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terça-feira, 7 de junho de 2016

O Dragão da Sabedoria


O "Dragão da Sabedoria" é o Um, o "Eka" ou Saka. É curioso observar que o nome de Jehovah em hebreu é também Um, Achad. "Seu nome é Achad", dizem os rabinos. 

Cabe aos filólogos decidir qual dos dois termos é derivado do outro, do ponto de vista linguístico e simbólico; não o será, certamente, a palavra sânscrita. 

O "Um" e o "Dragão" são expressões usadas pelos antigos, quando se referiam aos seus respectivos Logos. Jehovah — esotericamente Elohim — é também a Serpente ou Dragão que tentou Eva; e o Dragão é um antigo emblema da Luz Astral (o Princípio Primordial), "que é a Sabedoria do Caos". A filosofia arcaica, não reconhecendo nem o Bem nem o Mal como potência fundamental ou independente, mas apresentando essas duas forças como aspectos da Luz pura que, no curso da evolução natural, se condensa gradualmente na forma, convertendo-se, portanto, na Matéria, isto é, no Mal.

A ignorância dos primeiros padres cristãos desvirtuou a ideia filosófica e altamente científica contida nesse símbolo, transformando-a na absurda superstição do "Diabo". 

Foram-no buscar aos zoroastrianos do último período, que viam diabos ou o Mal nos Devas hindus; e a palavra Evil (Mal) se converteu, assim, numa dupla transmutação, em D'Evil (Diabos, Diable, Diavolo, Teufel). 



Mas os pagãos sempre deram mostra de discernimento filosófico em seus símbolos. O emblema primitivo da serpente simbolizava sempre a Sabedoria Divina e a Perfeição, e era considerado como equivalente à Regeneração psíquica e à Imortalidade. 

É por isso que Hermes chamava a Serpente o mais espiritual de todos os seres. Moisés, iniciado na sabedoria de Hermes, diz a mesma coisa no Gênesis; e a Serpente gnóstica, com as sete vogais sobre a cabeça, era o emblema das Sete Hierarquias dos Criadores Setenários ou Planetários. 

Daí também a serpente dos hindus Shesha ou Ananta, o Infinito; um nome de Vishnu e o seu primeiro Vâhana, ou veículo, sobre as Águas Primordiais. Entretanto, da mesma forma que os Logos e as Hierarquias de Poderes, devem-se distinguir tais serpentes umas das outras. 



Shesha ou Ananta, o "Leito de Vishnu", é uma abstracção alegórica, simbolizando o Tempo infinito no Espaço, que contém o Germe e dele lança periodicamente a eflorescência (o Universo manifestado); ao passo que o Ophis gnóstico encerra, em suas sete vogais, o mesmo simbolismo tríplice do Oeaohoo de uma, três e sete sílabas da doutrina arcaica, a saber: o Primeiro Logos Não manifestado, o Segundo Manifestado, o Triângulo que se concretiza no Quaternário ou Tetragrammaton, e os Raios deste no plano material.

Apesar disso, todos eles estabelecem uma distinção entre a boa e a má Serpente (a Luz astral dos cabalistas); a primeira, a encarnação da Sabedoria Divina na região do Espiritual, e a segunda, o Mal, no Plano da Matéria. Porque a Luz Astral, ou o Éter dos antigos pagãos (o nome de Luz Astral é de todo moderno) é o Espírito-Matéria, que, procedente do plano puramente espiritual, se torna cada vez mais grosseiro à medida que desce, até converter-se em Mâyâ, ou a Serpente tentadora e enganosa, em nosso plano.



Jesus admitiu a Serpente como sinónimo de Sabedoria, e em um de seus ensinamentos disse: "Sede sábios como a serpente."

"No começo, antes que a Mãe se convertesse em Pai-Mãe, o Dragão de Fogo se movia sozinho no seio do Infinito*." 

O Aitareya Brâbmana chama à terra Sarparâjni, a "Rainha-Serpente" e a "Mãe de tudo o que se move**". 



Antes de o nosso Globo assumir a forma de ovo (e também o Universo), "um longo rastro de poeira cósmica (ou névoa de fogo) se movia e se retorcia como uma serpente no Espaço". 

