do Tibete.


A Marani deu o braço ao marido e suspirou feliz por ter um marido tão sábio e… belo, disse de si para si, sorrindo enlevada. J 


Dedicado a Maria S. para que não se esqueça que o seu coração é o trono de Brahma, o Deus manifestado.

Paz e Amor
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