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sábado, 9 de abril de 2016

A DOUTRINA HINDU DOS PITRIS


No livro I do Génese hindu, o Livro da Criação de Manu, os Pitris são chamados de ancestrais lunares da raça humana. Eles pertencem a uma raça de seres diferentes da nossa e eles não podem ser chamados propriamente de "espíritos humanos" no sentido em que os espiritualistas usam esse termo. 

Eis o que se diz deles:

"Eles [os deuses] criaram então os Yakshas, os Râkchasas, os Pisâchas (Pisâchas, demónios da raça dos gnomos, dos gigantes e dos vampiros.), Gandharvas (Gandharvas, demónios bons, serafins celestiais, cantores.), as Apsarasas, e os Asuras, os Nâgas (Os Asuras e os Nâgas são os espíritos titânicos e o dragão ou espírito com cabeça de serpente.) os Sarpas e os Suparnas e os Pitris - ancestrais lunares da raça humana" (Ver Institutes of Manu, livro I, sloka 37, onde os Pitris são chamados de "progenitores da Humanidade").

Os Pitris são uma raça de espíritos distintos que pertencem à hierarquia mitológica, ou antes à nomenclatura cabalística, e devem ser incluídos entre os génios bons, os daemons dos gregos, ou os deuses inferiores do mundo invisível; e, quando um faquir atribui os seus fenómenos aos Pitris, ele só quer dizer aquilo que os antigos filósofos e teúrgicos pretendiam, quando afirmavam que todos os "milagres" eram obtidos com a intervenção dos deuses, ou dos daemons bons e maus, que controlam os poderes da Natureza, os elementais, que são subordinados ao poder daquele "que sabe". Um faquir chamaria uma aparição ou um fantasma humano de palît, e um espírito feminino de pichalpâî, não de Pitri. É verdade que pitarah significa (no plural) pais, ancestrais; e piratâî é um parente; mas essas palavras são usadas com um sentido bastante diferente do que o dos Pitris invocados nos mantrans.

Afirmar, diante de um brâmane devoto ou de um faquir que qualquer pessoa pode conversar com os espíritos dos mortos seria chocá-lo e isso lhe pareceria uma blasfêmia. A última estrofe do Bhâgavata-Purâna não diz que essa felicidade suprema só está reservada aos santos sanyâsins, aos gurus e aos iogues?

Muito tempo antes de serem desembaraçadas de seus envoltórios mortais, as almas que só praticaram o bem, como as dos sannyâsins e dos vanaprasthas, adquirem a faculdade de conversar com as almas que as precederam no svarga." (Mansão Celestial, paraíso.).

Nesse caso, os Pitris, em vez de génios, são os espíritos, ou antes, as almas dos desencarnados. Mas eles se comunicarão livremente apenas com aqueles cuja atmosfera for pura como as suas e a cujas kalâsas (invocações) poderosas eles podem responder sem riso de colocar em perigo a sua pureza celestial. Quando a alma do invocador alcançou o sâyujya, ou identidade perfeita de essências com a Alma Universal, quando a matéria é finalmente conquistada, então o adepto pode entrar livremente na comunhão de todos os dias e de todas as horas com aqueles que, embora aliviados de suas formas corpóreas, ainda estão progredindo por meio de uma série infindável de transformações inerentes na aproximação gradual do Paramâtman, ou a grande Alma Universal.

Fonte: livro 3 de "Ísis sem véu" de H. P. Blavatsky

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