"O Espírito de Deus movendo-se no Caos" foi simbolizado por todos os povos sob a forma de uma serpente de fogo, exalando chama e luz sobre as águas primordiais, até haver incubado a matéria cósmica e fazê-la tomar a forma anular de uma serpente que morde a própria cauda; o que simboliza não somente a Eternidade e o Infinito, mas também a forma esférica de todos os corpos produzidos no Universo daquela névoa de fogo. O Universo, a Terra e o Homem se despojam periodicamente de suas velhas peles, para retomar outras novas depois de um período de repouso, como o faz a serpente. Esta imagem da serpente não é decerto menos graciosa ou menos poética que a da lagarta e da crisálida de que surge a borboleta, emblema grego de Psique, a alma humana. 



O Dragão era também o símbolo do Logos entre os Egípcios, assim como entre os Gnósticos. No Livro de Hermes, Pimandro, o mais antigo e espiritual dos Logos do continente ocidental, aparece a Hermes sob a forma de um Dragão de "Luz, Fogo e Chama". 

Pimandro, a personificação do "Pensamento Divino", diz:

"A luz sou eu; eu estou em Nous (a Mente ou Manu); eu sou teu Deus, e sou muito mais antigo que o princípio humano que escapa da sombra das Trevas ou a Divindade oculta. Eu sou o germe do Pensamento, o Verbo resplandecente, o Filho de Deus. Tudo o que vê e ouve em ti é o Verbo do Mestre, é o Pensamento Mahat, o qual é Deus, o Pai***.  O Oceano celeste, o Æther... é o sopro do Pai,  princípio que dá a vida, a Mãe, o Espírito Santo... Porque estes não estão separados, e sua união é si Vida****."


Encontramos aqui o eco iniludível da Doutrina Secreta arcaica, de que ora nos ocupamos. Ocorre apenas que esta última não coloca à frente da Evolução da Vida o "Pai", que vem em terceiro lugar e é o "Filho da Mãe"; mas ali situa o "Eterno e Incessante Alento do todo". Mahat (o Entendimento, a Mente Universal, o Pensamento etc.), antes de se manifestar como Brahmâ ou Shiva, aparece como Vishnu — diz o Sânkhya Sâra*****. 

É por isso que ele tem vários aspectos, tal como o Logos. Mahat é chamado o Senhor na Criação Primária, e neste sentido é o Conhecimento Universal ou o Pensamento Divino; mas aquele "Mahat, que foi o primeiro a surgir", é depois chamado Ego-ismo, quando nasce como (o sentimento mesmo do) "Eu"; é então o que se chama a "Segunda Criação"******. 

E o tradutor (um inteligente e culto brâmane, não um orientalista europeu) esclarece, em nota ao pé da página: "isto é, quando Mahat desenvolve o sentimento da consciência de si mesmo, o Eu, então recebe o nome de Egoísmo", o que, em termos esotéricos, significa que, quando Mahat se transforma no Manas humana (ou ainda no dos deuses finitos), passa a ser Aham-ismo*******. A razão por que é chamado o Mahat da criação Segunda (ou da Nona, a de Kumâra no Vishnu Purâna) será explicada mais adiante.



O "Mar de Fogo" é, portanto, a Luz Supra-Astral (ou seja, Numénica), a radiação primeira da Raiz Mûlaprakriti, a Substância Cósmica não diferenciada, que se converte em Matéria Astral. Também se chama a "Serpente de Fogo", como já dissemos. Se se atentar em que não há senão Um Elemento Universal infinito, inato e imperecível, sendo tudo o mais — como o mundo dos fenómenos — tão somente aspectos vários e múltiplos e transformações diferenciadas (chamam-se hoje correlações) daquela Unidade, desde os produtos do macrocosmo até os do microcosmo, desde os seres supra-humanos aos seres humanos e sub-humanos, numa palavra, a totalidade da existência objetiva — então a primeira e maior dificuldade desaparecerá, e a Cosmologia Oculta se fará compreensível. Tanto na Teologia egípcia como na indiana havia uma Divindade Oculta, o UNO, e um deus
criador andrógino: Shoo era o deus da criação, e Osíris, em sua forma primária e original, o Deus "cujo nome é desconhecido********".

Todos os cabalistas e ocultistas, orientais e ocidentais, reconhecem: (a) a identidade do "Pai-Mãe" com o Æther Primordial ou Âkâsha (a Luz Astral); e (b) sua homogeneidade antes da evolução do "Filho", o "Fohat" cosmicamente, pois este é a Eletricidade Cósmica: "Fohat endurece e dispersa os Sete Irmãos*********": significa que a Entidade Eléctrica Primordial (os ocultistas orientais afirmam que a Electricidade é uma Entidade) vitaliza com a força eléctrica a matéria primordial e pré-genética, separando-a em átomos, que são a origem de toda vida e consciência.

"Existe um agente único universal de toda forma e de toda vida — chama-se Od, Ob e Aour***********, activo e passivo, positivo e negativo, como o dia e a noite: é o alvor da Criação" (Eliphas Lévi), a "primeira luz" do Elohim primordial, o Adão "andrógino", ou (cientificamente) a Electricidade e a Vida.

Os antigos o representavam por uma serpente, porque "Fohat silva, quando desliza de um ponto para outro" em ziguezagues. A Cabala o designa pela letra hebraica Teth O, cujo símbolo é a serpente, que desempenhava tão importante papel nos Mistérios. Seu valor universal é nove, porque é a nona letra do alfabeto e a nona porta das cinquenta que dão acesso aos mistérios ocultos do ser. É o agente mágico por excelência, e na filosofia hermética indica a "Vida insuflada na Matéria Primordial", a essência imanente em todas as coisas e o espírito que lhes determina as formas. São duas, porém, as operações hermética secretas, uma espiritual e outra material, correlativas ambas e unidas sempre. 

Disse Hermes:

"Tu separarás a terra do fogo, o sutil do sólido... 
que sobe da terra para o céu e o que desce do céu para a terra. .. 
Isso (a luz subtil) é a potência de toda força, 
porque domina todas as coisas subtis e penetra todos os sólidos. 
Assim foi formado o mundo."

Não foi Zenão, o fundador do estoicismo, o único a ensinar que o Universo evoluciona e a substância primária se transforma do estado de fogo no de ar, depois no de água, etc. Heráclito de Éfeso sustentava que o único princípio existente na base de todos os fenómenos da Natureza é o fogo. A inteligência que move o Universo é o fogo, e o fogo é inteligência. E, enquanto Anaxímenes diz a mesma coisa do ar, e Thales de Mileto (600 anos antes de Cristo) outro tanto da água, a Doutrina Secreta concilia todos esses filósofos, demonstrando que, embora cada qual esteja com a razão em seu respectivo ponto de vista, nenhum destes sistemas é completo.

___________________________

*Livro de Sarparâjni.
**Veja-se: Das Kaushitaki Brâhmana, texto sânscrito, editado por B. Lindner, Ph. D., pág. 132 (1897); e Rigveda Brâhmanas, trad. de A. Berriedale Keith, D. Litt, pág. 511, nota 2 (1920).
***"Deus, o Pai" deve aqui significar, sem dúvida, o sétimo princípio no Homem e, no cosmos, princípio que é inseparável, em sua Essência e Natureza, do sétimo princípio cósmico. Em certo sentido, é o Logos dos gregos e o Avalokiteshvara dos "Budistas" esotéricos.
**** Veja-se o Divino Pimandro, trad. do Dr. Everard (1650), reeditado por Hargrave Jennings (1884), págs. 8-9.
***** Edição de Fitzedward Hall na Biblioteca Indica, pág. 16.
****** Anugitâ, cap. XXVI, tradução de K. T. Telang, pág. 333.
******* Eu-ismo ou Ego-ismo, do sânscrito aham, eu
********Veja-se Abydos, de Mariette, II, 63, e III, 413, 414, n.° 1.122.
*********Livro de Dzyan, III.
**********Od é a Luz pura que dá a vida, o fluido magnético: Ob é o mensageiro da morte, de que se servem os feiticeiros, o fluido nefasto; Aour é a síntese dos dois, a Luz Astral propriamente. Podem os filólogos dizer por que Od, termo usado por Reichenbach para designar o fluido vital, é também uma palavra tibetana que significa luz, resplendor, brilho? Em sentido oculto ainda quer dizer "céu". Donde vem, pois, a raiz da palavra; Por outra parte, Âkâsha não é exactamente o Éter, mas algo muito mais levado, como se mostrará.

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in "A doutrina Secreta" H. P. Blavatsky, pág. 202 a 207

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